"Os árabes nunca perdem a oportunidade
de perder uma oportunidade", dizia Abba Eban, chanceler de Israel nos
anos 1960 e 1970. Com o tempo, quem usa a frase foi trocando "árabes"
por "palestinos". Porque o "conflito árabe-israelense" tornou-se a
"questão palestina".
A tirada de Eban sobreviveu à sua
morte, em 2002, por uma razão objetiva: a ampla maioria dos líderes
árabes e muçulmanos tem recusado, nos últimos quase cem anos, qualquer
solução de compromisso que inclua um Estado judeu, de qualquer tamanho
ou desenho, em qualquer parte do antigo mandato britânico na região.
Do relatório da Comissão Peel (1937) às
ofertas de Ehud Barak (2000) e Ehud Olmert (2008), passando pela
partilha decidida pela ONU em 1947, a cada rejeição árabe-palestina
costuma seguir-se um conflito, e dele resulta um status quo pior para os
rejeicionistas, geralmente consequência de derrotas no campo de
batalha.
Não se discute aqui a legitimidade dos
objetivos de cada litigante, mas resultados concretos de escolhas
políticas. E escolhas ruins costumam partir de premissas erradas.
A mitologia árabe-palestina sobre
Israel e o sionismo é útil para produzir fanáticos. Serve também para
oferecer um horizonte anticapitalista (regressista) a grupos que, com o
fim do campo soviético, perderam as referências anticapitalistas
progressistas. Ajuda ainda a fantasiar de "anti-imperialismo" o velho
antissemitismo. Mas adiciona pouco ao sucesso da emancipação palestina.
Também por basear-se em premissas equivocadas.
A primeira premissa errada é considerar
Israel um enclave imperialista, um empreendimento colonial. Ora, o
moderno projeto sionista nasceu no século 19, mas consolidou-se nos anos
30 e 40 do século passado contra o desejo da potência colonial de
ocupação, o Império Britânico. Basta consultar, por exemplo, sobre o
infame "Livro Branco de 1939".
Nele, à beira da Segunda Guerra Mundial
e com as leis racistas da Alemanha de Hitler já em vigor, o governo
britânico comandado pelo notório Neville Chamberlain rejeitava a
partilha da Palestina e a criação de um Estado judeu, limitava a
imigração judaica a 75 mil pessoas nos cinco anos seguintes (que viriam a
coincidir com o Holocausto) e restringia o direito de os judeus
comprarem terras dos árabes, entre outras cláusulas.
Os propagandistas da tese "colonial"
precisariam explicar por que, em plena descolonização do pós-Guerra, a
União Soviética de Josef Stálin votou na ONU em 1947 a favor da criação
do Estado judeu, enquanto o maior colonizador da época, o Reino Unido,
abstinha-se, para não desagradar aos sócios árabes. E a URSS foi o
primeiro país a estabelecer relações diplomáticas oficiais com Israel.
Israel é produto da luta de
independência da nação judaica, a partir da criação do moderno movimento
sionista, desencadeado no final do século 19 pela agudização das
perseguições antissemitas na Europa e pela frustração com o produto das
revoluções burguesas.
Um ramo judaico abraçou o sionismo,
inclusive o socialista. Outro aderiu ao marxismo, na esperança de a
revolução proletária garantir aos judeus a igualdade prometida, mas
nunca realizada. Um terceiro escolheu a assimilação. Um quarto, a
ortodoxia religiosa.
Naturalmente, sionistas e Israel
procuraram, ao longo dos anos, aproveitar as contradições entre as
potências para ganhar aliados.
Não há originalidade nisso. Lênin
entendeu-se com os alemães para voltar à Rússia e fazer sua revolução,
que incluía tirar os russos da Primeira Guerra, algo de grande interesse
para o inimigo alemão. Os Estados Unidos obtiveram apoio da França na
guerra pela independência contra o Império Britânico. O Brasil recebeu
ajuda da Inglaterra para livrar-se da dominação colonial portuguesa.
Fazer as alianças certas é chave em
processos de emancipação nacional. Infelizmente para o movimento
árabe-palestino, seus principais líderes decidiram aliar-se à Alemanha
nazista na Segunda Guerra. Depois alinharam-se à União Soviética na
Guerra Fria.
Enquanto isso, os judeus sionistas
lutaram ao lado dos vencedores nas duas grandes guerras do século
passado e –também com uma dose de ventura– acabaram empurrados para uma
aliança com os Estados Unidos contra a União Soviética, que dera as
costas aos sionistas-socialistas e se vinculara às revoluções
antimonárquicas e nacionalistas no mundo árabe nos anos 50 e 60.
Sobre alinhamentos, aliás, registre-se
que vão de vento em popa as relações de Israel com os países mais
dinâmicos dos Brics, como a Índia e a China.
A segunda premissa errada é a de que a
vantagem aritmética árabe-muçulmana em território, população e forças
convencionais será, um dia, suficiente para remover Israel do mapa. De
acordo com essa tese, Israel seria um fenômeno passageiro, como a
presença dos cruzados na Terra Santa.
Além de ignorar a relação milenar dos
judeus com a região, a premissa tem sido negada pelos fatos. A "unidade
antissionista árabe-muçulmana" é só um slogan, apenas ficção.
Egito e Jordânia já assinaram e
praticam acordos de paz com Israel. A Turquia era um grande parceiro de
Israel até a ascensão dos islâmicos ao poder. A relação piorou, e agora
volta a melhorar. "Israel precisa da Turquia, mas a Turquia também
precisa de Israel", disse dias atrás o presidente turco, Recep Tayyip
Erdogan.
No fim de 2015 anunciou-se a abertura
da representação israelense em uma agência internacional de energia
renovável em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Os países do Golfo, assim
como a Turquia, não estão confortáveis com as ambições do Irã. Os fatos
recentes comprovam.
Os árabes enfrentam hoje duas grandes
ameaças imediatas: o fundamentalismo sunita (Al Qaeda, Estado Islâmico) e
o expansionismo persa-xiita (Irã). Não há unidade nem entre os
palestinos, divididos ideológica, política e territorialmente entre os
nacionalistas do Fatah e os islâmicos do Hamas.
Israel não se considera inimigo de seus
vizinhos também por não ter disputas territoriais com o Egito, a
Jordânia e o Líbano. Sobre a Síria, a ocupação e posterior anexação das
colinas de Golã foram resultado de conflitos motivados principalmente
por razões de segurança.
O terceiro erro é fazer o paralelo
entre Israel e a África do Sul do apartheid. No apartheid, a segregação
social da maioria negra assentava-se na segregação política. A bandeira
fundadora da luta contra o apartheid era o "um homem, um voto", o voto
igual de brancos e negros. Nelson Mandela foi um líder político, não um
ativista social.
Em Israel, os árabes israelenses não
apenas votam mas são votados, constituem partidos e influem no poder. A
principal coalizão árabe é a terceira maior bancada no atual Knesset
(Parlamento). Uma deputada árabe preside o Comitê Parlamentar sobre o
Status das Mulheres e a Igualdade de Gênero.
A minoria árabe não influi mais porque a
maioria de seus representantes não admite participar de coalizões de
governo com partidos sionistas. Depois da última eleição, recusaram
unir-se ao campo trabalhista e social-democrata contra o campo
nacionalista-religioso e de direita liderado por Benjamin Netanyahu.
Apartheid político e discriminação é o que se vê em países vizinhos, ou próximos.
A guerra civil na Síria, como a do
Iraque, nasceu da rebelião dos sunitas contra o monopólio político dos
xiitas. No Egito, um partido islâmico foi tirado do poder pelos
militares, colocado na ilegalidade, e seus líderes estão presos, alguns
condenados à morte.
No Iêmen e no Bahrein são os xiitas a rebelar-se
contra os sunitas.
Que "apartheid"? Arábia Saudita e Irã,
entre outros, são Estados formalmente islâmicos. É sintomático que a
República Islâmica do Irã seja universalmente aceita, enquanto Israel se
declarar um Estado judeu é apontado pelos críticos como prova de
discriminação em relação às demais religiões.
É o velho antissemitismo, de roupa
nova: nega-se aos judeus o que se aceita como natural nos demais povos.
Da propriedade de terras na Idade Média ao direito de constituir um
Estado nacional em nossos tempos, a conversa é a mesma. Nunca muda.
BOICOTE
O quarto erro é apostar no isolamento,
no boicote político e econômico para colocar Israel de joelhos e
eventualmente riscá-lo do mapa. É uma estratégia baseada na hipótese de
construir uma correlação de forças planetária decisiva contra Israel.
Isso é, no mínimo, muito improvável.
Entre outras muitas razões, Israel está totalmente integrado à economia
global e desempenha papel estratégico em seu polo mais dinâmico, a
produção de alta tecnologia para fins agrícolas, industriais e
militares. Israel depende do resto do mundo, mas o resto do mundo também
depende de Israel.
Esse aspecto de seu desenvolvimento faz
Israel produzir e adquirir continuamente tecnologia militar que lhe
permite capacidade de dissuasão diante dos inimigos potenciais –o que
tem sido chave para a paz com os vizinhos. Se queres a paz, prepara-te
para a guerra, diz o ditado.
No plano religioso, a enorme
superioridade numérica do Islã sobre o judaísmo de alguma maneira vem
sendo contrabalançada pela crescente aproximação entre o
judaísmo-sionismo e diversos ramos do cristianismo. Este não é
indiferente à busca da hegemonia pelo Islã nem é cego à limpeza étnica
de seus fiéis no Oriente Médio e norte da África, limpeza acelerada pela
força crescente do islamismo político extremista após o ocaso da
Primavera Árabe.
Não há aqui qualquer juízo de valor sobre essas religiões, só constatação de fatos.
São muitas as premissas erradas. Ao
agarrar-se a elas, o movimento nacional palestino e seus amigos fogem do
único caminho viável: buscar uma solução baseada na aceitação mútua da
existência alheia. Essa é a premissa certa.
Mesmo o sempre batido tema dos israelenses que moram em territórios da possível futura Palestina perderia importância.
Se um Estado palestino estiver disposto
a conviver em paz com o Estado judeu, qual o problema de existir uma
minoria judaico- israelense na Palestina? Afinal, há uma importante
minoria de árabes em Israel, boa parte dos quais se considera palestina e
não pretende mudar de endereço se o Estado palestino for criado.
Quando França e Alemanha decidiram
viver em paz e encerrar guerras que pareciam eternas, ninguém se
preocupou em saber quantos alemães haveria na França ou quantos
franceses morariam na Alemanha. Se dois vizinhos optam pela paz
duradoura, isso deixa de ser assunto.
Na opção pela paz, Israel e Palestina
poderiam ser como França e Alemanha, o núcleo de uma integração política
e econômica regional, com a participação decisiva da Jordânia.
Não
seria ótimo?
Para tanto, porém, será preciso
resolver de vez o problema apontado no início deste texto. Os árabes e
os iranianos precisariam aceitar a realidade: o Estado judeu de Israel é
legítimo, forte, soberano e está ali para ficar. Quando –e se– isso for
aceito e esse nó desatado, o resto será consequência.
O movimento nacional palestino só tem
futuro se deixar de considerar os judeus "colonos", Tel Aviv um
"assentamento" e a presença judaica em qualquer parte do território uma
"ocupação".
ALON FEUERWERKER - é
jornalista e analista político, foi Secretário de Redação da Folha,
colunista político do "Correio Braziliense" e subchefe de Assuntos
Parlamentares da Presidência (governo Lula).
<Rua Judaica>
31.1.16
24.1.16
O EMOCIONADO PRONUNCIAMENTO DO PAPA FRANCISCO EM SUA VISITA À SINAGOGA DE ROMA
"Caros irmãos e irmãs,
Sinto-me feliz por estar aqui, entre vocês, nesta Sinagoga. Agradeço pelas palavras cordiais do Dr. Di Segni, a senhora Durighello e o Dr. Gattegna. Agradeço a todos vocês pela calorosa recepção. Tada rabbá! Obrigado!
Sinto-me feliz por estar aqui, entre vocês, nesta Sinagoga. Agradeço pelas palavras cordiais do Dr. Di Segni, a senhora Durighello e o Dr. Gattegna. Agradeço a todos vocês pela calorosa recepção. Tada rabbá! Obrigado!
Na minha primeira visita a esta Sinagoga, como Bispo
de Roma, desejo expressar-lhes, como também a todas as Comunidades
judaicas, a saudação fraterna de paz desta e de toda a Igreja católica.
As nossas relações me interessam muito. Em Buenos Aires, eu já estava acostumado a ir às sinagogas para encontrar as comunidades lá reunidas; seguir de perto as festividades e comemorações judaicas; dar graças ao Senhor, que nos dá a vida e nos acompanha no caminho da história.
Ao longo do tempo, criou-se uma união espiritual que favoreceu o nascimento de autênticas relações de amizade, que inspirou um empenho comum. No diálogo inter-religioso é fundamental encontrar-nos, como irmãos e irmãs, diante do nosso Criador e a Ele prestar louvor; respeitar-nos e apreciar-nos mutuamente e colaborar.
No diálogo judeu-cristão há uma ligação única e peculiar em virtude das raízes judaicas do cristianismo: judeus e cristãos devem, portanto, sentir-se irmãos, unidos pelo próprio Deus e por um rico patrimônio espiritual comum (cf. Declaração Nostra aetate, 4) no qual basear-nos e continuar a construir o futuro.
As nossas relações me interessam muito. Em Buenos Aires, eu já estava acostumado a ir às sinagogas para encontrar as comunidades lá reunidas; seguir de perto as festividades e comemorações judaicas; dar graças ao Senhor, que nos dá a vida e nos acompanha no caminho da história.
Ao longo do tempo, criou-se uma união espiritual que favoreceu o nascimento de autênticas relações de amizade, que inspirou um empenho comum. No diálogo inter-religioso é fundamental encontrar-nos, como irmãos e irmãs, diante do nosso Criador e a Ele prestar louvor; respeitar-nos e apreciar-nos mutuamente e colaborar.
No diálogo judeu-cristão há uma ligação única e peculiar em virtude das raízes judaicas do cristianismo: judeus e cristãos devem, portanto, sentir-se irmãos, unidos pelo próprio Deus e por um rico patrimônio espiritual comum (cf. Declaração Nostra aetate, 4) no qual basear-nos e continuar a construir o futuro.
Naquela ocasião, João Paulo II cunhou a bela expressão “irmãos mais velhos”! De fato, vocês são os nossos irmãos e as nossas irmãs mais velhos na fé. Todos nós pertencemos a uma única família, a família de Deus; juntos, Ele nos acompanha e nos protege como seu Povo; juntos, como judeus e como católicos, somos chamados a assumir as nossas responsabilidades por esta cidade, dando a nossa contribuição, também espiritual, e favorecendo a resolução dos diversos problemas atuais.
Espero que aumentem, sempre mais, a proximidade espiritual e o conhecimento e estima recíprocos entre as nossas duas comunidades de fé. Por isso, é significativa a minha vinda entre vocês, precisamente hoje, 17 de janeiro, quando a Conferência Episcopal italiana celebra o “Dia do diálogo entre Católicos e Judeus”.
Comemoramos, há pouco, o 50° aniversário da Declaração Nostra aetate do Concílio Vaticano II, que tornou possível o diálogo sistemático entre a Igreja católica e o Judaísmo.
No passado dia 28 de outubro, na Praça São Pedro, pude saudar também um grande número de representantes judaicos, aos quais me expressei assim: “A verdadeira e própria transformação da relação entre Cristãos e Judeus, durante estes 50 anos, merece uma gratidão especial a Deus. A indiferença e a oposição se converteram em colaboração e em benevolência. De inimigos e estranhos, tornamo-nos amigos e irmãos”.
O Concílio, com a Declaração Nostra aetate, traçou o caminho: “sim” à descoberta das raízes judaicas do cristianismo; “não” a toda forma de antissemitismo e condenação de toda injúria, discriminação e perseguição, que disso derivam”.
Nostra aetate definiu, teologicamente, pela primeira vez e de maneira explícita, as relações da Igreja católica com o Judaísmo. Ela, naturalmente, não resolveu todas as questões teológicas que nos dizem respeito, mas fez uma referência, de modo encorajador, fornecendo um estímulo importantíssimo para ulteriores e necessárias reflexões.
A propósito, em 10 de dezembro de 2015, a Comissão para as Relações religiosas com o Judaísmo publicou um novo documento que aborda as questões teológicas, emergidas nos últimos decênios, após a Declaração Nostra aetate (n. 4).
Com efeito, a dimensão teológica do diálogo judaico-católico merece ser sempre mais aprofundada. Por isso, encorajo todos aqueles que estão comprometidos com este diálogo a continuar neste caminho, com discernimento e perseverança.
Precisamente de um ponto de vista teológico, aparece claramente a indivisível ligação que une Cristãos e Judeus. Para compreender-se, os cristãos não podem não fazer referência às raízes judaicas; a Igreja, mesmo professando a salvação, mediante a fé em Cristo, reconhece a irrevocabilidade da Antiga Aliança e o amor constante e fiel de Deus por Israel.
Por mais importante que sejam as questões teológicas, não devemos perder de vista as situações difíceis, com as quais o mundo de hoje se defronta. Os conflitos, as guerras, as violências e as injustiças causam ferimentos profundos na humanidade e nos impelem a comprometer-nos pela paz e a justiça. A violência do homem contra o homem está em absoluta contradição com qualquer religião, digna deste nome e, em particular, com as três grandes Religiões monoteístas.
A vida é sagrada, como dom de Deus. O quinto mandamento do Decálogo, diz: “Não matar” (Ex 20,13). Deus, que é Deus da vida, quer sempre promovê-la e salvaguardá-la. E nós, criados à sua imagem e semelhança, devemos fazer o mesmo. Todo ser humano, como criatura de Deus, é irmão, independentemente da sua origem ou da sua pertença religiosa.
Toda pessoa deve ser vista com benevolência, como faz Deus, que estende a sua mão misericordiosa a todos, independentemente da sua fé e da sua proveniência; Ele dispensa atenção particular aos que mais precisam dele: os pobres, os enfermos, os marginalizados, os indefesos.
Lá, aonde a vida corre perigo, somos chamados, ainda mais, a promovê-la e salvaguardá-la. Quanto mais nos sentirmos ameaçados, tanto mais deveríamos confiar em Deus, que é a nossa defesa e o nosso refúgio (cf. Sal 3,4; 32,7), procurando fazer resplandecer em nós o seu rosto de paz e de esperança, sem jamais ceder ao ódio e à vingança. A violência e a morte jamais terão a última palavra diante de Deus, que é Deus do amor e da vida!
Devemos invocá-Lo com insistência, para que nos ajude a praticar - na Europa, na Terra Santa, no Oriente Médio, na África e em qualquer outra parte do mundo, - não a lógica da guerra, da violência, da morte, mas a da paz, da reconciliação, do perdão, da vida.
O povo judaico, na sua história, teve que padecer violências e perseguições, até ao extermínio dos judeus europeus, durante a Shoah. Seis milhões de pessoas, apenas por pertencerem ao povo judaico, foram vítimas da barbárie mais desumana perpetrada em nome de uma ideologia, que queria substituir Deus com o homem. Em 16 de outubro de 1943, mais de 1 mil homens, mulheres e crianças da comunidade judaica de Roma, foram deportados para Auschwitz.
Hoje, quero recordá-los de modo particular: seus sofrimentos, suas angústias, suas lágrimas nunca devem ser esquecidas. O passado deve servir de lição par o presente e o futuro. A Shoah ensina-nos que é preciso sempre máxima vigilância, para poder intervir, tempestivamente, em defesa da dignidade humana e da paz. Queria expressar a minha solidariedade a cada testemunha da Shoah que ainda vive; saúdo, de modo particular, aqueles que hoje estão presentes aqui.
Queridos irmãos mais velhos, devemos realmente ser gratos por tudo o que foi possível realizar nos últimos cinquenta anos, porque aumentaram e aprofundaram a compreensão recíproca e a mútua confiança e amizade.
Peçamos juntos ao Senhor, a fim de que conduza o nosso caminho rumo a um futuro bom e melhor. Deus tem para nós projetos de salvação, como diz o profeta Jeremias: “Conheço meus projetos sobre vocês – oráculo do Senhor -: são projetos de felicidade e não de sofrimento, para dar-lhes um futuro e uma esperança” (Jer 29,11).
Que o Senhor nos abençoe e nos guarde. Faça resplandecer sobre nós a sua face e nos dê a sua graça. Que o Senhor volva o seu rosto para nós e nos dê a paz (Num 6,24-26).
Shalom Alechem!"
Postado por
G. David Sedrez-Conde
às
domingo, janeiro 24, 2016
Nenhum comentário:
Links para esta postagem
Marcadores:
Cardeal Jorge Bergoglio/Papa Francisco,
Italia,
Judaísmo
10.1.16
Judeus estreiam com dois sambas-enredos no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo
No respeitado time de compositores dos sambas-enredos das 14 escolas
do Grupo Especial de São Paulo, dois nomes passam longe do estereótipo
do artista nascido em berço do samba. Amigos de longa data, os judeus
Ronny Potolski e Jairo Roizen emplacaram suas composições na Unidos do
Peruche e na Pérola Negra, driblando qualquer preconceito.
Sem instrumentos musicais associados ao nome de batismo, como Oswaldinho da Cuíca, Jackson do Pandeiro e Royce do Cavaco; sem referências a orixás, santos e divindades, como Xangô da Mangueira, Waldomiro do Candomblé e Paulinho de Ogum; e sem combinações que adicionam 'ginga' à alcunha dos sambistas, como Neguinho da Beija-Flor, Nenê da Vila e João Batucada; a dupla viu a galeria de bambas se abrir para seus dois sobrenomes incomuns neste universo, e genuinamente judeus.
Potolski e Roizen estreiam no Anhembi com criações desvinculadas da cultura judaica. As escolas que eles representam tratam em 2016 de temas do Brasil – país onde ambos nasceram e foram criados. Na Unidos do Peruche, o enredo reverencia os 100 anos do samba. Criada juntamente com Marcelo Madureira, Alex Barbosa, Sukatinha, Bagé, Tubino, Igor Vianna, Thiago Sousa, Gilson, Kaballa, Victor e Meiners, a composição tem sido apontada por especialistas como uma das três melhores do ano.
Na Pérola Negra, com outros parceiros, Jairo Roizen emplacou o samba-enredo que fala sobre a dança. A composição faz um passeio pela história desta arte e por sua influência no país, e foi feita ao lado de Celsinho Mody, Guga Mercadante, Nando do Cavaco, Marcelo Zola, Sidney Arruda, Filosofia Diley e Xandinho Nocera.
Da sinagoga para a avenida
Ronny e Jairo têm muita coisa em comum, a começar pela história das famílias Potolski e Roizen. Ambas têm raízes na Polônia, Romênia e Lituânia, e vieram ao Brasil entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial em busca de oportunidades longe das zonas de conflito da Europa. Mesmo sem se conhecer, Ronny e Jairo trilharam caminhos quase idênticos em São Paulo.
Estudaram nos colégios judaicos Renascença e I. L. Peretz, curtiram o clube A Hebraica, frequentaram a Congregação Israelita Paulista (CIP) e outras sinagogas, e ouviram os conselhos do rabino Henry Sobel. Mas só foram se conhecer por meio de uma paixão brasileira: o samba. Eles foram unidos pelos bastidores das escolas de samba e por aquele certo glamour do Carnaval que nem todo mundo consegue entender – nem aceitar.
Os dois meninos judeus foram apresentados à maior festa popular brasileira ainda crianças. Jairo se lembra de ter visto o primeiro desfile pela televisão, em 1989, quando tinha 7 anos. Hoje, com 33, é capaz de reproduzir com detalhes a noite em que ficou com a avó grudado ao televisor para ver as escolas, que ainda desfilavam na Avenida Tiradentes. Ronny, 34 anos, também era vidrado nos desfiles do Rio exibidos pela TV. Sua primeira lembrança é de acompanhar uma transmissão aos 4 anos de idade. Com 12, quis viver aquilo mais de perto e passou a colecionar os discos dos sambas-enredo de Rio e São Paulo.
"A gente não celebra o Natal, mas em dezembro há uma festa judaica que também é marcada pela troca de presentes, a Chanuká (Festa das Luzes). Eu sempre pedia o CD dos sambas-enredo", recorda-se Ronny. Dali até virar um estudioso do Carnaval foi um passo, conhecendo de perto as escolas de samba de Santos, frequentando a X-9 Paulistana, na Zona Norte de São Paulo, e indo a desfiles no Anhembi e na Sapucaí.
Para Ronny, os três melhores sambas-enredo da história do Carnaval paulista são o da Rosas de Ouro de 1992 ("Non Duco, Duco - Qual a Minha Cara?"), o da Gaviões da Fiel de 1995 ("O que É Bom É Para Sempre") e o da X-9 Paulistana de 1997 ("Amazônia, a Dama do Universo"). No Rio, seu coração ainda pulsa quando ouve o enredo da Vila Isabel de 1988 ("Kizomba - A Festa da Raça"), da Mocidade Independente de 1992 ("Sonhar Não Custa Nada, ou Quase Nada") e o do Salgueiro de 1993 ("Peguei um Ita no Norte/Explode Coração").
Formado em Ciências da Computação, com duas pós-graduações em tecnologias ambientais e engenharia de software, Ronny ganha a vida como consultor de sustentabilidade. Mas dedica boa parte de seu tempo a um trabalho não remunerado, de diretor-executivo do site da Sociedade Amantes do Samba Paulista (www.sasp.com.br) criado há 15 anos com o propósito de manter acesa a chama do samba no estado, um dia injustamente chamado de Túmulo do Samba.
"Com o site, passei a viver o Carnaval intensamente", diz Ronny, que também se casou com a porta-bandeira Thais Paraguassu, hoje na Unidos do Peruche. Começaram a namorar em 2008, quando ela ainda desfilava pela Tucuruvi, e subiram ao altar em abril de 2015. A noiva se converteu ao judaísmo e reforçou a ainda tímida ala dos judeus no samba paulistano.
A enredo da vida de Jairo não é muito diferente. Depois de amargar a decepção de ver os desfiles do Grupo Especial de 89 só pela TV, ganhou do pai, como prêmio de consolação, a oportunidade de ir à avenida Tiradentes no dia seguinte para conferir ao vivo o desfile do Grupo de Acesso. Naquele ano, o pequeno corintiano viu brilhar a Gaviões da Fiel. "Ali meu pai arrumou um problema...Teve que me levar para ver o desfile todos os anos", lembra Jairo.
Já cursando a faculdade de comunicação da PUC, passou a frequentar a quadra da Rosas de Ouro, por onde desfilou durante cinco anos. Formado jornalista, hoje atua como assessor de Imprensa da Liga das Escolas de Samba de São Paulo e também da Federação Israelita do Estado de São Paulo, além de apresentar o programa semanal Shalom Brasil, pelo canal comunitário TV Aberta.
Como o amigo, também passou a colecionar os CDs de sambas-enredo. Diz que ouve pelo menos um samba por dia, mas jamais pensou em ser compositor. Sua experiência mais próxima havia sido na escola, no I. L. Peretz. Em 1995, quando a Gaviões ganhou o Carnaval de São Paulo com o memorável "Me dê a mão, me abraça, viaja comigo pró céu...", Jairo resolveu se apoderar da canção para fazer bonito em um desfile da escola. Para comemorar o Purim (a mais alegre festa da cultura judaica, que inclui o uso de fantasias), a classe de Jairo criou até um carro alegórico, que desfilou pelo colégio com uma música feita propositadamente sobre a base do samba da Gaviões.
A mão dupla do preconceito
Ronny Potolski e a mulher, a porta-bandeira Thais Paraguassu, da Unidos do Peruche
Em 2009, Jairo passou a fazer parte da diretoria da Pérola Negra. Como diretor de Carnaval da escola, sugeriu, em 2011, o enredo "Abraão, o Patriarca da Fé", abrindo caminho para derrubar o preconceito de quem condenava a presença de judeus no samba. Naquele desfile, 300 dos 3.000 componentes da Pérola eram judeus arregimentados na comunidade judaica de São Paulo. "Pensei naquele enredo como uma homenagem aos meus avós, que se orgulhavam de me ver no mundo do samba, apesar da origem deles não ter nada a ver com isso. Foi também uma forma de retribuir aos brasileiros o carinho com que receberam todos os judeus fugidos da guerra", diz Jairo.
Antes, em 2003, a Mangueira já tinha levado Moisés para a avenida com o enredo "Os Dez Mandamentos: o Samba da Paz Canta a Saga da Liberdade". Mas a este enredo da Pérola, ele credita um marco na luta contra o preconceito que, em sua opinião, trafega numa via de mão dupla no país. O problema é que a tolerância das fantasias que se exprimem na passarela não reflete a realidade do mundo real. Tanto assim que, apesar dos esforços, judeus mais ortodoxos veem o Carnaval como uma festa que fere princípios culturais e religiosos do judaísmo. E sambistas mais conservadores ainda se valem de alguns estereótipos para acreditar que um sujeito loiro, branco, de olhos azuis e influência da cultura hebraica não possa fazer samba, viver de samba.
"Ganhar o concurso de samba-enredo em duas escolas do Grupo Especial de São Paulo é uma resposta a tudo isso", acredita Jairo. Ronny concorda e protesta: "Não ter raiz do samba no sangue sempre pesou como um estigma sobre a gente".
Nessa cruzada contra o preconceito, ambos defendem o direito de se expressar como cidadãos brasileiros apaixonados pela arte do samba e sua expressão mais popular, que é o Carnaval. Ser judeu é um detalhe que, evidentemente, não deveria ter o menor significado, como não tem o fato de a passista ser católica, o mestre-sala ser umbandista, o mestre de bateria ser devoto de Ogum – e de São Jorge ser considerado protetor dos batuqueiros.
Uma boa demonstração de que é possível conviver com a tolerância religiosa é o desafio que este ano caiu nas mãos de Ronny. Como Carnavalesco da escola X-9 de Santos, ele tem a missão de levar para a avenida um desfile sobre a importância de Nossa Senhora de Monte Serrat para a história da cidade, da qual é padroeira. Caberá, pois, a um judeu a nobreza de se despir dos preconceitos para encenar na avenida os tantos milagres que são atribuídos à santa da Igreja católica, mostrando em suas criações a diversidade presente na essência do Carnaval.
(UOL)
Também disponível no Street Striker
Sem instrumentos musicais associados ao nome de batismo, como Oswaldinho da Cuíca, Jackson do Pandeiro e Royce do Cavaco; sem referências a orixás, santos e divindades, como Xangô da Mangueira, Waldomiro do Candomblé e Paulinho de Ogum; e sem combinações que adicionam 'ginga' à alcunha dos sambistas, como Neguinho da Beija-Flor, Nenê da Vila e João Batucada; a dupla viu a galeria de bambas se abrir para seus dois sobrenomes incomuns neste universo, e genuinamente judeus.
Potolski e Roizen estreiam no Anhembi com criações desvinculadas da cultura judaica. As escolas que eles representam tratam em 2016 de temas do Brasil – país onde ambos nasceram e foram criados. Na Unidos do Peruche, o enredo reverencia os 100 anos do samba. Criada juntamente com Marcelo Madureira, Alex Barbosa, Sukatinha, Bagé, Tubino, Igor Vianna, Thiago Sousa, Gilson, Kaballa, Victor e Meiners, a composição tem sido apontada por especialistas como uma das três melhores do ano.
Na Pérola Negra, com outros parceiros, Jairo Roizen emplacou o samba-enredo que fala sobre a dança. A composição faz um passeio pela história desta arte e por sua influência no país, e foi feita ao lado de Celsinho Mody, Guga Mercadante, Nando do Cavaco, Marcelo Zola, Sidney Arruda, Filosofia Diley e Xandinho Nocera.
Da sinagoga para a avenida
Jairo Roizen (ao centro) na cerimônia judaica do casamento de Ronny Potolski e Thais Paraguassu
Ronny e Jairo têm muita coisa em comum, a começar pela história das famílias Potolski e Roizen. Ambas têm raízes na Polônia, Romênia e Lituânia, e vieram ao Brasil entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial em busca de oportunidades longe das zonas de conflito da Europa. Mesmo sem se conhecer, Ronny e Jairo trilharam caminhos quase idênticos em São Paulo.
Estudaram nos colégios judaicos Renascença e I. L. Peretz, curtiram o clube A Hebraica, frequentaram a Congregação Israelita Paulista (CIP) e outras sinagogas, e ouviram os conselhos do rabino Henry Sobel. Mas só foram se conhecer por meio de uma paixão brasileira: o samba. Eles foram unidos pelos bastidores das escolas de samba e por aquele certo glamour do Carnaval que nem todo mundo consegue entender – nem aceitar.
Os dois meninos judeus foram apresentados à maior festa popular brasileira ainda crianças. Jairo se lembra de ter visto o primeiro desfile pela televisão, em 1989, quando tinha 7 anos. Hoje, com 33, é capaz de reproduzir com detalhes a noite em que ficou com a avó grudado ao televisor para ver as escolas, que ainda desfilavam na Avenida Tiradentes. Ronny, 34 anos, também era vidrado nos desfiles do Rio exibidos pela TV. Sua primeira lembrança é de acompanhar uma transmissão aos 4 anos de idade. Com 12, quis viver aquilo mais de perto e passou a colecionar os discos dos sambas-enredo de Rio e São Paulo.
"A gente não celebra o Natal, mas em dezembro há uma festa judaica que também é marcada pela troca de presentes, a Chanuká (Festa das Luzes). Eu sempre pedia o CD dos sambas-enredo", recorda-se Ronny. Dali até virar um estudioso do Carnaval foi um passo, conhecendo de perto as escolas de samba de Santos, frequentando a X-9 Paulistana, na Zona Norte de São Paulo, e indo a desfiles no Anhembi e na Sapucaí.
Para Ronny, os três melhores sambas-enredo da história do Carnaval paulista são o da Rosas de Ouro de 1992 ("Non Duco, Duco - Qual a Minha Cara?"), o da Gaviões da Fiel de 1995 ("O que É Bom É Para Sempre") e o da X-9 Paulistana de 1997 ("Amazônia, a Dama do Universo"). No Rio, seu coração ainda pulsa quando ouve o enredo da Vila Isabel de 1988 ("Kizomba - A Festa da Raça"), da Mocidade Independente de 1992 ("Sonhar Não Custa Nada, ou Quase Nada") e o do Salgueiro de 1993 ("Peguei um Ita no Norte/Explode Coração").
Formado em Ciências da Computação, com duas pós-graduações em tecnologias ambientais e engenharia de software, Ronny ganha a vida como consultor de sustentabilidade. Mas dedica boa parte de seu tempo a um trabalho não remunerado, de diretor-executivo do site da Sociedade Amantes do Samba Paulista (www.sasp.com.br) criado há 15 anos com o propósito de manter acesa a chama do samba no estado, um dia injustamente chamado de Túmulo do Samba.
"Com o site, passei a viver o Carnaval intensamente", diz Ronny, que também se casou com a porta-bandeira Thais Paraguassu, hoje na Unidos do Peruche. Começaram a namorar em 2008, quando ela ainda desfilava pela Tucuruvi, e subiram ao altar em abril de 2015. A noiva se converteu ao judaísmo e reforçou a ainda tímida ala dos judeus no samba paulistano.
A enredo da vida de Jairo não é muito diferente. Depois de amargar a decepção de ver os desfiles do Grupo Especial de 89 só pela TV, ganhou do pai, como prêmio de consolação, a oportunidade de ir à avenida Tiradentes no dia seguinte para conferir ao vivo o desfile do Grupo de Acesso. Naquele ano, o pequeno corintiano viu brilhar a Gaviões da Fiel. "Ali meu pai arrumou um problema...Teve que me levar para ver o desfile todos os anos", lembra Jairo.
Já cursando a faculdade de comunicação da PUC, passou a frequentar a quadra da Rosas de Ouro, por onde desfilou durante cinco anos. Formado jornalista, hoje atua como assessor de Imprensa da Liga das Escolas de Samba de São Paulo e também da Federação Israelita do Estado de São Paulo, além de apresentar o programa semanal Shalom Brasil, pelo canal comunitário TV Aberta.
Como o amigo, também passou a colecionar os CDs de sambas-enredo. Diz que ouve pelo menos um samba por dia, mas jamais pensou em ser compositor. Sua experiência mais próxima havia sido na escola, no I. L. Peretz. Em 1995, quando a Gaviões ganhou o Carnaval de São Paulo com o memorável "Me dê a mão, me abraça, viaja comigo pró céu...", Jairo resolveu se apoderar da canção para fazer bonito em um desfile da escola. Para comemorar o Purim (a mais alegre festa da cultura judaica, que inclui o uso de fantasias), a classe de Jairo criou até um carro alegórico, que desfilou pelo colégio com uma música feita propositadamente sobre a base do samba da Gaviões.
A mão dupla do preconceito
Em 2009, Jairo passou a fazer parte da diretoria da Pérola Negra. Como diretor de Carnaval da escola, sugeriu, em 2011, o enredo "Abraão, o Patriarca da Fé", abrindo caminho para derrubar o preconceito de quem condenava a presença de judeus no samba. Naquele desfile, 300 dos 3.000 componentes da Pérola eram judeus arregimentados na comunidade judaica de São Paulo. "Pensei naquele enredo como uma homenagem aos meus avós, que se orgulhavam de me ver no mundo do samba, apesar da origem deles não ter nada a ver com isso. Foi também uma forma de retribuir aos brasileiros o carinho com que receberam todos os judeus fugidos da guerra", diz Jairo.
Antes, em 2003, a Mangueira já tinha levado Moisés para a avenida com o enredo "Os Dez Mandamentos: o Samba da Paz Canta a Saga da Liberdade". Mas a este enredo da Pérola, ele credita um marco na luta contra o preconceito que, em sua opinião, trafega numa via de mão dupla no país. O problema é que a tolerância das fantasias que se exprimem na passarela não reflete a realidade do mundo real. Tanto assim que, apesar dos esforços, judeus mais ortodoxos veem o Carnaval como uma festa que fere princípios culturais e religiosos do judaísmo. E sambistas mais conservadores ainda se valem de alguns estereótipos para acreditar que um sujeito loiro, branco, de olhos azuis e influência da cultura hebraica não possa fazer samba, viver de samba.
"Ganhar o concurso de samba-enredo em duas escolas do Grupo Especial de São Paulo é uma resposta a tudo isso", acredita Jairo. Ronny concorda e protesta: "Não ter raiz do samba no sangue sempre pesou como um estigma sobre a gente".
Nessa cruzada contra o preconceito, ambos defendem o direito de se expressar como cidadãos brasileiros apaixonados pela arte do samba e sua expressão mais popular, que é o Carnaval. Ser judeu é um detalhe que, evidentemente, não deveria ter o menor significado, como não tem o fato de a passista ser católica, o mestre-sala ser umbandista, o mestre de bateria ser devoto de Ogum – e de São Jorge ser considerado protetor dos batuqueiros.
Uma boa demonstração de que é possível conviver com a tolerância religiosa é o desafio que este ano caiu nas mãos de Ronny. Como Carnavalesco da escola X-9 de Santos, ele tem a missão de levar para a avenida um desfile sobre a importância de Nossa Senhora de Monte Serrat para a história da cidade, da qual é padroeira. Caberá, pois, a um judeu a nobreza de se despir dos preconceitos para encenar na avenida os tantos milagres que são atribuídos à santa da Igreja católica, mostrando em suas criações a diversidade presente na essência do Carnaval.
(UOL)
Também disponível no Street Striker
Postado por
G. David Sedrez-Conde
às
domingo, janeiro 10, 2016
Nenhum comentário:
Links para esta postagem
Marcadores:
Carnaval,
Jairo Roizen,
Judaísmo,
Ronny Potolski,
São Paulo
30.12.15
Museu da Língua Portuguesa seguirá com seu coração pulsante
POR LEONEL KAZ
Nossa pátria é a palavra. É o território em que nos movemos. Quando a perdemos, perdemos nossos sentidos. Nossos desejos.
O incêndio devastador na Estação da Luz revela dois dramas. O primeiro, físico, que é a destruição da estação, monumento arquitetônico a exemplo de modelos europeus como a Gare D’Orsay — que hoje acolhe um dos principais museus da França. Sua destruição simboliza um processo também devastador de abandono do trem e do bonde, iniciado sob a bandeira do progresso a qualquer custo nos anos JK, sempre em nome da novidade do momento: na época, o carro nacional.
O segundo drama é a perda simbólica do Museu da Língua Portuguesa, que iniciou, há uma década, a série de museus de nova geração desenvolvidos pela Fundação Roberto Marinho junto com governos e prefeituras. Reitero o termo: simbólica, porque são museus que podem renascer a partir de arquivos, já que não possuem acervo (o do Futebol ostenta uma única camisa de Pelé, da final do tricampeonato de 1970).
O Museu da Língua Portuguesa, o do Futebol e o do Amanhã são museus de alta tecnologia, interessados em capturar o frescor e o espírito de descoberta do visitante. Museus para se entrar de corpo inteiro, tridimensionalmente, com todos os sentidos despertos. E sair de lá revigorado; daí o sucesso de público desta fórmula de recontar a história cotidiana, recontar a fábula de nossas vidas.
O do Futebol reconta a história do Brasil por meio de nossa paixão pela bola. O Museu da Língua Portuguesa reconta a história de nossa formação e fusão por meio de corpo, gestos e palavras. Já o do Amanhã conta a história da vida e dos homens presentes, para que possamos apurar, entre acasos, o que podemos escolher como destino. Enfim, são museus que dizem o que somos, quais nossos orgulhos e virtudes.
A criação destes museus atende o clamor de nossa época, que já entende o mundo a partir de novas tecnologias, interatividades, jogos lúdicos. Todo o conteúdo resultante da apurada pesquisa de imagens fotográficas, filmes, gravações resulta num arquivo. É este arquivo que passa a ser um acervo, não apenas da memória, mas da razão de ser de cada museu.
Se no incêndio do Museu de Arte Moderna do Rio, em 1978, assim como no recente do colecionador Boghici, perderam-se obras-primas da pintura e escultura (aquilo que denominamos de acervo tradicional), no Museu da Língua, onde ele vier a existir, continuará vivo seu coração pulsante: o arquivo em back-up é o sobrevivente — o amanhã do Museu! Por isso, o museu vai ficar de pé já já, para que volte a frutificar o que temos de mais poderoso: nossa fala, expressão sincera, fruto de nossa mestiçagem.
Lamento ter escrito este texto com palavras. Deveria tê-lo escrito com lágrimas.
O incêndio devastador na Estação da Luz revela dois dramas. O primeiro, físico, que é a destruição da estação, monumento arquitetônico a exemplo de modelos europeus como a Gare D’Orsay — que hoje acolhe um dos principais museus da França. Sua destruição simboliza um processo também devastador de abandono do trem e do bonde, iniciado sob a bandeira do progresso a qualquer custo nos anos JK, sempre em nome da novidade do momento: na época, o carro nacional.
O segundo drama é a perda simbólica do Museu da Língua Portuguesa, que iniciou, há uma década, a série de museus de nova geração desenvolvidos pela Fundação Roberto Marinho junto com governos e prefeituras. Reitero o termo: simbólica, porque são museus que podem renascer a partir de arquivos, já que não possuem acervo (o do Futebol ostenta uma única camisa de Pelé, da final do tricampeonato de 1970).
O Museu da Língua Portuguesa, o do Futebol e o do Amanhã são museus de alta tecnologia, interessados em capturar o frescor e o espírito de descoberta do visitante. Museus para se entrar de corpo inteiro, tridimensionalmente, com todos os sentidos despertos. E sair de lá revigorado; daí o sucesso de público desta fórmula de recontar a história cotidiana, recontar a fábula de nossas vidas.
O do Futebol reconta a história do Brasil por meio de nossa paixão pela bola. O Museu da Língua Portuguesa reconta a história de nossa formação e fusão por meio de corpo, gestos e palavras. Já o do Amanhã conta a história da vida e dos homens presentes, para que possamos apurar, entre acasos, o que podemos escolher como destino. Enfim, são museus que dizem o que somos, quais nossos orgulhos e virtudes.
A criação destes museus atende o clamor de nossa época, que já entende o mundo a partir de novas tecnologias, interatividades, jogos lúdicos. Todo o conteúdo resultante da apurada pesquisa de imagens fotográficas, filmes, gravações resulta num arquivo. É este arquivo que passa a ser um acervo, não apenas da memória, mas da razão de ser de cada museu.
Se no incêndio do Museu de Arte Moderna do Rio, em 1978, assim como no recente do colecionador Boghici, perderam-se obras-primas da pintura e escultura (aquilo que denominamos de acervo tradicional), no Museu da Língua, onde ele vier a existir, continuará vivo seu coração pulsante: o arquivo em back-up é o sobrevivente — o amanhã do Museu! Por isso, o museu vai ficar de pé já já, para que volte a frutificar o que temos de mais poderoso: nossa fala, expressão sincera, fruto de nossa mestiçagem.
Lamento ter escrito este texto com palavras. Deveria tê-lo escrito com lágrimas.
* Leonel Kaz foi curador do Museu do Futebol e fez a concepção inicial do Museu do Amanhã
Postado por
G. David Sedrez-Conde
às
quarta-feira, dezembro 30, 2015
Nenhum comentário:
Links para esta postagem
Marcadores:
Leonel Kaz,
São Paulo
FINALMENTE UM RESTAURANTE KOSHER COM ESTRELA DO MICHELIN EM PARIS
Com 84 restaurantes tendo o certificado
Michelin e um total de 115 estrelas, a capital francesa oferece uma
seleção gastronômica deslumbrante para qualquer pessoa disposta a
tolerar a conta.
Durante anos, a comunidade kosher tem sido limitada a pizzarias ou restaurantes com preços moderados que oferecem cuscuz e carne grelhada. E, enquanto muitos dos restaurantes servem boa comida, ainda estão muito longe dos gigantes da culinária de Paris, com suas interpretações ousadas de cozinha clássica francesa.
Mas tudo isso mudou no ano passado com a abertura de Le Rafael. O sofisticado restaurante no elegante, 17º arrondissement (bairro/distrito) que tem forte população judaica, é o único estabelecimento kosher certificado em Paris com um pedigree Michelin - provavelmente o prêmio mais cobiçado no mundo dos restaurantes.
Durante anos, a comunidade kosher tem sido limitada a pizzarias ou restaurantes com preços moderados que oferecem cuscuz e carne grelhada. E, enquanto muitos dos restaurantes servem boa comida, ainda estão muito longe dos gigantes da culinária de Paris, com suas interpretações ousadas de cozinha clássica francesa.
Mas tudo isso mudou no ano passado com a abertura de Le Rafael. O sofisticado restaurante no elegante, 17º arrondissement (bairro/distrito) que tem forte população judaica, é o único estabelecimento kosher certificado em Paris com um pedigree Michelin - provavelmente o prêmio mais cobiçado no mundo dos restaurantes.

O certificado Michelin do Le Rafael pode ser apenas
por associação - seu chef, Simone Zanoni, também dirige o restaurante de
duas estrelas no Trianon Palace Versailles - mas é um grande passo à
frente para os gourmands kosher de Paris. Destaque nos principais
jornais franceses, como Le Figaro e Le Point ("A vitela assada, com
sabor doce e o purê de batata fariam qualquer um se derreter"), Le
Rafael rapidamente se tornou o mais conhecido restaurante kosher desta
cidade.
Zanoni disse ao JTA que ele está direcionado "para alimentos kosher que podem segurar a sua própria qualidade contra alimentos não-kosher" - e espera que o Le Rafael ganhe uma estrela Michelin ou duas por sua própria e exclusiva qualidade.
Por enquanto, o restaurante - que é supervisionado pelo tribunal rabínico de Paris - atrai turistas internacionais judeus, bem c omo cerca de 80 parisienses diariamente, a maioria judeus observantes, de acordo com o sub-chef Edward Boarland, um não-judeu Inglês. Boarland disse que o Le Rafael pretende funcionar "para todos." Mas com tais opções limitadas para gourmands kosher, "não faz muito sentido apontar especificamente para uma clientela não-judia", disse ele.
Apesar de oferecer comidas francesas tradicionais, como o terrine de foie gras ou "o melhor final de cordeiro" moussaka com preços entre US$ 50 e US$ 130, o Le Rafael ainda não dá lucro, de acordo com Boarland.
Depois de lutar para superar tanto as desvantagens culinárias da cozinha kosher como os efeitos da crise financeira da França - a economia do país registrou zero por cento de crescimento no segundo trimestre de 2015 - os dois chefs disseram que estão enfrentando uma diminuição notável do número de clientes estrangeiros, pelas preocupações de segurança na sequência do assassinato de quatro judeus em janeiro em um supermercado kosher em Paris. (Nota - Esta matéria foi feita antes dos atentados de 13 de novembro).
"Eu acho que é o resultado da descrição dos meios de comunicação do que aconteceu em Paris," Zanoni disse em uma entrevista na semana passada. "As pessoas pensam que é uma zona de guerra."
Ainda assim, o número de clientes locais manteve-se inalterado, disse ele, o que permitiu que o restaurante ficasse aberto.
Zanoni disse ao JTA que ele está direcionado "para alimentos kosher que podem segurar a sua própria qualidade contra alimentos não-kosher" - e espera que o Le Rafael ganhe uma estrela Michelin ou duas por sua própria e exclusiva qualidade.
Por enquanto, o restaurante - que é supervisionado pelo tribunal rabínico de Paris - atrai turistas internacionais judeus, bem c omo cerca de 80 parisienses diariamente, a maioria judeus observantes, de acordo com o sub-chef Edward Boarland, um não-judeu Inglês. Boarland disse que o Le Rafael pretende funcionar "para todos." Mas com tais opções limitadas para gourmands kosher, "não faz muito sentido apontar especificamente para uma clientela não-judia", disse ele.
Apesar de oferecer comidas francesas tradicionais, como o terrine de foie gras ou "o melhor final de cordeiro" moussaka com preços entre US$ 50 e US$ 130, o Le Rafael ainda não dá lucro, de acordo com Boarland.
Depois de lutar para superar tanto as desvantagens culinárias da cozinha kosher como os efeitos da crise financeira da França - a economia do país registrou zero por cento de crescimento no segundo trimestre de 2015 - os dois chefs disseram que estão enfrentando uma diminuição notável do número de clientes estrangeiros, pelas preocupações de segurança na sequência do assassinato de quatro judeus em janeiro em um supermercado kosher em Paris. (Nota - Esta matéria foi feita antes dos atentados de 13 de novembro).
"Eu acho que é o resultado da descrição dos meios de comunicação do que aconteceu em Paris," Zanoni disse em uma entrevista na semana passada. "As pessoas pensam que é uma zona de guerra."
Ainda assim, o número de clientes locais manteve-se inalterado, disse ele, o que permitiu que o restaurante ficasse aberto.

Localizado em meio a lojas de design para casa e
boutiques de moda na movimentada Avenida de Villiers, Le Rafael - que é
de propriedade do empresário judeu francês Michael Lehiani - tem um teto
abobadado transparente que filtra a luz suave em um espaço íntimo de 15
mesas. A decoração apresenta toalhas de mesa brancas e cadeiras
estofadas roxas. O longo corredor de fora da entrada abafa os sons da
rua barulhenta, deixando a área de jantar principal agradavelmente
silenciosa.
Antes de ser reaberto, em fevereiro de 2014, sob os cuidados de Zanoni, era um restaurante kosher simples, onde uma refeição custava US$ 25 – concorrendo com o Kavod e o Jaguar, dois dos melhores restaurantes kosher entre os cerca de 300 restaurantes em Paris sob supervisão rabínica.
Antes de ser reaberto, em fevereiro de 2014, sob os cuidados de Zanoni, era um restaurante kosher simples, onde uma refeição custava US$ 25 – concorrendo com o Kavod e o Jaguar, dois dos melhores restaurantes kosher entre os cerca de 300 restaurantes em Paris sob supervisão rabínica.

A reabertura no ano passado do Le Rafael como um restaurante francês gourmet, com uma cozinha nova com o padrão Michelin, o levou para um novo nível de finesse gastronômica que nenhum outro restaurante kosher em Paris tinha alcançado antes, de acordo com Yvan Lellouche, um dos fundadores da União de Consumidores Kosher da França.
Além da comida, o Le Rafael também é único entre os restaurantes kosher no nível de serviço que oferece, com estacionamento com manobrista e quatro garçons impecavelmente vestidos.
Embora não haja guardas de segurança no Le Rafael, os moradores dizem que se sentem seguros aqui e no oeste de Paris em geral.
"Aqui, em nossos bairros, somos privilegiados o suficiente para desfrutar de um nível muito alto de segurança, não nos sentimos em risco", disse Severine Amoyal Dokan, uma empresária de 44 anos de idade e mãe de dois filhos que estavam jantando com ela e sua irmã religiosa, Aurelie Madar.
"Olhe para este lugar, como é calmo", ela acrescentou: "O que exatamente eu preciso temer aqui?"
Ainda assim, as irmãs, ambas regulares do Le Rafael, admitem que o perfil da mídia alta do restaurante pode ter o efeito indesejável de apelar para os terroristas que procuram um alvo simbólico.
Os chefs veem o sabor - e não a ameaça do terror - como o seu maior desafio.

Os principais obstáculos, disse Zanoni, eram a "baixa qualidade da carne kosher, que perde o seu sangue e ternura no processo de salgar," bem como a necessidade de dispensar todos os produtos lácteos, como creme de leite - um ingrediente principal da cozinha francesa.
Para superar estes desafios, Zanoni e Boarland empregam uma técnica de cozimento lento para amaciar a carne, selando-a em sacos plásticos e cozinhando em água morna, muitas vezes por horas.
Zanoni diz que "resolver tais problemas é exatamente a razão" pela qual ele aceitou a oferta de Lehiani para reinventar o Le Rafael, ano passado, como um restaurante gourmet.
"Uma pequena parte de mim queria saber se este foi um suicídio profissional", disse ele. "Estou feliz que foi provado errado."
Amoyal Dokan, a mãe judia de dois filhos, diz que instituições como o Le Rafael, dão apoio a sua decisão de permanecer na França, no momento em que milhares de judeus estão indo para Israel.
"Eu sou sionista, mas estou em casa", disse ela sobre o filé mignon. "Vivemos na melhor cidade do mundo, em uma das comunidades judaicas mais fortes e mais animadas do mundo e não estamos prestes a abandoná-la."
Palestinos e nazistas
Binyamin Netanyahu está errado: não foram os palestinos que ensinaram a matança sistemática de judeus aos nazistas.
O Holocausto, como qualquer historiador sério sabe,
não se refere apenas ao período pós-1942, quando na Conferência de
Wannsee se decidiu "a solução final para a questão judaica" (é
importante citar "questão judaica" porque há sempre uns eruditos para
quem o Holocausto não foi especificamente pensado para os judeus).
O Holocausto abrange todo o período entre 1933 e
1945, ou seja, desde a chegada de Hitler ao poder até a derrota do
Terceiro Reich na Segunda Guerra Mundial. E, nesse período, os nazistas
não precisavam de lições de genocídio de palestinos.
A partir de 1933, a perseguição e os assassinatos
começaram; campos de concentração foram erguidos na Alemanha; a partir
de 1938, com a "Kristallnacht", as matanças esporádicas tornaram-se
rotina.
E, com o início da Segunda Guerra Mundial, os
fuzilamentos em massa passaram a ser o prato do dia.
Um exercício que
era demorado, psicologicamente exigente (para a frágil saúde mental dos
soldados do Reich, entenda). Era preciso uma "solução" mais rápida e,
digamos, "indolor".
A partir de 1942, ou seja, com a desastrosa campanha
contra a União Soviética (ou, para os eruditos, contra os seus aliados
soviéticos, porque nazistas e comunistas tinham um pacto desde 1939),
começaram as primeiras experiências químicas para matar judeus como quem
mata baratas ou outros seres rastejantes.
Quando os nazistas descobriram o infame Zyklon B
(que, ironia macabra, servia para matar baratas e outros seres
rastejantes), estava encontrada a chave para acabar com os judeus da
Europa.
Isso significa que o líder árabe na Palestina –Haj
Amin al-Husseini– é inocente no antissemitismo assassino do mesmo
período histórico? Também não. Vamos esquecer, por motivos caridosos, o
fato de Al-Husseini ter sido considerado criminoso de guerra em
Nuremberg e ter fugido para o Egito.
A pergunta fundamental é outra: por que motivo o "mufti" de Jerusalém foi considerado um criminoso de guerra?
Não é preciso consultar obras de peso sobre o
assunto. Gregory Harms e Todd M. Ferry, apesar das suas simpatias
pró-palestinas –repito: pró-palestinas–, escreveram um excelente livro
de introdução ao conflito israelo-palestino que recomendo sempre a
interessados –e a iletrados.
O retrato que ambos pintam de Al-Husseini resume-se a
isto: o "mufti" representa um dos maiores erros do Mandato Britânico da
Palestina.
Resumindo uma longa e complexa história, a partir do
momento em que os britânicos, nos escombros da Primeira Guerra,
decidiram que a Palestina deveria ser partilhada entre judeus e árabes,
que já habitavam o território sob administração do Império Otomano
(império que desapareceu na guerra), os árabes recusaram essa partilha.
Assim começou, no essencial, a luta que dura até hoje.
Confrontado com essa violência, Londres acreditou que
o "mufti" de Jerusalém era a pessoa indicada para tentar sossegar os
ânimos.
Errou. Barbaramente. Al-Husseini não era apenas um
antissemita virulento, que incitava aos confrontos e desejava uma
limpeza étnica na Palestina.
Com o Terceiro Reich, o "mufti" estabeleceu relações
de amizade e cooperação com Hitler. Na Palestina, criou os "escoteiros
nazistas" (uma cópia da Juventude Hitlerista); recebeu apoio financeiro
da Alemanha e até da Itália para a luta contra os judeus; e quando, na
Alemanha, conheceu finalmente os campos de concentração, retornou à
Palestina para também construir um campo do gênero perto da povoação de
Nablus.
O premiê israelense Netanyahu está errado. Não foi
Al-Husseini quem ensinou a lição a Hitler. O que aconteceu foi o
contrário: na teoria e na prática, o Terceiro Reich apenas deu alimento
suplementar a um ódio ideológico que já existia na Palestina.
Escuso de dizer que é esse o ódio que permanece até
hoje. Porque o conflito israelo-palestino não é, porque nunca foi, um
problema territorial. É um problema ideológico que não tem solução
enquanto uma das partes olhar para os judeus exatamente como Hitler
olhava para eles.
João Pereira Coutinho - Escritor português, é
doutor em ciência política. É colunista do 'Correio da Manhã', o maior
diário português. Escreve às terças-feiras na versão impressa, e a cada
duas semanas no site da Folha.
Postado por
G. David Sedrez-Conde
às
quarta-feira, dezembro 30, 2015
Nenhum comentário:
Links para esta postagem
Marcadores:
Israel,
João Pereira Coutinho
LEMBRANÇAS DA NOITE DO ASSASSINATO
TEL AVIV – O que sentiram e pensaram os jornalistas israelenses que cobriram ao vivo o assassinato de Yizthak Rabin, há exatos 20 anos?
Foi isso que se perguntaram os produtores de uma reportagem recente no Canal 2, que reuniu cinco jornalistas famosos que, por acaso, estavam de plantão naquele sábado, 4 de novembro de 1995.
Todos achavam que seria uma noite normal depois de uma manifestação histórica pela paz na Praça Malchei Israel (atual Praça Rabin), em Tel Aviv.

A manifestação reuniu centenas de milhares de israelenses, incluindo o próprio Rabin (que pensou em não ir porque não sabia se seria um fracasso de público) e Shimon Peres. Foi só no fim do evento, depois que Rabin e Peres desafinaram cantando a “Música para a Paz” (Shir LaShalom), que o assassino Yigal Amir atirou três vezes nas costas do primeiro-ministro. Mudou a História e, quero crer, entristeceu o país inteiro (infelizmente, nem isso é consenso em Israel). A reportagem, em hebraico, pode ser vista pelo link:
http://www.mako.co.il/news-
5be5a051004.htm?sCh=
O repórter Aharon Barnea, deslocado para o hospital onde Rabin foi internado, foi o primeiro a dar a notícia da morte na TV. Ele estava com um telefone celular enorme – daqueles tijolões – no ouvido porque o cabo de som que o ligava ao estúdio não estava funcionando. A certa altura, ele ouviu um médico dizer: “há pulso”.
Ficou esperançoso. Outra jornalista, Smadar Peled, chegou a afirmar que a situação do premiê era “grave, mas estável”.
-- Me segurei nessa esperança – contou Aharon Barnea. – Mas, logo depois, alguém sussurrou que ele tinha morrido. Decidi que não ia falar nada ao vivo na TV até sair o comunicado oficial.
Quando isso aconteceu, Barnea só consegui dizer: “Saiu um comunicado de Eitan Haber (assessor de imprensa do premiê): Rabin morreu. Mais do que isso não posso falar”.
-- Senti que não podia falar nada mais porque começaria a chorar na frente das câmeras – contou Barnea. – Trabalho há muitos anos nessa profissão e nunca pensei que seria o primeiro a informar algo assim. Estava devastado. Continuo devastado até hoje. É um trauma para toda a vida. As lágrimas de hoje são porque, na verdade, não aprendemos nada. A pergunta não é se haverá outro assassinato político, é quando – disse Barnea, pessimista com o clima atual em Israel, duas décadas depois.

-- Me chamaram de urgência para trabalhar e, num certo momento, disseram no fone de ouvido que Rabin tinha falecido, mas que não era para eu falar ainda – disse Eilon.
Quando sentiu que Aharon Barnea, depois de dar a informação dramática, não conseguia mais falar de emoção, Eilon pediu a palavra e improvisou. Olhou no relógio e afirmou: “Agora são 11:15 da noite e o primeiro-ministro morreu”.
-- Vou fazer uma confissão. Não sei se o meu relógio estava certo. Acho que estava atrasado uns dois ou três minutos... – brincou. –
Não sei se vai haver mais um assassinato político. Mas se acontecer, não será mais surpresa.
Outro jornalista de peso, Gadi Sukenik, também trabalhava naquela noite. Foi ele quem deu o furo que aumentou ainda mais o trauma nacional: a identidade do criminoso.
-- Eu tinha certeza de que era um árabe. Mas, assim que as imagens do assassino começaram a passar na TV, um estudante me ligou e disse que conhecia o cara, tinha 25 anos, era um estudante religioso de direita de Direito da Universidade Bar-Ilan se chamava Yigal.
Infelizmente, acho que um novo assassinato político pode acontecer de novo, daqui a cinco minutos – completou Sukenik, também pessimista.
Infelizmente, 20 anos depois do assassinato de Rabin, um líder que ousou liderar, que ousou mudar a situação, que ousou buscar a paz, o clima em Israel continua sendo de conflito interno e de intolerância. Minha esperança são as crianças. Depois de aprender na escola, minha filha de quase 8 anos me explicou, há alguns dias, quem foi o ex-primeiro-ministro: “Rabin foi um rapaz importante que falou algo sobre a paz”.
(Originalmente publicado em 03/11/15, na Rua Judaica)
2.10.15
6 Artists You Didn't Know Used Yiddish, From Elvis to Public Enemy
It’s astounding how much Yiddish has infiltrated today’s popular
culture. From classic musicals like “Fiddler on the Roof” to sitcoms
like Seinfeld, some words and phrases of Ashkenazi Jews’ native tongue
have become Americanized, naturalized, and sometimes clichéd.
So, when Public Enemy released its latest album, “Man Plans, God Laughs,” emblazoned with such an obvious Yiddish proverb , we decided to investigate. Here are six Yiddish idioms that classic and modern musicians across major genres have invoked their work.
Famed hip-hop group Public Enemy released its 15th LP, Man Plans, God Laughs, last week. Although rapper and producer Chuck D has said that Kendrick Lamar and Run the Jewels inspired this record, we know that the title is actually a Yiddish proverb. Whether intentional or not, the connection seems fitting: Public Enemy still represents the pinnacle of political rap and Yiddish sayings often comment on such issues as well
Transliteration: Mazal tov
This obvious, congratulatory phrase has already breached most forms of mass cultural consumption. But this 2009 Grammy award-winning track from The Black Eyed Peas integrated an exclamatory “Mazel tov!” so flawlessly into the middle of “I Gotta Feeling” that the song has since become a mainstay at all bar and bat mitzvahs and Jewish weddings until the end of time. Plus, it’s like The Peas even knew about Pesach’s four cups of wine, as the Yiddish exclamation comes right after the line about “Fill up my cup.”
Extra Listening: Jay-Z & Kanye West also used recently the phrase in “New Day” from 2011’s Watch The Throne, rapping, “So at thirteen we’ll have our first drink together / Black bar mitzvahs, mazel tov, mogul talk.”
Many have researched and analyzed Elvis Presley’s relationship with Judaism . It’s been rumored that his mother was part Jewish and part Native America, and the King was often spotted sporting a Chai or Star of David necklace. In 1962, Elvis recorded ‘The Walls Have Ears” for his film Girls! Girls! Girls! The title refers to a Yiddish phrase that warns someone is always listening.
Extra Listening: A Sonic Youth bootleg, unapproved by the band, was released in 1986 by this name.
Transliteration: Shtil vaser grobt tif
The origin of this phrase is debated (some say Italian/Latin, other say Shakespearian.), the Yiddish version still offers a cautious admonition of the roiling emotions that can hide beneath a calm exterior. Detroit soul group The Four Tops made this idiom famous in 1970, with its Hitsville USA record Still Waters Run Deep and chart topping single “Still Water (Love)."
5) Either All Or Nothing
Transliteration: Oder gor oder gornisht
Although quite a common turn of phrase in pop culture today, one of the most groundbreaking uses came from Arthur Altman and Jack Lawrence’s 1939 composition “All or Nothing At All.” But it wasn’t until 1943 until consummate crooner Frank Sinatra made the song a smash, when Columbia Records re-released his vocal version. Since then, other famous musicians including Chet Baker, John Coltrane, Diana Krall, and Sarah Vaughan have all covered “All or Nothing At All.”
Diana Krall actually channeled another Yiddish phrase on her 1997 album Love Scenes. She chastises a potential love interest with this saying in each chorus, revisiting the shame of his lack of excellence brings. While some have argued that this figure of speech was originally two separate phrases, the Yiddish version usually links them together.
(Forward)
So, when Public Enemy released its latest album, “Man Plans, God Laughs,” emblazoned with such an obvious Yiddish proverb , we decided to investigate. Here are six Yiddish idioms that classic and modern musicians across major genres have invoked their work.
1) Man Plans, God Laughs
Transliteration: Der mentsh trakht un got lakhtFamed hip-hop group Public Enemy released its 15th LP, Man Plans, God Laughs, last week. Although rapper and producer Chuck D has said that Kendrick Lamar and Run the Jewels inspired this record, we know that the title is actually a Yiddish proverb. Whether intentional or not, the connection seems fitting: Public Enemy still represents the pinnacle of political rap and Yiddish sayings often comment on such issues as well
2) Mazel Tov
Transliteration: Mazal tov
This obvious, congratulatory phrase has already breached most forms of mass cultural consumption. But this 2009 Grammy award-winning track from The Black Eyed Peas integrated an exclamatory “Mazel tov!” so flawlessly into the middle of “I Gotta Feeling” that the song has since become a mainstay at all bar and bat mitzvahs and Jewish weddings until the end of time. Plus, it’s like The Peas even knew about Pesach’s four cups of wine, as the Yiddish exclamation comes right after the line about “Fill up my cup.”
Extra Listening: Jay-Z & Kanye West also used recently the phrase in “New Day” from 2011’s Watch The Throne, rapping, “So at thirteen we’ll have our first drink together / Black bar mitzvahs, mazel tov, mogul talk.”
3) Walls Have Ears
Transliteration: Vent hobn oyernMany have researched and analyzed Elvis Presley’s relationship with Judaism . It’s been rumored that his mother was part Jewish and part Native America, and the King was often spotted sporting a Chai or Star of David necklace. In 1962, Elvis recorded ‘The Walls Have Ears” for his film Girls! Girls! Girls! The title refers to a Yiddish phrase that warns someone is always listening.
Extra Listening: A Sonic Youth bootleg, unapproved by the band, was released in 1986 by this name.
4) Still Water Runs Deep
Transliteration: Shtil vaser grobt tif
The origin of this phrase is debated (some say Italian/Latin, other say Shakespearian.), the Yiddish version still offers a cautious admonition of the roiling emotions that can hide beneath a calm exterior. Detroit soul group The Four Tops made this idiom famous in 1970, with its Hitsville USA record Still Waters Run Deep and chart topping single “Still Water (Love)."
5) Either All Or Nothing
Transliteration: Oder gor oder gornisht
Although quite a common turn of phrase in pop culture today, one of the most groundbreaking uses came from Arthur Altman and Jack Lawrence’s 1939 composition “All or Nothing At All.” But it wasn’t until 1943 until consummate crooner Frank Sinatra made the song a smash, when Columbia Records re-released his vocal version. Since then, other famous musicians including Chet Baker, John Coltrane, Diana Krall, and Sarah Vaughan have all covered “All or Nothing At All.”
6) Jack of All Trades, Master of None
Transliteration: Fil meloches, vainik brochesDiana Krall actually channeled another Yiddish phrase on her 1997 album Love Scenes. She chastises a potential love interest with this saying in each chorus, revisiting the shame of his lack of excellence brings. While some have argued that this figure of speech was originally two separate phrases, the Yiddish version usually links them together.
(Forward)
Postado por
G. David Sedrez-Conde
às
sexta-feira, outubro 02, 2015
Nenhum comentário:
Links para esta postagem
Marcadores:
Hillary Saunders
30.6.15
The Tax Lawyer Who is Reinventing Jewish Music as Brazilian Song
"Raizes” is not exactly “My Yiddishe Samaba Mama” — but it is close.
Borger — she records simply as Nicole — was born and raised in Sao Paulo. Her father was American and her mother Portuguese and how the two met in Brazil is the kind of story they write far-fetched romance novels about.
Nicole’s maternal grandfather was an Austrian rabbi assigned to shepherd the Sephardic community of Lisbon in the late 1930s. “In 1942, I think, a ship was sent from America to Europe to collect Jewish orphans and bring them to America,”
Nicole said during a telephone interview with The Forward. Not permitted to dock in France, it was about to return home empty. Instead, the Portuguese Jewish community arranged to send some of its children to safety on the ship. The rabbi sent his 13-year-old son — Nicole’s uncle — to live with a family in Mt. Vernon, New York, where he became best friends with the boy who — wait for it — was his future brother-in-law.
The coincidences keep piling up. In 1952, the rabbi tired of life under dictator Antonio Salazar, moves to Brazil. The man who would be Nicole’s dad gets a job working for an American company in Brazil. He looks up his high school buddy, meets his buddy’s sister and decides to set down his “raizes” in Sao Paulo.
For Nicole it was a reasonably idyllic upbringing. “I was raised Conservative,” she said. “My [happiest] memories are of Shabbat dinner, sitting with him and singing. My grandfather was a rabbi and a cantor with a beautiful baritone voice. My grandmother was a soprano, and everybody sang a lot.
“Jewish music is home for me. My grandfather sang in Hebrew, not Yiddish. We didn’t speak Yiddish. My grandfather insisted we speak Hebrew. I went to an Orthodox Yeshiva for 12 years.”
She went from singing Hebrew to Ladino to “Latin American songs which were provocative, protest kind of songs. That’s when my parents became worried for my safety.”
This was in the late 1970s; Brazil was ruled by a military dictatorship that frowned on (and imprisoned) artists who disagreed with it. So Nicole’s parents pressured her to put her show business dreams on hold. Instead, she attended university, became a tax lawyer and joined the firm that now is
PricewaterhouseCoopers. She became the firm’s first female partner in Brazil and in the early 1990s left that company to found her own firm.
At the turn of the century, as her firm prospered, she returned to singing. “I started out with an amateur choir,” Nicole said. “The conductor told me, ‘you have such a lovely voice. You could do so much more.’ I told him I was dying to, but didn’t know where to start. He introduced me to a pianist, who became my first mentor.”
He encouraged her singing, her song writing and produced her first album, a collection of jazz, samba and bossa nova standards. Her second came about in a random fashion. “I went into a book store and a book of sonnets by the Portuguese writer Florabela Espanca literally fell from a shelf into my hands.”
Espanca (1894-1930), a poet and feminist was the first woman to enroll in the University of Lisbon law school. Coincidence? Nicole put Florabela’s words to music in her second album. And continued to live what she calls a “Jekyll and Hyde life. During the day, head of a law firm that ‘pays the bills’ and at night a ‘struggling artist.’”
What works in her favor is that “most of my clients are fans and come to my shows.”
But memories of her grandfather lingered. She started finding work in Jewish clubs singing Jewish songs almost exclusively in Hebrew. That prompted her to “do some research on Yiddish and I discovered a huge treasury of Yiddish songs. That was the trigger to everything I’ve done since.”
She started appearing at Jewish musical festivals around the world and, in 2010 started one, Kleztival, in Sao Paulo with her husband, Edy, and Klezmatics trumpeter Frank London. “It started as a klezma festival, but now all parts of Jewish music from around the world are part of the mix, much of it — like her latest album — infused with a Brazilian beat.
“These songs,” Nicole said, “made the same trip my family did from the shtetls of Europe and I am trying to bring them to Brazil.”
Postado por
G. David Sedrez-Conde
às
terça-feira, junho 30, 2015
Nenhum comentário:
Links para esta postagem
Marcadores:
Brasil,
Nicole Borger,
São Paulo
8 Jewish Things About the Magna Carta On Its 800th Anniversary

Happy birthday Magna Carta! The iconic document was signed 800
years ago today — on June 15, 1215, — when the nobles forced King John
of England to guarantee human and economic rights. Three clauses out of
the historic document’s total 63 pertained to Jews. By this time,
Jews had been settled in England
for more than a hundred years. In honor of the big day, here are 8 Jewish facts about the Magna Carta:
1) Jews were legally treated as chattel by the monarchy. The king could tax the Jews without permission from Parliament. He could even mortgage them.
2) When Jews died, much if not all of their estate went to the crown.
3) Jews were forbidden to own or work land, so many turned to money lending and banking.
4) Clause 10: If anyone who has borrowed from the Jews any amount, large or small, dies before the debt is repaid, it shall not carry interest as long as the heir is under age, of whomsoever he holds; and if that debt falls into our hands, we will take nothing except the principal sum specified in the bond.
5) Clause 11: And if a man dies owning a debt to the Jews, his wife may have her dower and pay nothing of that debt; and if he leaves children under age, their needs shall be met in a manner in keeping with the holding of the deceased, and the debt shall be paid out of the residue, saving the service due to the lords. Debts owing to other than Jews shall be dealt with likewise.
6 ) Another clause tried to stop the king from gaining more land through the Jews by forbidding any debts to be paid through land, and instead through liquid assets.
7) Later versions of the Magna Carta (from 1216, 1217, and 1225), omit the Jewish clauses.
8) Edward I expelled the 2,500 Jews living in England in 1290. The majority left for France.
Postado por
G. David Sedrez-Conde
às
terça-feira, junho 30, 2015
Nenhum comentário:
Links para esta postagem
Marcadores:
Judaísmo,
United Kingdom
SEXO KOSHER TEM LOJA VIRTUAL CRIADA POR RABINO EM ISRAEL
Sua inspiração pode ser exótica - a Torre Eiffel, a Estátua da Liberdade, Coliseu de Roma - mas os vibradores sexuais de Rabi Natan Alexander tem um objetivo claramente doméstico: dando a casais judeus ortodoxos a gratificação sem a culpa.
Alexander, de 34 anos, nasceu em Sydney e agora vive em um assentamento judaico na Cisjordânia.
Depois de estudar a religião e se tornar um rabino em Israel, ele se transformou em um conselheiro de sexo on-line em uma missão para apimentar a vida amorosa dos fiéis.

"Dar prazer a uma mulher é uma obrigação religiosa", disse à AFP. "Os casais religiosos devem ser ajudados a viver melhor a sua sexualidade."
Ele fundou o site da Better2gether onde os casais observantes podem ler e comprar todas as ferramentas de ajuda para o sexo, seguros na certeza de que os produtos são kosher.
"A lei judaica permite o uso desses objetos que podem melhor ajudar a cumprir o mandamento de dar prazer a uma esposa", disse Alexander.
"Better2gether está aqui para ajudar os casais a melhorar e fortalecer as relações emocionalmente e fisicamente", proclama o site. "Nossa abordagem fornece modéstia, sensibilidade e confidencialidade."

Seu catálogo on-line tem um sabor de arquitetura, oferecendo vibradores modelados em marcos históricos, incluindo o arranha-céus de Londres Gherkin, as folhas de Palm Island em Dubai e os pináculos e cúpulas da Catedral de São Basílio, na Praça Vermelha de Moscou.
Alexander não é o primeiro clérigo a abordar publicamente o sexo e o erotismo no casamento entre a comunidade profundamente conservadora do judaísmo.
O Rabino americano ortodoxo Shmuley Boteach teve um grande sucesso com seu livro "Sexo Kosher", em 1999, e seu sucessor "The Kosher Sutra", em 2009, também foi um best-seller.
"Acho que em nossa cultura, suprimimos e negamos a verdadeira natureza erótica de uma mulher", disse ele em um vídeo promovendo seu trabalho, em 2014, "Kosher Lust".
"As mulheres de hoje são amadas. Elas são apreciadas, mas não desejadas", disse Boteach, 49, cujo website diz que ele tem nove filhos e dois netos.
O negócio de Alexandre na Cisjordânia tem sido bem sucedido, contando com clientes satisfeitos em Israel, e também em lugares tão distantes como os Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália e África do Sul.
Apesar das vendas de cerca de cinco itens por dia e mais de 20.000 visualizações do site por mês, ele insiste que a sua empresa on-line de sexo não vê só o lucro.
"Eu quero oferecer esses serviços para permitir que casais religiosos tenham acesso ao prazer sem quebrar as leis religiosas", explicou.

Embora os produtos sejam os mesmos que aqueles oferecidos por lojas de sexo, em todos os lugares do mundo, estes são fornecidos em pacotes sem o tipo de ilustrações atrevidas que ofendem as sensibilidades ortodoxas.
O site oferece aconselhamento on-line com o que ele diz serem terapeutas profissionais do sexo, casais conselheiros e ginecologistas, sobre questões que muitos casais acham difícil levantar com seus rabinos.
Perguntas sobre a ejaculação precoce, o tamanho do pênis, orgasmos e posições sexuais, são respondidas usando a linguagem "respeitando as regras da vida religiosa", disse Alexander.
"Judaísmo dá um lugar importante ao prazer sexual, mas ainda é muito frequentemente um assunto tratado com tabu", acrescentou. "Tenho orgulho de ser um pioneiro neste campo."
Postado por
G. David Sedrez-Conde
às
terça-feira, junho 30, 2015
Nenhum comentário:
Links para esta postagem
Marcadores:
Rabbi Natan Alexander
27.10.14
O que Ben Affleck não entende sobre o Islã
Por Rabino Shmuley Boteach

Ben Affleck merece um grande crédito pelo seu importante filme Argo, que trouxe a verdadeira brutalidade do regime iraniano para as grandes telas. Mas ele está errado em comparar igualmente as acusações da violência islâmica com aqueles que dizem que os judeus são ‘enganadores’.
Alguns judeus, sem dúvida, são enganadores, assim como alguns não judeus. E alguns muçulmanos são violentos, assim como outros muçulmanos não são.
É por isso que nós temos que ter cuidado com caricaturas e esterótipos de qualquer grupo e Mr. Affleck está certo que este constitui o núcleo do fanatismo.
A diferença aqui, porém, é que os ‘enganadores’ judeus - para repetir o exemplo do Sr. Affleck - não estão justificando a sua ‘ enganação’em nome do judaísmo. Se há um homem ou uma mulher judia desonesta, eles não gritam "Deus é grande!", levantando uma bandeira com o Magen David.
Alguns judeus, sem dúvida, são enganadores, assim como alguns não judeus. E alguns muçulmanos são violentos, assim como outros muçulmanos não são.
É por isso que nós temos que ter cuidado com caricaturas e esterótipos de qualquer grupo e Mr. Affleck está certo que este constitui o núcleo do fanatismo.
A diferença aqui, porém, é que os ‘enganadores’ judeus - para repetir o exemplo do Sr. Affleck - não estão justificando a sua ‘ enganação’em nome do judaísmo. Se há um homem ou uma mulher judia desonesta, eles não gritam "Deus é grande!", levantando uma bandeira com o Magen David.
Católicos irlandeses tiveram de lutar contra estereótipos desagradáveis ??sobre ‘bebados’ por centenas de anos. Mas quando bebiam em excesso não levantavam os seus copos de cerveja e gritavam: "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo."
Quaisquer atos maus que cometem são feitos em seus próprios nomes.
Mas o problema real com a violência islâmica é que ela está sendo feita em nome da religião islâmica. E enquanto as pessoas nunca ousam repetir a mentira de que a violência é endêmica no Islã – pois sabem muito bem que outras religiões tiveram facções violentas - é verdade que a violência em nome do Islã não está sendo condenada por um número suficiente das principais correntes islâmicas.
Ben Affleck não está fazendo um favor ao islamismo, quando defende este silêncio. Ao contrário, o Islã é uma grande religião mundial e que passou por séculos de iluminação e de tolerância. Nós, judeus, fomos beneficiados dessas épocas, como na Espanha, na Idade de Ouro e no Egito quando estava sob o comando do maior dos governantes muçulmanos, Saladino, que indicou um rabino, Maimonides, como o seu médico pessoal e conselheiro. Além disso, os turcos otomanos receberam a nós, judeus e nos concederam santuário quando fomos expulsos da Espanha pelos governantes católicos antissemitas de maneira bárbara e furiosa por Fernando e Isabel, ambos os quais foram canonizados pela Igreja.
Mas o Islã está passando por uma fase difícil , quando muitos muçulmanos matam em seu nome. Negar este fato é esticar e exagerar o politicamente correto a um extremo nocivo e corrosivo.
Affleck está correto. Eles são uma minoria e que a grande maioria dos muçulmanos é um povo decente e temente a Deus. Mas os clérigos muçulmanos por todo o mundo não se manifestam o minimo suficiente para este fato para condenarem em termos claros e absolutos, a violência perpetrada em seu nome.
Aqui está um exemplo. Quando, em 1994, Baruch Goldstein, um judeu ortodoxo que vivia em Hebron, assassinou 29 muçulmanos inocentes quando oravam em uma mesquita: ele foi imediatamente vilipendiado e condenado por rabinos de todo o mundo. Eu era um deles, mas apesar disso a minha casa em Oxford na Inglaterra, onde servia como rabino, foi alvo de bombas incendiáras no dia seguinte, no que a polícia acreditou ser um ataque de retaliação. Ainda assim, eu disse que Goldstein era uma abominação a tudo em que o Judaísmo acredita. É verdade que alguns extremistas judeus o elogiaram e até mesmo oraram em seu túmulo, justificando o seu ataque bárbaro, dizendo que ele estava antecipando um ataque assassino contra os judeus de Hebron.
Desculpe. Judaísmo não tolera desculpas ou justificativas para o assassinato. Os Dez Mandamentos são claros. Você ceifa uma vida inocente, e por mais justificada que você possa acreditar esta ser a sua ação, você é uma abominação para Deus.
Houve uma tentativa por parte de alguns extremistas de transformar o túmulo de Baruch Goldstein em um santuário. O Exército israelense rapidamente o destruíu.
Cada religião e cada comunidade têm seus extremistas. Mas uma fé e um povo somente se mantém saudáveis quando a esmagadora maioria dos seus adeptos tradicionais condenam a violência e o radicalismo dos seus membros extremistas.
O Washington Post, em resposta aos comentários do Sr. Affleck, reproduziu os resultados de uma ampla pesquisa de 2013 pelo Instituto Pew Research que mostrou que uma ampla maioria das populações muçulmanas de países como Afeganistão, Egito, Paquistão, e os Territórios Palestinos apoiam a morte por apedrejamento de adúlteras e a pena de morte para aqueles que deixarem a fé islâmica.
Nos países muçulmanos europeus como a Bósnia, e em mais países seculares como a Turquia, o número de adeptos muçulmanos que abraçam estas barbáries é perto de zero.
Portanto, há definitivamente um problema nos países muçulmanos do Oriente Médio que apoiam a violência e não a condenando claramente em nome do Islã.
Isso é uma blasfêmia contra o Islã. Além disso, afeta uma grande religião mundial. E as personalidades influentes e bem-intencionadas, como Ben Affleck deviam as condenarem vez de diminuir a sua malignidade e gravidade.
Houve uma tentativa por parte de alguns extremistas de transformar o túmulo de Baruch Goldstein em um santuário. O Exército israelense rapidamente o destruíu.
Cada religião e cada comunidade têm seus extremistas. Mas uma fé e um povo somente se mantém saudáveis quando a esmagadora maioria dos seus adeptos tradicionais condenam a violência e o radicalismo dos seus membros extremistas.
O Washington Post, em resposta aos comentários do Sr. Affleck, reproduziu os resultados de uma ampla pesquisa de 2013 pelo Instituto Pew Research que mostrou que uma ampla maioria das populações muçulmanas de países como Afeganistão, Egito, Paquistão, e os Territórios Palestinos apoiam a morte por apedrejamento de adúlteras e a pena de morte para aqueles que deixarem a fé islâmica.
Nos países muçulmanos europeus como a Bósnia, e em mais países seculares como a Turquia, o número de adeptos muçulmanos que abraçam estas barbáries é perto de zero.
Portanto, há definitivamente um problema nos países muçulmanos do Oriente Médio que apoiam a violência e não a condenando claramente em nome do Islã.
Isso é uma blasfêmia contra o Islã. Além disso, afeta uma grande religião mundial. E as personalidades influentes e bem-intencionadas, como Ben Affleck deviam as condenarem vez de diminuir a sua malignidade e gravidade.
Postado por
G. David Sedrez-Conde
às
segunda-feira, outubro 27, 2014
Nenhum comentário:
Links para esta postagem
Marcadores:
Ben Affleck,
Rabbi Shmuley Boteach
Assinar:
Postagens (Atom)









