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30.12.15

Museu da Língua Portuguesa seguirá com seu coração pulsante



POR LEONEL KAZ

Nossa pátria é a palavra. É o território em que nos movemos. Quando a perdemos, perdemos nossos sentidos. Nossos desejos.

O incêndio devastador na Estação da Luz revela dois dramas. O primeiro, físico, que é a destruição da estação, monumento arquitetônico a exemplo de modelos europeus como a Gare D’Orsay — que hoje acolhe um dos principais museus da França. Sua destruição simboliza um processo também devastador de abandono do trem e do bonde, iniciado sob a bandeira do progresso a qualquer custo nos anos JK, sempre em nome da novidade do momento: na época, o carro nacional.

O segundo drama é a perda simbólica do Museu da Língua Portuguesa, que iniciou, há uma década, a série de museus de nova geração desenvolvidos pela Fundação Roberto Marinho junto com governos e prefeituras. Reitero o termo: simbólica, porque são museus que podem renascer a partir de arquivos, já que não possuem acervo (o do Futebol ostenta uma única camisa de Pelé, da final do tricampeonato de 1970).

O Museu da Língua Portuguesa, o do Futebol e o do Amanhã são museus de alta tecnologia, interessados em capturar o frescor e o espírito de descoberta do visitante. Museus para se entrar de corpo inteiro, tridimensionalmente, com todos os sentidos despertos. E sair de lá revigorado; daí o sucesso de público desta fórmula de recontar a história cotidiana, recontar a fábula de nossas vidas.

O do Futebol reconta a história do Brasil por meio de nossa paixão pela bola. O Museu da Língua Portuguesa reconta a história de nossa formação e fusão por meio de corpo, gestos e palavras. Já o do Amanhã conta a história da vida e dos homens presentes, para que possamos apurar, entre acasos, o que podemos escolher como destino. Enfim, são museus que dizem o que somos, quais nossos orgulhos e virtudes.

A criação destes museus atende o clamor de nossa época, que já entende o mundo a partir de novas tecnologias, interatividades, jogos lúdicos. Todo o conteúdo resultante da apurada pesquisa de imagens fotográficas, filmes, gravações resulta num arquivo. É este arquivo que passa a ser um acervo, não apenas da memória, mas da razão de ser de cada museu.

Se no incêndio do Museu de Arte Moderna do Rio, em 1978, assim como no recente do colecionador Boghici, perderam-se obras-primas da pintura e escultura (aquilo que denominamos de acervo tradicional), no Museu da Língua, onde ele vier a existir, continuará vivo seu coração pulsante: o arquivo em back-up é o sobrevivente — o amanhã do Museu! Por isso, o museu vai ficar de pé já já, para que volte a frutificar o que temos de mais poderoso: nossa fala, expressão sincera, fruto de nossa mestiçagem.

Lamento ter escrito este texto com palavras. Deveria tê-lo escrito com lágrimas.

* Leonel Kaz foi curador do Museu do Futebol e fez a concepção inicial do Museu do Amanhã

FINALMENTE UM RESTAURANTE KOSHER COM ESTRELA DO MICHELIN EM PARIS


Com 84 restaurantes tendo o certificado Michelin e um total de 115 estrelas, a capital francesa oferece uma seleção gastronômica deslumbrante para qualquer pessoa disposta a tolerar a conta.
Durante anos, a comunidade kosher tem sido limitada a pizzarias ou restaurantes com preços moderados que oferecem cuscuz e carne grelhada. E, enquanto muitos dos restaurantes servem boa comida, ainda estão muito longe dos gigantes da culinária de Paris, com suas interpretações ousadas de cozinha clássica francesa.

Mas tudo isso mudou no ano passado com a abertura de Le Rafael. O sofisticado restaurante no elegante, 17º arrondissement (bairro/distrito) que tem forte população judaica, é o único estabelecimento kosher certificado em Paris com um pedigree Michelin - provavelmente o prêmio mais cobiçado no mundo dos restaurantes.


O certificado Michelin do Le Rafael pode ser apenas por associação - seu chef, Simone Zanoni, também dirige o restaurante de duas estrelas no Trianon Palace Versailles - mas é um grande passo à frente para os gourmands kosher de Paris. Destaque nos principais jornais franceses, como Le Figaro e Le Point ("A vitela assada, com sabor doce e o purê de batata fariam qualquer um se derreter"), Le Rafael rapidamente se tornou o mais conhecido restaurante kosher desta cidade.
Zanoni disse ao JTA que ele está direcionado "para alimentos kosher que podem segurar a sua própria qualidade contra alimentos não-kosher" - e espera que o Le Rafael ganhe uma estrela Michelin ou duas por sua própria e exclusiva qualidade.

Por enquanto, o restaurante - que é supervisionado pelo tribunal rabínico de Paris - atrai turistas internacionais judeus, bem c omo cerca de 80 parisienses diariamente, a maioria judeus observantes, de acordo com o sub-chef Edward Boarland, um não-judeu Inglês. Boarland disse que o Le Rafael pretende funcionar "para todos." Mas com tais opções limitadas para gourmands kosher, "não faz muito sentido apontar especificamente para uma clientela não-judia", disse ele.

Apesar de oferecer comidas francesas tradicionais, como o terrine de foie gras ou "o melhor final de cordeiro" moussaka com preços entre US$ 50 e US$ 130, o Le Rafael ainda não dá lucro, de acordo com Boarland.

Depois de lutar para superar tanto as desvantagens culinárias da cozinha kosher como os efeitos da crise financeira da França - a economia do país registrou zero por cento de crescimento no segundo trimestre de 2015 - os dois chefs disseram que estão enfrentando uma diminuição notável do número de clientes estrangeiros, pelas preocupações de segurança na sequência do assassinato de quatro judeus em janeiro em um supermercado kosher em Paris. (Nota - Esta matéria foi feita antes dos atentados de 13 de novembro).

"Eu acho que é o resultado da descrição dos meios de comunicação do que aconteceu em Paris," Zanoni disse em uma entrevista na semana passada. "As pessoas pensam que é uma zona de guerra."

Ainda assim, o número de clientes locais manteve-se inalterado, disse ele, o que permitiu que o restaurante ficasse aberto.

Localizado em meio a lojas de design para casa e boutiques de moda na movimentada Avenida de Villiers, Le Rafael - que é de propriedade do empresário judeu francês Michael Lehiani - tem um teto abobadado transparente que filtra a luz suave em um espaço íntimo de 15 mesas. A decoração apresenta toalhas de mesa brancas e cadeiras estofadas roxas. O longo corredor de fora da entrada abafa os sons da rua barulhenta, deixando a área de jantar principal agradavelmente silenciosa.
Antes de ser reaberto, em fevereiro de 2014, sob os cuidados de Zanoni, era um restaurante kosher simples, onde uma refeição custava US$ 25 – concorrendo com o Kavod e o Jaguar, dois dos melhores restaurantes kosher entre os cerca de 300 restaurantes em Paris sob supervisão rabínica.


A reabertura no ano passado do Le Rafael como um restaurante francês gourmet, com uma cozinha nova com o padrão Michelin, o levou para um novo nível de finesse gastronômica que nenhum outro restaurante kosher em Paris tinha alcançado antes, de acordo com Yvan Lellouche, um dos fundadores da União de Consumidores Kosher da França.

Além da comida, o Le Rafael também é único entre os restaurantes kosher no nível de serviço que oferece, com estacionamento com manobrista e quatro garçons impecavelmente vestidos.

Embora não haja guardas de segurança no Le Rafael, os moradores dizem que se sentem seguros aqui e no oeste de Paris em geral.

"Aqui, em nossos bairros, somos privilegiados o suficiente para desfrutar de um nível muito alto de segurança, não nos sentimos em risco", disse Severine Amoyal Dokan, uma empresária de 44 anos de idade e mãe de dois filhos que estavam jantando com ela e sua irmã religiosa, Aurelie Madar.

"Olhe para este lugar, como é calmo", ela acrescentou: "O que exatamente eu preciso temer aqui?"

Ainda assim, as irmãs, ambas regulares do Le Rafael, admitem que o perfil da mídia alta do restaurante pode ter o efeito indesejável de apelar para os terroristas que procuram um alvo simbólico.

Os chefs veem o sabor - e não a ameaça do terror - como o seu maior desafio.


Os principais obstáculos, disse Zanoni, eram a "baixa qualidade da carne kosher, que perde o seu sangue e ternura no processo de salgar," bem como a necessidade de dispensar todos os produtos lácteos, como creme de leite - um ingrediente principal da cozinha francesa.

Para superar estes desafios, Zanoni e Boarland empregam uma técnica de cozimento lento para amaciar a carne, selando-a em sacos plásticos e cozinhando em água morna, muitas vezes por horas.

Zanoni diz que "resolver tais problemas é exatamente a razão" pela qual ele aceitou a oferta de Lehiani para reinventar o Le Rafael, ano passado, como um restaurante gourmet.

"Uma pequena parte de mim queria saber se este foi um suicídio profissional", disse ele. "Estou feliz que foi provado errado."

Amoyal Dokan, a mãe judia de dois filhos, diz que instituições como o Le Rafael, dão apoio a sua decisão de permanecer na França, no momento em que milhares de judeus estão indo para Israel.

"Eu sou sionista, mas estou em casa", disse ela sobre o filé mignon. "Vivemos na melhor cidade do mundo, em uma das comunidades judaicas mais fortes e mais animadas do mundo e não estamos prestes a abandoná-la."

Palestinos e nazistas


Binyamin Netanyahu está errado: não foram os palestinos que ensinaram a matança sistemática de judeus aos nazistas.

O Holocausto, como qualquer historiador sério sabe, não se refere apenas ao período pós-1942, quando na Conferência de Wannsee se decidiu "a solução final para a questão judaica" (é importante citar "questão judaica" porque há sempre uns eruditos para quem o Holocausto não foi especificamente pensado para os judeus).

O Holocausto abrange todo o período entre 1933 e 1945, ou seja, desde a chegada de Hitler ao poder até a derrota do Terceiro Reich na Segunda Guerra Mundial. E, nesse período, os nazistas não precisavam de lições de genocídio de palestinos.

A partir de 1933, a perseguição e os assassinatos começaram; campos de concentração foram erguidos na Alemanha; a partir de 1938, com a "Kristallnacht", as matanças esporádicas tornaram-se rotina.

E, com o início da Segunda Guerra Mundial, os fuzilamentos em massa passaram a ser o prato do dia. 
Um exercício que era demorado, psicologicamente exigente (para a frágil saúde mental dos soldados do Reich, entenda). Era preciso uma "solução" mais rápida e, digamos, "indolor".

A partir de 1942, ou seja, com a desastrosa campanha contra a União Soviética (ou, para os eruditos, contra os seus aliados soviéticos, porque nazistas e comunistas tinham um pacto desde 1939), começaram as primeiras experiências químicas para matar judeus como quem mata baratas ou outros seres rastejantes.

Quando os nazistas descobriram o infame Zyklon B (que, ironia macabra, servia para matar baratas e outros seres rastejantes), estava encontrada a chave para acabar com os judeus da Europa.
Isso significa que o líder árabe na Palestina –Haj Amin al-Husseini– é inocente no antissemitismo assassino do mesmo período histórico? Também não. Vamos esquecer, por motivos caridosos, o fato de Al-Husseini ter sido considerado criminoso de guerra em Nuremberg e ter fugido para o Egito.

A pergunta fundamental é outra: por que motivo o "mufti" de Jerusalém foi considerado um criminoso de guerra?

Não é preciso consultar obras de peso sobre o assunto. Gregory Harms e Todd M. Ferry, apesar das suas simpatias pró-palestinas –repito: pró-palestinas–, escreveram um excelente livro de introdução ao conflito israelo-palestino que recomendo sempre a interessados –e a iletrados.

O retrato que ambos pintam de Al-Husseini resume-se a isto: o "mufti" representa um dos maiores erros do Mandato Britânico da Palestina.

Resumindo uma longa e complexa história, a partir do momento em que os britânicos, nos escombros da Primeira Guerra, decidiram que a Palestina deveria ser partilhada entre judeus e árabes, que já habitavam o território sob administração do Império Otomano (império que desapareceu na guerra), os árabes recusaram essa partilha. Assim começou, no essencial, a luta que dura até hoje.

Confrontado com essa violência, Londres acreditou que o "mufti" de Jerusalém era a pessoa indicada para tentar sossegar os ânimos.

Errou. Barbaramente. Al-Husseini não era apenas um antissemita virulento, que incitava aos confrontos e desejava uma limpeza étnica na Palestina.

Com o Terceiro Reich, o "mufti" estabeleceu relações de amizade e cooperação com Hitler. Na Palestina, criou os "escoteiros nazistas" (uma cópia da Juventude Hitlerista); recebeu apoio financeiro da Alemanha e até da Itália para a luta contra os judeus; e quando, na Alemanha, conheceu finalmente os campos de concentração, retornou à Palestina para também construir um campo do gênero perto da povoação de Nablus.

O premiê israelense Netanyahu está errado. Não foi Al-Husseini quem ensinou a lição a Hitler. O que aconteceu foi o contrário: na teoria e na prática, o Terceiro Reich apenas deu alimento suplementar a um ódio ideológico que já existia na Palestina.

Escuso de dizer que é esse o ódio que permanece até hoje. Porque o conflito israelo-palestino não é, porque nunca foi, um problema territorial. É um problema ideológico que não tem solução enquanto uma das partes olhar para os judeus exatamente como Hitler olhava para eles.

João Pereira Coutinho - Escritor português, é doutor em ciência política. É colunista do 'Correio da Manhã', o maior diário português. Escreve às terças-feiras na versão impressa, e a cada duas semanas no site da Folha.

LEMBRANÇAS DA NOITE DO ASSASSINATO


TEL AVIV – O que sentiram e pensaram os jornalistas israelenses que cobriram ao vivo o assassinato de Yizthak Rabin, há exatos 20 anos? 

Foi isso que se perguntaram os produtores de uma reportagem recente no Canal 2, que reuniu cinco jornalistas famosos que, por acaso, estavam de plantão naquele sábado, 4 de novembro de 1995. 

Todos achavam que seria uma noite normal depois de uma manifestação histórica pela paz na Praça Malchei Israel (atual Praça Rabin), em Tel Aviv.

 

A manifestação reuniu centenas de milhares de israelenses, incluindo o próprio Rabin (que pensou em não ir porque não sabia se seria um fracasso de público) e Shimon Peres. Foi só no fim do evento, depois que Rabin e Peres desafinaram cantando a “Música para a Paz” (Shir LaShalom), que o assassino Yigal Amir atirou três vezes nas costas do primeiro-ministro. Mudou a História e, quero crer, entristeceu o país inteiro (infelizmente, nem isso é consenso em Israel). A reportagem, em hebraico, pode ser vista pelo link:
http://www.mako.co.il/news-channel2/Channel-2-Newscast-q4_2015/Article-54c0dec
5be5a051004.htm?sCh=86806603e7478110&pId=25483675


O repórter Aharon Barnea, deslocado para o hospital onde Rabin foi internado, foi o primeiro a dar a notícia da morte na TV. Ele estava com um telefone celular enorme – daqueles tijolões – no ouvido porque o cabo de som que o ligava ao estúdio não estava funcionando. A certa altura, ele ouviu um médico dizer: “há pulso”. 
Ficou esperançoso. Outra jornalista, Smadar Peled, chegou a afirmar que a situação do premiê era “grave, mas estável”.

-- Me segurei nessa esperança – contou Aharon Barnea. – Mas, logo depois, alguém sussurrou que ele tinha morrido. Decidi que não ia falar nada ao vivo na TV até sair o comunicado oficial.

Quando isso aconteceu, Barnea só consegui dizer: “Saiu um comunicado de Eitan Haber (assessor de imprensa do premiê): Rabin morreu. Mais do que isso não posso falar”.

-- Senti que não podia falar nada mais porque começaria a chorar na frente das câmeras – contou Barnea. – Trabalho há muitos anos nessa profissão e nunca pensei que seria o primeiro a informar algo assim. Estava devastado. Continuo devastado até hoje. É um trauma para toda a vida. As lágrimas de hoje são porque, na verdade, não aprendemos nada. A pergunta não é se haverá outro assassinato político, é quando – disse Barnea, pessimista com o clima atual em Israel, duas décadas depois.
Outro jornalista, o âncora Yaakov Eilon, também fez história naquela noite. Foi ele quem, do estúdio, segurou a transmissão dos eventos ao vivo. 

-- Me chamaram de urgência para trabalhar e, num certo momento, disseram no fone de ouvido que Rabin tinha falecido, mas que não era para eu falar ainda – disse Eilon.

Quando sentiu que Aharon Barnea, depois de dar a informação dramática, não conseguia mais falar de emoção, Eilon pediu a palavra e improvisou. Olhou no relógio e afirmou: “Agora são 11:15 da noite e o primeiro-ministro morreu”.

-- Vou fazer uma confissão. Não sei se o meu relógio estava certo. Acho que estava atrasado uns dois ou três minutos... – brincou. – 
Não sei se vai haver mais um assassinato político. Mas se acontecer, não será mais surpresa.

Outro jornalista de peso, Gadi Sukenik, também trabalhava naquela noite. Foi ele quem deu o furo que aumentou ainda mais o trauma nacional: a identidade do criminoso.
-- Eu tinha certeza de que era um árabe. Mas, assim que as imagens do assassino começaram a passar na TV, um estudante me ligou e disse que conhecia o cara, tinha 25 anos, era um estudante religioso de direita de Direito da Universidade Bar-Ilan se chamava Yigal. 
Infelizmente, acho que um novo assassinato político pode acontecer de novo, daqui a cinco minutos – completou Sukenik, também pessimista.

Infelizmente, 20 anos depois do assassinato de Rabin, um líder que ousou liderar, que ousou mudar a situação, que ousou buscar a paz, o clima em Israel continua sendo de conflito interno e de intolerância. Minha esperança são as crianças. Depois de aprender na escola, minha filha de quase 8 anos me explicou, há alguns dias, quem foi o ex-primeiro-ministro: “Rabin foi um rapaz importante que falou algo sobre a paz”.

(Originalmente publicado em 03/11/15, na Rua Judaica)

2.10.15

6 Artists You Didn't Know Used Yiddish, From Elvis to Public Enemy

It’s astounding how much Yiddish has infiltrated today’s popular culture. From classic musicals like “Fiddler on the Roof” to sitcoms like Seinfeld, some words and phrases of Ashkenazi Jews’ native tongue have become Americanized, naturalized, and sometimes clichéd.
So, when Public Enemy released its latest album, “Man Plans, God Laughs,” emblazoned with such an obvious Yiddish proverb , we decided to investigate. Here are six Yiddish idioms that classic and modern musicians across major genres have invoked their work.
1) Man Plans, God Laughs
Transliteration: Der mentsh trakht un got lakht

Famed hip-hop group Public Enemy released its 15th LP, Man Plans, God Laughs, last week. Although rapper and producer Chuck D has said that Kendrick Lamar and Run the Jewels inspired this record, we know that the title is actually a Yiddish proverb. Whether intentional or not, the connection seems fitting: Public Enemy still represents the pinnacle of political rap and Yiddish sayings often comment on such issues as well

2) Mazel Tov

Transliteration: Mazal tov

This obvious, congratulatory phrase has already breached most forms of mass cultural consumption. But this 2009 Grammy award-winning track from The Black Eyed Peas integrated an exclamatory “Mazel tov!” so flawlessly into the middle of “I Gotta Feeling” that the song has since become a mainstay at all bar and bat mitzvahs and Jewish weddings until the end of time. Plus, it’s like The Peas even knew about Pesach’s four cups of wine, as the Yiddish exclamation comes right after the line about “Fill up my cup.”

Extra Listening: Jay-Z & Kanye West also used recently the phrase in “New Day” from 2011’s Watch The Throne, rapping, “So at thirteen we’ll have our first drink together / Black bar mitzvahs, mazel tov, mogul talk.”

3) Walls Have Ears
Transliteration: Vent hobn oyern

Many have researched and analyzed Elvis Presley’s relationship with Judaism . It’s been rumored that his mother was part Jewish and part Native America, and the King was often spotted sporting a Chai or Star of David necklace. In 1962, Elvis recorded ‘The Walls Have Ears” for his film Girls! Girls! Girls! The title refers to a Yiddish phrase that warns someone is always listening.

Extra Listening: A Sonic Youth bootleg, unapproved by the band, was released in 1986 by this name.

4) Still Water Runs Deep

Transliteration: Shtil vaser grobt tif

The origin of this phrase is debated (some say Italian/Latin, other say Shakespearian.), the Yiddish version still offers a cautious admonition of the roiling emotions that can hide beneath a calm exterior. Detroit soul group The Four Tops made this idiom famous in 1970, with its Hitsville USA record Still Waters Run Deep and chart topping single “Still Water (Love)."

5) Either All Or Nothing

Transliteration: Oder gor oder gornisht

Although quite a common turn of phrase in pop culture today, one of the most groundbreaking uses came from Arthur Altman and Jack Lawrence’s 1939 composition “All or Nothing At All.” But it wasn’t until 1943 until consummate crooner Frank Sinatra made the song a smash, when Columbia Records re-released his vocal version. Since then, other famous musicians including Chet Baker, John Coltrane, Diana Krall, and Sarah Vaughan have all covered “All or Nothing At All.”

6) Jack of All Trades, Master of None
Transliteration: Fil meloches, vainik broches

Diana Krall actually channeled another Yiddish phrase on her 1997 album Love Scenes. She chastises a potential love interest with this saying in each chorus, revisiting the shame of his lack of excellence brings. While some have argued that this figure of speech was originally two separate phrases, the Yiddish version usually links them together.

(Forward)

30.6.15

The Tax Lawyer Who is Reinventing Jewish Music as Brazilian Song

“Raizes” — Portuguese for roots — is the newest album from Nicole Borger, a woman whose background is as unique as her music: Jewish songs such as “Abi Gezunt” and “Shlof Mayn Feigele” sung to a Brazilian beat.

Borger — she records simply as Nicole — was born and raised in Sao Paulo. Her father was American and her mother Portuguese and how the two met in Brazil is the kind of story they write far-fetched romance novels about.

Nicole’s maternal grandfather was an Austrian rabbi assigned to shepherd the Sephardic community of Lisbon in the late 1930s. “In 1942, I think, a ship was sent from America to Europe to collect Jewish orphans and bring them to America,”

Nicole said during a telephone interview with The Forward. Not permitted to dock in France, it was about to return home empty. Instead, the Portuguese Jewish community arranged to send some of its children to safety on the ship. The rabbi sent his 13-year-old son — Nicole’s uncle — to live with a family in Mt. Vernon, New York, where he became best friends with the boy who — wait for it — was his future brother-in-law.

The coincidences keep piling up. In 1952, the rabbi tired of life under dictator Antonio Salazar, moves to Brazil. The man who would be Nicole’s dad gets a job working for an American company in Brazil. He looks up his high school buddy, meets his buddy’s sister and decides to set down his “raizes” in Sao Paulo.

For Nicole it was a reasonably idyllic upbringing. “I was raised Conservative,” she said. “My [happiest] memories are of Shabbat dinner, sitting with him and singing. My grandfather was a rabbi and a cantor with a beautiful baritone voice. My grandmother was a soprano, and everybody sang a lot.

“Jewish music is home for me. My grandfather sang in Hebrew, not Yiddish. We didn’t speak Yiddish. My grandfather insisted we speak Hebrew. I went to an Orthodox Yeshiva for 12 years.”

She went from singing Hebrew to Ladino to “Latin American songs which were provocative, protest kind of songs. That’s when my parents became worried for my safety.”

This was in the late 1970s; Brazil was ruled by a military dictatorship that frowned on (and imprisoned) artists who disagreed with it. So Nicole’s parents pressured her to put her show business dreams on hold. Instead, she attended university, became a tax lawyer and joined the firm that now is
PricewaterhouseCoopers. She became the firm’s first female partner in Brazil and in the early 1990s left that company to found her own firm.

At the turn of the century, as her firm prospered, she returned to singing. “I started out with an amateur choir,” Nicole said. “The conductor told me, ‘you have such a lovely voice. You could do so much more.’ I told him I was dying to, but didn’t know where to start. He introduced me to a pianist, who became my first mentor.”

He encouraged her singing, her song writing and produced her first album, a collection of jazz, samba and bossa nova standards. Her second came about in a random fashion. “I went into a book store and a book of sonnets by the Portuguese writer Florabela Espanca literally fell from a shelf into my hands.”

Espanca (1894-1930), a poet and feminist was the first woman to enroll in the University of Lisbon law school. Coincidence? Nicole put Florabela’s words to music in her second album. And continued to live what she calls a “Jekyll and Hyde life. During the day, head of a law firm that ‘pays the bills’ and at night a ‘struggling artist.’”

What works in her favor is that “most of my clients are fans and come to my shows.”

But memories of her grandfather lingered. She started finding work in Jewish clubs singing Jewish songs almost exclusively in Hebrew. That prompted her to “do some research on Yiddish and I discovered a huge treasury of Yiddish songs. That was the trigger to everything I’ve done since.”

She started appearing at Jewish musical festivals around the world and, in 2010 started one, Kleztival, in Sao Paulo with her husband, Edy, and Klezmatics trumpeter Frank London. “It started as a klezma festival, but now all parts of Jewish music from around the world are part of the mix, much of it — like her latest album — infused with a Brazilian beat.

“These songs,” Nicole said, “made the same trip my family did from the shtetls of Europe and I am trying to bring them to Brazil.”

8 Jewish Things About the Magna Carta On Its 800th Anniversary


1) Jews were legally treated as chattel by the monarchy. The king could tax the Jews without permission from Parliament. He could even mortgage them.

2) When Jews died, much if not all of their estate went to the crown.

3) Jews were forbidden to own or work land, so many turned to money lending and banking.

4) Clause 10: If anyone who has borrowed from the Jews any amount, large or small, dies before the debt is repaid, it shall not carry interest as long as the heir is under age, of whomsoever he holds; and if that debt falls into our hands, we will take nothing except the principal sum specified in the bond.

5) Clause 11: And if a man dies owning a debt to the Jews, his wife may have her dower and pay nothing of that debt; and if he leaves children under age, their needs shall be met in a manner in keeping with the holding of the deceased, and the debt shall be paid out of the residue, saving the service due to the lords. Debts owing to other than Jews shall be dealt with likewise.

6 ) Another clause tried to stop the king from gaining more land through the Jews by forbidding any debts to be paid through land, and instead through liquid assets.

7) Later versions of the Magna Carta (from 1216, 1217, and 1225), omit the Jewish clauses.

8) Edward I expelled the 2,500 Jews living in England in 1290. The majority left for France.

SEXO KOSHER TEM LOJA VIRTUAL CRIADA POR RABINO EM ISRAEL

Sua inspiração pode ser exótica - a Torre Eiffel, a Estátua da Liberdade, Coliseu de Roma - mas os vibradores sexuais de Rabi Natan Alexander tem um objetivo claramente doméstico: dando a casais judeus ortodoxos a gratificação sem a culpa.

Alexander, de 34 anos, nasceu em Sydney e agora vive em um assentamento judaico na Cisjordânia.
Depois de estudar a religião e se tornar um rabino em Israel, ele se transformou em um conselheiro de sexo on-line em uma missão para apimentar a vida amorosa dos fiéis.

"Dar prazer a uma mulher é uma obrigação religiosa", disse à AFP. "Os casais religiosos devem ser ajudados a viver melhor a sua sexualidade."

Ele fundou o site da Better2gether onde os casais observantes podem ler e comprar todas as ferramentas de ajuda para o sexo, seguros na certeza de que os produtos são kosher.

"A lei judaica permite o uso desses objetos que podem melhor ajudar a cumprir o mandamento de dar prazer a uma esposa", disse Alexander.

"Better2gether está aqui para ajudar os casais a melhorar e fortalecer as relações emocionalmente e fisicamente", proclama o site. "Nossa abordagem fornece modéstia, sensibilidade e confidencialidade."

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Seu catálogo on-line tem um sabor de arquitetura, oferecendo vibradores modelados em marcos históricos, incluindo o arranha-céus de Londres Gherkin, as folhas de Palm Island em Dubai e os pináculos e cúpulas da Catedral de São Basílio, na Praça Vermelha de Moscou.

Alexander não é o primeiro clérigo a abordar publicamente o sexo e o erotismo no casamento entre a comunidade profundamente conservadora do judaísmo.

O Rabino americano ortodoxo Shmuley Boteach teve um grande sucesso com seu livro "Sexo Kosher", em 1999, e seu sucessor "The Kosher Sutra", em 2009, também foi um best-seller.

"Acho que em nossa cultura, suprimimos e negamos a verdadeira natureza erótica de uma mulher", disse ele em um vídeo promovendo seu trabalho, em 2014, "Kosher Lust".

"As mulheres de hoje são amadas. Elas são apreciadas, mas não desejadas", disse Boteach, 49, cujo website diz que ele tem nove filhos e dois netos. 

O negócio de Alexandre na Cisjordânia tem sido bem sucedido, contando com clientes satisfeitos em Israel, e também em lugares tão distantes como os Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália e África do Sul.

Apesar das vendas de cerca de cinco itens por dia e mais de 20.000 visualizações do site por mês, ele insiste que a sua empresa on-line de sexo não vê só o lucro.

"Eu quero oferecer esses serviços para permitir que casais religiosos tenham acesso ao prazer sem quebrar as leis religiosas", explicou.
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Embora os produtos sejam os mesmos que aqueles oferecidos por lojas de sexo, em todos os lugares do mundo, estes são fornecidos em pacotes sem o tipo de ilustrações atrevidas que ofendem as sensibilidades ortodoxas.

O site oferece aconselhamento on-line com o que ele diz serem terapeutas profissionais do sexo, casais conselheiros e ginecologistas, sobre questões que muitos casais acham difícil levantar com seus rabinos.

Perguntas sobre a ejaculação precoce, o tamanho do pênis, orgasmos e posições sexuais, são respondidas usando a linguagem "respeitando as regras da vida religiosa", disse Alexander.

"Judaísmo dá um lugar importante ao prazer sexual, mas ainda é muito frequentemente um assunto tratado com tabu", acrescentou. "Tenho orgulho de ser um pioneiro neste campo."

27.10.14

O que Ben Affleck não entende sobre o Islã

Por Rabino Shmuley Boteach


During his appearance on Real Time With Bill Maher this past Friday, Ben Affleck slammed the host for his


Ben Affleck merece um grande crédito pelo seu importante filme Argo, que trouxe a verdadeira brutalidade do regime iraniano para as grandes telas. Mas ele está errado em comparar igualmente as acusações da violência islâmica com aqueles que dizem que os judeus são ‘enganadores’.

Alguns judeus, sem dúvida, são enganadores, assim como alguns não judeus. E alguns muçulmanos são violentos, assim como outros muçulmanos não são.

É por isso que nós temos que ter cuidado com caricaturas e esterótipos de qualquer grupo e Mr. Affleck está certo que este constitui o núcleo do fanatismo.

A diferença aqui, porém, é que os ‘enganadores’ judeus - para repetir o exemplo do Sr. Affleck - não estão justificando a sua ‘ enganação’em nome do judaísmo. Se há um homem ou uma mulher judia desonesta, eles não gritam "Deus é grande!", levantando uma bandeira com o Magen David.

Católicos irlandeses tiveram de lutar contra estereótipos desagradáveis ??sobre ‘bebados’ por centenas de anos. Mas quando bebiam em excesso não levantavam os seus copos de cerveja e gritavam: "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo."
Quaisquer atos maus que cometem são feitos em seus próprios nomes.

Mas o problema real com a violência islâmica é que ela está sendo feita em nome da religião islâmica. E enquanto as pessoas nunca ousam repetir a mentira de que a violência é endêmica no Islã – pois sabem muito bem que outras religiões tiveram facções violentas - é verdade que a violência em nome do Islã não está sendo condenada por um número suficiente das principais correntes islâmicas. 
Ben Affleck não está fazendo um favor ao islamismo, quando defende este silêncio. Ao contrário, o Islã é uma grande religião mundial e que passou por séculos de iluminação e de tolerância. Nós, judeus, fomos beneficiados dessas épocas, como na Espanha, na Idade de Ouro e no Egito quando estava sob o comando do maior dos governantes muçulmanos, Saladino, que indicou um rabino, Maimonides, como o seu médico pessoal e conselheiro. Além disso, os turcos otomanos receberam a nós, judeus e nos concederam santuário quando fomos expulsos da Espanha pelos governantes católicos antissemitas de maneira bárbara e furiosa por Fernando e Isabel, ambos os quais foram canonizados pela Igreja.

Mas o Islã está passando por uma fase difícil , quando muitos muçulmanos matam em seu nome. Negar este fato é esticar e exagerar o politicamente correto a um extremo nocivo e corrosivo.

Affleck está correto. Eles são uma minoria e que a grande maioria dos muçulmanos é um povo decente e temente a Deus. Mas os clérigos muçulmanos por todo o mundo não se manifestam o minimo suficiente para este fato para condenarem em termos claros e absolutos, a violência perpetrada em seu nome.

Aqui está um exemplo. Quando, em 1994, Baruch Goldstein, um judeu ortodoxo que vivia em Hebron, assassinou 29 muçulmanos inocentes quando oravam em uma mesquita: ele foi imediatamente vilipendiado e condenado por rabinos de todo o mundo. Eu era um deles, mas apesar disso a minha casa em Oxford na Inglaterra, onde servia como rabino, foi alvo de bombas incendiáras no dia seguinte, no que a polícia acreditou ser um ataque de retaliação. Ainda assim, eu disse que Goldstein era uma abominação a tudo em que o Judaísmo acredita. É verdade que alguns extremistas judeus o elogiaram e até mesmo oraram em seu túmulo, justificando o seu ataque bárbaro, dizendo que ele estava antecipando um ataque assassino contra os judeus de Hebron. 
Desculpe. Judaísmo não tolera desculpas ou justificativas para o assassinato. Os Dez Mandamentos são claros. Você ceifa uma vida inocente, e por mais justificada que você possa acreditar esta ser a sua ação, você é uma abominação para Deus.

Houve uma tentativa por parte de alguns extremistas de transformar o túmulo de Baruch Goldstein em um santuário. O Exército israelense rapidamente o destruíu.

Cada religião e cada comunidade têm seus extremistas. Mas uma fé e um povo somente se mantém saudáveis quando a esmagadora maioria dos seus adeptos tradicionais condenam a violência e o radicalismo dos seus membros extremistas.

O Washington Post, em resposta aos comentários do Sr. Affleck, reproduziu os resultados de uma ampla pesquisa de 2013 pelo Instituto Pew Research que mostrou que uma ampla maioria das populações muçulmanas de países como Afeganistão, Egito, Paquistão, e os Territórios Palestinos apoiam a morte por apedrejamento de adúlteras e a pena de morte para aqueles que deixarem a fé islâmica.

Nos países muçulmanos europeus como a Bósnia, e em mais países seculares como a Turquia, o número de adeptos muçulmanos que abraçam estas barbáries é perto de zero.

Portanto, há definitivamente um problema nos países muçulmanos do Oriente Médio que apoiam a violência e não a condenando claramente em nome do Islã.

Isso é uma blasfêmia contra o Islã. Além disso, afeta uma grande religião mundial. E as personalidades influentes e bem-intencionadas, como Ben Affleck deviam as condenarem vez de diminuir a sua malignidade e gravidade.

NUNCA MAIS


“O holocausto força-nos a perguntar as seguintes questões:

O que eu teria feito?

O que teria feito se fosse um judeu em Berlim, em 1933, quando Hitler ascendeu ao poder?
Teria fugido?

Teria vendido minha casa e abandonado meu trabalho?

Retirado meus filhos da escola no meio do ano?

Ou teria dito a mim mesmo: isto vai passar, é só um momento de loucura, Hitler só disse estas coisas porque é um político procurando se eleger. Sim, ele é antissemita, mas quem não é?

Já vivemos tempos piores do que este. É melhor esperar, manter minha cabeça fria. Isto passará.

O que eu faria se fosse um cidadão alemão, em Berlim no dia 18 de outubro de 1941, quando o primeiro trem partiu conduzindo 1.013 judeus, entre crianças, mulheres e velhos, todos destinados a morrer?

Não pergunto o que teria feito se fosse um nazista, mas o que teria feito se fosse um cidadão honesto testemunhando esse fato no local?

Um cidadão alemão, de minha idade, com três filhos como eu. Um homem que educou seus filhos nos princípios da decência, do direito inalienável à vida e ao respeito. Teria eu permanecido em silêncio? Teria protestado?

Teria eu sido um dos numerosos berlinenses que tentaram incognitamente resistir ao nazismo, ou dos que continuaram vivendo como se nada estivesse acontecendo?

Ou o que teria acontecido se eu fosse um dos 1.013 judeus naquele trem? Teria embarcado?

Teria escondido minha filha de dezoito anos nas florestas do norte?

Teria dito aos meus dois filhos homens para que lutassem até a morte?

Jogaria fora minha mala e sairia correndo?

Ou atacaria os guardas em seus uniformes negros e morreria honrada e corajosamente, rapidamente, ao invés de vagarosamente torturado e faminto?

Penso saber a resposta, e você também.

Nenhum - NENHUM - dos 1.013 judeus que partiram para a morte lutou contra os guardas.

Nem eles nem os milhares que os seguiram partindo desta mesma plataforma.

Meu avô, Bela Lampel, também não o fez, quanto um soldado alemão, tirou-o de casa, tarde da noite de 18 de março de 1944.

“Bitte” disse a mãe dele, minha bisavó Hermine, para o soldado alemão. Ela lentamente ajoelhou-se e abraçou as botas do soldado. “Bitte, não esqueça que você também tem uma mãe”.

O soldado não disse uma só palavra. Ele não sabia, que da cama, escondido sob o colchão, meu pai tudo observava. Um jovem judeu de 13 anos, que de um dia para o outro virou um homem.

Porque eles não lutaram? Esta é a pergunta que me assombra. Esta é a pergunta que o povo judeu não sabia responder desde a partida do último trem para Auschwitz.

E, a resposta – a única resposta – é que não acreditavam, que a maldade suprema existia, mas agora sabem e acreditam, e como!

Sabiam na época, naturalmente, que existe gente má no mundo, mas não acreditavam na maldade suprema, na maldade organizada, sem perdão ou hesitação, maldade fria que os visualizavam mas não os viam, nem por um momento como seres humanos.

Pela ótica de seus assassinos, eles não eram pessoas. Não eram pais, mães e filhos. 

Nunca haviam celebrado o nascimento de um filho, nunca se apaixonaram, nunca levaram seu velho cão para passear, às duas da manhã, ou riram até chorar ao assistir uma comédia inesquecível.

É só isso que você precisa para assassinar seu semelhante. Estar convencido que ele não é um ser humano. Estar convencido que ele não é um homem na acepção antropológica da palavra.

Quando esses assassinos olhavam para os prisioneiros nos trens que partiam das plataformas em sua jornada final, não viam pais e mães, mas só JUDEUS.

Não eram poetas ou músicos, mas só JUDEUS.

Não eram Herr Braun ou Frau Schvartz, mas só JUDEUS.
A “DESTRUIÇÃO” começa com a perda provocada da identidade.
Não traz surpresa, que a primeira coisa que ocorria quando chegavam em Auschwitz, era tatuar um número em seus antebraços.

É difícil matar Rebecca Grunwald, uma linda e graciosa jovem de 18 anos, mas uma judia número 7762 A, é fácil de matar, mesmo quando continue a mesma pessoa.

Setenta e cinco anos mais tarde, sabemos um pouco mais? Entende-se mais?

O Holocausto coloca aos olhos de Israel um desafio duplo: Por um lado nos é ensinado que devemos sobreviver a qualquer custo, e sermos capazes de nos defender a qualquer 
preço.

Trens lotados de judeus nunca mais partirão de plataforma alguma, seja qual for o destino e o lugar no mundo. A segurança do Estado de Israel e seus cidadãos deve estar para sempre nas mãos de seus habitantes exclusivamente, sejam judeus ou não.

Temos amigos, e estaremos em companhia dos mesmos. A nova Alemanha, já provou sua atual amizade a Israel, mas não podemos nem devemos confiar em ninguém a não ser em nós.

Por outro lado, o Holocausto nos ensinou, que independentemente de qualquer circunstância, devemos ser e permanecer sempre como um povo e Estado com sentimentos e moral elevada.

A moral humana não é avaliada quando tudo caminha normalmente, ela é julgada pela nossa habilidade em ver e sentir o sofrimento de terceiros, mesmo quando temos razões bastantes para ver exclusivamente os nossos.

O Holocausto não pode ser comparado, e não deve sê-lo, com qualquer outro evento na história humana. Foi, nas palavras de K. Zetnik, um sobrevivente de Auschwitz, “um outro planeta”.

Não devemos comparar, mas devemos sempre lembrar o que aprendemos.

A guerra que travamos hoje, que parece continuar, e que o mundo civilizado – quer queiram, quer não – será parte dela, fundamenta as duas lições que tiramos do Holocausto, colocando infelizmente uma diante e oposta a outra.

A necessidade de sobreviver nos ensina como sermos combativos para nos defender.

A necessidade de permanecermos politicamente corretos, mesmo quando a imoralidade nos rodeia, nos ensina minimizar o sofrimento humano tanto quanto possível.

Nossa conduta moral não é avaliada em um laboratório esterilizado ou em um livro de filosofia.

Nas últimas semanas, nossa avaliação perante a opinião pública mundial e principalmente pela mídia internacional facciosa como sempre em relação a Israel, foi feita durante intensa troca de foguetes e bombardeios.
Milhares de foguetes foram lançados contra Israel, enquanto terroristas armados do Hamas continuavam a cavar túneis que os levavam a jardins de infância, com o objetivo de raptar e matar nossas crianças.

Qualquer um que nos critique deve fazer a si uma única pergunta: “O que você faria se viesse à escola de seus filhos um terrorista do Hamas armado com uma metralhadora e começasse a atirar?”

O Hamas, ao contrário do que fazemos, querem matar JUDEUS. Jovens ou velhos, mulheres ou homens, soldados ou civis.

Não veem diferença, pois para eles, não somos pessoas. Somos JUDEUS, razão bastante para tentar nos matar, exatamente igual aos nazistas.

Nosso termômetro moral, mesmo nessas circunstâncias, é continuar a distinguir entre inimigos e inocentes.

Cada criança que morre em Gaza, faz sangrar nosso coração. Eles não são do Hamas, não são inimigos, são apenas crianças.

Israel é o primeiro e único pais, em toda história mundial militar, que informa seus inimigos previamente quando e onde vai atacar, afim de evitar feridos civis.

Israel é o único país que transfere alimentos e medicamentos aos seus inimigos mesmo durante o embate.

Israel é o único país em que pilotos abandonam suas missões quando identificam civis no solo a ser bombardeado. Assim mesmo, crianças morrem, e crianças não existem para morrer assim.

Hoje na Europa, e como em todo mundo, seus habitantes estão confortavelmente sentados em seus lares, vendo as notícias do dia, e comentando como Israel está falhando em sua estratégia de autodefesa.

Por que? Porque em Gaza pessoas sofrem e morrem. Não entendem – ou não querem entender – que o sofrimento em Gaza, é a MAIOR ARMA DA SUPREMA MALDADE - OU SEJA - DO HAMAS.

Quando tentamos explicar a todos, minuto a minuto, dia após dia, semana após semana, que o Hamas usa seus filhos, suas crianças, como escudos humanos, pondo-os na linha de fogo intencional e cruelmente, para assegurar que vão morrer, esse diabólico Hamas, sacrifica essas vidas jovens e promissoras para vencer sua guerra de propaganda, e assim mesmo a opinião pública mundial não judaica, recusa-se a acreditar nisto.

Por que?

Porque, não conseguem acreditar que seres humanos – seres humanos que parecem sê-lo, e soam como se fossem – são capazes desse comportamento diabólico.

Porque, pessoas de bem, recusam-se a reconhecer essa suprema maldade, só quando já é muito tarde.

Dia a dia, perguntamos a nós mesmos, porque a humanidade prefere nos criticar, mesmo quando fatos gritantes e incontroversos indicam o contrário.

Hoje, mundo a fora, fanáticos muçulmanos estão massacrando outros muçulmanos. Na Síria, no Iraque, na Líbia e na Nigéria morrem mais crianças em um dia, do que em Gaza em um mês.

Cada semana, uma mulher é sequestrada e estuprada, homossexuais são enforcados e cristãos decapitados. Enquanto isso o mundo observa, calma e educadamente, voltando obsessivamente a condenar Israel por tentar se defender e a seus cidadãos.

Parte dessas críticas vem de antissemitas. Mais uma vez, emerge o monstro do preconceito. Mas não perdem por esperar, lutaremos contra vocês sempre, em qualquer tempo e lugar. Os dias em que os judeus silenciavam já eram.

Nunca mais calaremos face o antissemitismo travestido de antiisraelismo, e esperamos que cada governo, em cada país, com o bom senso de todos os governantes, ombro a ombro ajude-nos a combater essa maldade suprema que insiste em reviver.

Muitos preferem nos criticar e focar sua raiva sobre nós, porque sabem que somos os únicos que os ouvimos porque defendemos todos os pontos em que o Hamas é contra, como direitos humanos, racionalidade, liberdade para os gays, direito das mulheres, liberdade de religião e de opinar.

Não nos deixemos enganar. A suprema maldade está aqui. A nossa volta. Está procurando vigorosamente nos ferir.

O fundamentalismo Muçulmano é a mais recente manifestação da suprema maldade, e como o nazismo que o precedeu, nos ensinou como usar nossas estratégias para nos defender.

Diabolicamente usam nossa incapacidade de aceitar que seres humanos utilizem e matem seus filhos e cidadãos civis em geral, para vencer uma guerra de propaganda, materializada pela captação por uma lente de TV, de um cenário de morte e sofrimento que circulará pela mídia internacional na sua perseguição infinita contra os judeus e o Estado de Israel.

Finalmente, quero alertar aos líderes do Hamas, do Estado Islâmico ou ISIS, que nunca estarão seguros onde quer que estejam enquanto continuarem a matar vítimas inocentes.

Assim como, os principais líderes do Ocidente, continuaremos a perseguir até a extinção esses assassinos do Hamas e seus parceiros.

Essa suprema maldade que Israel enfrenta hoje, a Europa já sabe, que se falharmos ao tentar detê-los, eles serão os próximos alvos.

Nunca mais embarcaremos nos trens da morte, esteja o Mundo certo disso!

Shalom!

*Yair Lapid é jornalista e ministro das Finanças de Israel.


24.10.14

Carta Aberta Á Opinião Pública Anti-Israel e Anti-Semita

Por mais de três milênios a opinião pública mundial voltou-se contra nós, Judeus. Em pleno século XX, na antiga União Soviética, Stalin tentou nos destruir. Na Alemanha, Hitler levou toda uma nação a reputar-nos como ratos, sanguessugas e “escória da humanidade”.
Hoje, o mundo novamente multiplica opiniões maciças contra Israel, a despeito de sua ação militar na Faixa de Gaza ser uma defesa legítima contra abusos e provocações terroristas assíduas durante anos. E como se não bastasse, as populações voltam-se contra Judeus em muitas partes do mundo em ataques vândalos a sinagogas, cemitérios e entidades. O antissemitismo se prolifera à velocidade e índices só vistos na Segunda Guerra Mundial.
Eu mesmo, que imaginava estar vivendo tranquilo e em paz no interior do Paraná, fui ofendido frontal e declaradamente por pessoas muito próximas, de quem eu imaginava gozar de respeito mínimo, além de ver clientes meus serem aconselhados a cortar relações comigo sob argumentos caluniosos engenhados especialmente para me degradar.
Diante destes fatos horrendos, transcorridos em menos de trinta dias, venho a público a fim de fazer uma simples e modesta pergunta:
– Onde estão Stalin e seu comunismo – criado para mudar o mundo? Onde estão Hitler e aquele seu Terceiro Reich – que duraria mil anos?
Estão derrotados, humilhados e enterrados. Seus feitos, falidos ao cubo!
Nós, Judeus, por outro lado, continuamos aqui. E sabemos que chegará o dia em que todo o mundo se voltará contra nós gratuitamente. Isso que estampam os jornais todos os dias é, portanto, “café pequeno” quando comparado a tudo o que já passamos.
Que venham os novos Stalins e os outros Hitlers. Se há de ser assim, que seja! E que enfrentemos nós o devir”, não nossos filhos e netos.
A única coisa certa em todo esse contexto é que nós não abriremos mão da defesa do nosso Povo e da nossa Terra, em absoluto. Até recentemente fomos mortos e o mundo nos viu como ovelhas no matadouro. Agora, ele nos vê lutando contra tudo e todos o que engendra nos derrotar. Usem os escudos que bem desejar, nós nos defenderemos. Apenas isso!
Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é “simplicidade”. É autor do livro “Torta de Chocolate não Mata a Fome”. E-mail: shapiro@shapiro.com.br – Site: http://www.shapiro.com.br


PS.: Stálin está muito bem enterrado. De fato, o comunismo existe para mudar o mundo, mas não da maneira que Stálin e outros fizeram e fazem.