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17.12.11

Novos caminhos e horizontes


 

Em segundos, com o impacto de um acidente de motocicleta, provocado por um bêbado que com um carro roubado cruzou minha vida em uma rodovia, uma viagem de lazer foi brutalmente interrompida.

Submetido a treze cirurgias durante os 10 primeiros meses, permaneci 25 entre cama e cadeira de rodas, o que, em diversos aspectos, transformou minha vida.

Os sonhos, planos, projetos e compromissos precisaram ser adiados, revistos, modificados e alguns - poucos - deixaram de existir.

Durante um bom período não era capaz de me alimentar, tomar banho ou qualquer outra coisa que necessitasse das mãos e sequer ficava de pé, com uma das pernas em péssimas condições.

Os aparelhos e pinos nas mãos tornavam muitas ações pequenas e simples - como levar um talher com alimento em direção à própria boca -, muito difíceis de serem realizadas, a ponto de um grande amigo haver me dado de presente uma colher que ele próprio entortara, em um ângulo de 90 graus.

Além das seqüelas físicas remanescentes, o fato de mesmo que só por um período, haver ficado totalmente dependente de outras pessoas, me modificou, tanto psicologicamente, quanto em relação à vida profissional, na administração de meus bens, principalmente por sempre ter sido muito ativo e centralizador.

Após mais de um ano do acidente, cansado da imobilidade física e necessitando manter pelo menos a mente com bastante atividade, comecei escrever, o que antes fazia muito esporadicamente, sobre temas específicos, profissionais, enquanto exercia a política classista em uma entidade que presidia.

A idéia era falar sobre tudo, do cotidiano, principalmente para deixar registrado para meus netos o que pensava sobre os mais variados assuntos e, para isso, resolvi montar um blog, baseado em uma experiência anterior.

Para registrar uma viagem de motocicleta que realizei até Santiago, no Chile, havia construído um, onde diariamente postava as fotos dos locais por onde passava e fazia um relato do trecho percorrido no dia e do local onde estava, para que meus filhos pudessem acompanhar a aventura diariamente, postar comentários ou fazer perguntas.

Com o desenvolvimento do projeto, resolvi ampliar as possibilidades postando, além de textos, meus e de terceiros, notícias e vídeos musicais, unindo assim o prazer da leitura ao da música, minha grande paixão.

Apesar de existirem diversas possibilidades, em nenhum momento minha intenção foi a de buscar um retorno financeiro com o blog da viagem ou com este, que ficou pronto em outubro de 2009.

Com dois anos de existência, o novo blog mostra dados bastante interessantes e antes não imaginados, principalmente pelo número de pessoas que passaram a se interessar por meus textos e os diversos blogs e jornais que me adicionaram como seu colunista.

Atualmente já recebemos mais de 90.000 visitas e a cada publicação aumentam os blogs, sites e jornais, de diversas regiões do país, que republicam meus textos, multiplicando exponencialmente e de modo imensurável, os leitores que se interessam por eles.

Aqueles que ao cair se levantam e seguem adiante, sempre encontrarão caminhos diferentes para um horizonte antes desconhecido.

"Há, e quem agradece é a gente! Valeu João!"

Viciados em adrenalina


 

Atualmente as pessoas parecem gostar de viver em estado de muita tensão, com pressa para tudo, os nervos à flor da pele, perdendo o equilíbrio emocional diante da mais simples contrariedade. Os filmes e livros com temas históricos, pacíficos ou de romances, são pouco vistos ou lidos, mas os que tratam de ação, guerra, tiroteios ou suspense, fazem filas nas entradas das salas e não saem da lista dos mais vendidos.

Na juventude, ouvia dizer que o jornal que vende é aquele que sangra quando torcido e hoje percebo como isso é verdadeiro e atual. Por mais que os novos meios de comunicação evoluam, com a internet abrindo novos e imensuráveis caminhos, podemos perceber que os interesses continuam os mesmos e as manchetes dos jornais, telejornais ou de milhares de páginas da web, são sobre brigas, assaltos, crimes, tragédias, revoltas e guerras.

Cenas violentas e verídicas, de pessoas sendo agredidas, feridas, executadas ou já mortas, são constantemente transmitidas em horários de programação livre e assistidas por crianças. Nos últimos dias, provavelmente nenhuma cena foi mais transmitida pelos canais de televisão, publicada pelos jornais e divulgada na internet, do que o linchamento público, morte e exposição do cadáver de Muammar Kadhafi, da Líbia.

Milhões de pessoas assistem os canais, compram os jornais e acessam as páginas com esses temas, facilitando a venda de seus espaços publicitários, mais caros durante os programas de maior audiência, nos jornais de maior circulação ou nos portais mais visitados, proporcionando, assim, maiores lucros às empresas de comunicação.

As indústrias, sempre buscando os mais lucrativos filões existentes no mercado consumidor, produzem automóveis e motocicletas que alcançam velocidades superiores a 300 km por hora, impensáveis de serem atingidas por pessoas que possuam um mínimo de bom senso.

Esporte de extrema violência, o das lutas de vale tudo, chamadas MMA, é o que atualmente mais cresce no mundo e mais lucro proporciona aos seus participantes e promotores, pela quantidade de pessoas que o assiste.

Milhares se reúnem para assistir uma tourada, uma corrida de touros nas ruas, um rodeio ou um treinador de leões e tigres, onde o homem mede força com animais muito maiores, mais fortes e mais pesados que ele.

As torcidas dos times de futebol não se organizam mais para acompanhar e apoiar o seu predileto, mas para o confronto com a do time adversário, se agredindo fisicamente antes, durante ou depois dos jogos e depredando ônibus, veículos e vitrines por onde passam.

Com tudo em sua vida ocorrendo em ritmo acelerado e os horários agendados muito próximos, as pessoas permanecem em constante estado de tensão e parecem gostar de assistir esses fatos, divulgados nos meios de comunicação ou ocorridos nas ruas.

Saindo de um avião, elas ligam seus celulares antes mesmo de chegar aos prédios dos aeroportos, parecendo desesperadas para se comunicar e demonstram verdadeiro pânico quando o esquecem em algum lugar, como se não pudessem mais viver distantes do aparelho.

Em situações de nervosismo e estresse, automaticamente cresce a produção de adrenalina, que acelera os batimentos cardíacos e a respiração, proporcionando maior oxigenação celular e o aumento do fluxo sanguíneo nos músculos relacionados com as atividades sexuais, experiência agradável, que as pessoas procuram repetir.

A adrenalina, por provocar sensações de prazer, vicia como qualquer outra droga, fazendo a pessoa buscar as mais diversas formas de geração de tensão, com a consequente necessidade de novas e sucessivas doses.

A evolução e a saúde humana

Em meados da década de 60, menos de 50 anos atrás, costumava passar as férias escolares em uma propriedade rural, onde sequer a energia elétrica existia. As geladeiras, para os que na época possuíam esse conforto no meio rural, assim como os lampiões para iluminação, funcionavam a querosene ou, quando já mais modernas, a gás.

As parteiras ainda eram muito comuns em toda a região e raramente uma mulher era levada para que seu parto fosse realizado em um hospital. Doenças mais comuns e até pessoas picadas por cobras, muitas vezes eram tratadas por benzedores, trazidos de distâncias até maiores de onde existiria um médico, tamanha era a fé de muitos em sua capacidade de cura.

Crianças nuas e descalças brincavam no quintal de terra das casas puxando um barbante que na outra extremidade transpassava uma lata de massa de tomate vazia que rolava, como se fosse um carrinho, ou correndo com um velho cabo de vassoura entre as pernas, seguro em uma das pontas por dois fios de barbante imitando rédeas, como se montado em um cavalo e as espigas de milho retiradas do pé ainda pequenas, na fase em que na ponta possuem uns fiapos, como fios de cabelo, eram as bonecas.

Ao seu lado, galinhas e porcos soltos cruzavam o esgoto que corria a céu aberto, buscando restos de comida e eram tocados pelos cães quando tentavam roubar alimentos depositados nas varandas das casas onde, em um gancho feito com a canela seca de um veado, também estava pendurado todo o equipamento de montaria dos trabalhadores, que raramente possuíam uma geladeira ou sequer um lampião a gás, utilizavam lamparinas a querosene e mantinham a carne salgada, o charque, ou frita e armazenada em pedaços, imersa em banha suína, em latas de 20 litros fabricadas especificamente para esse fim.

Todas essas cenas eram muito comuns no interior do Estado de São Paulo, o mais desenvolvido do país, possibilitando imaginarmos como seria a vida nas regiões mais distantes, menos desenvolvidas. Mesmo assim, muitas pessoas com mais de 30, 40 anos, que nunca haviam ido a um consultório médico ou odontológico e haviam sido criadas em condições de higiene ainda piores daquelas vividas por seus filhos, possuíam a dentição perfeita, com lindos sorrisos, sem nunca ter tido uma só cárie ou qualquer outro tipo de doença.

Atualmente as crianças são superprotegidas, passam o dia diante da televisão ou de jogos eletrônicos, e mesmo os que praticam algum tipo de esporte se exercitam muito menos que seus antepassados. Como não andam descalças e possuem raríssimos contatos com a natureza ou animais domésticos, como tiveram seus pais e avós, elas não são expostas a vírus e bactérias comuns no meio ambiente, dificultando a criação natural de diversos anticorpos em seu organismo.

A agressão física que sofremos pelo uso das novas tecnologias, necessárias para a produção de alimentos suficientes para alimentar os bilhões de pessoas que hoje habitam nosso planeta, está nos tornando seres muito mais frágeis, suscetíveis a diversas doenças causadas principalmente pelos novos tipos de alimentação e a inatividade física.

Ao despertar escovamos os dentes com uma pasta repleta de produtos químicos; tomamos café produzido com muitos agrotóxicos; inseticidas são aplicados quase que diariamente na produção de hortaliças, frutas e verduras; antibióticos são usados em larga escala na produção de aves e suínos; a água que bebemos contém flúor e outros produtos para purificá-la e equilibrar seu PH, enquanto as fábricas despejam milhares de carros, caminhões e motocicletas diariamente nas ruas, aumentando exponencialmente a emissão de gases poluentes na atmosfera.

Com o conhecimento gerado pelas pesquisas realizadas nos últimos cinquenta anos, surgiram novas drogas, vacinas, exames preventivos, equipamentos hospitalares e tantas outras possibilidades que a média de vida do brasileiro quase que dobrou no período.

Enquanto a evolução científica prorroga a expectativa de vida e nos proporciona maiores confortos, os veículos mais acessíveis a todos, a diminuição dos trabalhos braçais, a consequente falta de exercícios físicos e os alimentos industrializados, nos tomam a saúde.

Os gênios e os comerciantes

 
A indústria mundial de computadores, antes só utilizados por governos, grandes empresas e universidades, era quase que totalmente dominada pela IBM, quando o gênio Steve Jobs iniciou a fabricação dos Personnal Computers, os PCs, que popularizados, passaram a ser usados nas mais diversas finalidades, mudando radicalmente a vida das pessoas ao redor do mundo e provocando mudanças que serão sentidas por décadas.

Surgiram então os fabricantes de softwares, que criavam os programas para facilitar a operação daqueles equipamentos, agora cada vez menores, sem a necessidade de ser um profissional da área, que faziam longos cursos para dominar o DOS, sistema operacional que se utilizava, cheio de fórmulas e regras.

As duas maiores e mundialmente mais conhecidas dessas empresas são a Apple, do próprio Jobs, criadora do sistema operacional Mac e a Microsoft, de outro gênio, Bill Gates, com o seu Windows. A grande diferença entre essas duas é que, enquanto a primeira só permitia o uso de seus softwares em equipamentos de sua fabricação, a outra disponibilizou a licença de uso de seu invento para qualquer um que pagasse por ela.

Como resultado dessas políticas comerciais, uma ficou restrita a determinadas especialidades e a outra dominou o mercado de tal modo que o sistema operacional praticamente nem é discutido pelo usuário na aquisição de um novo equipamento. Pesquisas atuais apontam que, o Mac detém 10% do mercado mundial de sistemas operacionais, contra 87% dos que utilizam o Windows. Na fabricação de computadores a Apple mantém os 10%, enquanto a HP e a Dell dominam 48% do mercado e o restante é pulverizado entre milhares de montadoras.

Todos discutem processadores, memória, HD, monitor e outros itens, mas quando se fala em sistema operacional discute-se apenas se é o modelo mais moderno, como o Seven, ou um anterior como o XP, mas sempre Windows, enquanto nos processadores, a discussão fica em utilizar os Pentium IV, os Dual Core, os Core 2 Duo, ou os da atual série i3, i5 e i7, mas todos fabricados pela Intel, líder incontestável desse mercado.

Na fabricação dos smartphones e dos tablets, com seus iPhones e iPads inventados por Jobs, a Apple está utilizando a mesma estratégia, pois apesar de dominar com larga vantagem esse mercado, está rapidamente sendo alcançada pela sul coreana Samsung, a segunda maior produtora mundial de processadores de informática que, nas comunicações, fabrica smartphones que utilizam o sistema operacional Android, da gigante Google.

Enquanto a Apple só fabrica aparelhos que utilizam seu próprio sistema operacional, o iOS - não cedido a outras empresas -, quase todas as outras fabricantes mundiais estão criando, fabricando e lançando novos produtos que utilizam o Android.

Por ser um programa muito mais completo, o Android ainda é mais difícil de ser manuseado pelo público que o sistema da Apple, mas mesmo assim, atualmente a empresa que lançou a maior invenção de Steve Jobs, domina somente 19% do mercado mundial de smartphones, enquanto os que utilizam o Android já dominam 58% deste.

Atualmente milhares de técnicos no mundo trabalham para facilitar sua utilização por todos e assim que isso se tornar possível, o programa aumentará ainda mais a já larga margem de vantagem nas vendas, deixando os aparelhos da Apple restritos a determinadas categorias, enquanto a Google dominará o mercado de sistemas operacionais de comunicação, como a Microsoft domina o de informática, por um fato bastante simples: pagando, todos estão autorizados a fabricar produtos com esses sistemas.

Os gênios das invenções normalmente não são bons comerciantes, pois compartilhando seus conhecimentos, permitiriam que milhares de pessoas, partindo de sua invenção, tivessem a oportunidade de aprender mais rapidamente, divulgando então suas idéias e produtos.

O acesso ao conhecimento


 

Imediatamente após o nascimento, o cérebro da criança inicia sua jornada de conhecimentos terrestres, observando e armazenando informações sobre luz, som e imagens. Depois, já inicia os exercícios de seus comandos motores, ordenando a movimentação das mãos, pés e todos os outros movimentos possíveis do corpo.

Passada a fase inicial, do aprendizado natural, instintivo, os seres humanos só conhecem o que lhe mostram ou ensinam, desde seu idioma aos movimentos físicos necessários para a execução de infinitas possibilidades, como andar de bicicleta e mais tarde dirigir veículos das mais diversas espécies.

Durante esse aprendizado, realizado no lar, na rua, nas escolas e em todos os ambientes frequentados por uma pessoa, ela acaba aprendendo milhares de coisas desnecessárias, impróprias, boas ou ruins, cabendo a cada um usar ou não esse aprendizado, o que faz com que, por suas escolhas, cada um se torne um ser único, inigualável.

Além de físicas, as diferenças podem ser de saúde - pela forma como foram criadas-, educacionais, culturais, sociais e patrimoniais, com cada uma delas provocando outras, nas mais diversas áreas.

As mais fáceis de serem notadas, nos diferentes países ou em regiões distintas de um mesmo país, são as de idioma, pois as pessoas falam de modo, com velocidade, expressões e sotaque diferente de outras, com variações enormes dentro de um mesmo país, ou de muitos que utilizam o mesmo língua.

Como em muitos outros países, nas diversas regiões brasileiras também podemos notar acentuadas diferenças nos traços físicos das pessoas, por conta da origem de seus colonizadores.

O que mais chama a atenção, além de todas essas diferenças é que mesmo com todas elas o ser humano se adapta a qualquer mudança, seja climática, alimentar, de esforços físicos e principalmente de conhecimento.

Pessoas com pouquíssima instrução, residentes em pequenas aldeias, em meios rurais ou em matas, praticamente isoladas, distantes de qualquer grande centro, sabem de coisas sobre as quais muitos professores e doutores não possuem qualquer conhecimento, principalmente em relação à utilização de produtos da natureza para sua alimentação ou como medicamentos.

Mesmo em pessoas com isolamento praticamente total, independentemente da quantidade de anos, a mente está sempre pronta para novos aprendizados, bastando para isso o contato com as informações.

O mesmo pode ser observado nos animais de várias espécies, como as de papagaios e cacatuas que, quando expostos à convivência com humanos acabam falando e até cantando. Recentemente a imprensa divulgou que algumas cacatuas, em seu habitat natural da Austrália e ilhas vizinhas, aprenderam a gritar, falar e cantar em português, pelo contato com papagaios contrabandeados do Brasil, que lá escaparam e alcançaram a natureza.

Com a exposição ao conhecimento, além de educação e cultura, o ser humano acaba possuindo mais saúde, com novos hábitos de higiene e alimentação, transmitindo isso aos seus descendentes que, em virtude dessa mudança dos pais, já nascerão mais saudáveis.

Além de se preservar e aprofundar os estudos dos conhecimentos adquiridos durante gerações por aqueles que viveram da natureza, como os índios e os silvícolas ainda existentes, é preciso colocar à disposição de todos, cada vez mais tipos de conhecimento, literário, histórico, científico e tecnológico, o que fará alcançarmos outros novos mais rapidamente.

O conhecimento humano possibilita infinitas fontes de progresso, mas só possíveis com sua disponibilização geral.

A dependência humana das novas tecnologias


 

O surgimento de novas tecnologias pode ser observado diariamente, mas apesar de muitas proporcionarem menos trabalho às pessoas, outras lhes tomam mais tempo do que sobraria, pois cada vez mais elas se envolvem em redes sociais, jogos eletrônicos, celulares, smartphones, tablets, net books, GPS, além de um tempo enorme para o aprendizado e manipulação desses produtos.

Dominados todos esses itens já surgem outros mais modernos e as pessoas se tornam cada vez mais dependentes de todos eles, como se percebe na aflição daquelas que esquecem ou perdem um celular, coisa inexistente poucos anos atrás e que, nem por isso, elas deixavam de se comunicar.

A distância da internet ou de um celular atualmente é impensável para milhões de pessoas que já possuem acesso a essas tecnologias o que, penso, precisa ser repensado, pois contas extremamente simples são hoje impossíveis para os jovens que se utilizam de calculadoras até para meras adições ou subtrações em cálculos de trocos, como nos caixas dos supermercados.

São raros os jovens que não se dirigem às salas de aula com pelo menos um equipamento que faz por ele o que deveria saber fazer sem nenhum tipo de ajuda, como cálculos matemáticos e fórmulas de química e física.

Deixando que equipamentos eletrônicos realizem essas operações, os jovens jamais entenderão o caminho utilizado para se chegar a um resultado, o que poderá lhe fazer muita falta em determinadas situações, como a de receber um troco.

Dizem alguns que isso não tem a menor importância, pois muito em breve sequer utilizaremos cheques, papel moeda ou mesmo moedas como forma de se efetuar pagamentos, que somente serão realizados por cartões de crédito e pouco tempo mais adiante, por chips eletrônicos implantados no corpo de cada pessoa, os futuros responsáveis por lançar débitos e créditos em sua conta corrente.

Até certo ponto essa tecnologia ajudará muito, como na diminuição de possibilidades dos tipos de roubos e assaltos hoje conhecidos, mas ampliará a de outros, como as transferências eletrônicas não autorizadas, atualmente ainda pouco realizadas, praticadas por criminosos virtuais, os hackers.

Pior do que os problemas para os quais certamente se encontrarão soluções, ou pelo menos serão criadas dificuldades para sua execução, é o progressivo emburrecimento do ser humano, que cada vez mais estará transferindo sua capacidade mental para as máquinas por ele criadas, subutilizando assim a mais perfeita delas, seu cérebro.

A realização mental de contas básicas é um excelente exercício e o não uso da nossa máquina natural, mesmo que em coisas simples, do dia a dia, com o tempo certamente provocará doenças ainda desconhecidas, além de aumentar os casos de outras, como o Alzheimer

Outro dia uma operadora de caixa de supermercado ficou incrédula quando eu lhe informei, de cabeça, o troco que deveria me dar e o caixa apontou exatamente o mesmo valor, inclusive dos centavos.

O uso de equipamentos eletrônicos pode e deve ser até incentivado para facilitar a vida, mas nosso cérebro deve continuar sabendo, no mínimo, os princípios básicos das operações realizadas por eles.

Novas tecnologias estão nos ajudando, mas ao mesmo tempo estão diminuindo a qualidade da educação e tornando as pessoas dependentes de suas próprias invenções.

Tempo perdido

 
Normalmente, ao despertar, as pessoas já começam a pensar em tudo o que fazer durante o dia, em seu trabalho, nos pagamentos e encontros agendados. Suas cabeças, que até então descansavam, entram em ebulição imediatamente.

Como o motor de um carro, que após um período de descanso deve ser aquecido antes de ser exigido em sua plenitude, o cérebro precisaria ter o retorno às suas atividades de modo menos agressivo.

Frequentemente algum tipo de publicação fala sobre como elas poderiam ou deveriam se comportar em relação a esse tipo de atitude, mas mesmo passando o tempo e já mais amadurecidas, não conseguem se libertar das preocupações com o que será preciso fazer naquele dia ou futuramente.

O interessante é que a maioria das pessoas nunca acorda pensando nas coisas boas que poderão ocorrer naquele dia, mas sempre nas coisas e situações mais difíceis que se aproximam, apesar de algumas pessoas conseguirem acordar sorrindo, sem nada que as preocupe, esperando os fatos ocorrerem para, aí sim, enfrentá-los como preciso for.

Outras, mesmo não resolvendo seus problemas ou honrando seus compromissos, continuam bastante 
tranqüilas, mas a maioria acorda pensando como deverá proceder para vencer o desafio adiado outras vezes, mas que hoje precisa ser resolvido e na conta que deve ser paga.

Certamente esse é um caminho mais difícil, de gente pontual, responsável, que não suporta ver nada errado e acreditam que, resolvendo os problemas do dia e quitando suas contas, terão mais tranquilidade, mais tempo para se divertir, passear, enfim, viver.

Os dias passam, mas o trabalho, os problemas e as contas continuam, pois assim que um é resolvido aparecem outros e as contas aumentam em igual proporção ao sucesso profissional de cada um.

Como um novo dia sempre virá com novos problemas e contas, cada um deve organizar sua vida de modo a poder dedicar mais tempo à convivência familiar, sua cultura e lazer, ou passará sua vida resolvendo problemas e pagando contas sem realmente viver.

O tempo da permanência humana na terra é um sopro, se comparado às gerações que por aqui já passaram e as futuras, o que deveria nos conscientizar da nossa incompetência ao perder tempo desnecessário com coisas insolúveis, como as que já passaram.

Principalmente quando mais jovens, estamos sempre em busca de novos trabalhos, profissões, com o único propósito de ganhar cada vez mais, enriquecer, para depois aproveitar a vida, nos esquecendo de que tanto o nosso tempo como o de nossos filhos passa e tanto nossa juventude quanto a infância deles não voltará, o que só acabamos percebendo quando não há mais o que fazer.

Nossas energias devem ser direcionadas para a realização de coisas pelas quais realmente vale a pena viver, como estar sempre o mais próximo possível dos filhos e netos e aproveitar os incontáveis prazeres que a vida oferece.

Cada minuto perdido em nossas vidas jamais será reposto e só depende de nós como utilizá-lo melhor, principalmente ouvindo os mais velhos, que não viveram plenamente e por isso sabem onde erraram.

Portas abertas

 
Em uma rede social reencontrei uma querida amiga de juventude que me enviou um texto de Mário Quintana, 'O laço e o abraço', onde o autor faz relações entre um laço e vários sentimentos humanos como amizade, carinho e amor, de um modo simples, espetacular.

Dizia que o laço era engraçado, que se enroscava, mas não embolava. Que por mais que o laço apertasse algo, um presente, um vestido ou um cabelo, quando tinha uma de suas pontas puxada liberava totalmente o que envolvia, sem tirar ou perder nenhum pedaço.

É interessante como, com um exemplo tão simples, o autor consegue nos levar a pensamentos tão diversos e a perceber como isso se encaixa em uma quantidade imensurável de assuntos da vida, da infância à maturidade.

Amizades, paqueras, namoros ou casamentos, nunca foram e jamais serão mantidas com proibições, amarras ou condições, o que só acabamos entendendo com nossa maturidade.

O egoísmo humano pode ser observado desde nossa infância, como na situação sempre lembrada por todos, em que o menino dono da bola quer levá-la embora e acabar com o jogo quando algo na partida não lhe agrada.

Pessoas se comportam como se pudessem ser donas de outras pessoas, assim como de objetos que lhes pertencem, não percebendo que a única maneira de se manter alguém ao seu lado é fazendo com que ela tenha prazer em sua companhia.

Novas experiências, como assistir a um filme atual, ler um livro, sair para um lanche com uma amiga ou reencontrar pessoas queridas, só farão bem às pessoas, independentemente de sua condição social, cultural ou de seu estado civil.

Os que buscam impedir o encontro ou reencontro de sua parceira com novas ou antigas amizades, só conseguirão que a mesma tenha que fazer isso às escondidas, ficando privada inclusive de partilhar, com eles mesmos, o quanto se sentiu bem e se emocionou ao rever parte de sua história. Impedirão que a felicidade da parceira seja ainda maior, podendo com ele partilhar seus sentimentos e emoções.

Abrindo totalmente as possibilidades, os amigos ou parceiros só estarão conosco se realmente for o seu desejo, o que, consequentemente, tornará o relacionamento muito mais interessante e com muito maiores chances de felicidade mútua, pois como diz Quintana, o laço segura, mas não amarra, permitindo que se desfaça a qualquer momento, sem tirar pedaços.

A imaturidade é que nos faz ter o medo da perda e procurar os mais diversos tipos de tentativas de amarrações, sejam proibitivas, emocionais, pactuais ou contratuais, com ou sem testemunhas, mas que jamais serão efetivas se realmente não houver a única possibilidade viável: a vontade do outro.

Só com a maturidade acabamos percebendo algo por nós antes ignorado, ou sequer considerado, em qualquer tipo de relacionamento: A inutilidade de uniões desejadas unilateralmente. Pessoas, independentemente de sua proximidade ou parentesco, jamais serão felizes ao nosso lado se isso não for o que querem.

Abrindo e deixando suas portas permanentemente abertas, todos entrarão e sairão quando quiserem, só permanecendo ao nosso lado os que realmente desejarem.

O ambiente iluminado e saudável é o que está com as portas e janelas abertas, permitindo a entrada da luz do sol, do luar, das correntes de ar e dos pássaros, que vem cantar sua felicidade.

O que nos pertence

Recebi um texto bastante interessante sobre uma pessoa que havia morrido intempestivamente e iniciou um bate papo com aquele ser diferente, a morte, que havia vindo buscá-la. A pessoa perguntava então sobre o que poderia levar, desde bens materiais, amigos, até o próprio corpo.

As respostas, sempre negativas, mas explicadas com delicadeza, davam conta que os bens materiais não lhe pertenciam, só haviam sido emprestados, os amigos eram peças do caminho, os filhos, do mundo, o corpo, da terra e, finalmente, concluindo que literalmente nada levaria, perguntou então o que na vida que acabara fora realmente dele. A resposta foi que dele sempre foi cada segundo de existência, o tempo.

Refletindo sobre o texto, percebi sobre como nunca me preocupei com a única coisa que realmente me pertence, o tempo, que pode ser utilizado como e quando eu quiser.

Sobre o tempo passado, penso que poderia ter brincado, estudado, lido, trabalhado, ou qualquer outra atividade em maior ou menor quantidade do que fiz, mas isso agora já não interessa, pois não há como mudar.

Cuidar mais ou menos da saúde, beber, fumar ou praticar esportes, em qualquer quantidade, também é uma opção de cada um e o que fiz com essas alternativas também não poderá ser alterado.

Desenvolvendo raciocínios como esses, acabo percebendo coisas que poderia ter feito de outra maneira e quantas repetiria, mas que minha única alternativa atual é, analisando esse passado, tentar corrigir as escolhas erradas e fazer muito mais das que acertei.

Seria insensatez repetir erros que já me convenci realmente terem sido erros, como voltar a fumar quando já havia parado. Mas vejo pessoas conscientes, maduras, repetirem erros como esse, com as mesmas desculpas sempre utilizadas por todos, que estavam em uma fase difícil, ansiosos, etc..., sem pensar no bem mais precioso que possui: a vida, ou na daqueles que os cercam, como seus filhos.

Depois de determinada idade, nossa vida passa a incluir outras pessoas, como esposa, filhos e até netos, que não podem nos impedir de realizar nada, mas sofrerão as consequências de nossos erros, como uma doença provocada por bebidas ou cigarros, o que imagino ser motivo suficiente para que todos tenhamos mais responsabilidades com as decisões que tomaremos, em qualquer área, de relacionamento, comercial ou de lazer.

Os prazeres terrenos como os da leitura, esportes, aventuras ou mesmo os físicos, são incontáveis e cada um de nós possui o dom de poder escolher o que mais lhe agrada, mas quando isso envolve outras pessoas é necessário também levarmos em consideração os riscos de nossas opções, para que suas consequências não afetem exatamente aqueles a quem mais queremos bem.

Já errei bastante em muitas áreas e não me arrependo de praticamente nenhum deles, à exceção daqueles que hoje percebo, provocaram dor em meus filhos, como meu recente acidente e suas consequências. Entendo agora que um dos prazeres por mim escolhido, as viagens de moto, foram fantásticas, me deram muito prazer, mas também provocaram sérias consequências, em mim e nos meus.

Como desde nosso nascimento estamos cada vez mais estamos próximos da conversa com aquela que virá nos acompanhar na última viagem, precisamos estar sempre atentos para a única coisa que realmente nos pertence: nosso tempo e como o utilizamos.

Vivendo sem muito querer, mas nunca deixando de tentar tudo o que se quer, ser ou ter, seremos e teremos tudo o que pudermos ser, ou ter, sem provocar dor em nossos próximos.

Responsabilidades paternas

Na semana passada viajei para visitar meus netos e confesso que talvez essa seja a coisa que, no passado, deveria ter feito com muito mais freqüência, apesar de que praticamente durante metade de sua idade atual estivesse impossibilitado por reais motivos de saúde.

Mas como nenhum passado pode ser refeito, o importante é tratar do tempo que dispomos atual e futuramente, aproveitando as possibilidades, como a de observar a fantástica semelhança de preservação e continuidade que existe entre os seres humanos, os animais e vegetais.

Como homem criado no campo e acostumado a comparar tudo o que observo no ser humano com o que ocorre na fauna e flora, vejo a maravilha da natureza em cada detalhe dos movimentos e sons emitidos pelos netos.

Reconhecer nos netos características de seus filhos, como morder a língua levemente exposta ao executar tarefas simples, como apertar um parafuso, ou o formato da cabeça de outro, que quando olhada por trás é exatamente como a do avô, chega a ser engraçado, mas é uma coisa maravilhosa quando pensamos em transmissões genéticas.

Um se parece mais com a família materna e outro com a paterna, mas todos carregam características das duas famílias, seja aparentemente, no comportamento, ou até no jeito de falar. Assim como nossos filhos, os netos são diferentes entre eles, mas todos carregam características familiares que os marcarão para sempre.

Essas características são transmitidas geneticamente, mas nossa responsabilidade começa depois destas, com os ensinamentos em casa, complementados pelas pelos das escolas, companhias e ambientes que freqüentarão.

Conversando com um de meus filhos em um desses mesmos dias, surgiu o assunto, com um exemplo concreto, de como as influências externas ao lar podem alterar completamente os princípios de uma pessoa e assim, notarmos diferenças enormes de caráter e honestidade entre pessoas filhas dos mesmos pais, que receberam a mesma educação em casa, mas freqüentaram ambientes com princípios muito diferentes.

As influencias externas ocorrem em todos os campos, morais, culturais, comerciais ou outros, e na formação de nossos filhos e netos, tanto o que é desejável quanto o que não seria, será por eles absorvido fora do lar, apesar de existirem alguns lares, felizmente raros, onde a influência paterna é mais prejudicial do que benéfica, por serem alcoólatras, drogados, agressores e muitas outras possibilidades de exemplos terríveis para a criação e formação de uma criança, quando toda influencia externa provavelmente seria melhor que a do lar.

Geralmente, até por amor, os pais influenciam de maneira positiva a criação de seus filhos, mas precisam estar conscientes de sua responsabilidade não só dentro do lar, como também das escolas e ambientes freqüentados pelos mesmos, o que não é uma tarefa simples, implicando na participação intensiva dos pais em todos eles.

Os princípios morais, éticos, religiosos, de educação, respeito e saúde, são de fundamental importância no contexto geral da formação de um jovem e precisam ser entendidos dessa forma pelos pais, pois aqueles com formações sólidas nesses aspectos dificilmente se envolverão com os problemas mais graves da sociedade atual.

Os veículos de comunicação ultimamente têm mostrado, com bastante freqüência, comportamentos sociais no mínimo diferentes do que os pais e avós atuais estavam acostumados a ver e isso pode e deve ser debatido nos lares, entre pais e filhos, até para que entendam que aceitar uma escolha é diferente de achá-la o normal.

Como pais e avós, precisamos entender que a formação familiar é, e continuará sendo, a principal base de toda sociedade, independentemente da religião, regime político, ou posição social e cultural de cada indivíduo.

Direitos e limites


Estava praticamente chegando ao final de uma viagem que fazia com meus três filhos, quando fui parado por um policial rodoviário federal. Como solicitado, entreguei a ele meus documentos pessoais e os do veículo.

Depois da vistoria geral do veículo o policial, ainda com os documentos em mãos, me perguntou de onde eu vinha. Respondi: de longe. Ele então insistiu, para onde vai? Respondi: Para mais longe ainda. Minha esposa ficou assustada e me cutucou para que eu respondesse as perguntas corretamente.

Disse a ela, em tom alto o suficiente para que o policial também ouvisse que eu o estava respeitando em toda a plenitude de seus direitos, entregando-lhe os documentos solicitados e acatando qualquer decisão dele em relação ao seu trabalho, inclusive de me multar se eu tivesse feito algo ilegal, mas que eu não tinha a obrigação de informar de onde vinha ou para onde iria, pois aquele não era mais o papel e nem o direito dele.

Minha intenção, naquele momento, jamais foi a de desacatar o policial, mas ensinar meus filhos que, em qualquer situação, nunca deveriam abrir mão de seus direitos. Já se passaram aproximadamente 30 anos do ocorrido e continuo pensando da mesma forma. Não podemos invadir o direito de nenhuma pessoa, independentemente de sua posição religiosa, educacional, cultural ou profissional e nem permitir que nenhum espaço do nosso direito seja invadido.

Respeitar direitos muitas vezes significa abrir mão, se desprender de algo que julgamos ser nossos- como os filhos-, quando na realidade só o que podemos fazer é educá-los enquanto pequenos, encaminhar seus estudos e acompanhá-los até que possam alçar vôo próprio.

Já na juventude ou até antes dela eles já nos mostram que possuem vontade própria, desejos e objetivos diferentes dos nossos. Por sua imaturidade muitas coisas precisam ser controladas, contrariando-os, encaminhando-os por mais um período, para que possam amadurecer mais e aí sim, cobrar seus direitos.

Nessa fase já precisam estar preparados para, na vida em sociedade, exigir o respeito por seus direitos, mas também, claro, respeitar o das outras pessoas. E, se muitos deles tomarem para si esse princípio e continuarem, com a educação dos próprios filhos, certamente em algumas décadas teremos um país bem melhor.

Certa vez ouvi de uma pessoa já bem mais idosa, muito experiente, sábia e com quem aprendi muito, que as ações individuais são propagadas como as ondas criadas na água quando atingida por uma pedra. Na primeira propagação é um círculo pequeno, empurrado para mais longe pelo segundo, que é empurrado pelo terceiro e assim sucessivamente até que o efeito do impacto da pedra na água deixe de tumultuar o local do impacto.

O choque inicial diminui à medida que a pedra se distancia, aprofunda na água e nenhuma onda será provocada depois de certa profundidade. Sem a geração de novas ondas a tranquilidade da água vai voltando desde o local inicial até atingir a margem que havia recebido todas as ondas.

Como no lago, a paz volta quando toda a propagação, de uma nova idéia, regra, ação, ou atitude política foi totalmente absorvida pela sociedade. A exigência do respeito a seus direitos e a observância dos direitos alheios deveria ser posta em prática do mesmo modo, partindo da educação dos jovens em casa, que criará uma onda na escola, no bairro, na cidade, município e assim por diante.

A cobrança por seus direitos e o respeito pelo dos outros é um exercício diário, difícil, mas se todos sempre o exigissem, em quaisquer situações, certamente teríamos convivências muito mais pacíficas e harmoniosas entre as pessoas, os países e os continentes.

Superações

 
Constantemente recebo e-mails mostrando pessoas com dificuldades físicas enormes e mesmo assim realizam o que muitos imaginavam ser impossível. Vídeos mostram desenhistas e pintores fazendo isso com a boca ou os pés, por não possuírem as mãos, tocando piano com os pés e diversos outros exemplos.

Pessoas amigas e até algumas desconhecidas tentavam, com esses vídeos, incentivar minha luta com um problema de locomoção que se estendeu por mais de dois anos e certamente me sentiria péssimo se não superasse aquelas minhas dificuldades, pois eram muito menores que os exemplos citados.

Assistindo a vídeos como esses, ou observando pessoas com as quais nos deparamos durante a vida, rapidamente percebemos como estamos acostumados a reclamar de tudo, de uma simples contrariedade ou de qualquer dificuldade, por menor que seja.

Reclamamos por não estarmos melhor mesmo quando estamos bem, mas nunca nos lembramos de olhar para os lados, onde notaríamos que sempre existem situações bem mais difíceis que as nossas sem fazer qualquer tipo de reclamação, mas buscando alternativas para solucionar seus problemas.

Na infância, com a educação recebida dos pais ou com influências externas, da escola ou de amigos, será formada a personalidade daquele que espera ajuda e do que busca soluções. Apesar de difícil para os pais, melhor educador é aquele que não dá tudo o que o filho quer, ou mesmo precisa, mas o ensina a buscar.

Logo no início, o filme da vida de Ray Charles mostra o sofrimento de sua mãe que, quando o filho ficou cego, não o ajudava em nada, deixando que ele, mesmo com tal dificuldade, aprendesse a conviver com seu problema.

Dizia que não podia ajudá-lo, pois certamente iria morrer primeiro e ele sofreria muito se dependesse dos outros para tudo. O resultado dessa educação foi o que todos conhecem, um dos maiores sucessos musicais norte americano de todos os tempos, que cantava e tocava piano maravilhosamente.

Outros pais pensando ajudar seus filhos fazem tudo por eles, superprotegem, não dando sequer espaço para que os mesmos aprendam e, com esse comportamento, acabam criando filhos despreparados para o mundo, que verão dificuldades em tudo e reclamarão de tudo e de todos.

Pessoas criadas dessa forma serão incapazes de procurar soluções para qualquer dificuldade que ocorrer, por simplesmente nunca terem precisado fazer esse tipo de busca. E no jogo da vida, aquele que quando cai fica sentado, olhando para os lados, não faz gols. A cada queda o jogador precisa se levantar e correr atrás da bola, para recuperá-la e novamente tentar marcar pontos.

Por outro lado, o passado não pode ser um limitador de objetivos futuros e mesmo com maior dificuldade, por sua inexperiência, aquele que nunca fez poderá realizar tarefas até então para ele desconhecidas, pois mesmo que tardiamente, os homens estão sempre prontos para aprender.

Nossos fracassos e conquistas diante das dificuldades são de nossa única responsabilidade e devem servir de exemplo para que possamos chegar onde pretendemos.

São admiráveis aqueles que nem mesmo as maiores limitações físicas conseguem impedir que façam as mudanças de curso necessárias e procurem novas alternativas para continuar suas buscas e atingir seus objetivos.

O potencial criativo e de superação do ser humano é imensurável e só é capaz de usá-lo aquele que, por algum motivo, dele necessita.

15.12.11

Amizades, paixões e amores


 

Antes da primeira palavra ser dita entre pessoas que estão se conhecendo, normalmente já surge uma afinidade maior ou menor entre elas. Alguns são mais alegres que outros, mais ou menos carismáticos e possuem expressões faciais que nos agradam ou desagradam desde o primeiro momento.

Conscientemente, ao conhecer novas pessoas ninguém pretende se afastar, mas se aproximar e esse primeiro contato pode nos levar tanto a uma nova amizade, como a um desinteresse sequer por um segundo encontro.

Sentimentos assim, inexplicáveis, movem toda a vida sentimental dos seres humanos em suas buscas, descobertas, aproximações, afastamentos, alegrias e tristezas em seus relacionamentos, de quantidades e intensidades diferentes em cada um, mas sempre estamos buscando conhecer novas pessoas e lugares, sentir novas emoções, realizar aventuras, corrrer mais ou menos riscos.

Nessas tentativas podemos conhecer pessoas que nos provoquem sensações desconhecidas ou não sentidas ultimamente, tanto de um verdadeiro asco, como o desejo de maior aproximação, de aprofundar o conhecimento, ou ainda atrações físicas e fantasias.

As que provocam o desejo de maior conhecimento podem se tornar nossas amigas, namoradas e até esposas, enquanto as que provocam atrações físicas podem até se tornar qualquer uma dessas coisas, mas certamente não serão suficientes para sustentar nenhuma amizade ou um relacionamento mais duradouro, que ultrapassem os momentos de prazer que poderão nos proporcionar.

Em outros períodos, mais raros, a nossa procura tende a ser mais interior, sem buscar nenhum conhecimento externo além do nosso próprio Eu. São ocasiões em que dirigimos nossas buscas para nosso interior, querendo saber mais sobre o nosso próprio ser, entender o porque somos dessa ou daquela maneira e os motivos que nos tornaram assim.

É durante esses períodos, de auto conhecimento, que mais crescemos como pessoas, seres humanos. Temos aí a oportunidade de percebermos nossos erros e acertos, buscar correções, mudanças de rumo, seguirmos por rotas ou de modo diferente, sendo mais ou menos exigentes com os outros e com nós mesmos.

Buscando entender quem realmente somos, logo perceberemos, lá no fundo, coisas que não conhecíamos sobre nós mesmos e que muitas vezes até nos surpreenderão, mas certamente também virá a certeza, clara, indiscutível, que somos o resultado de todo o nosso passado, o que ocorreu em nossas vidas.

O que fizemos, sentimos, gostamos, recusamos, com o que sofremos e vibramos, nossa alimentação, vestes, amizades, os filmes que assistimos, os livros que lemos, lugares onde vivemos e as viagens que fizemos nos moldaram assim, em seres únicos, especiais.

Com essa moldagem própria sentiremos, de modo diferente de todos os outros seres, cada nova ocorrencia em nossas vidas. Novas amizades, trabalhos, relacionamentos, ou reações em diversas situações, como uma provocação recebida no trânsito, serão encaradas de maneira distinta por cada um.

Podemos gostar ou odiar cada pessoa que conhecemos ou fatos que ocorreram, de modo inverso à abordagem dada por outra pessoa, sem nenhum motivo justificável, simplesmente porque cada um pensa e age de modo diferente do outro, como ocorre com nossas predileções religiosas, futebolísticas, físicas e alimentares, por mais que tenhamos afinidades em diversos outros assuntos.

São iguais para todos as durações dos sentimentos gostar, paixão e amar. São elas, respectivamente: imediatamente; por um período; ou que durará a cada amanhecer e anoitecer, pelo resto de nossas vidas.

A humildade e a arrogância

 
Um amigo de infância me enviou um e-mail com um vídeo de um jovem que se apresentou em um programa de jurados e na mensagem anexa, sugeria que eu escrevesse sobre o mesmo. Apesar de já tê-lo assistido em outra oportunidade, me emocionei com a apresentação e com a possibilidade de visualizar claramente, em atitudes, a humildade e a arrogância dos seres humanos.

O jovem entrou no palco vestido de uma calça larga escura, uma camiseta preta com desenhos verdes no peito e tênis. Ao dizer que se chamava John Lennon da Silva provocou um comentário sarcástico de uma jurada, que disse já haver ouvido esse nome e outro disse que sabia ele era muito famoso e amigo do Paul e do Ringo.

Ao explicar que iria dançar, ela, em tom de gozação e apontando para suas roupas perguntou: assim? O rapaz timidamente respondeu que sim, que aquela roupa era do seu cotidiano e o que interessava era que iria apresentar o "Lago dos Cisnes", numa nova coreografia, baseada em Street Dance, a dança de rua dos jovens.

Ela insistiu, dizendo esperar que ele fizesse uma boa apresentação, pois aquele figurino não tinha 'nada a ver'. Outro perguntou se ele conhecia a peça em sua versão original, que era de um cisne se debatendo, agonizando até o final e executado nas pontas dos pés, por uma bailarina vestida toda de branco.

A arrogância desses jurados era visível, imaginando-se os únicos conhecedores da peça, quase chamando de ignorante o rapaz, simplesmente porque estava vestindo roupas comuns e pretas, humilhando-o com suas perguntas e não acreditando que alguém tão simples, vestido daquela maneira, pudesse apresentar algo que valesse a pena ser assistido por quem já viu a peça original, com todo o seu luxo e esplendor.

Depois de autorizado o rapaz iniciou sua apresentação e os jurados logo perceberam tratar-se de um gênio, tanto da dança quanto da coreografia. Seu corpo expressava, incontestavelmente, sem nenhuma possibilidade de dúvidas, movimentos de dor, angústia, do debater nos últimos momentos do Cisne.

O silencio e admiração dos jurados se fazia notar em seus olhares que agora viam algo por eles nunca imaginado, ainda mais vindo de um simples John, sem nenhuma vestimenta ou cenário apropriado para a grandeza da apresentação que realizava, diante de seus próprios olhos.

Ao término da apresentação, os dois homens e uma mulher sentada entre eles, estavam pasmos. Um, estava de pé e perguntando, ouviu do jovem que tinha 20 anos e era o próprio coreógrafo daquela versão. O que havia questionado se o rapaz conhecia a apresentação original estava chorando, com lágrimas escorrendo pelo rosto e não conseguia falar sequer para dar sua nota. Incrédula, a jurada retornou a palavra ao outro.

Ainda em pé, este se dirigiu ao jovem dizendo ser ele de uma grandeza rara, que sua apresentação foi emocionante e sugeriu que continuasse buscando novas maneiras de mostrar coisas já conhecidas e desejava que os telespectadores tivessem percebido a dimensão daquela apresentação e sentido a emoção que ele sentiu.

Infelizmente a grande maioria das pessoas sempre prejulga aqueles que não conhecem, antes mesmo de ouvir deles uma só palavra, muito mais pelo que podem ver, do que pelo que realmente eles são.

Nada questionam sobre seus conhecimentos, capacidade, experiência e cultura. Só vislumbram jóias, relógios, carros, casas, roupas, enfim, ostentação.

Os inteligentes, cultos, educados e muito capazes, nunca ostentam seus predicados e com sua humildade, acabam superando os arrogantes.

14.12.11

Um dia de cada vez

 
Não podendo se locomover após um acidente, um homem passava seus dias em um leito já por um longo período, quando um amigo lhe perguntou: "Quanto tempo você ficará assim, sem poder sair da cama?", e lhe respondeu: "Somente um dia de cada vez."

Tendo passado por uma experiência semelhante pude observar como, durante a vida, nos queixamos de pequenas coisas, problemas só existentes em nossa mente e reclamamos da demora nas soluções de coisas que normalmente só nós podemos resolver.

Nunca temos tempo para nada, estamos sempre ocupados, com pressa, perdendo a hora para algo quando, de repente, em segundos, algo nos ocorre e passamos a ter todo o tempo do mundo.

Muitas vezes somos pessimistas, frustrados ou derrotados por antecipação, por não esperarmos mais. 

Somos muito imediatistas e apesar de tudo parecer demorado, distante, na realidade é muito rápido e perto.
As pessoas se deixam atingir por pequenas dificuldades que são passageiras e certamente serão substituídas por novas conquistas e momentos de alegria, como a vitória que é sempre mais gratificante após uma derrota.

Não há como se atingir um objetivo sem buscar por ele. A busca pode ser mais fácil ou difícil e a distancia pode ser curta ou longa, mas se lutarmos sempre será possível atingir nossos sonhos.

O tempo, as distâncias e as dificuldades só dependem do foco, do espaço e do local de onde são analisadas. Nada é demorado em termos de história da humanidade, nada é longe se estivermos perto e nada é tão difícil que seja impossível.

Há muito pouco tempo pessoas morriam de tifo, malária e muitas outras doenças que hoje são facilmente curáveis. O transporte de pessoas era feito a cavalo ou em carros de boi e em poucos séculos já é possível realizar viagens espaciais em menor tempo do que se levava para ir de uma cidade à outra.

Alguns sonhadores criavam histórias fantásticas nas revistas em quadrinhos, mais conhecidas como gibis, de viagens espaciais e homens que voavam com um simples propulsor pendurado em suas costas. Isso só era possível em suas mentes, mas influenciaram outros que buscaram realizar aquilo e tudo se tornou possível.

Coisas banais utilizadas atualmente, como televisão, fraldas descartáveis e embalagens conhecidas como 'longa vida' não eram sequer sonhadas cinquenta anos atrás. Produtos como os toca-fitas e vídeos cassetes surgiram e deixaram de ser utilizados em menos de vinte anos.

As descobertas para a cura de doenças ocorrem com cada vez maior velocidade e já se tornou comum a realização de transplantes de embriões e a clonagem de animais, ainda não realizada em humanos simplesmente por impedimentos legais, mas declarada possível por diversos cientistas. Com células do corpo humano já é possível criar órgãos sem os problemas anteriormente existentes.

Esse progresso no conhecimento pode ser notado com maior intensidade após a descoberta e uso da informática, quando a evolução passou a acontecer com cada vez maior rapidez. Atualmente essa própria tecnologia se torna obsoleta a cada ano, em decorrência das novas descobertas que ela mesma propicia.

Assim, cada vez mais rapidamente uma nova descoberta abrirá novos caminhos, que levarão a outras e assim sucessivamente poderemos fazer novos planos, alcançar os objetivos ainda não atingidos e traçar outros, mesmo que ainda sequer inimagináveis.

A cada dia novas possibilidades aparecem e o que ontem parecia impossível e hoje está difícil, amanhã será possível.

Escolhas e resultados


 

Na juventude é muito comum que os jovens estejam perdidos, sem saber o que querem, para onde estão caminhando e com qual objetivo de vida. Escolher a própria profissão é um dilema para os pré-vestibulandos e para muitos que inclusive já passaram dessa fase, mas não se encontraram na profissão que escolheram.

Alguns abandonam o curso e retornam aos cursinhos em busca de outra opção, mas alguns, mesmo percebendo o erro já na faculdade permanecem onde já estão e acabam, por esse motivo, perdendo a oportunidade de um futuro provavelmente bastante promissor se fizessem o que realmente gostariam de fazer.

Optando pelo mais fácil, pela acomodação, pelo medo de dar um passo atrás e recomeçar, esses jovens acabam selando assim, para sempre, suas possibilidades de realização profissional. Muitas coisas podem estar envolvidas no abandono de um curso e a tentativa de entrar em outro, como a perda de no mínimo um ano, os custos de novas aulas preparatórias e as possibilidades de suportar financeiramente isso.

Nesse momento, independentemente das dificuldades ou facilidades, começam ser notadas as verdadeiras diferenças entre os futuros vencedores, os acomodados e os perdedores, não importando a educação dada pelos pais, o nível social, econômico e cultural desse jovem, é das profundezas de seu ser que surgem sua fraqueza ou força, determinação.

Muitos fazem sua escolha pela perspectiva de retorno financeiro e não pela realização profissional, procurando, dentro daquela opção, uma faculdade menos exigente, que permita sua formatura com menos estudos, mesmo sabendo que não terá o mesmo preparo daqueles que estudam muito por terem escolhido faculdades que exigem bastante, mas preparam bem seus alunos.

As consequências para esse grupo puderam ser observadas recentemente, na última prova da Ordem dos Advogados do Brasil realizada em dezembro de 2010 quando, de um total de 116 mil inscritos, apenas 9,74% conseguiram ser aprovados e como resultado, 90,23% deles serão simplesmente bacharéis, mas não advogados.

Acaba aí o sonho de possuir um grande escritório, advogar para grandes empresas, por grandes causas e ganhar muito dinheiro. Essa realização fica para aqueles advogados, médicos, engenheiros ou qualquer outro profissional que anos antes fizeram outra escolha, por aquelas universidades mais exigentes, tiveram que estudar muito, mas foram contratados antes mesmo de terminar o curso.

Algumas crianças já demonstram estilos de comando diante de outras da mesma faixa etária, ou até mais velhas e nenhuma situação ou obstáculo é capaz de detê-las, pois sempre estão dispostas a buscar alternativas para conseguir o que almejam. Outras aceitam tudo e participam do enorme grupo que segue o líder, aceitando todas as determinações deste, sem sequer questionar os rumos que estão sendo tomados.

A maioria das pessoas normalmente está sempre à deriva e se deixa levar por uma simples brisa, uma moda, por mais momentânea que seja, mas que esteja sendo bastante utilizada por outros. Procedem assim com suas roupas, livros que lêem, locais que frequentam e na escolha de suas profissões, sempre seguindo o que a maioria está fazendo.

Com esse comportamento se misturam a todos, falam dos mesmos assuntos, vão aos mesmos lugares e conhecem as mesmas pessoas, o que facilita sua convivência nesse grupo social, o da grande maioria, que muitas vezes faz gozações com os que não estão naquela festa por estarem estudando.

Aqueles que se desviam da rota, se envolvem com assuntos diversos que sempre estão ao nosso lado, costumam se perder e normalmente não conseguem reencontrar o caminho que os levaria ao sucesso. Não se alcança nenhum objetivo com nossos passos sendo dados em uma direção, se a mente está determinando outro caminho, mudando o rumo.

Os que mantêm em mente objetivo específico que possuem, sabem exatamente o que querem, lutam incansavelmente por isso, ultrapassam os obstáculos existentes e nada que em algum momento os desvie do caminho será capaz de evitar que rapidamente retomem a direção para chegar como e onde pretendem, tornando praticamente certo seu alcance.

Todos nascem com o mesmo poder de escolher, individualmente, como, para onde e quando irão. A opção de ser um vencedor ou continuar na multidão só depende de você.

Água na boca


 

Em uma visita a uma senhora com mais de noventa anos, dela ouvi algo que tem me valido muito: "Quando estiver nervoso e em meio a uma discussão ouvir algo que o desagrade, ao invés de responder de imediato, encha aboca de água e não engula, permanecendo assim pelo maior tempo possível."

É uma lição fantástica por sua simplicidade e grande abrangência. O fato de estar com a boca cheia de água nos impede de dizer algo naquele momento pelo tamanho da sujeira que causaríamos e é exatamente isso que ela pretendia ensinar.

Sempre que respondemos de imediato a uma provocação ou a qualquer coisa que nos desagrade, normalmente dizemos coisas que depois nos arrependemos de haver dito, que poderiam ser ditas de modo menos agressivo ou mesmo que nunca deveriam ter sido ditas.

Palavras ditas agressivamente muitas vezes cortam mais que navalhas e deixam cicatrizes profundas, que mesmo quando perdoadas não se apagam, permanecem expostas para sempre.

Lembro de um conto sobre um pai que, querendo ensinar seu filho o mal que as palavras poderiam causar, pediu a ele que cada vez que ficasse nervoso, ao invés de brigar ou gritar com alguém, pregasse um prego em uma placa de lata. Depois de determinado período aquele pai pediu ao filho que lhe trouxesse a placa que já possuía muitos pregos.

Após determinar ao filho a retirada de todos os pregos da placa disse-lhe que mesmo que todas as pessoas com quem ele teria brigado ou gritado o perdoassem, permaneceriam em seus corações várias cicatrizes, como os furos na placa, que jamais seriam apagadas.

Por não serem ensinados a partilhar, desde sua infância os seres humanos discutem por motivos insignificantes como egoísmo e sentimentos de propriedade. O menino não empresta a bola mesmo quando não a está usando e a menina não admite que ninguém pegue sua boneca.

Crescem e continuam discutindo, brigando com outros jovens ou desrespeitando e até mesmo maltratando os mais velhos.

Adultos se casam e mesmo em casa, com o próprio cônjuge, muitas vezes discutem de maneira mais acalorada e acabam agredido ou até mesmo ofendendo o outro com palavras.

Discussões por motivos fúteis como por futebol ou por uma fechada no trânsito muitas vezes acabam até em mortes e certamente poderiam ser evitadas se uma das partes envolvidas não tivesse respondido à agressão.

Muitos assuntos do dia a dia que provocam discussões poderiam ser tratados de modo pacífico e provavelmente agradando os dois lados, se simplesmente fossem adiados, deixados para ser falados em outro momento, quando todos estivessem calmos, em clima mais apropriado para uma conversa franca.

Se conseguirmos nos manter calados, sem reagir quando somos agredidos, provocados por pessoas em busca de discussões, certamente conseguiremos impedir que a agressão se transforme em uma discussão que poderá ser de consequências desastrosas.

O silêncio diante de uma agressão verbal normalmente constrange o agressor, que por não obter reação contrária é levado a interromper a mesma.

Colocando água na boca e aguardando outra oportunidade para falar evitaremos discussões desnecessárias e de resultados dolorosos.

A cigarra e a formiga na vida real


 

Todos sabem da fábula da formiga e da cigarra, quando uma trabalhava, armazenava alimentos para os dias mais difíceis enquanto a outra nada fazia, só cantava, voava, via o mundo de cima, e ainda criticava o excesso de trabalho da formiga, chamando-a de burra, mas a vida passa para todos e, como dizem, o mundo dá voltas.

Durante a infância e juventude de meus filhos estes sempre foram privados de qualquer tipo de excesso e, em muitas vezes, até em excesso. Sempre entendi que, se tivessem pouco, uma vida dentro dos padrões normais, sempre estariam bem. 

Se no futuro por motivos diversos pudessem possuir mais, gastar mais, ótimo, certamente sentiriam prazeres com isso.

Se não pudessem, não sentiriam falta de nenhum supérfluo, pois já estariam acostumados com o 'feijão com arroz' do dia-dia e o caviar não seria sequer sonhado, seria insignificante em suas prioridades.
Muitas pessoas não pensam dessa maneira e dão a seus filhos tudo o que podem, e que normalmente é mais do que podem, acostumando-os a um padrão der vida que dificilmente conseguirão manter no futuro.
Os exemplos estão aí aos milhares, assim como os resultados. Poucos são os que como Antonio Ermírio de Moraes que, durante uma entrevista que assisti, ao ser questionado sobre esse tipo de relacionamento com seus filhos já que era considerado o homem mais rico do país.

Perguntado se não se importava de levar uma vida tão simples diante de seu patrimônio, sem motoristas particulares, usando ternos adquiridos em magazines e se não era cobrado por estar educando os filhos da mesma forma. A resposta foi tão simples quanto seu estilo de vida: "Digo a meus filhos que podem se divertir à vontade, desde que saiam de casa para trabalhar no mesmo horário que eu".

Como a matemática, certas coisas não são e nunca serão alteradas, como a relação ganho e despesa. Toda boa dona de casa sabe o que pode e o que não pode adquirir no supermercado para que os mantimentos sejam suficientes para o consumo da família até o próximo pagamento.
Pessoas estão consumindo cada vez mais e permitindo que seus filhos possuam tudo o que solicitam e estas passam a ser crianças sem limites, que gritam, choram e até agridem seus pais sempre que contrariadas.

As crianças criadas dessa forma certamente levarão sua vida adulta da mesma maneira e provavelmente, salvo algumas exceções de gênios, não conseguirão fechar a conta do final do mês, passarão por 'necessidades', mesmo que psicológicas, e a culpa, sem dúvida, é dos pais que as criaram dessa forma.

Quando se realiza uma atividade comercial ou industrial, podem ocorrer diversas possibilidades que proporcionem danos financeiros e até a destruição econômica daquela atividade, e isso pode ocorrer a todos, que normalmente recomeçam, possuem novas chances e agora já não cometerão o mesmo erro.

Não é que ocorre com aquele que leva a vida em nível superior ao que pode. Para estes o resultado certamente será triste, assim como sempre foi em toda a história da humanidade. O mundo costuma ser cruel com aqueles que perderam o que já tiveram, até por passarem a ser rotulados como incompetentes.

Como na fábula da cigarra e da formiga, as pessoas se esquecem de seu passado, de com o gastaram mais do que podiam e agora, quando já não podem suprir sequer o necessário, passam a criticar os que possuem, sem se importar com o que estes passaram para se manter ou aumentar o que possuem.

13.12.11

Estradas da vida

No reino animal o ser humano talvez seja o que nasce com maior dependência. Normalmente os irracionais já ficam em pé logo ao nascer, imediatamente procurando o úbere materno para mamar, o que não ocorre com os humanos.

A dependência, em todas as espécies, permanece por um bom período, em geral durante a infância e a juventude, apesar de atualmente os jovens humanos procurarem manter essa condição pelo maior tempo possível.

Ao sairmos dos cuidados paternos passamos a caminhar por uma estrada única, da nossa própria vida, quando seremos o próprio motorista, que escolherá o próprio caminho, a velocidade, o tipo de pista, o veículo e nela não haverá vigilantes rodoviários.

As escolhas nos levam a estradas com mais ou menos pistas, com melhor ou pior asfalto, valetas, terra, pântano, locais de planície ou de morros, ou de climas mais amenos, quentes ou frios. Coisas que aprendemos no passado e até mesmo as atuais sugestões paternas não serão sequer consideradas em virtude de já nos entendermos mais preparados do que eles.

No caminho encontraremos pessoas que poderão ou não nos acompanhar, tornando essa viagem mais prazerosa, ou enchendo-a de pedras. Poderão contar piadas ou histórias tristes, dar dicas de caminhos mais fáceis ou fornecer informações erradas que nos levarão a uma estrada sem saída, ao pé do morro.
Os que nos acompanharem poderão desembarcar durante a viagem por vontade própria, por haverem chegado ao seu ponto final, ou por nosso desejo, de não desejarmos mais continuar a viagem com eles e interrompermos a carona que lhes foi dada.

No pensamento, a estrada poderá ser percorrida, durante toda sua duração, com velocidade bastante lenta ou de anos-luz e a capacidade da memória poderá ser de alguns bytes ou de muitos Terabytes. Tudo dependerá da quantidade da sua busca e do armazenamento de informações que escolher fazer.
O conforto ou desconforto dessa viagem é uma opção pessoal e mesmo assim há pessoas que não percebem, ou não assumem, que serão as únicas responsáveis pelas escolhas e suas consequencias, seus resultados.

Ao realizarmos auto-críticas, temos a possibilidade de refazer nossas escolhas. Podemos olhar ao longo da estrada para trás e para frente e escolher se continuamos por ela ou pegamos outra que sai para o lado em direção bastante diferente, ou mesmo uma que mais adiante caminhará paralelamente a esta.
Buscando ser disciplinados podemos inclusive nos aplicar multas, algumas merecidas e outras nem tanto, ao percebermos excessos e erros nas conduções físicas, alimentares ou quaisquer outras. Nossa mente está sempre pronta para pensar em novas alternativas, mudanças ou retorno ao início.

O importante é que façamos as correções necessárias, que alteram a duração da viagem, tornando-a mais curta ou longa, rápida ou demorada, com mais ou menos paisagens, pessoas e lugares novos para se conhecer.

Pequeno é o que continua dependente, até sobre suas opções, e não se dá ao direito de corrigir seu próprio rumo, sua velocidade ou mesmo seus acompanhantes.

Domandu bicicreta

 
As novas cartilhas do MEC, recolhidas após serem divulgadas pela imprensa, me fizeram lembrar um caso e pensar que se aceitarmos a idiotice do MEC de linguagem popular, brevemente assim será o ensino da Língua Portuguesa em nosso país, onde um ex-presidente já se vangloriou de ser filho de mãe que nasceu analfabeta.

Contava o Zé das Égua: "Num sei contá cumo cumeçô o casu lá ditráis mais o certu é qui o cumpadi Vardemá ganhô uma bicicreta du pograma di rádiu 'Vóis du Sertão' e intregaru lá nu sitiu deli.

Ninguém nos arredor nunca nem tinha vistu uma bicha daquela e aí a nuticia si espaiô. Ligerim já tinha uma muntuera di gente nu sitiu dele. O cumpadi tinha tiradu a bicha da cacha e amarro u pescoçu dela num palanqui di aruera pá módi ela num deitá e num i simbora.

Tudu mundu rodiava, oiáva mais u cumpadi num dechava ninguém incostá a mão. Já chegandu a hora di armuçá o povão foi ino imbora e o cumpadi mi chamô prum particulá. Oiando a bicha di perto ele dissi que num si envergunhqava di mi dizê, pu módi nóis era cumpadi, mais eli tava sem sabê u qui fazê caquilu, que já tava véiu i tinha medu di caí dela e si machucá tudu.

Muitu du besta, achando a bicha uma formosura, falei que isso num era pobrema, qui cumu eu era domadô di tropa eu trocava cum ele in trocu da égua que eu tava muntado e qui já tava mansinha di tudu. Até já sabia incostá nu barranco pra modi ele muntá. Dispois di intregá a égua eu fui pegá a tar bicicreta pra i pru patrimonho que ficava umas duas légua du sítiu.

Disatei a bicha du palanqui i já vi um trein diferenti. Num tinha cabresto pá modi eu puxá e eu num quiria muntá cu ela atada, qui era uma vergonha prum domadô profissioná. Oiei, oiei e grudei na oreia dela cu a mão isquerda e cum a direita sigurei naqueli arreim mais sem vergonha que tava nela.

E num é que deu certo? Ela saiu di mansim du meu lado e fumo pru artu do morru, donde a istrada era uma descida só inté na vila e eu já tava mais longi da casa prá modi si caí eu num passá vergonha.

Minim du céu. Quandu sigurei só na oreia dela e pisei nu istribu, a disgraçada negou e eu já bati ca bunda nu chão. E ela deitava di ladu. Eu ia lá, sigurava nas oreia di novu e ela levantava facim, facim, mais era só pô o pé nu istribu e jogá o pesu prá subi qui ela negava di novu. E eu ia pru chão traveis. Foi treis tombu du memu jeito. Era só querê jogá u peso nu istribu, ela negava e eu caia.

Oiei bem, pensei bastanti e agora sigurei nas duas oreia dela e pulei pra cima du arreiu sem pisá nu istribu. Deu certim mais a bicha era ligera dimais sô. Foi só eu sentá e ela dispinguelô istrada abaxo e eu alí, grudado nas oreia num achava uma cana di rédia siqué.

Mais logo intindi qui quandu eu puxava uma oreia prá cá ela virava. Puxava a otra e ela virava pru otro lado qui nem si fosse rédia. Aí já miorô um poquim. Nu meiu da testa a bicha tinha um cucurucuzinho, parecendu um castelinho di testa di vaca môcha e nafrenti daquilu, mais prá baxo eu só via as canelinha dela viranu cada veis mais ligeru na decida e u trem num parava di jeitu nenhum.

Até briava as canela de tão ligeru. Meus ói já tava inté sainu água di tanta a carrera quandu eu inxerguei um areão na frente. Nossinhora e agora?

Cum medu di num controlá u rumu dela só pelas oreia nu areão, puxei a bicha só das direita pru rumu reto da vila e entrei pur dentru du pastu. Nossinhora, foi aí qui o trem fedeu memu pumódi qui agora aqueli arreim ia batenu na bunda sem pelegu nenhum e dava cada cacetada naqueli ossim pur cima du fiofó qui se nem acridita.

Cumecei a chamá tudu meus santu cunhecidu, sanantoim, sanbeneditu, sanjorgi, nossinhora, até jesuiscristu eu chamei mais achu que eles tava tudu ocupadu cuns trem mais importanti e nenhum delis mi podi mi atendê.

Di longi eu vi um cupinzão danadu di grandi sô. E a bicha ia bem no rumim deli. Nessa hora eu já num puxava mais oreia ninhuma. Só tava cuidanu prá módi aqueli arreim disgraçadu num batê cu mais força. E aí u trem ia crescenu, crescenu até qui num tevi jeitu.

Foi uma cacetada qui nem vi direitu cumu vuei pru otru lado du baita. Só sei que meu peitu i minhas parti baxa roçô tudim naqueli cucurucu da testa dela e demorô bastanti pru fôlegu vortá.
Inda bem qui ninguém viu. Mais eu sô temoso i otro dia ainda montu traveiz e domu ela"

Das duas uma: ou os governos do Partido dos Trabalhadores - PT não entendem que a educação é o único meio possível para um futuro sólido de um país ou atitudes como essa e dos diversos projetos do tipo "Bolsa" e "Vale", que só levam à dependência e submissão, são propositais.