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15.12.11

A humildade e a arrogância

 
Um amigo de infância me enviou um e-mail com um vídeo de um jovem que se apresentou em um programa de jurados e na mensagem anexa, sugeria que eu escrevesse sobre o mesmo. Apesar de já tê-lo assistido em outra oportunidade, me emocionei com a apresentação e com a possibilidade de visualizar claramente, em atitudes, a humildade e a arrogância dos seres humanos.

O jovem entrou no palco vestido de uma calça larga escura, uma camiseta preta com desenhos verdes no peito e tênis. Ao dizer que se chamava John Lennon da Silva provocou um comentário sarcástico de uma jurada, que disse já haver ouvido esse nome e outro disse que sabia ele era muito famoso e amigo do Paul e do Ringo.

Ao explicar que iria dançar, ela, em tom de gozação e apontando para suas roupas perguntou: assim? O rapaz timidamente respondeu que sim, que aquela roupa era do seu cotidiano e o que interessava era que iria apresentar o "Lago dos Cisnes", numa nova coreografia, baseada em Street Dance, a dança de rua dos jovens.

Ela insistiu, dizendo esperar que ele fizesse uma boa apresentação, pois aquele figurino não tinha 'nada a ver'. Outro perguntou se ele conhecia a peça em sua versão original, que era de um cisne se debatendo, agonizando até o final e executado nas pontas dos pés, por uma bailarina vestida toda de branco.

A arrogância desses jurados era visível, imaginando-se os únicos conhecedores da peça, quase chamando de ignorante o rapaz, simplesmente porque estava vestindo roupas comuns e pretas, humilhando-o com suas perguntas e não acreditando que alguém tão simples, vestido daquela maneira, pudesse apresentar algo que valesse a pena ser assistido por quem já viu a peça original, com todo o seu luxo e esplendor.

Depois de autorizado o rapaz iniciou sua apresentação e os jurados logo perceberam tratar-se de um gênio, tanto da dança quanto da coreografia. Seu corpo expressava, incontestavelmente, sem nenhuma possibilidade de dúvidas, movimentos de dor, angústia, do debater nos últimos momentos do Cisne.

O silencio e admiração dos jurados se fazia notar em seus olhares que agora viam algo por eles nunca imaginado, ainda mais vindo de um simples John, sem nenhuma vestimenta ou cenário apropriado para a grandeza da apresentação que realizava, diante de seus próprios olhos.

Ao término da apresentação, os dois homens e uma mulher sentada entre eles, estavam pasmos. Um, estava de pé e perguntando, ouviu do jovem que tinha 20 anos e era o próprio coreógrafo daquela versão. O que havia questionado se o rapaz conhecia a apresentação original estava chorando, com lágrimas escorrendo pelo rosto e não conseguia falar sequer para dar sua nota. Incrédula, a jurada retornou a palavra ao outro.

Ainda em pé, este se dirigiu ao jovem dizendo ser ele de uma grandeza rara, que sua apresentação foi emocionante e sugeriu que continuasse buscando novas maneiras de mostrar coisas já conhecidas e desejava que os telespectadores tivessem percebido a dimensão daquela apresentação e sentido a emoção que ele sentiu.

Infelizmente a grande maioria das pessoas sempre prejulga aqueles que não conhecem, antes mesmo de ouvir deles uma só palavra, muito mais pelo que podem ver, do que pelo que realmente eles são.

Nada questionam sobre seus conhecimentos, capacidade, experiência e cultura. Só vislumbram jóias, relógios, carros, casas, roupas, enfim, ostentação.

Os inteligentes, cultos, educados e muito capazes, nunca ostentam seus predicados e com sua humildade, acabam superando os arrogantes.

14.12.11

Um dia de cada vez

 
Não podendo se locomover após um acidente, um homem passava seus dias em um leito já por um longo período, quando um amigo lhe perguntou: "Quanto tempo você ficará assim, sem poder sair da cama?", e lhe respondeu: "Somente um dia de cada vez."

Tendo passado por uma experiência semelhante pude observar como, durante a vida, nos queixamos de pequenas coisas, problemas só existentes em nossa mente e reclamamos da demora nas soluções de coisas que normalmente só nós podemos resolver.

Nunca temos tempo para nada, estamos sempre ocupados, com pressa, perdendo a hora para algo quando, de repente, em segundos, algo nos ocorre e passamos a ter todo o tempo do mundo.

Muitas vezes somos pessimistas, frustrados ou derrotados por antecipação, por não esperarmos mais. 

Somos muito imediatistas e apesar de tudo parecer demorado, distante, na realidade é muito rápido e perto.
As pessoas se deixam atingir por pequenas dificuldades que são passageiras e certamente serão substituídas por novas conquistas e momentos de alegria, como a vitória que é sempre mais gratificante após uma derrota.

Não há como se atingir um objetivo sem buscar por ele. A busca pode ser mais fácil ou difícil e a distancia pode ser curta ou longa, mas se lutarmos sempre será possível atingir nossos sonhos.

O tempo, as distâncias e as dificuldades só dependem do foco, do espaço e do local de onde são analisadas. Nada é demorado em termos de história da humanidade, nada é longe se estivermos perto e nada é tão difícil que seja impossível.

Há muito pouco tempo pessoas morriam de tifo, malária e muitas outras doenças que hoje são facilmente curáveis. O transporte de pessoas era feito a cavalo ou em carros de boi e em poucos séculos já é possível realizar viagens espaciais em menor tempo do que se levava para ir de uma cidade à outra.

Alguns sonhadores criavam histórias fantásticas nas revistas em quadrinhos, mais conhecidas como gibis, de viagens espaciais e homens que voavam com um simples propulsor pendurado em suas costas. Isso só era possível em suas mentes, mas influenciaram outros que buscaram realizar aquilo e tudo se tornou possível.

Coisas banais utilizadas atualmente, como televisão, fraldas descartáveis e embalagens conhecidas como 'longa vida' não eram sequer sonhadas cinquenta anos atrás. Produtos como os toca-fitas e vídeos cassetes surgiram e deixaram de ser utilizados em menos de vinte anos.

As descobertas para a cura de doenças ocorrem com cada vez maior velocidade e já se tornou comum a realização de transplantes de embriões e a clonagem de animais, ainda não realizada em humanos simplesmente por impedimentos legais, mas declarada possível por diversos cientistas. Com células do corpo humano já é possível criar órgãos sem os problemas anteriormente existentes.

Esse progresso no conhecimento pode ser notado com maior intensidade após a descoberta e uso da informática, quando a evolução passou a acontecer com cada vez maior rapidez. Atualmente essa própria tecnologia se torna obsoleta a cada ano, em decorrência das novas descobertas que ela mesma propicia.

Assim, cada vez mais rapidamente uma nova descoberta abrirá novos caminhos, que levarão a outras e assim sucessivamente poderemos fazer novos planos, alcançar os objetivos ainda não atingidos e traçar outros, mesmo que ainda sequer inimagináveis.

A cada dia novas possibilidades aparecem e o que ontem parecia impossível e hoje está difícil, amanhã será possível.

Escolhas e resultados


 

Na juventude é muito comum que os jovens estejam perdidos, sem saber o que querem, para onde estão caminhando e com qual objetivo de vida. Escolher a própria profissão é um dilema para os pré-vestibulandos e para muitos que inclusive já passaram dessa fase, mas não se encontraram na profissão que escolheram.

Alguns abandonam o curso e retornam aos cursinhos em busca de outra opção, mas alguns, mesmo percebendo o erro já na faculdade permanecem onde já estão e acabam, por esse motivo, perdendo a oportunidade de um futuro provavelmente bastante promissor se fizessem o que realmente gostariam de fazer.

Optando pelo mais fácil, pela acomodação, pelo medo de dar um passo atrás e recomeçar, esses jovens acabam selando assim, para sempre, suas possibilidades de realização profissional. Muitas coisas podem estar envolvidas no abandono de um curso e a tentativa de entrar em outro, como a perda de no mínimo um ano, os custos de novas aulas preparatórias e as possibilidades de suportar financeiramente isso.

Nesse momento, independentemente das dificuldades ou facilidades, começam ser notadas as verdadeiras diferenças entre os futuros vencedores, os acomodados e os perdedores, não importando a educação dada pelos pais, o nível social, econômico e cultural desse jovem, é das profundezas de seu ser que surgem sua fraqueza ou força, determinação.

Muitos fazem sua escolha pela perspectiva de retorno financeiro e não pela realização profissional, procurando, dentro daquela opção, uma faculdade menos exigente, que permita sua formatura com menos estudos, mesmo sabendo que não terá o mesmo preparo daqueles que estudam muito por terem escolhido faculdades que exigem bastante, mas preparam bem seus alunos.

As consequências para esse grupo puderam ser observadas recentemente, na última prova da Ordem dos Advogados do Brasil realizada em dezembro de 2010 quando, de um total de 116 mil inscritos, apenas 9,74% conseguiram ser aprovados e como resultado, 90,23% deles serão simplesmente bacharéis, mas não advogados.

Acaba aí o sonho de possuir um grande escritório, advogar para grandes empresas, por grandes causas e ganhar muito dinheiro. Essa realização fica para aqueles advogados, médicos, engenheiros ou qualquer outro profissional que anos antes fizeram outra escolha, por aquelas universidades mais exigentes, tiveram que estudar muito, mas foram contratados antes mesmo de terminar o curso.

Algumas crianças já demonstram estilos de comando diante de outras da mesma faixa etária, ou até mais velhas e nenhuma situação ou obstáculo é capaz de detê-las, pois sempre estão dispostas a buscar alternativas para conseguir o que almejam. Outras aceitam tudo e participam do enorme grupo que segue o líder, aceitando todas as determinações deste, sem sequer questionar os rumos que estão sendo tomados.

A maioria das pessoas normalmente está sempre à deriva e se deixa levar por uma simples brisa, uma moda, por mais momentânea que seja, mas que esteja sendo bastante utilizada por outros. Procedem assim com suas roupas, livros que lêem, locais que frequentam e na escolha de suas profissões, sempre seguindo o que a maioria está fazendo.

Com esse comportamento se misturam a todos, falam dos mesmos assuntos, vão aos mesmos lugares e conhecem as mesmas pessoas, o que facilita sua convivência nesse grupo social, o da grande maioria, que muitas vezes faz gozações com os que não estão naquela festa por estarem estudando.

Aqueles que se desviam da rota, se envolvem com assuntos diversos que sempre estão ao nosso lado, costumam se perder e normalmente não conseguem reencontrar o caminho que os levaria ao sucesso. Não se alcança nenhum objetivo com nossos passos sendo dados em uma direção, se a mente está determinando outro caminho, mudando o rumo.

Os que mantêm em mente objetivo específico que possuem, sabem exatamente o que querem, lutam incansavelmente por isso, ultrapassam os obstáculos existentes e nada que em algum momento os desvie do caminho será capaz de evitar que rapidamente retomem a direção para chegar como e onde pretendem, tornando praticamente certo seu alcance.

Todos nascem com o mesmo poder de escolher, individualmente, como, para onde e quando irão. A opção de ser um vencedor ou continuar na multidão só depende de você.

Água na boca


 

Em uma visita a uma senhora com mais de noventa anos, dela ouvi algo que tem me valido muito: "Quando estiver nervoso e em meio a uma discussão ouvir algo que o desagrade, ao invés de responder de imediato, encha aboca de água e não engula, permanecendo assim pelo maior tempo possível."

É uma lição fantástica por sua simplicidade e grande abrangência. O fato de estar com a boca cheia de água nos impede de dizer algo naquele momento pelo tamanho da sujeira que causaríamos e é exatamente isso que ela pretendia ensinar.

Sempre que respondemos de imediato a uma provocação ou a qualquer coisa que nos desagrade, normalmente dizemos coisas que depois nos arrependemos de haver dito, que poderiam ser ditas de modo menos agressivo ou mesmo que nunca deveriam ter sido ditas.

Palavras ditas agressivamente muitas vezes cortam mais que navalhas e deixam cicatrizes profundas, que mesmo quando perdoadas não se apagam, permanecem expostas para sempre.

Lembro de um conto sobre um pai que, querendo ensinar seu filho o mal que as palavras poderiam causar, pediu a ele que cada vez que ficasse nervoso, ao invés de brigar ou gritar com alguém, pregasse um prego em uma placa de lata. Depois de determinado período aquele pai pediu ao filho que lhe trouxesse a placa que já possuía muitos pregos.

Após determinar ao filho a retirada de todos os pregos da placa disse-lhe que mesmo que todas as pessoas com quem ele teria brigado ou gritado o perdoassem, permaneceriam em seus corações várias cicatrizes, como os furos na placa, que jamais seriam apagadas.

Por não serem ensinados a partilhar, desde sua infância os seres humanos discutem por motivos insignificantes como egoísmo e sentimentos de propriedade. O menino não empresta a bola mesmo quando não a está usando e a menina não admite que ninguém pegue sua boneca.

Crescem e continuam discutindo, brigando com outros jovens ou desrespeitando e até mesmo maltratando os mais velhos.

Adultos se casam e mesmo em casa, com o próprio cônjuge, muitas vezes discutem de maneira mais acalorada e acabam agredido ou até mesmo ofendendo o outro com palavras.

Discussões por motivos fúteis como por futebol ou por uma fechada no trânsito muitas vezes acabam até em mortes e certamente poderiam ser evitadas se uma das partes envolvidas não tivesse respondido à agressão.

Muitos assuntos do dia a dia que provocam discussões poderiam ser tratados de modo pacífico e provavelmente agradando os dois lados, se simplesmente fossem adiados, deixados para ser falados em outro momento, quando todos estivessem calmos, em clima mais apropriado para uma conversa franca.

Se conseguirmos nos manter calados, sem reagir quando somos agredidos, provocados por pessoas em busca de discussões, certamente conseguiremos impedir que a agressão se transforme em uma discussão que poderá ser de consequências desastrosas.

O silêncio diante de uma agressão verbal normalmente constrange o agressor, que por não obter reação contrária é levado a interromper a mesma.

Colocando água na boca e aguardando outra oportunidade para falar evitaremos discussões desnecessárias e de resultados dolorosos.

A cigarra e a formiga na vida real


 

Todos sabem da fábula da formiga e da cigarra, quando uma trabalhava, armazenava alimentos para os dias mais difíceis enquanto a outra nada fazia, só cantava, voava, via o mundo de cima, e ainda criticava o excesso de trabalho da formiga, chamando-a de burra, mas a vida passa para todos e, como dizem, o mundo dá voltas.

Durante a infância e juventude de meus filhos estes sempre foram privados de qualquer tipo de excesso e, em muitas vezes, até em excesso. Sempre entendi que, se tivessem pouco, uma vida dentro dos padrões normais, sempre estariam bem. 

Se no futuro por motivos diversos pudessem possuir mais, gastar mais, ótimo, certamente sentiriam prazeres com isso.

Se não pudessem, não sentiriam falta de nenhum supérfluo, pois já estariam acostumados com o 'feijão com arroz' do dia-dia e o caviar não seria sequer sonhado, seria insignificante em suas prioridades.
Muitas pessoas não pensam dessa maneira e dão a seus filhos tudo o que podem, e que normalmente é mais do que podem, acostumando-os a um padrão der vida que dificilmente conseguirão manter no futuro.
Os exemplos estão aí aos milhares, assim como os resultados. Poucos são os que como Antonio Ermírio de Moraes que, durante uma entrevista que assisti, ao ser questionado sobre esse tipo de relacionamento com seus filhos já que era considerado o homem mais rico do país.

Perguntado se não se importava de levar uma vida tão simples diante de seu patrimônio, sem motoristas particulares, usando ternos adquiridos em magazines e se não era cobrado por estar educando os filhos da mesma forma. A resposta foi tão simples quanto seu estilo de vida: "Digo a meus filhos que podem se divertir à vontade, desde que saiam de casa para trabalhar no mesmo horário que eu".

Como a matemática, certas coisas não são e nunca serão alteradas, como a relação ganho e despesa. Toda boa dona de casa sabe o que pode e o que não pode adquirir no supermercado para que os mantimentos sejam suficientes para o consumo da família até o próximo pagamento.
Pessoas estão consumindo cada vez mais e permitindo que seus filhos possuam tudo o que solicitam e estas passam a ser crianças sem limites, que gritam, choram e até agridem seus pais sempre que contrariadas.

As crianças criadas dessa forma certamente levarão sua vida adulta da mesma maneira e provavelmente, salvo algumas exceções de gênios, não conseguirão fechar a conta do final do mês, passarão por 'necessidades', mesmo que psicológicas, e a culpa, sem dúvida, é dos pais que as criaram dessa forma.

Quando se realiza uma atividade comercial ou industrial, podem ocorrer diversas possibilidades que proporcionem danos financeiros e até a destruição econômica daquela atividade, e isso pode ocorrer a todos, que normalmente recomeçam, possuem novas chances e agora já não cometerão o mesmo erro.

Não é que ocorre com aquele que leva a vida em nível superior ao que pode. Para estes o resultado certamente será triste, assim como sempre foi em toda a história da humanidade. O mundo costuma ser cruel com aqueles que perderam o que já tiveram, até por passarem a ser rotulados como incompetentes.

Como na fábula da cigarra e da formiga, as pessoas se esquecem de seu passado, de com o gastaram mais do que podiam e agora, quando já não podem suprir sequer o necessário, passam a criticar os que possuem, sem se importar com o que estes passaram para se manter ou aumentar o que possuem.

13.12.11

Estradas da vida

No reino animal o ser humano talvez seja o que nasce com maior dependência. Normalmente os irracionais já ficam em pé logo ao nascer, imediatamente procurando o úbere materno para mamar, o que não ocorre com os humanos.

A dependência, em todas as espécies, permanece por um bom período, em geral durante a infância e a juventude, apesar de atualmente os jovens humanos procurarem manter essa condição pelo maior tempo possível.

Ao sairmos dos cuidados paternos passamos a caminhar por uma estrada única, da nossa própria vida, quando seremos o próprio motorista, que escolherá o próprio caminho, a velocidade, o tipo de pista, o veículo e nela não haverá vigilantes rodoviários.

As escolhas nos levam a estradas com mais ou menos pistas, com melhor ou pior asfalto, valetas, terra, pântano, locais de planície ou de morros, ou de climas mais amenos, quentes ou frios. Coisas que aprendemos no passado e até mesmo as atuais sugestões paternas não serão sequer consideradas em virtude de já nos entendermos mais preparados do que eles.

No caminho encontraremos pessoas que poderão ou não nos acompanhar, tornando essa viagem mais prazerosa, ou enchendo-a de pedras. Poderão contar piadas ou histórias tristes, dar dicas de caminhos mais fáceis ou fornecer informações erradas que nos levarão a uma estrada sem saída, ao pé do morro.
Os que nos acompanharem poderão desembarcar durante a viagem por vontade própria, por haverem chegado ao seu ponto final, ou por nosso desejo, de não desejarmos mais continuar a viagem com eles e interrompermos a carona que lhes foi dada.

No pensamento, a estrada poderá ser percorrida, durante toda sua duração, com velocidade bastante lenta ou de anos-luz e a capacidade da memória poderá ser de alguns bytes ou de muitos Terabytes. Tudo dependerá da quantidade da sua busca e do armazenamento de informações que escolher fazer.
O conforto ou desconforto dessa viagem é uma opção pessoal e mesmo assim há pessoas que não percebem, ou não assumem, que serão as únicas responsáveis pelas escolhas e suas consequencias, seus resultados.

Ao realizarmos auto-críticas, temos a possibilidade de refazer nossas escolhas. Podemos olhar ao longo da estrada para trás e para frente e escolher se continuamos por ela ou pegamos outra que sai para o lado em direção bastante diferente, ou mesmo uma que mais adiante caminhará paralelamente a esta.
Buscando ser disciplinados podemos inclusive nos aplicar multas, algumas merecidas e outras nem tanto, ao percebermos excessos e erros nas conduções físicas, alimentares ou quaisquer outras. Nossa mente está sempre pronta para pensar em novas alternativas, mudanças ou retorno ao início.

O importante é que façamos as correções necessárias, que alteram a duração da viagem, tornando-a mais curta ou longa, rápida ou demorada, com mais ou menos paisagens, pessoas e lugares novos para se conhecer.

Pequeno é o que continua dependente, até sobre suas opções, e não se dá ao direito de corrigir seu próprio rumo, sua velocidade ou mesmo seus acompanhantes.

Domandu bicicreta

 
As novas cartilhas do MEC, recolhidas após serem divulgadas pela imprensa, me fizeram lembrar um caso e pensar que se aceitarmos a idiotice do MEC de linguagem popular, brevemente assim será o ensino da Língua Portuguesa em nosso país, onde um ex-presidente já se vangloriou de ser filho de mãe que nasceu analfabeta.

Contava o Zé das Égua: "Num sei contá cumo cumeçô o casu lá ditráis mais o certu é qui o cumpadi Vardemá ganhô uma bicicreta du pograma di rádiu 'Vóis du Sertão' e intregaru lá nu sitiu deli.

Ninguém nos arredor nunca nem tinha vistu uma bicha daquela e aí a nuticia si espaiô. Ligerim já tinha uma muntuera di gente nu sitiu dele. O cumpadi tinha tiradu a bicha da cacha e amarro u pescoçu dela num palanqui di aruera pá módi ela num deitá e num i simbora.

Tudu mundu rodiava, oiáva mais u cumpadi num dechava ninguém incostá a mão. Já chegandu a hora di armuçá o povão foi ino imbora e o cumpadi mi chamô prum particulá. Oiando a bicha di perto ele dissi que num si envergunhqava di mi dizê, pu módi nóis era cumpadi, mais eli tava sem sabê u qui fazê caquilu, que já tava véiu i tinha medu di caí dela e si machucá tudu.

Muitu du besta, achando a bicha uma formosura, falei que isso num era pobrema, qui cumu eu era domadô di tropa eu trocava cum ele in trocu da égua que eu tava muntado e qui já tava mansinha di tudu. Até já sabia incostá nu barranco pra modi ele muntá. Dispois di intregá a égua eu fui pegá a tar bicicreta pra i pru patrimonho que ficava umas duas légua du sítiu.

Disatei a bicha du palanqui i já vi um trein diferenti. Num tinha cabresto pá modi eu puxá e eu num quiria muntá cu ela atada, qui era uma vergonha prum domadô profissioná. Oiei, oiei e grudei na oreia dela cu a mão isquerda e cum a direita sigurei naqueli arreim mais sem vergonha que tava nela.

E num é que deu certo? Ela saiu di mansim du meu lado e fumo pru artu do morru, donde a istrada era uma descida só inté na vila e eu já tava mais longi da casa prá modi si caí eu num passá vergonha.

Minim du céu. Quandu sigurei só na oreia dela e pisei nu istribu, a disgraçada negou e eu já bati ca bunda nu chão. E ela deitava di ladu. Eu ia lá, sigurava nas oreia di novu e ela levantava facim, facim, mais era só pô o pé nu istribu e jogá o pesu prá subi qui ela negava di novu. E eu ia pru chão traveis. Foi treis tombu du memu jeito. Era só querê jogá u peso nu istribu, ela negava e eu caia.

Oiei bem, pensei bastanti e agora sigurei nas duas oreia dela e pulei pra cima du arreiu sem pisá nu istribu. Deu certim mais a bicha era ligera dimais sô. Foi só eu sentá e ela dispinguelô istrada abaxo e eu alí, grudado nas oreia num achava uma cana di rédia siqué.

Mais logo intindi qui quandu eu puxava uma oreia prá cá ela virava. Puxava a otra e ela virava pru otro lado qui nem si fosse rédia. Aí já miorô um poquim. Nu meiu da testa a bicha tinha um cucurucuzinho, parecendu um castelinho di testa di vaca môcha e nafrenti daquilu, mais prá baxo eu só via as canelinha dela viranu cada veis mais ligeru na decida e u trem num parava di jeitu nenhum.

Até briava as canela de tão ligeru. Meus ói já tava inté sainu água di tanta a carrera quandu eu inxerguei um areão na frente. Nossinhora e agora?

Cum medu di num controlá u rumu dela só pelas oreia nu areão, puxei a bicha só das direita pru rumu reto da vila e entrei pur dentru du pastu. Nossinhora, foi aí qui o trem fedeu memu pumódi qui agora aqueli arreim ia batenu na bunda sem pelegu nenhum e dava cada cacetada naqueli ossim pur cima du fiofó qui se nem acridita.

Cumecei a chamá tudu meus santu cunhecidu, sanantoim, sanbeneditu, sanjorgi, nossinhora, até jesuiscristu eu chamei mais achu que eles tava tudu ocupadu cuns trem mais importanti e nenhum delis mi podi mi atendê.

Di longi eu vi um cupinzão danadu di grandi sô. E a bicha ia bem no rumim deli. Nessa hora eu já num puxava mais oreia ninhuma. Só tava cuidanu prá módi aqueli arreim disgraçadu num batê cu mais força. E aí u trem ia crescenu, crescenu até qui num tevi jeitu.

Foi uma cacetada qui nem vi direitu cumu vuei pru otru lado du baita. Só sei que meu peitu i minhas parti baxa roçô tudim naqueli cucurucu da testa dela e demorô bastanti pru fôlegu vortá.
Inda bem qui ninguém viu. Mais eu sô temoso i otro dia ainda montu traveiz e domu ela"

Das duas uma: ou os governos do Partido dos Trabalhadores - PT não entendem que a educação é o único meio possível para um futuro sólido de um país ou atitudes como essa e dos diversos projetos do tipo "Bolsa" e "Vale", que só levam à dependência e submissão, são propositais.

Os obstáculos e a água

 
Na internet encontrei uma frase, de autor não informado, que apesar de há muito conhecida, novamente me chamou a atenção: "A água nunca discute com seus obstáculos, apenas os contorna."

Como tudo o que me chama a atenção ultimamente têm me levado a reflexões, a frase relida agora provocou a realização de uma enorme auto-crítica.

O tipo que não leva troco para casa, não deixa nada sem resposta, pavio-curto e todas as tradicionais descrições do tipo, descrevem bem como sempre me comportei durante a vida.

Depois de refletir bastante cheguei à conclusão que o confronto, que normalmente leva à discordâncias, debates e invariavelmente acaba sem convencimentos, praticamennte nunca valeu a pena.
Não me lembro de oportunidade alguma em que a discução, por qualquer motivo, realmente tenha levado a uma situação de equilibrio e consenso real sobre o tema em questão.

Pontos de vista, ideologias, propostas e ambições diferentes são comuns entre os seres humanos e não são alterados diante de um simples debate onde algo diferente se apresenta.
Regimes políticos e econômicos, modelos administrativos ainda são discutidos pelos homens sem que haja consenso nem mesmo no caso de redundantes fracassos anteriores.
Apesar de muitos entenderem que toda a unanimidade é burra, penso que burra é toda a generalização, como algumas que já foram tentadas por poucos, a exemplo da tese de superioridade racial.
A unanimidade, o consenso e a generalização ainda não foram possíveis sequer sobre a melhor posição de parto.

Os pensamentos continuam fluindo e me levam a outros questionamentos, como o que me fez passar mais de meio século de vida sem perceber essa simples realidade.
A ousadia, inexperiência e arrogância do jovem que pensa saber tudo, que irá consertar o mundo e todas as outras possibilidades comuns aos pensamentos de quem só a vida ensinará, não me bastaram como justificativa, uma vez que pelo menos cronologicamente há muito já passei -ou deveria ter passado- por essa fase. Deveriam existir outros motivos para minha demora nessa descoberta.

A água contorna a pedra sem que isso signifique o abandono da disputa por aquele espaço. Esse desvio provoca seu polimento, que fica mais leve e é arrastada para a margem, desocupando o espaço antes ocupado e permitindo a passagem da mesma pelo local, mas isso também levou muito tempo.
Com a vida o homem vai percebendo que ousadia, arrogância e pretenções vão sendo diminuidas e que cada vez mais ele precisa abrir caminho para os que já sabem mais, possuem mais pique, preparo ou inteligência e entendo já estar aceitando bem essa idéia que percebo, será muito útil nas poucas décadas que ainda me restam.

Os que viverem por mais tempo terão o privilégio de serem polidos o suficiente para, chegado o momento, permanecerem à margem, sábia e passivamente, vendo a vida passar e ensinando os que querem aprender.

Obstáculos, que de uma maneira ou de outra devemos superar, nos são apresentados durante toda a vida, até o último que, sem solução, nos levará e, portanto, só nos resta decidir 'como' serão superados.

O que já ensinavam nossos avós

Durante minha vida conheci algumas pessoas vencedoras que, partindo do nada, ou praticamente nada, guardadas as devidas proporções, construíram verdadeiros impérios financeiros.
Gosto de me lembrar das algumas como Antonio Ermírio de Moraes, Domingos Ferreira de Medeiros, João Teixeira Filho, Delfina Santos Figueiredo e Laucídio Coelho. Alguns de seus descendentes compartilharam do mesmo tipo de raciocínio e, além de manter, alavancaram aquilo que receberam como herança.

Durante uma entrevista, perguntaram a Antonio Ermírio o que achava de seus filhos se divertirem, saírem à noite, e a resposta foi: "Penso que podem e devem desde que estejam prontos para trabalhar no mesmo horário que eu", o que, para mim, já dizia o que precisava saber sobre como o maior industrial do país educava seus filhos.

Afastei-me a muitos anos da terra onde nasci e vivia o segundo, Medeirão, motivo pelo qual acabei não sabendo de mais detalhes sobre como seus descendentes deram continuidade a tudo o que ele deixou. Admirado por sua capacidade e tino comercial, às vezes fico sabendo sobre algum grande investimento que continuam fazendo, o que me leva a crer que estão mantendo e provavelmente aumentando o que receberam.

Do terceiro, Seu João, que de imigrante nordestino e arrendatário de terras no interior de São Paulo chegou a ser, juntamente com o irmão José, o maior produtor de algodão do país, e proprietário de inúmeras fazendas, me sobrou, além do exemplo, um grande amigo, seu filho, Newton.
Sobre Delfina não posso falar muito. Sou suspeito, tamanha a admiração que tinha e mantenho por minha avó que, apesar do império construído chegou aos seus últimos dias dirigindo o próprio veículo, de ano e modelo bem mais simples que os possuídos por todos os seus descendentes. Sei que ainda hoje, por qualquer local onde eu ande, pessoas comentam sobre ela com admiração.

Nos últimos trinta e dois anos resido no MS, onde tenho ouvido falar muito do Sr. Laucídio Coelho e pude, durante esse período, acompanhar muitos de seus descendentes, entre os quais, alguns que pude conviver em maior proximidade, como dois de seus filhos, o Dr. Hélio Martins Coelho e Lúdio Coelho e seu genro Antonio Barbosa de Souza.

Da geração dos netos também convivo bastante próximo de com alguns, mas até por bom senso, só gostaria de me referir aos que já não estão mais entre nós, como o José Pinto Costa Neto (Zé do Boi), Edmar Pinto Costa Filho, Kenneth Martin Coelho e José Barbosa de Souza Coelho. Nas três gerações, encontro uma característica comum: todos trabalhavam muito, gastavam bem menos do que ganhavam, e nunca tiveram qualquer tipo de ostentação, motivo pelo qual todos eles eram muito queridos.
Exatamente o que me dizia minha querida avó: "Nunca fui mais sabida do que ninguém, como dizem por aí, simplesmente cuidei para gastar menos do que ganhava."
Entretanto é comum vermos pessoas que fizeram exatamente o inverso, sempre gastaram mais do que ganharam e agora não se conformam com o patrimônio alheio, chegando a comentar sobre isso, apontando o que fulano possui-como se isso fosse um crime-, sem possuir a coragem de assumir que, se já não tem o que possuía é porque gastou mais do que podia.

Conheço pessoas que já possuíram muitos bens-não por elas construídos, mas que até em sua morte dependerão de outros, pois não tiveram prudência sequer para adquirir o próprio túmulo. E a piedade virá exatamente daquelas que foram por elas criticadas por seu estilo de vida, mas que pouparam, e adquiriram o próprio túmulo.

Nossas buscas, erros e acertos

 
Durante a vida nos deparamos com diversas encruzilhadas, diante das quais precisamos fazer opções que poderão nos levar à grandeza, se acertarmos, ou a miséria, se errarmos.
As escolhas são realizadas individualmente e nenhuma outra pessoa poderá ser responsabilizada por nossos erros ou acertos, assim como os erros cometidos não significam que deixaremos de acertar em uma próxima escolha.

Os fracassos de ontem não necessariamente impedirão o sucesso futuro, pois estão no passado, e diariamente novas opções nos são apresentadas, permitindo correções de curso, mudanças e acertos.
Não importa o que fez com que aqui chegasse como é, ou está. 

Isso é passado, que nada têm a ver com o que se pretende conquistar à partir de hoje.

O passado não pode definir como e onde pretendemos chegar, e deixá-lo para trás é fundamental para concentrarmos nossas energias em projetos futuros.
As experiências vividas devem ser aproveitadas como lições, de como e onde erramos ou acertamos, mas nada do que já ocorreu pode ser mudado.

Começando cada dia como uma folha em branco poderemos, a cada manhã, tomar iniciativas necessárias para transformar nossos sonhos em realidade, nela desenhando uma nova vida.
Milhares de novas direções poderão ser tomadas e as novas escolhas serão as responsáveis por conseguirmos ou não as mudanças desejadas.

Algumas dessas direções poderão resultar em acidentes e limitações, que exigirão novas escolhas, mas não impedirão a continuidade da busca.
Todos possuem algumas limitações, físicas ou mentais, mas também potenciais e a superação dessas limitações impede que elas prejudiquem nosso potencial.

Precisamos estar sempre, ainda que inconscientemente, corrigindo erros do passado, buscando agora acertar e mesmo que isso não ocorra nas primeiras tentativas, estaremos galgando novos degraus, aprendendo mais e na próxima vez certamente erraremos menos.

Com essas tentativas vamos alcançando posições mais altas na pirâmide da vida e quanto mais alto mais distante conseguimos ver, o que facilita novas decisões que agora, com a visão mais ampla, são tomadas com menos chances de erros.

Nada disso é possível porém, para aqueles que não possuem a humildade de, mesmo que com dificuldades, se levantarem após cada queda, e tentar uma nova caminhada.

As perguntas e questionamentos são fundamentais para aqueles que pretendem evitar os mesmos erros já cometidos por outros.

A vida não é e nunca será feita exclusivamente de acertos, mas a busca incansável destes é uma virtude daquele que vencerá.

Amadurecimento


 

Desde minha juventude sempre ouvia dizer as mais variadas coisas sobre a maturidade e a velhice, que para mim -e para muitos com quem converso atualmente-, era quando uma pessoa tinha por volta dos quarenta anos.

O tempo passou e só depois de já haver passado pelos quarenta há muitos anos é que me senti plenamente na maturidade, notando isso em meu próprio corpo, o que também me confirmam os mesmos que pensavam como eu.
Com menos agilidade e os reflexos mais lentos, deixamos de correr para alcançar o que corre à nossa frente. Por trás podemos observar os tropeços enfrentados por eles, nos desviar, e nossa caminhada passa a ocorrer com maior segurança.

Essas observações passam a ter muita importância e agora concordamos com os mais velhos, que observando e estudando o passado, não precisamos passar pelas mesmas dificuldades e tropeços que outros já passaram.

Nossos planos e projetos passam a ser para um prazo mais longo, com menos pressa, mais calculados, diminuindo muito os riscos que antes corríamos sem nos importar.

Começamos a nos fixar em centenas de coisas, desde marcas de produtos alimentícios a mecânicos de nossos carros, estabelecendo uma relação de confiança agora muito importante.
Dificilmente mudamos os lugares que frequentamos, como supermercados e restaurantes, pois já os conhecemos, e não estamos dispostos a muitas experiências novas.

A importância que no passado demos a muitas coisas agora nos parece até ridícula, pela insignificância que hoje possuem em nossas prioridades.

Deixamos de ser tão críticos em relação às outras pessoas, passando a perceber as suas e as nossas próprias limitações, físicas, culturais e mentais.

As companhias que buscamos deixam de ser as que nos satisfaçam momentaneamente, seja comercial ou fisicamente, para serem aquelas que participarão de nossos planos e projetos futuros, de maior duração, quando há maior confiança e cumplicidade.
Nossos amigos são os que compartilham os mesmos hábitos e ideais, com os quais dividimos alegrias e dificuldades, contamos com seu apoio e retribuímos da mesma forma.
A convivência com nossos descendentes passa a ter bem mais importância, planejamos e realizamos viagens com maior frequência e nos dedicamos mais à literatura e à história.
É uma nova vida, muito mais plena, com mais buscas por prazeres emocionais, culturais, do que as ambições materiais anteriores.

A vida é tão perfeita que não arrisca permitir a um jovem, com toda sua agilidade e energia, saber o que só agora na maturidade percebemos plenamente.

As opções na educação


 

O que antes imaginávamos serem regras básicas da educação, como tratar os mais velhos por senhor ou senhora, hoje virou sinônimo de intransigência, de que não seria isso que faria haver ou não o respeito para com eles.
O simples fato de chamar uma pessoa assim poderia não mudar, mas muda sim, e muito. Não pelo simples senhor ou senhora, mas pelo fato disso fazer com que a criança entenda, desde cedo, que há, e precisa haver, determinada diferença, hierarquia, entre ele e seus pais, vizinhos, professores, e toda a sociedade.

Para quem, como eu, sempre viveu próximo ao campo, isso é básico, pois em todo o reino animal e vegetal podemos observar certa hierarquia. Nenhuma semente nasce se coberta pela sombra de quem a gerou. Ela precisa ser movida por algum animal, ave, chuva ou vento para, longe dali, receber os raios de sol, a chuva e assim, brotar.

Nenhum animal próximo do homem, como os bezerros e potros chegam perto do território de seus pais, touros e garanhões, e sabemos que nos animais selvagens ocorre o mesmo com os leões, elefantes e todos os outros. Os leões jovens só se aproximam das fêmeas, tentando copular com estas, quando já estão em condições físicas de lutar com o adulto que as domina e derrotá-lo, assumindo seu posto.

Enquanto seus pares estão no chão, colhendo bananas ou milho, um macaco fica no alto de uma árvore, observando tudo, cuidando de qualquer aproximação estranha. Como responsável pela segurança de todos, esse macaco apanha muito, de todos, se algo se aproximar do bando sem que ele veja e os avise.
Na estrutura social, humana ou animal, cada um é uma peça, minúscula, mas possui seu papel no conjunto todo e, como em uma construção, uma peça mal colocada certamente enfraquecerá, diminuirá a solidez, a segurança, e pode provocar seu desmoronamento.

As crianças nascidas nas últimas duas ou três décadas passaram a receber um novo tipo de educação, mais moderna como diziam seus pais, onde tudo passou a ser permitido e pouco continuou sendo cobrado. As consequências são facilmente visíveis. Notícias divulgadas quase que diariamente pela imprensa mostram crianças insultando e agredindo seus professores, brigas de verdadeiras gangues e até crimes nas escolas.
Alguns professores, que tentam algum tipo de reação repreensiva com esses alunos, são responsabilizados até criminalmente pelos pais dos mesmos ou pela direção da escola. Um professor declarou que foi repreendido pela diretora da escola por chamar, diante dos colegas da sala, a atenção de um aluno por mal comportamento.

Os cidadãos formados em escolas como essa jamais terão comprometimento com a sociedade, pois só possuem direitos, mas nenhuma obrigação. É o enfraquecimento, a desestruturação e certamente o desmoronamento total da estrutura social que hoje conhecemos, para dar lugar a um novo tipo que não saberia hoje explicar.

Mesmo durante os horários permitido para crianças os mais variados canais de televisão mostram cenas de sexo, uso de drogas, tráfico, violência e ultimamente, pela quantidade de vezes que mostram, parece que pretendem incentivar os relacionamentos homo-afetivos, como se isso fosse o normal.
Pode ser permitido e aceito, inclusive legalmente e o homossexualismo praticado entre as mais variadas espécies animais ser até comum, mas não é o normal.

O respeito, o direito e a obrigação são princípios básicos para a sobrevivência de qualquer estrutura social e, dentro desta, as opções são válidas mas não obrigatórias e nem devem ser incentivadas.

A busca pela realização dos sonhos


 

Desde os tempos mais remotos conhecidos da história o homem busca alternativas para construir um mundo melhor para si, seus filhos e netos.
Analisando qualquer dos meios utilizados para isso, sejam físicos, econômicos, científicos, médicos, emocionais ideológicos ou religiosos, percebemos que a busca do homem é sempre a mesma: uma vida mais feliz.
Fatos históricos como o descobrimento ou a invasão de novos territórios, saques, crimes e até guerras sempre ocorreram por motivos religiosos ou em busca de riquezas e poder.

Os homens acreditavam, e muitos ainda acreditam, que mesmo ocorrendo muitas mortes para se atingir esse objetivo, quando de posse daquele território, daquela riqueza, ou imposta sua religião como a única, teriam um futuro melhor, mais abundante, pacífico e feliz.

Sabendo serem mortais, Imperadores e Faraós mandavam construir seus próprios jazigos com muitos ambientes e salas onde guardavam fortunas, acreditando que em uma provável e desconhecida vida posterior à morte poderiam continuar poderosos com seus tesouros.
O homem também sempre buscou prolongar sua vida, motivo pelo qual recorreu a pagés, curandeiros, magos, bruxos e aos médicos e cientistas atuais, que estão conseguindo realizar grande parte dessa ambição.

Cada vez mais as doenças estão matando menos, e os remédios prorrogando o fim e diminuindo o sofrimento daqueles para quem ainda não se conseguiu a cura.
Cientistas buscam incansavelmente derrotar as doenças e deficiências humanas com novos tratamentos, transplantes de órgãos, de medula óssea ou gerando novas vidas com fertilizações in-vitro, transferência de embriões e mais recentemente com clonagens.

A utilização das novas tecnologias permite retardar o envelhecimento, proporcionam uma melhor qualidade de vida e certamente isso ocorrerá cada vez mais.

Os pais, sabendo dos riscos e dificuldades que a vida imporá a seus filhos, mesmo que inconscientemente, adiam o quanto podem os primeiros vôos solo, sonhando com uma vida perfeita para as 'crianças'.
Nada convence os amantes, simples mortais, da impossibilidade de viver sua paixão eternamente e que o máximo que conseguirão, como dizia o poeta, é "que seja eterno enquanto dure'.

Ideologias políticas e muitos outros sonhos dos jovens tornam-se motivo de desilusão destes e descrédito dos políticos, que deveriam discutir leis e regimes que proporcionassem menor desigualdade e melhor qualidade de vida da população que os elegeu, mas só buscam os próprios interesses.

Em muitos países do oriente médio e da África alguns líderes utilizam falsas afirmações religiosas, distorcendo textos tidos como sagrados por aquelas populações, para com isso submetê-los às suas determinações. Alguns de seus seguidores chegam a se implodir envoltos em bombas, acreditando na promessa de que essa atitude os levará a uma nova vida, nababesca e repleta de mulheres virgens à sua disposição.

O poder e a religião são veículos utilizados para o que durante séculos foi e permanecerá sendo a real, eterna e única busca do homem: a realização de seus sonhos.

12.12.11

Feliz Chanukah ou Feliz Natal?

 

Estamos nos aproximando de Chanuká, a festa das luzes, comemorando a vitória dos Macabeus contra o helenismo e o império greco-romano, que tentaram impedir os judeus de praticarem seu judaísmo. Esta foto tirei na cidade de Aventura, em Miami, muito perto do Aventura Mall. O outdoor diz, em hebraico transliterado: "Lifnei she Chanuká iaafoch le Christmas, Higuia Hazman Lachzor Laaretz." Cuja tradução ao português seria: "Antes que Chanuká se transforme em Natal, chegou a hora de voltar para Israel."
Essa foi uma propaganda feita pelo governo israelense, pela sochnut yaehudi para incentivar os israelenses que moram nos Estados Unidos a retornarem para Israel. E o número de israelenses vivendo nos Estados Unidos já passa de 1 milhão (entre os oficiais e os "extra"-oficiais).

Proponho a seguinte pergunta: Será que esta seria a solução para acabar com a assimilação; dissociar Chanuká do Natal, fazendo a distinção do sentido de cada festa, e incentivando os judeus a fazer aliá, ou retornar para Israel, para que possam vivenciar um estilo de vida mais judaico? De uma certa forma sim; ajudaria, já que em Israel praticamente não se comemora o Natal, e o índice de assimilação é pequeno ainda. Na galut, fora de Israel, a realidade é, de fato, outra: o índice de assimilação está acima dos 50%, ou seja, de cada dois casamentos judaicos, um é misto.

Portanto, por um lado, concordo com a propaganda: um israelense ou judeu, em Israel, tem menos chances de se assimilar. Discordo, no entanto, que esta seja a única solução, já que nem todos se adaptam à vida em Israel. Nem todos têm a chance - a possibilidade financeira, social ou o contexto pessoal - de se mudar para Israel. Este é um ideal que muitas vezes requer esforço e um certo sacrifício e, embora existam aqueles que estão dispostos a enfrentar as dificuldades de adaptação, outros não têm condição de transportar-se para esta nova e tão distinta realidade.

O que poderia ser um outro remédio para a assimilação, então? Os judeus que estão frequentando as sinagogas, kollelim, estudando Torah, praticando o judaismo, respeitando o shabat, comendo comida kasher, mesmo fora de Israel - estes estarão mais imunes, e provavelmente, nestes meios, Chanuká não se transformará em Natal, e uma árvore decorada terá menos chance de aparecer ao lado de um candelabro de Chanuká. Em primeira análise, Chanuka é uma festa de luzes, e de fato neste sentido, bastante superficial, a árvore de natal toda iluminada guarda semelhanças.


A ameaça dos lendários inimigos do nosso povo; Haman (ministro do rei Assuero no Irã (Persia), na época da rainha Esther) e Hitler (versão moderna de Aman), cujo brado é a aniquilação do povo judeu e dos seus descendentes, a exterminação da memória de qualquer rastro judaico no mundo - é distinta em sua essência àquela que levou os Macabeus ao fronte de batalha. A história dos Macabeus em Chanuká retrata um inimigo aparentemente mais afável - os gregos ofereceram a chance de não matar nem fazer nenhum mal ao nosso povo, desde que estivéssemos dispostos a abdicar do judaísmo e seus preceitos - seriam banidos a circuncisão, o estudo da Torah e a comemoração das festas (Yom Tov). Os sábios da época declararam guerra porque perceberam que o inimigo explíc ito gera uma necessidade de combate na alma. Já este, que se apresentara naquele momento, era um inimigo sedutor, dissimulado, e tanto mais perigoso. O helenismo, aos poucos, exterminaria pela raíz, erradicando a essência, e destituindo o nosso povo daquilo que nos define como judeus.

Assim, coloquemos a seguinte questão para a nossa festa de Chanuká deste ano de 2011: Se o judaísmo para nós permanecer somente uma bela tradição a ser preservada em sua mais agradável modalidade alimentar (ocasionais visitas às iidiche mames recheadas de keidlachs e farfeles e afins), ou uma história a ser contada em forma de lenda distante; então de fato o Chanuka Guelt pode servir para comprar presentes de Natal, e as sufganiot (aqueles sonhos recheados de geléia) ou os latkes serão um saboroso acompanhamento para o Peru de Natal - correto?

 

Um novo olhar sobre o autor e o país que ele elogiava

Por SIMON ROMERO (Publicado no New York Times em 21 de novembro de 2011- Fotos editadas)
PETRÓPOLIS, Brasil - Quando o escritor nascido em Viena Stefan Zweig se mudou em 1941 para esta cidade de palácios imperiais aninhada nas montanhas perto do Rio de Janeiro, ele era um dos autores mais traduzido do mundo e reconhecido pelas histórias cheias de tensão sobre a obsessão, a paixão e o desespero.


Mas depois que o Sr. Zweig por causa dos avanços dos nazistas tirou a sua própria vida em Petrópolis alguns meses mais tarde aos 60 anos em um pacto suicida com sua jovem esposa, Lotte, ele se tornou conhecido em seu país de adoção ao criar uma das frases associadas ao Brasil: "País do Futuro".


O túmulo de Stefan Zweig e sua mulher Lotte. O casal suicidou-se em Petrópolis.

Derivado do título do seu livro escrito em 1941 elogiando o maior país da América Latina, a frase se expandiu e foi reciclada ‘ad nauseam’ como um refrão: "O Brasil é o país do futuro - e sempre será", frequentemente utilizado para caracterizar uma nação duramente castigada pela inflação alta e corrupção enraizada. 

Com as melhoras notáveis relativas às perspectivas do Brasil os brasileiros estão reavaliando o Sr. Zweig e o seu legado quando o título do livro ganha mais uma vez uma nova percepção, e quando todos, desde executivos de publicidade até diplomatas europeus que visitam o país, incluindo o presidente Obama que visitou o Brasil em março, quando sugeriu em seu discurso que, talvez o "futuro" do Brasil finalmente chegou.

"O Brasil não é mais o país do futuro" disse Romero Rodrigues, um empresário da Internet brasileira, em uma nova reapresentação do termo. "É o país do presente". 

A casa onde o Sr. Zweig tirou a própria vida tomando veneno vai reabrir em breve como um museu. Enquanto isso, escritores brasileiros e historiadores têm refletido sobre o significado do "País do Futuro", e algumas das intrigas políticas em torno da sua publicação há 70 anos.



Em um recente debate televisivo sobre Zweig, Alcino Leite Neto, editor da editora Publifolha, comparou a sua importância para o Brasil na mesma proporção que Alexis de Tocqueville teve em relação aos EUA e que foi o pensador político francês que escreveu sobre os conceitos americanos de liberdade e igualdade no "Democracy in America (Democracia na América)". "Nós tivemos Stefan Zweig" disse Leite Neto "que nos deixou este livro defendendo a tolerância, a compreensão entre as pessoas, e um libelo a favor da paz, embora que foi escrito no período da Segunda Guerra Mundial".

Uma valorização mais ampla do seu trabalho também está em andamento, com dois longas-metragens brasileiros em produção baseados em suas obras, um sobre o "The Invisible Collection", sobre a experiência da Alemanha com a inflação, e outra baseada no "Leporella" sobre uma empregada que se apaixona por seu patrão.

Mas é o "Terra do Futuro" (publicado no Brasil desde 1940 em várias edições como "País do Futuro") que as andanças de Zweig no Brasil antes da sua morte recentemente provocaram o aumento da atenção. A Secretaria de Cultura de Petrópolis este ano organizou uma exposição multimídia chamada de "Stefan Zweig ainda vive!" e alguns brasileiros começaram a se juntar aos europeus e americanos que ocasionalmente aparecem na cidade para visitarem a sua casa na Rua Gonçalves Dias ou até mesmo irem ao cemitério onde ele e Lotte estão enterrados lado a lado. "É um pouco estranho levar alguém para os lugares de tal tragédia, mas estamos felizes em receber todo o tipo de visitante" falou Walter Raposo de 80 anos, um condutor de charrete em Petrópolis que faz ponto em frente ao Palácio Imperial e que hoje é um museu, e que tem levado vários aficionados de Zweig a esses lugares. 


Alberto Dines, apresentador de televisão e uma eminência entre os jornalistas do Brasil, conheceu Zweig quando ainda era criança quando o escritor visitou a sua escola no Rio de Janeiro, tem sido a força motriz para a atenção renovada para Petrópolis.

Suas pesquisas e o seu livro sobre Zweig, "Morte no Paraíso" mostra em detalhes as origens complicadas do título do livro, que Dines explica que não foi criado por Zweig, mas que foi uma sugestão de James Stern, que traduziu o seu livro do alemão para o Inglês.

Em um toque de ironia Zweig, cujos pais eram judeus da classe média alta e nascido durante a época de ouro de Viena, mencionou no início do seu livro a frase em francês "une terre d'avenir", mencionada em uma carta de Arthur de Gobineau, um aristocrata francês do século 19, diplomata e teórico da superioridade racial e que detestava o Brasil.

"É uma coisa curiosa, porque Gobineau foi o pai do racismo moderno" relata Dines, que aos 79 anos está supervisionando o término da Casa Stefan Zweig, o museu criado na própria casa onde viveu Stefan Zweig. "Ao vir de uma Europa racista Zweig ficou impressionado ao ver as diferentes raças se misturando tão livremente no Brasil".

É claro que alguns contestam as observações otimistas de Zweig sobre as relações raciais cujas circunstâncias na época as tornavam consideravelmente mais complexas - e continuam sob a forma de programas de ações afirmativas que se espalham por todo o Brasil na busca de reversão de séculos de exclusão.

Ainda assim o otimismo de Zweig não foi esmaecido pelos desafios óbvios no Brasil durante o início dos anos 1940, com uma expectativa média de vida de 43 anos e uma população com 56 por cento de analfabetos. Algumas de suas avaliações otimistas continuam a provocar discussões até hoje.


Ele afirmou, por exemplo, que Portugal tinha sido previdente ao colonizar o Brasil, em parte, com o esvaziamento das prisões portuguesas de elementos indesejáveis e enviá-los através do Atlântico. "Como de costume, o estrume limpo não é a melhor preparação da terra para as colheitas futuras" escreveu Zweig.

A reavaliação de Zweig aqui coincide com uma nova crise na Europa - e com uma nova onda de emigração de portugueses para o Brasil, mas desta vez de profissionais desempregados e não de presidiários. Alguns dos que procuram novas oportunidades no Brasil poderiam até mesmo saber que Zweig continua altamente estimado em várias partes da Europa, especialmente na França, onde seus livros ainda são amplamente lidos.

Estranhamente o livro de Zweig sobre o Brasil foi duramente criticado no Brasil logo após a sua publicação. Críticos atacaram o escritor austríaco com veemência, sob a insinuação de que ele foi pago pelo regime autoritário de Getúlio Vargas para escrever este livro.

Dines afirmou que estas duras críticas haviam sido uma maneira dos críticos se vingarem indiretamente dos censores de Getúlio Vargas, pois equiparavam os elogios ao Brasil como elogios à ditadura de Vargas. De qualquer maneira o autor de vários best sellers tinha pouca necessidade de apoio financeiro do Brasil.

Mas o que Zweig mais precisava era um refúgio dos nazistas. Dines, com base em suas próprias pesquisas sobre as andanças de Zweig pelo Brasil, argumenta que o escritor tinha um acordo implícito com as autoridades brasileiras para produzir o seu livro em troca da autorização do visto de residência que havia sido concedido às pressas em Buenos Aires para ele e sua esposa.

Depois de tudo isso, algum mistério ainda persiste a respeito do porque ele se matou logo depois de chegar às terras brasileiras. Ele reconheceu que o tempo de uma vida inteira seria insuficiente para compreender corretamente o Brasil. Na nota de suicídio que ele deixou descreveu-se como "um homem sem um país" e só tinha elogios para o "maravilhoso" Brasil que o recebeu.

"Depois que eu vi o país da minha própria língua ser vencido e a minha terra espiritual – a Europa – se destruindo entre si" ele concluiu, "seria necessário uma imensa força para que eu reconstruísse a minha vida”.

Comida israelense cada vez mais é consumida nos EUA

Alimentos israelenses são devorados por 6 milhões de americanos, independentemente da sua observância religiosa, relata a ‘Kosher Today’, e aproximadamente um milhão de consumidores nos EUA observam as leis dietéticas kasher durante o ano inteiro. Izzet Özdogan, presidente executivo da divisão americana da empresa israelense Osem de produtos alimentícios informou durante o evento anual Kosherfest que os americanos estão cada vez mais atraídos por marcas israelenses como Osem, Sugat, Elite, Telma, Wisotzky e Pereg.

A comida kosher é encontrada na escola de culinária de Gustibus na Macy’s de Nova York, no mesmo momento que a comida kasher certificada se torna cada vem mais popular. A de Gustibus oferece aulas dadas por conhecidos chefs de todo o país, com uma seleção de vinhos. Salvatore Rizzo que dirige a escola de culinária disse ao Kosher Today, "Nós só aceitamos chefs que preparem seus alimentos em cozinhas certificadas como kasher. Nós também temos aqui uma cozinha kasher com um mashgiach [supervisor de costumes judaicos] que está presente durante o curso e usamos somente papel e plásticos. "Mais de 80 alunos já pagaram 95 dólares para o curso, que é dado uma vez a cada seis meses. 

A comida kasher não escapou da atenção de outros países que querem atrair o turismo. O programa "Shalom Buenos Aires" recentemente treinou funcionários do setor de turismo sobre as necessidades dos viajantes kasher, e a municipalidade publicou uma revista especial com mapa com uma lista de sinagogas, estabelecimentos kasher e hotéis que atendem aos viajantes kasher. Para os interessados, Buenos Aires é onde fica o McDonalds Glatt Kosher.

Israel tenta "nacionalizar" local sagrado


O Supremo Tribunal de Justiça Israelense rejeitou um pedido apresentado por uma yeshiva, que opera o túmulo de Shimon Bar Yochai, um rabino cabalista e disciplo de Rav. Yakiva, no Monte Meron, pedindo uma liminar contra a intenção do Estado de adquirir e usar partes do local para fins públicos. O tumulo de Bar Yochai (também conhecido como Rashbi) é o local mais visitado, depois do Muro das Lamentações, por religiosos judeus. Pesquisas afirmam que mais de um milhão de visitantes chegam ao local do tumulo de Shimon Bar Yochai todos os anos.

JUDEUS EM CUBA (Cuban Jews)

Por Marcelo Horn

Ao contrário do que se poderia imaginar, os judeus cubanos podem expressar sua fé livremente e as famílias interessadas têm autorização do governo para fazer aliah quando desejarem. A comunidade, que possuía 15 mil membros antes da revolução, hoje é composta de 1.500 pessoas, concentradas, em sua grande maioria, em Havana. Quase todos chegaram ao país a década de 30, e a intenção final era chegar ao território americano. O visto, porém, foi negado a centenas de famílias que acabaram se estabelecendo na ilha. Os ashquenazis cubanos provêm de diversos países do Leste Europeu enquanto todos os sefaraditas são oriundos da Turquia.


Há cinco sinagogas na ilha, sendo quatro na capital e uma em Santiago de Cuba, e dois cemitérios. Todos os feriados são comemorados e aproximadamente três casamentos e cinco bar-mitzvot são celebrados anualmente. Estas cerimônias são marcadas de acordo com a visita do rabino Schmuel Steinhandler, argentino radicado no Chile, que viaja a Cuba a cada dois meses. Não há um rabino permanente na ilha. Os brit-miláh são realizados nos hospitais públicos por cirurgiões judeus (também não há um mohel) e, depois, a cerimônia é feita com a presença do rabino. Quase todos os casamentos são mistos e o cônjuge realiza um curso de conversão posteriormente aprovado por um tribunal rabínico.


A sinagoga Beth Shalom, no elegante bairro de Vedado, segue a linha conservadora. Foi inaugurada em 1953 e sua sede, impecavelmente conservada, possui salão de festas, biblioteca com computador ligado à internet (raro em Cuba) e sinagoga com ar condicionado e assentos revestidos de veludo. O tradicional Sunday School se encarrega de transmitir aos jovens a tradição e os princípios judaicos e uma farmácia fornece medicamentos - inclusive para não judeus – no caso de falta desses produtos no serviço público. Uma nova torá será recebida em novembro, vinda diretamente de Israel.

Dentre as celebridades que visitaram a Beth Shalom destaca-se o cineasta Steven Spielberg, em 2002. O presidente Fidel Castro, com a saúde já debilitada, esteve na sinagoga pela última vez em 2010 e o irmão Raul encontra a comunidade no Yom Kippur ou Rosh Hashaná.


Na Cidade Velha de Havana fica localizada a Adath Israel, sinagoga de orientação ortodoxa fundada por poloneses em 1924. Duas sessões de reza, freqüentadas por asquenazis e sefarditas, são realizadas diariamente, uma pela manhã e outra à tarde. Todos os dias são fornecidas gratuitamente três refeições aos membros da sinagoga e a alimentação é sim casher. A instituição compra galinhas vivas que são abatidas por um shocet rigorosamente de acordo com a tradição judaica.

Adela Dworin, presidenta da Casa de la Comunidad Hebrea de Cuba, é a representante principal dos judeus na ilha. “Não há antissemitismo nem qualquer tipo de discriminação em Cuba. Nossas sinagogas estão abertas diariamente sem nenhum esquema de segurança. Temos tranquilidade” afirma, orgulhosa.
(Texto e fotos de Marcelo Horn. Álbum de família: fotos de Fidel, Spielberg e Pessach)

Ditadura argentina imitou nazismo no roubo de bebês


A ditadura instalada na Argentina entre 1976 e 1983 utilizou um método idealizado pelo nazismo para o roubo de bebês e a substituição de sua identidade, segundo o historiador e escritor Carlos De Nápoli. De Nápoli, que na semana passada apresentou no Museu do Holocausto de Buenos Aires um documentário sobre a vida do criminoso de guerra nazista Josef Mengele, na Argentina, explicou que o programa de roubo de bebês foi executado pelo Escritório Principal para a Raça e o Reassentamento (RUSHA). Essa organização tinha, entre outros objetivos, o "de assassinar todas as minorias consideradas impuras e indesejáveis".

"Lá, todos estão sendo presos, pelo menos. E no Brasil? Quando vai acordar?"

Maconha poderia evitar e tratar estresse pós-traumático

Os canabinoides emergem como possível tratamento para estresse e ansiedade.

Pesquisadores israelenses realizaram experimento com ratos e detectaram que a maconha pode diminuir sintomas de estresse pós-traumático. Agora, eles pretendem repetir o teste com voluntários humanos, de acordo com o artigo publicado no periódico científico Neuropsychopharmacology. Um grupo de camundongos foi submetido a estresse psicológico, físico e mecânico, a ponto de desenvolver sintomas similares aos do problema em humanos. No grupo em que foi aplicada injeção de canabinoides em um período entre duas e 24 horas, os sintomas desapareceram. Analisando a atividade cerebral dos animais durante o tratamento, os pesquisadores identificaram que os canabinoides agiram em um receptor específico na área de amígdala, responsável pela resposta ao trauma. 


Os resultados sugerem que pode haver uma janela de tempo ideal para o tratamento de estresse e transtornos relacionados a traumas com o uso de canabinoides, ou mesmo prevenir o desenvolvimento de sintomas do distúrbio após a exposição a um evento altamente estressante, pela administração de uma dose medicinal de maconha. É um transtorno psíquico que desperta a sensação de medo e de ameaça constantes. 

O paciente fica imaginando que a situação que gerou o trauma possa se repetir a qualquer momento, e é comum não conseguir controlar o próprio corpo. As lembranças do trauma podem vir acompanhadas de náuseas, diarréia, dor de cabeça e suor nas mãos. Com o passar do tempo, o interesse nas atividades do cotidiano vai se perdendo. 

(BEM-ESTAR e Rua Judaica

"Será verdade? Mas que tu fica mais tranquilo, beeeem mais tranquilo, é fato!"

Vovô deve estar tendo orgasmos no Holám Habá

Estive afastado dessa Rua por um bom tempo (por culpa unicamente minha) e não sei com que regularidade irei aparecer por aqui futuramente. Talvez o critério que passe a me orientar seja aquele que me leva a escrever para esta edição: além das saudades, o fator fundamental foi o advento de "ter o que escrever", motor de toda motivação. Por exemplo, comecei a estudar iídiche semana passada e não podia deixar de compartilhar tal fato neste espaço. Sempre tive inveja do iídiche falado por meus pais, tios e patrícios mais velhos em geral, ornado por risos tão saborosos quanto um borbulhante "iúr" (ou será "iór"?) e de uma musicalidade que fazia contraponto ao alemão, língua irmã, tornado tão rude pela memória dos discursos de Hitler.


Meu avô Salomão bem que tentou me ensinar: ele mesmo confeccionava as apostilas em papel timbrado do Instituto de Meteorologia com sua grafia luxuosa a lápis, e tinha o cuidado de transliterar as palavras para o português, fazendo-as soar com o sotaque bessarabiano. Claro que ele sabia escrever iídiche em caracteres hebraicos (com os quais eu estava familiarizado, ma non troppo) como deve ser, mas sua intenção, ao transliterar, era facilitar minha vida.


Ocupado demais com minhas veleidades juvenis, não consegui persistir e acabei abandonando a empreitada. Mais recentemente, fui levado, por uma corrente caótica de emails, ao nome do professor (e cantor de coral, e advogado) Moysés Garfinkel.

A primeira aula foi numa salinha do Midrash, e lá serão as seguintes. Garfinkel não quis me dar vida fácil: começamos já com a grafia hebraica, e fiquei surpreso (Moisés também) com a facilidade que tive em decifrá-las: a proximidade de meus pais provavelmente criou um mimetismo inconsciente que me levou a intuir a maneira certa de fazê-las soar, não caindo na tentação de "falar hebraico em iídiche".

Meu objetivo final, além, é claro, de poder conversar com meus pais e ouvir o Osias fazer humor em iídiche (sempre disse a ele que seria um mestre do stand-up-comedy se quisesse), é de um dia poder contar, em iídiche, a piada do negro americano que, num banco de praça, lê um jornal iídiche nos EUA dos anos de caça às bruxas e é interrompido por um judeu que passa e pergunta, em iídiche: "Você é judeu"? O negro o olha com certo espanto e responde (em iídiche): "Só me faltava isso". Fico imaginando o sabor de contar essa história nesse idioma germânico dos judeus da diáspora leste-europeia tantos séculos atrás. Ou, quem sabe, de ler, um dia, Scholem Aleichem no original. Será que consigo? 

Projeto de Lei permitirá que todos rabinos realizem cerimônias de casamento

A parlamentar do Knesset Tzipi Hotovely anunciou na segunda-feira que ela em conjunto com outro parlamentar Uri Orbach apresentarão um projeto de lei que permitirá que rabino de qualquer ordenação aprovada pelo Rabinato Chefe possa realizar cerimônias de casamento. Isto acontece depois do furor desencadeado na semana passada quando a organização religiosa-sionista Tzohar encerrou seus serviços gratuitos de casamento por causa de obstáculos burocráticos que tiveram origem no Ministério de Assuntos Religiosos. Porém logo após um acordo foi firmado e o Tzohar reiniciou seus trabalhos.


Numa audiência realizada no Comitê do Knesset para o Progresso do Status da Mulher, que Hotovely é a presidente e disse que a situação atual necessita ser alterada, apesar do acordo recentemente firmado, e que os critérios definindo quais os rabinos que estariam habilitados para realizar as cerimônias de casamento deveriam ser modificados. Orbach que também estava presente e protestou contra o rabinato em termos veementes. ‘Os problemas criados pelos rabinos do Tzohar começaram com o Rabinato Chefe e continuam com o Ministério de Assuntos Religiosos... é o Rabinato Chefe que impede que rabinos religioso-sionistas possam realizar as cerimônias de casamento quando estabelecem critérios que permitem que qualquer rabino, mesmo aquele que somente seja conhecido por seus hassidim (seguidores ultra-ortodoxos) realize casamentos, enquanto que um rabino religi oso-sionista de uma hierarquia superior não estaria qualificado, segundo estes mesmos critérios’.

O projeto de lei terá o objetivo de alterar os critérios atuais para a aprovação de licenças para que rabinos celebrem casamentos, porém o Tzohar diz que este projeto seria discriminatório contra todos os rabinos e impediriam que centenas deles pudessem celebrar casamentos. Esta nova lei, caso seja aprovada, significaria que qualquer rabino de qualquer ordenação aprovada pelo rabinato, que tenha recebido a aprovação do rabino-chefe de qualquer cidade e que tenha sido aprovado no curso sobre as leis do casamento poderiam oficiar cerimônias e emitir o registro do casal. Hotovely na audiência disse, ‘a verdade está distorcida quando o ministro de Assuntos Religiosos ou qualquer outra pessoa possa alocar cotas para casamentos. Porque alguém que foi aprovado como rabino numa instituição aprovada pelo rabinato, aprovado em exam es e obteve o título de rabino, precisa enviar um fax antes de qualquer casamento para obter a permissão para realizar o casamento?’.

O parlamentar do partido Shas Haim Amsalem argumentou sobre um aspecto mais amplo da controvérsia. ‘Todos os dias observamos outra forma de radicalização (religiosa) e onde isto está nos levando?’ e conclamou para que o rabinato pare de fazer o que ele chamou de ‘sabotagem e discriminação’.
Ilan Gilon do partido Meretz continuou e conclamou para uma completa separação do Estado e o Poder Religioso. ‘Achamos que a religião dominou a política, mas na verdade é o contrário, a política dominou a religião’. O pluralismo pleno, afirmou Gilon, é a única solução. ‘Eu sou um homem de fé, não sou um secular, mas temos que separar a religião e o estado para que todos e qualquer um escolha exatamente o que quiser’.

Governo canadense financia a segurança de alimentos kasher

O governo federal canadense anunciou fundos de até 764.000 dólares como ajuda para a supervisão cuja finalidade será proporcionar um elevado nível de segurança alimentar para todas as fases dos produtos alimentícios - desde a matéria-prima até o processamento, distribuição e a venda no varejo de alimentos kasher. O anúncio foi feito pelo Conselho da Comunidade Judaica de Montreal, também conhecido como Vaad Ha'ir, que irá desempenhar um papel importante na coordenação desta nova e voluntária iniciativa por todo o país.

De acordo com o Canadian Jewish News, a Canadian Kosher Food Safety Initiative irá supervisionar todas as fases da segurança alimentar, das matérias-primas, até o seu processamento, distribuição e venda ao consumidor.

"A segurança alimentar é uma prioridade para este governo e para todos os canadenses" afirmou o ministro da Indústria, Christian Paradis "Este investimento irá aumentar ainda mais a confiança dos consumidores em relação à segurança dos alimentos kasher e ajudar a tornar o setor ainda mais competitivo".