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13.12.11

Os obstáculos e a água

 
Na internet encontrei uma frase, de autor não informado, que apesar de há muito conhecida, novamente me chamou a atenção: "A água nunca discute com seus obstáculos, apenas os contorna."

Como tudo o que me chama a atenção ultimamente têm me levado a reflexões, a frase relida agora provocou a realização de uma enorme auto-crítica.

O tipo que não leva troco para casa, não deixa nada sem resposta, pavio-curto e todas as tradicionais descrições do tipo, descrevem bem como sempre me comportei durante a vida.

Depois de refletir bastante cheguei à conclusão que o confronto, que normalmente leva à discordâncias, debates e invariavelmente acaba sem convencimentos, praticamennte nunca valeu a pena.
Não me lembro de oportunidade alguma em que a discução, por qualquer motivo, realmente tenha levado a uma situação de equilibrio e consenso real sobre o tema em questão.

Pontos de vista, ideologias, propostas e ambições diferentes são comuns entre os seres humanos e não são alterados diante de um simples debate onde algo diferente se apresenta.
Regimes políticos e econômicos, modelos administrativos ainda são discutidos pelos homens sem que haja consenso nem mesmo no caso de redundantes fracassos anteriores.
Apesar de muitos entenderem que toda a unanimidade é burra, penso que burra é toda a generalização, como algumas que já foram tentadas por poucos, a exemplo da tese de superioridade racial.
A unanimidade, o consenso e a generalização ainda não foram possíveis sequer sobre a melhor posição de parto.

Os pensamentos continuam fluindo e me levam a outros questionamentos, como o que me fez passar mais de meio século de vida sem perceber essa simples realidade.
A ousadia, inexperiência e arrogância do jovem que pensa saber tudo, que irá consertar o mundo e todas as outras possibilidades comuns aos pensamentos de quem só a vida ensinará, não me bastaram como justificativa, uma vez que pelo menos cronologicamente há muito já passei -ou deveria ter passado- por essa fase. Deveriam existir outros motivos para minha demora nessa descoberta.

A água contorna a pedra sem que isso signifique o abandono da disputa por aquele espaço. Esse desvio provoca seu polimento, que fica mais leve e é arrastada para a margem, desocupando o espaço antes ocupado e permitindo a passagem da mesma pelo local, mas isso também levou muito tempo.
Com a vida o homem vai percebendo que ousadia, arrogância e pretenções vão sendo diminuidas e que cada vez mais ele precisa abrir caminho para os que já sabem mais, possuem mais pique, preparo ou inteligência e entendo já estar aceitando bem essa idéia que percebo, será muito útil nas poucas décadas que ainda me restam.

Os que viverem por mais tempo terão o privilégio de serem polidos o suficiente para, chegado o momento, permanecerem à margem, sábia e passivamente, vendo a vida passar e ensinando os que querem aprender.

Obstáculos, que de uma maneira ou de outra devemos superar, nos são apresentados durante toda a vida, até o último que, sem solução, nos levará e, portanto, só nos resta decidir 'como' serão superados.

O que já ensinavam nossos avós

Durante minha vida conheci algumas pessoas vencedoras que, partindo do nada, ou praticamente nada, guardadas as devidas proporções, construíram verdadeiros impérios financeiros.
Gosto de me lembrar das algumas como Antonio Ermírio de Moraes, Domingos Ferreira de Medeiros, João Teixeira Filho, Delfina Santos Figueiredo e Laucídio Coelho. Alguns de seus descendentes compartilharam do mesmo tipo de raciocínio e, além de manter, alavancaram aquilo que receberam como herança.

Durante uma entrevista, perguntaram a Antonio Ermírio o que achava de seus filhos se divertirem, saírem à noite, e a resposta foi: "Penso que podem e devem desde que estejam prontos para trabalhar no mesmo horário que eu", o que, para mim, já dizia o que precisava saber sobre como o maior industrial do país educava seus filhos.

Afastei-me a muitos anos da terra onde nasci e vivia o segundo, Medeirão, motivo pelo qual acabei não sabendo de mais detalhes sobre como seus descendentes deram continuidade a tudo o que ele deixou. Admirado por sua capacidade e tino comercial, às vezes fico sabendo sobre algum grande investimento que continuam fazendo, o que me leva a crer que estão mantendo e provavelmente aumentando o que receberam.

Do terceiro, Seu João, que de imigrante nordestino e arrendatário de terras no interior de São Paulo chegou a ser, juntamente com o irmão José, o maior produtor de algodão do país, e proprietário de inúmeras fazendas, me sobrou, além do exemplo, um grande amigo, seu filho, Newton.
Sobre Delfina não posso falar muito. Sou suspeito, tamanha a admiração que tinha e mantenho por minha avó que, apesar do império construído chegou aos seus últimos dias dirigindo o próprio veículo, de ano e modelo bem mais simples que os possuídos por todos os seus descendentes. Sei que ainda hoje, por qualquer local onde eu ande, pessoas comentam sobre ela com admiração.

Nos últimos trinta e dois anos resido no MS, onde tenho ouvido falar muito do Sr. Laucídio Coelho e pude, durante esse período, acompanhar muitos de seus descendentes, entre os quais, alguns que pude conviver em maior proximidade, como dois de seus filhos, o Dr. Hélio Martins Coelho e Lúdio Coelho e seu genro Antonio Barbosa de Souza.

Da geração dos netos também convivo bastante próximo de com alguns, mas até por bom senso, só gostaria de me referir aos que já não estão mais entre nós, como o José Pinto Costa Neto (Zé do Boi), Edmar Pinto Costa Filho, Kenneth Martin Coelho e José Barbosa de Souza Coelho. Nas três gerações, encontro uma característica comum: todos trabalhavam muito, gastavam bem menos do que ganhavam, e nunca tiveram qualquer tipo de ostentação, motivo pelo qual todos eles eram muito queridos.
Exatamente o que me dizia minha querida avó: "Nunca fui mais sabida do que ninguém, como dizem por aí, simplesmente cuidei para gastar menos do que ganhava."
Entretanto é comum vermos pessoas que fizeram exatamente o inverso, sempre gastaram mais do que ganharam e agora não se conformam com o patrimônio alheio, chegando a comentar sobre isso, apontando o que fulano possui-como se isso fosse um crime-, sem possuir a coragem de assumir que, se já não tem o que possuía é porque gastou mais do que podia.

Conheço pessoas que já possuíram muitos bens-não por elas construídos, mas que até em sua morte dependerão de outros, pois não tiveram prudência sequer para adquirir o próprio túmulo. E a piedade virá exatamente daquelas que foram por elas criticadas por seu estilo de vida, mas que pouparam, e adquiriram o próprio túmulo.

Nossas buscas, erros e acertos

 
Durante a vida nos deparamos com diversas encruzilhadas, diante das quais precisamos fazer opções que poderão nos levar à grandeza, se acertarmos, ou a miséria, se errarmos.
As escolhas são realizadas individualmente e nenhuma outra pessoa poderá ser responsabilizada por nossos erros ou acertos, assim como os erros cometidos não significam que deixaremos de acertar em uma próxima escolha.

Os fracassos de ontem não necessariamente impedirão o sucesso futuro, pois estão no passado, e diariamente novas opções nos são apresentadas, permitindo correções de curso, mudanças e acertos.
Não importa o que fez com que aqui chegasse como é, ou está. 

Isso é passado, que nada têm a ver com o que se pretende conquistar à partir de hoje.

O passado não pode definir como e onde pretendemos chegar, e deixá-lo para trás é fundamental para concentrarmos nossas energias em projetos futuros.
As experiências vividas devem ser aproveitadas como lições, de como e onde erramos ou acertamos, mas nada do que já ocorreu pode ser mudado.

Começando cada dia como uma folha em branco poderemos, a cada manhã, tomar iniciativas necessárias para transformar nossos sonhos em realidade, nela desenhando uma nova vida.
Milhares de novas direções poderão ser tomadas e as novas escolhas serão as responsáveis por conseguirmos ou não as mudanças desejadas.

Algumas dessas direções poderão resultar em acidentes e limitações, que exigirão novas escolhas, mas não impedirão a continuidade da busca.
Todos possuem algumas limitações, físicas ou mentais, mas também potenciais e a superação dessas limitações impede que elas prejudiquem nosso potencial.

Precisamos estar sempre, ainda que inconscientemente, corrigindo erros do passado, buscando agora acertar e mesmo que isso não ocorra nas primeiras tentativas, estaremos galgando novos degraus, aprendendo mais e na próxima vez certamente erraremos menos.

Com essas tentativas vamos alcançando posições mais altas na pirâmide da vida e quanto mais alto mais distante conseguimos ver, o que facilita novas decisões que agora, com a visão mais ampla, são tomadas com menos chances de erros.

Nada disso é possível porém, para aqueles que não possuem a humildade de, mesmo que com dificuldades, se levantarem após cada queda, e tentar uma nova caminhada.

As perguntas e questionamentos são fundamentais para aqueles que pretendem evitar os mesmos erros já cometidos por outros.

A vida não é e nunca será feita exclusivamente de acertos, mas a busca incansável destes é uma virtude daquele que vencerá.

Amadurecimento


 

Desde minha juventude sempre ouvia dizer as mais variadas coisas sobre a maturidade e a velhice, que para mim -e para muitos com quem converso atualmente-, era quando uma pessoa tinha por volta dos quarenta anos.

O tempo passou e só depois de já haver passado pelos quarenta há muitos anos é que me senti plenamente na maturidade, notando isso em meu próprio corpo, o que também me confirmam os mesmos que pensavam como eu.
Com menos agilidade e os reflexos mais lentos, deixamos de correr para alcançar o que corre à nossa frente. Por trás podemos observar os tropeços enfrentados por eles, nos desviar, e nossa caminhada passa a ocorrer com maior segurança.

Essas observações passam a ter muita importância e agora concordamos com os mais velhos, que observando e estudando o passado, não precisamos passar pelas mesmas dificuldades e tropeços que outros já passaram.

Nossos planos e projetos passam a ser para um prazo mais longo, com menos pressa, mais calculados, diminuindo muito os riscos que antes corríamos sem nos importar.

Começamos a nos fixar em centenas de coisas, desde marcas de produtos alimentícios a mecânicos de nossos carros, estabelecendo uma relação de confiança agora muito importante.
Dificilmente mudamos os lugares que frequentamos, como supermercados e restaurantes, pois já os conhecemos, e não estamos dispostos a muitas experiências novas.

A importância que no passado demos a muitas coisas agora nos parece até ridícula, pela insignificância que hoje possuem em nossas prioridades.

Deixamos de ser tão críticos em relação às outras pessoas, passando a perceber as suas e as nossas próprias limitações, físicas, culturais e mentais.

As companhias que buscamos deixam de ser as que nos satisfaçam momentaneamente, seja comercial ou fisicamente, para serem aquelas que participarão de nossos planos e projetos futuros, de maior duração, quando há maior confiança e cumplicidade.
Nossos amigos são os que compartilham os mesmos hábitos e ideais, com os quais dividimos alegrias e dificuldades, contamos com seu apoio e retribuímos da mesma forma.
A convivência com nossos descendentes passa a ter bem mais importância, planejamos e realizamos viagens com maior frequência e nos dedicamos mais à literatura e à história.
É uma nova vida, muito mais plena, com mais buscas por prazeres emocionais, culturais, do que as ambições materiais anteriores.

A vida é tão perfeita que não arrisca permitir a um jovem, com toda sua agilidade e energia, saber o que só agora na maturidade percebemos plenamente.

As opções na educação


 

O que antes imaginávamos serem regras básicas da educação, como tratar os mais velhos por senhor ou senhora, hoje virou sinônimo de intransigência, de que não seria isso que faria haver ou não o respeito para com eles.
O simples fato de chamar uma pessoa assim poderia não mudar, mas muda sim, e muito. Não pelo simples senhor ou senhora, mas pelo fato disso fazer com que a criança entenda, desde cedo, que há, e precisa haver, determinada diferença, hierarquia, entre ele e seus pais, vizinhos, professores, e toda a sociedade.

Para quem, como eu, sempre viveu próximo ao campo, isso é básico, pois em todo o reino animal e vegetal podemos observar certa hierarquia. Nenhuma semente nasce se coberta pela sombra de quem a gerou. Ela precisa ser movida por algum animal, ave, chuva ou vento para, longe dali, receber os raios de sol, a chuva e assim, brotar.

Nenhum animal próximo do homem, como os bezerros e potros chegam perto do território de seus pais, touros e garanhões, e sabemos que nos animais selvagens ocorre o mesmo com os leões, elefantes e todos os outros. Os leões jovens só se aproximam das fêmeas, tentando copular com estas, quando já estão em condições físicas de lutar com o adulto que as domina e derrotá-lo, assumindo seu posto.

Enquanto seus pares estão no chão, colhendo bananas ou milho, um macaco fica no alto de uma árvore, observando tudo, cuidando de qualquer aproximação estranha. Como responsável pela segurança de todos, esse macaco apanha muito, de todos, se algo se aproximar do bando sem que ele veja e os avise.
Na estrutura social, humana ou animal, cada um é uma peça, minúscula, mas possui seu papel no conjunto todo e, como em uma construção, uma peça mal colocada certamente enfraquecerá, diminuirá a solidez, a segurança, e pode provocar seu desmoronamento.

As crianças nascidas nas últimas duas ou três décadas passaram a receber um novo tipo de educação, mais moderna como diziam seus pais, onde tudo passou a ser permitido e pouco continuou sendo cobrado. As consequências são facilmente visíveis. Notícias divulgadas quase que diariamente pela imprensa mostram crianças insultando e agredindo seus professores, brigas de verdadeiras gangues e até crimes nas escolas.
Alguns professores, que tentam algum tipo de reação repreensiva com esses alunos, são responsabilizados até criminalmente pelos pais dos mesmos ou pela direção da escola. Um professor declarou que foi repreendido pela diretora da escola por chamar, diante dos colegas da sala, a atenção de um aluno por mal comportamento.

Os cidadãos formados em escolas como essa jamais terão comprometimento com a sociedade, pois só possuem direitos, mas nenhuma obrigação. É o enfraquecimento, a desestruturação e certamente o desmoronamento total da estrutura social que hoje conhecemos, para dar lugar a um novo tipo que não saberia hoje explicar.

Mesmo durante os horários permitido para crianças os mais variados canais de televisão mostram cenas de sexo, uso de drogas, tráfico, violência e ultimamente, pela quantidade de vezes que mostram, parece que pretendem incentivar os relacionamentos homo-afetivos, como se isso fosse o normal.
Pode ser permitido e aceito, inclusive legalmente e o homossexualismo praticado entre as mais variadas espécies animais ser até comum, mas não é o normal.

O respeito, o direito e a obrigação são princípios básicos para a sobrevivência de qualquer estrutura social e, dentro desta, as opções são válidas mas não obrigatórias e nem devem ser incentivadas.

A busca pela realização dos sonhos


 

Desde os tempos mais remotos conhecidos da história o homem busca alternativas para construir um mundo melhor para si, seus filhos e netos.
Analisando qualquer dos meios utilizados para isso, sejam físicos, econômicos, científicos, médicos, emocionais ideológicos ou religiosos, percebemos que a busca do homem é sempre a mesma: uma vida mais feliz.
Fatos históricos como o descobrimento ou a invasão de novos territórios, saques, crimes e até guerras sempre ocorreram por motivos religiosos ou em busca de riquezas e poder.

Os homens acreditavam, e muitos ainda acreditam, que mesmo ocorrendo muitas mortes para se atingir esse objetivo, quando de posse daquele território, daquela riqueza, ou imposta sua religião como a única, teriam um futuro melhor, mais abundante, pacífico e feliz.

Sabendo serem mortais, Imperadores e Faraós mandavam construir seus próprios jazigos com muitos ambientes e salas onde guardavam fortunas, acreditando que em uma provável e desconhecida vida posterior à morte poderiam continuar poderosos com seus tesouros.
O homem também sempre buscou prolongar sua vida, motivo pelo qual recorreu a pagés, curandeiros, magos, bruxos e aos médicos e cientistas atuais, que estão conseguindo realizar grande parte dessa ambição.

Cada vez mais as doenças estão matando menos, e os remédios prorrogando o fim e diminuindo o sofrimento daqueles para quem ainda não se conseguiu a cura.
Cientistas buscam incansavelmente derrotar as doenças e deficiências humanas com novos tratamentos, transplantes de órgãos, de medula óssea ou gerando novas vidas com fertilizações in-vitro, transferência de embriões e mais recentemente com clonagens.

A utilização das novas tecnologias permite retardar o envelhecimento, proporcionam uma melhor qualidade de vida e certamente isso ocorrerá cada vez mais.

Os pais, sabendo dos riscos e dificuldades que a vida imporá a seus filhos, mesmo que inconscientemente, adiam o quanto podem os primeiros vôos solo, sonhando com uma vida perfeita para as 'crianças'.
Nada convence os amantes, simples mortais, da impossibilidade de viver sua paixão eternamente e que o máximo que conseguirão, como dizia o poeta, é "que seja eterno enquanto dure'.

Ideologias políticas e muitos outros sonhos dos jovens tornam-se motivo de desilusão destes e descrédito dos políticos, que deveriam discutir leis e regimes que proporcionassem menor desigualdade e melhor qualidade de vida da população que os elegeu, mas só buscam os próprios interesses.

Em muitos países do oriente médio e da África alguns líderes utilizam falsas afirmações religiosas, distorcendo textos tidos como sagrados por aquelas populações, para com isso submetê-los às suas determinações. Alguns de seus seguidores chegam a se implodir envoltos em bombas, acreditando na promessa de que essa atitude os levará a uma nova vida, nababesca e repleta de mulheres virgens à sua disposição.

O poder e a religião são veículos utilizados para o que durante séculos foi e permanecerá sendo a real, eterna e única busca do homem: a realização de seus sonhos.

12.12.11

Feliz Chanukah ou Feliz Natal?

 

Estamos nos aproximando de Chanuká, a festa das luzes, comemorando a vitória dos Macabeus contra o helenismo e o império greco-romano, que tentaram impedir os judeus de praticarem seu judaísmo. Esta foto tirei na cidade de Aventura, em Miami, muito perto do Aventura Mall. O outdoor diz, em hebraico transliterado: "Lifnei she Chanuká iaafoch le Christmas, Higuia Hazman Lachzor Laaretz." Cuja tradução ao português seria: "Antes que Chanuká se transforme em Natal, chegou a hora de voltar para Israel."
Essa foi uma propaganda feita pelo governo israelense, pela sochnut yaehudi para incentivar os israelenses que moram nos Estados Unidos a retornarem para Israel. E o número de israelenses vivendo nos Estados Unidos já passa de 1 milhão (entre os oficiais e os "extra"-oficiais).

Proponho a seguinte pergunta: Será que esta seria a solução para acabar com a assimilação; dissociar Chanuká do Natal, fazendo a distinção do sentido de cada festa, e incentivando os judeus a fazer aliá, ou retornar para Israel, para que possam vivenciar um estilo de vida mais judaico? De uma certa forma sim; ajudaria, já que em Israel praticamente não se comemora o Natal, e o índice de assimilação é pequeno ainda. Na galut, fora de Israel, a realidade é, de fato, outra: o índice de assimilação está acima dos 50%, ou seja, de cada dois casamentos judaicos, um é misto.

Portanto, por um lado, concordo com a propaganda: um israelense ou judeu, em Israel, tem menos chances de se assimilar. Discordo, no entanto, que esta seja a única solução, já que nem todos se adaptam à vida em Israel. Nem todos têm a chance - a possibilidade financeira, social ou o contexto pessoal - de se mudar para Israel. Este é um ideal que muitas vezes requer esforço e um certo sacrifício e, embora existam aqueles que estão dispostos a enfrentar as dificuldades de adaptação, outros não têm condição de transportar-se para esta nova e tão distinta realidade.

O que poderia ser um outro remédio para a assimilação, então? Os judeus que estão frequentando as sinagogas, kollelim, estudando Torah, praticando o judaismo, respeitando o shabat, comendo comida kasher, mesmo fora de Israel - estes estarão mais imunes, e provavelmente, nestes meios, Chanuká não se transformará em Natal, e uma árvore decorada terá menos chance de aparecer ao lado de um candelabro de Chanuká. Em primeira análise, Chanuka é uma festa de luzes, e de fato neste sentido, bastante superficial, a árvore de natal toda iluminada guarda semelhanças.


A ameaça dos lendários inimigos do nosso povo; Haman (ministro do rei Assuero no Irã (Persia), na época da rainha Esther) e Hitler (versão moderna de Aman), cujo brado é a aniquilação do povo judeu e dos seus descendentes, a exterminação da memória de qualquer rastro judaico no mundo - é distinta em sua essência àquela que levou os Macabeus ao fronte de batalha. A história dos Macabeus em Chanuká retrata um inimigo aparentemente mais afável - os gregos ofereceram a chance de não matar nem fazer nenhum mal ao nosso povo, desde que estivéssemos dispostos a abdicar do judaísmo e seus preceitos - seriam banidos a circuncisão, o estudo da Torah e a comemoração das festas (Yom Tov). Os sábios da época declararam guerra porque perceberam que o inimigo explíc ito gera uma necessidade de combate na alma. Já este, que se apresentara naquele momento, era um inimigo sedutor, dissimulado, e tanto mais perigoso. O helenismo, aos poucos, exterminaria pela raíz, erradicando a essência, e destituindo o nosso povo daquilo que nos define como judeus.

Assim, coloquemos a seguinte questão para a nossa festa de Chanuká deste ano de 2011: Se o judaísmo para nós permanecer somente uma bela tradição a ser preservada em sua mais agradável modalidade alimentar (ocasionais visitas às iidiche mames recheadas de keidlachs e farfeles e afins), ou uma história a ser contada em forma de lenda distante; então de fato o Chanuka Guelt pode servir para comprar presentes de Natal, e as sufganiot (aqueles sonhos recheados de geléia) ou os latkes serão um saboroso acompanhamento para o Peru de Natal - correto?

 

Um novo olhar sobre o autor e o país que ele elogiava

Por SIMON ROMERO (Publicado no New York Times em 21 de novembro de 2011- Fotos editadas)
PETRÓPOLIS, Brasil - Quando o escritor nascido em Viena Stefan Zweig se mudou em 1941 para esta cidade de palácios imperiais aninhada nas montanhas perto do Rio de Janeiro, ele era um dos autores mais traduzido do mundo e reconhecido pelas histórias cheias de tensão sobre a obsessão, a paixão e o desespero.


Mas depois que o Sr. Zweig por causa dos avanços dos nazistas tirou a sua própria vida em Petrópolis alguns meses mais tarde aos 60 anos em um pacto suicida com sua jovem esposa, Lotte, ele se tornou conhecido em seu país de adoção ao criar uma das frases associadas ao Brasil: "País do Futuro".


O túmulo de Stefan Zweig e sua mulher Lotte. O casal suicidou-se em Petrópolis.

Derivado do título do seu livro escrito em 1941 elogiando o maior país da América Latina, a frase se expandiu e foi reciclada ‘ad nauseam’ como um refrão: "O Brasil é o país do futuro - e sempre será", frequentemente utilizado para caracterizar uma nação duramente castigada pela inflação alta e corrupção enraizada. 

Com as melhoras notáveis relativas às perspectivas do Brasil os brasileiros estão reavaliando o Sr. Zweig e o seu legado quando o título do livro ganha mais uma vez uma nova percepção, e quando todos, desde executivos de publicidade até diplomatas europeus que visitam o país, incluindo o presidente Obama que visitou o Brasil em março, quando sugeriu em seu discurso que, talvez o "futuro" do Brasil finalmente chegou.

"O Brasil não é mais o país do futuro" disse Romero Rodrigues, um empresário da Internet brasileira, em uma nova reapresentação do termo. "É o país do presente". 

A casa onde o Sr. Zweig tirou a própria vida tomando veneno vai reabrir em breve como um museu. Enquanto isso, escritores brasileiros e historiadores têm refletido sobre o significado do "País do Futuro", e algumas das intrigas políticas em torno da sua publicação há 70 anos.



Em um recente debate televisivo sobre Zweig, Alcino Leite Neto, editor da editora Publifolha, comparou a sua importância para o Brasil na mesma proporção que Alexis de Tocqueville teve em relação aos EUA e que foi o pensador político francês que escreveu sobre os conceitos americanos de liberdade e igualdade no "Democracy in America (Democracia na América)". "Nós tivemos Stefan Zweig" disse Leite Neto "que nos deixou este livro defendendo a tolerância, a compreensão entre as pessoas, e um libelo a favor da paz, embora que foi escrito no período da Segunda Guerra Mundial".

Uma valorização mais ampla do seu trabalho também está em andamento, com dois longas-metragens brasileiros em produção baseados em suas obras, um sobre o "The Invisible Collection", sobre a experiência da Alemanha com a inflação, e outra baseada no "Leporella" sobre uma empregada que se apaixona por seu patrão.

Mas é o "Terra do Futuro" (publicado no Brasil desde 1940 em várias edições como "País do Futuro") que as andanças de Zweig no Brasil antes da sua morte recentemente provocaram o aumento da atenção. A Secretaria de Cultura de Petrópolis este ano organizou uma exposição multimídia chamada de "Stefan Zweig ainda vive!" e alguns brasileiros começaram a se juntar aos europeus e americanos que ocasionalmente aparecem na cidade para visitarem a sua casa na Rua Gonçalves Dias ou até mesmo irem ao cemitério onde ele e Lotte estão enterrados lado a lado. "É um pouco estranho levar alguém para os lugares de tal tragédia, mas estamos felizes em receber todo o tipo de visitante" falou Walter Raposo de 80 anos, um condutor de charrete em Petrópolis que faz ponto em frente ao Palácio Imperial e que hoje é um museu, e que tem levado vários aficionados de Zweig a esses lugares. 


Alberto Dines, apresentador de televisão e uma eminência entre os jornalistas do Brasil, conheceu Zweig quando ainda era criança quando o escritor visitou a sua escola no Rio de Janeiro, tem sido a força motriz para a atenção renovada para Petrópolis.

Suas pesquisas e o seu livro sobre Zweig, "Morte no Paraíso" mostra em detalhes as origens complicadas do título do livro, que Dines explica que não foi criado por Zweig, mas que foi uma sugestão de James Stern, que traduziu o seu livro do alemão para o Inglês.

Em um toque de ironia Zweig, cujos pais eram judeus da classe média alta e nascido durante a época de ouro de Viena, mencionou no início do seu livro a frase em francês "une terre d'avenir", mencionada em uma carta de Arthur de Gobineau, um aristocrata francês do século 19, diplomata e teórico da superioridade racial e que detestava o Brasil.

"É uma coisa curiosa, porque Gobineau foi o pai do racismo moderno" relata Dines, que aos 79 anos está supervisionando o término da Casa Stefan Zweig, o museu criado na própria casa onde viveu Stefan Zweig. "Ao vir de uma Europa racista Zweig ficou impressionado ao ver as diferentes raças se misturando tão livremente no Brasil".

É claro que alguns contestam as observações otimistas de Zweig sobre as relações raciais cujas circunstâncias na época as tornavam consideravelmente mais complexas - e continuam sob a forma de programas de ações afirmativas que se espalham por todo o Brasil na busca de reversão de séculos de exclusão.

Ainda assim o otimismo de Zweig não foi esmaecido pelos desafios óbvios no Brasil durante o início dos anos 1940, com uma expectativa média de vida de 43 anos e uma população com 56 por cento de analfabetos. Algumas de suas avaliações otimistas continuam a provocar discussões até hoje.


Ele afirmou, por exemplo, que Portugal tinha sido previdente ao colonizar o Brasil, em parte, com o esvaziamento das prisões portuguesas de elementos indesejáveis e enviá-los através do Atlântico. "Como de costume, o estrume limpo não é a melhor preparação da terra para as colheitas futuras" escreveu Zweig.

A reavaliação de Zweig aqui coincide com uma nova crise na Europa - e com uma nova onda de emigração de portugueses para o Brasil, mas desta vez de profissionais desempregados e não de presidiários. Alguns dos que procuram novas oportunidades no Brasil poderiam até mesmo saber que Zweig continua altamente estimado em várias partes da Europa, especialmente na França, onde seus livros ainda são amplamente lidos.

Estranhamente o livro de Zweig sobre o Brasil foi duramente criticado no Brasil logo após a sua publicação. Críticos atacaram o escritor austríaco com veemência, sob a insinuação de que ele foi pago pelo regime autoritário de Getúlio Vargas para escrever este livro.

Dines afirmou que estas duras críticas haviam sido uma maneira dos críticos se vingarem indiretamente dos censores de Getúlio Vargas, pois equiparavam os elogios ao Brasil como elogios à ditadura de Vargas. De qualquer maneira o autor de vários best sellers tinha pouca necessidade de apoio financeiro do Brasil.

Mas o que Zweig mais precisava era um refúgio dos nazistas. Dines, com base em suas próprias pesquisas sobre as andanças de Zweig pelo Brasil, argumenta que o escritor tinha um acordo implícito com as autoridades brasileiras para produzir o seu livro em troca da autorização do visto de residência que havia sido concedido às pressas em Buenos Aires para ele e sua esposa.

Depois de tudo isso, algum mistério ainda persiste a respeito do porque ele se matou logo depois de chegar às terras brasileiras. Ele reconheceu que o tempo de uma vida inteira seria insuficiente para compreender corretamente o Brasil. Na nota de suicídio que ele deixou descreveu-se como "um homem sem um país" e só tinha elogios para o "maravilhoso" Brasil que o recebeu.

"Depois que eu vi o país da minha própria língua ser vencido e a minha terra espiritual – a Europa – se destruindo entre si" ele concluiu, "seria necessário uma imensa força para que eu reconstruísse a minha vida”.

Comida israelense cada vez mais é consumida nos EUA

Alimentos israelenses são devorados por 6 milhões de americanos, independentemente da sua observância religiosa, relata a ‘Kosher Today’, e aproximadamente um milhão de consumidores nos EUA observam as leis dietéticas kasher durante o ano inteiro. Izzet Özdogan, presidente executivo da divisão americana da empresa israelense Osem de produtos alimentícios informou durante o evento anual Kosherfest que os americanos estão cada vez mais atraídos por marcas israelenses como Osem, Sugat, Elite, Telma, Wisotzky e Pereg.

A comida kosher é encontrada na escola de culinária de Gustibus na Macy’s de Nova York, no mesmo momento que a comida kasher certificada se torna cada vem mais popular. A de Gustibus oferece aulas dadas por conhecidos chefs de todo o país, com uma seleção de vinhos. Salvatore Rizzo que dirige a escola de culinária disse ao Kosher Today, "Nós só aceitamos chefs que preparem seus alimentos em cozinhas certificadas como kasher. Nós também temos aqui uma cozinha kasher com um mashgiach [supervisor de costumes judaicos] que está presente durante o curso e usamos somente papel e plásticos. "Mais de 80 alunos já pagaram 95 dólares para o curso, que é dado uma vez a cada seis meses. 

A comida kasher não escapou da atenção de outros países que querem atrair o turismo. O programa "Shalom Buenos Aires" recentemente treinou funcionários do setor de turismo sobre as necessidades dos viajantes kasher, e a municipalidade publicou uma revista especial com mapa com uma lista de sinagogas, estabelecimentos kasher e hotéis que atendem aos viajantes kasher. Para os interessados, Buenos Aires é onde fica o McDonalds Glatt Kosher.

Israel tenta "nacionalizar" local sagrado


O Supremo Tribunal de Justiça Israelense rejeitou um pedido apresentado por uma yeshiva, que opera o túmulo de Shimon Bar Yochai, um rabino cabalista e disciplo de Rav. Yakiva, no Monte Meron, pedindo uma liminar contra a intenção do Estado de adquirir e usar partes do local para fins públicos. O tumulo de Bar Yochai (também conhecido como Rashbi) é o local mais visitado, depois do Muro das Lamentações, por religiosos judeus. Pesquisas afirmam que mais de um milhão de visitantes chegam ao local do tumulo de Shimon Bar Yochai todos os anos.

JUDEUS EM CUBA (Cuban Jews)

Por Marcelo Horn

Ao contrário do que se poderia imaginar, os judeus cubanos podem expressar sua fé livremente e as famílias interessadas têm autorização do governo para fazer aliah quando desejarem. A comunidade, que possuía 15 mil membros antes da revolução, hoje é composta de 1.500 pessoas, concentradas, em sua grande maioria, em Havana. Quase todos chegaram ao país a década de 30, e a intenção final era chegar ao território americano. O visto, porém, foi negado a centenas de famílias que acabaram se estabelecendo na ilha. Os ashquenazis cubanos provêm de diversos países do Leste Europeu enquanto todos os sefaraditas são oriundos da Turquia.


Há cinco sinagogas na ilha, sendo quatro na capital e uma em Santiago de Cuba, e dois cemitérios. Todos os feriados são comemorados e aproximadamente três casamentos e cinco bar-mitzvot são celebrados anualmente. Estas cerimônias são marcadas de acordo com a visita do rabino Schmuel Steinhandler, argentino radicado no Chile, que viaja a Cuba a cada dois meses. Não há um rabino permanente na ilha. Os brit-miláh são realizados nos hospitais públicos por cirurgiões judeus (também não há um mohel) e, depois, a cerimônia é feita com a presença do rabino. Quase todos os casamentos são mistos e o cônjuge realiza um curso de conversão posteriormente aprovado por um tribunal rabínico.


A sinagoga Beth Shalom, no elegante bairro de Vedado, segue a linha conservadora. Foi inaugurada em 1953 e sua sede, impecavelmente conservada, possui salão de festas, biblioteca com computador ligado à internet (raro em Cuba) e sinagoga com ar condicionado e assentos revestidos de veludo. O tradicional Sunday School se encarrega de transmitir aos jovens a tradição e os princípios judaicos e uma farmácia fornece medicamentos - inclusive para não judeus – no caso de falta desses produtos no serviço público. Uma nova torá será recebida em novembro, vinda diretamente de Israel.

Dentre as celebridades que visitaram a Beth Shalom destaca-se o cineasta Steven Spielberg, em 2002. O presidente Fidel Castro, com a saúde já debilitada, esteve na sinagoga pela última vez em 2010 e o irmão Raul encontra a comunidade no Yom Kippur ou Rosh Hashaná.


Na Cidade Velha de Havana fica localizada a Adath Israel, sinagoga de orientação ortodoxa fundada por poloneses em 1924. Duas sessões de reza, freqüentadas por asquenazis e sefarditas, são realizadas diariamente, uma pela manhã e outra à tarde. Todos os dias são fornecidas gratuitamente três refeições aos membros da sinagoga e a alimentação é sim casher. A instituição compra galinhas vivas que são abatidas por um shocet rigorosamente de acordo com a tradição judaica.

Adela Dworin, presidenta da Casa de la Comunidad Hebrea de Cuba, é a representante principal dos judeus na ilha. “Não há antissemitismo nem qualquer tipo de discriminação em Cuba. Nossas sinagogas estão abertas diariamente sem nenhum esquema de segurança. Temos tranquilidade” afirma, orgulhosa.
(Texto e fotos de Marcelo Horn. Álbum de família: fotos de Fidel, Spielberg e Pessach)

Ditadura argentina imitou nazismo no roubo de bebês


A ditadura instalada na Argentina entre 1976 e 1983 utilizou um método idealizado pelo nazismo para o roubo de bebês e a substituição de sua identidade, segundo o historiador e escritor Carlos De Nápoli. De Nápoli, que na semana passada apresentou no Museu do Holocausto de Buenos Aires um documentário sobre a vida do criminoso de guerra nazista Josef Mengele, na Argentina, explicou que o programa de roubo de bebês foi executado pelo Escritório Principal para a Raça e o Reassentamento (RUSHA). Essa organização tinha, entre outros objetivos, o "de assassinar todas as minorias consideradas impuras e indesejáveis".

"Lá, todos estão sendo presos, pelo menos. E no Brasil? Quando vai acordar?"

Maconha poderia evitar e tratar estresse pós-traumático

Os canabinoides emergem como possível tratamento para estresse e ansiedade.

Pesquisadores israelenses realizaram experimento com ratos e detectaram que a maconha pode diminuir sintomas de estresse pós-traumático. Agora, eles pretendem repetir o teste com voluntários humanos, de acordo com o artigo publicado no periódico científico Neuropsychopharmacology. Um grupo de camundongos foi submetido a estresse psicológico, físico e mecânico, a ponto de desenvolver sintomas similares aos do problema em humanos. No grupo em que foi aplicada injeção de canabinoides em um período entre duas e 24 horas, os sintomas desapareceram. Analisando a atividade cerebral dos animais durante o tratamento, os pesquisadores identificaram que os canabinoides agiram em um receptor específico na área de amígdala, responsável pela resposta ao trauma. 


Os resultados sugerem que pode haver uma janela de tempo ideal para o tratamento de estresse e transtornos relacionados a traumas com o uso de canabinoides, ou mesmo prevenir o desenvolvimento de sintomas do distúrbio após a exposição a um evento altamente estressante, pela administração de uma dose medicinal de maconha. É um transtorno psíquico que desperta a sensação de medo e de ameaça constantes. 

O paciente fica imaginando que a situação que gerou o trauma possa se repetir a qualquer momento, e é comum não conseguir controlar o próprio corpo. As lembranças do trauma podem vir acompanhadas de náuseas, diarréia, dor de cabeça e suor nas mãos. Com o passar do tempo, o interesse nas atividades do cotidiano vai se perdendo. 

(BEM-ESTAR e Rua Judaica

"Será verdade? Mas que tu fica mais tranquilo, beeeem mais tranquilo, é fato!"

Vovô deve estar tendo orgasmos no Holám Habá

Estive afastado dessa Rua por um bom tempo (por culpa unicamente minha) e não sei com que regularidade irei aparecer por aqui futuramente. Talvez o critério que passe a me orientar seja aquele que me leva a escrever para esta edição: além das saudades, o fator fundamental foi o advento de "ter o que escrever", motor de toda motivação. Por exemplo, comecei a estudar iídiche semana passada e não podia deixar de compartilhar tal fato neste espaço. Sempre tive inveja do iídiche falado por meus pais, tios e patrícios mais velhos em geral, ornado por risos tão saborosos quanto um borbulhante "iúr" (ou será "iór"?) e de uma musicalidade que fazia contraponto ao alemão, língua irmã, tornado tão rude pela memória dos discursos de Hitler.


Meu avô Salomão bem que tentou me ensinar: ele mesmo confeccionava as apostilas em papel timbrado do Instituto de Meteorologia com sua grafia luxuosa a lápis, e tinha o cuidado de transliterar as palavras para o português, fazendo-as soar com o sotaque bessarabiano. Claro que ele sabia escrever iídiche em caracteres hebraicos (com os quais eu estava familiarizado, ma non troppo) como deve ser, mas sua intenção, ao transliterar, era facilitar minha vida.


Ocupado demais com minhas veleidades juvenis, não consegui persistir e acabei abandonando a empreitada. Mais recentemente, fui levado, por uma corrente caótica de emails, ao nome do professor (e cantor de coral, e advogado) Moysés Garfinkel.

A primeira aula foi numa salinha do Midrash, e lá serão as seguintes. Garfinkel não quis me dar vida fácil: começamos já com a grafia hebraica, e fiquei surpreso (Moisés também) com a facilidade que tive em decifrá-las: a proximidade de meus pais provavelmente criou um mimetismo inconsciente que me levou a intuir a maneira certa de fazê-las soar, não caindo na tentação de "falar hebraico em iídiche".

Meu objetivo final, além, é claro, de poder conversar com meus pais e ouvir o Osias fazer humor em iídiche (sempre disse a ele que seria um mestre do stand-up-comedy se quisesse), é de um dia poder contar, em iídiche, a piada do negro americano que, num banco de praça, lê um jornal iídiche nos EUA dos anos de caça às bruxas e é interrompido por um judeu que passa e pergunta, em iídiche: "Você é judeu"? O negro o olha com certo espanto e responde (em iídiche): "Só me faltava isso". Fico imaginando o sabor de contar essa história nesse idioma germânico dos judeus da diáspora leste-europeia tantos séculos atrás. Ou, quem sabe, de ler, um dia, Scholem Aleichem no original. Será que consigo? 

Projeto de Lei permitirá que todos rabinos realizem cerimônias de casamento

A parlamentar do Knesset Tzipi Hotovely anunciou na segunda-feira que ela em conjunto com outro parlamentar Uri Orbach apresentarão um projeto de lei que permitirá que rabino de qualquer ordenação aprovada pelo Rabinato Chefe possa realizar cerimônias de casamento. Isto acontece depois do furor desencadeado na semana passada quando a organização religiosa-sionista Tzohar encerrou seus serviços gratuitos de casamento por causa de obstáculos burocráticos que tiveram origem no Ministério de Assuntos Religiosos. Porém logo após um acordo foi firmado e o Tzohar reiniciou seus trabalhos.


Numa audiência realizada no Comitê do Knesset para o Progresso do Status da Mulher, que Hotovely é a presidente e disse que a situação atual necessita ser alterada, apesar do acordo recentemente firmado, e que os critérios definindo quais os rabinos que estariam habilitados para realizar as cerimônias de casamento deveriam ser modificados. Orbach que também estava presente e protestou contra o rabinato em termos veementes. ‘Os problemas criados pelos rabinos do Tzohar começaram com o Rabinato Chefe e continuam com o Ministério de Assuntos Religiosos... é o Rabinato Chefe que impede que rabinos religioso-sionistas possam realizar as cerimônias de casamento quando estabelecem critérios que permitem que qualquer rabino, mesmo aquele que somente seja conhecido por seus hassidim (seguidores ultra-ortodoxos) realize casamentos, enquanto que um rabino religi oso-sionista de uma hierarquia superior não estaria qualificado, segundo estes mesmos critérios’.

O projeto de lei terá o objetivo de alterar os critérios atuais para a aprovação de licenças para que rabinos celebrem casamentos, porém o Tzohar diz que este projeto seria discriminatório contra todos os rabinos e impediriam que centenas deles pudessem celebrar casamentos. Esta nova lei, caso seja aprovada, significaria que qualquer rabino de qualquer ordenação aprovada pelo rabinato, que tenha recebido a aprovação do rabino-chefe de qualquer cidade e que tenha sido aprovado no curso sobre as leis do casamento poderiam oficiar cerimônias e emitir o registro do casal. Hotovely na audiência disse, ‘a verdade está distorcida quando o ministro de Assuntos Religiosos ou qualquer outra pessoa possa alocar cotas para casamentos. Porque alguém que foi aprovado como rabino numa instituição aprovada pelo rabinato, aprovado em exam es e obteve o título de rabino, precisa enviar um fax antes de qualquer casamento para obter a permissão para realizar o casamento?’.

O parlamentar do partido Shas Haim Amsalem argumentou sobre um aspecto mais amplo da controvérsia. ‘Todos os dias observamos outra forma de radicalização (religiosa) e onde isto está nos levando?’ e conclamou para que o rabinato pare de fazer o que ele chamou de ‘sabotagem e discriminação’.
Ilan Gilon do partido Meretz continuou e conclamou para uma completa separação do Estado e o Poder Religioso. ‘Achamos que a religião dominou a política, mas na verdade é o contrário, a política dominou a religião’. O pluralismo pleno, afirmou Gilon, é a única solução. ‘Eu sou um homem de fé, não sou um secular, mas temos que separar a religião e o estado para que todos e qualquer um escolha exatamente o que quiser’.

Governo canadense financia a segurança de alimentos kasher

O governo federal canadense anunciou fundos de até 764.000 dólares como ajuda para a supervisão cuja finalidade será proporcionar um elevado nível de segurança alimentar para todas as fases dos produtos alimentícios - desde a matéria-prima até o processamento, distribuição e a venda no varejo de alimentos kasher. O anúncio foi feito pelo Conselho da Comunidade Judaica de Montreal, também conhecido como Vaad Ha'ir, que irá desempenhar um papel importante na coordenação desta nova e voluntária iniciativa por todo o país.

De acordo com o Canadian Jewish News, a Canadian Kosher Food Safety Initiative irá supervisionar todas as fases da segurança alimentar, das matérias-primas, até o seu processamento, distribuição e venda ao consumidor.

"A segurança alimentar é uma prioridade para este governo e para todos os canadenses" afirmou o ministro da Indústria, Christian Paradis "Este investimento irá aumentar ainda mais a confiança dos consumidores em relação à segurança dos alimentos kasher e ajudar a tornar o setor ainda mais competitivo".

Sabedoria Judaica


“Quando você é jovem, acredita que comédia e tragédia são concepções opostas. Quando você chega a minha idade, se dá conta de que são apenas duas janelas diferentes, através das quais vemos a mesma paisagem: o quintal de nossas vidas.” (Amós Oz, durante palestra em SP)

1.11.11

Espionagem alemã resgata passado nazista de agentes na América Latina

A decisão do serviço secreto alemão de abordar de forma transparente o passado nazista da inteligência na Alemanha Ocidental (BND) volta a dirigir os olhares para a América Latina, refúgio de alguns dos criminosos mais procurados do Terceiro Reich.

A recente criação de uma comissão formada por quatro historiadores para estudar o passado nazista do BND refletem a vontade de seu presidente, Ernst Uhrlau, de resgatar o funcionamento da espionagem alemã após a Segunda Guerra Mundial.

Os arquivos de espionagem confirmam que os serviços secretos ocultaram o paradeiro de muitos criminosos nazistas foragidos da justiça para transformá-los em possíveis agentes.

A revista "Der Spiegel" publicou recentemente que Walther Rauff, coordenador de unidades móveis de câmaras de gás desenvolvidas por ele mesmo, colaborou com o BND quando residia no Chile, entre 1958 e 1962, para espionar o líder cubano Fidel Castro.

Apesar de conhecer perfeitamente o passado de Rauff, acusado pela justiça alemã da morte de 98 mil prisioneiros durante o nazismo, a espionagem federal não duvidou em contratar seus serviços.

Rauff, que se estabeleceu como empresário no Chile após uma temporada na Síria e Equador, foi preso em 1962 por solicitação da Alemanha. Porém, o processo acabou arquivado porque a justiça do Chile, onde ele morreu em 1984, considerou que seus crimes tinham prescrito.

Já Klaus Barbie, conhecido como "Açougueiro de Lyon" e chefe da Gestapo na França ocupada, foi recrutado pela inteligência germânico-ocidental em 1966 na Bolívia, onde morava desde 1951.
O BND, que então ampliava internacionalmente sua rede de agentes, seguia atentamente o desenvolvimento da Bolívia, temendo que o país sofresse influência soviética, como Cuba. 

As Flores no Jardim do Mal

Procurado pelo BND por sua "ideologia alemã" e seu "anticomunismo", Barbie elaborou para os serviços secretos 35 relatórios, cujo conteúdo ainda é desconhecido.
No entanto, sabe-se que poucas semanas após seu recrutamento, Barbie assumiu a representação de uma empresa alemã de venda de excedentes de armamento do Exército alemão. O posto ocupado dava chance de o agente informar quanto os bolivianos gastavam em armas e munição.
Por considerar perigoso esse vínculo, o BND rompeu com seu colaborador no final de 1967. Em 1983, Barbie foi expulso da Bolívia e entregue à França. O "Açougueiro de Lyon" morreu em 1991 de leucemia em uma prisão francesa, onde cumpria prisão perpétua. 

Um dos fugitivos nazistas mais procurados, Josef Mengele, conhecido como "Anjo da Morte" por seus experimentos com prisioneiros no campo de extermínio de Auschwitz, viveu seus últimos dias no Brasil, depois de passar por Argentina e Paraguai. 

Além das especulações sobre a colaboração de Mengele com inteligência alemã, os últimos documentos revelados mostram que ele não só não cooperou com o BND, como também foi ajudado pelo organismo para iniciar sua fuga. 

Em 1961, o serviço secreto alemão já sabia de sua residência no Brasil - onde faleceu em 1979 -, mas nunca demonstrou interesse em sua prisão. Em 1972, o BND informou ao Governo que desconhecia "onde ele poderia estar" e "se ainda permanecia vivo". 

Os registros revelam também que a espionagem alemã ocultou durante anos o paradeiro de Adolf Eichmann, artífice do plano de extermínio dos judeus na Europa. Segundo informações divulgadas pela imprensa alemã, o BND sabia que Eichmann vivia na Argentina desde 1952, porém, não informou à CIA até 1958.
O criminoso nazista foi sequestrado na Argentina, em maio de 1960, pelo serviço secreto israelense (Mossad) e executado dois anos depois em Israel. 

A nova comissão de historiadores, que contará com um prazo de quatro anos para estudar os registros dos serviços secretos, irá focar sua investigação nos anos entre 1945 e 1968, período que precedeu a criação do BND. 

Neste período, quem assumia o serviço secreto alemão era a chamada "Organização Gehlen", liderada pelo antigo general Wehrmacht Reinhard Gehlen, que anteriormente tinha sido responsável pela espionagem exterior nazista.

Rabinos pedem que religiosos se tornem doadores voluntários de órgãos

40 rabinos da organização religiosa Tzohar votaram na aprovação do novo cartão de doador de órgãos, garantindo que este procedimento está em conformidade com a lei judaica.

Uma nova iniciativa destinada a aumentar o número de pessoas para assinarem cartões de doação de órgãos foi formalmente aprovada pela Tzohar, um grupo religioso-sionista rabínico. Em uma reunião na semana passada no Centro Médico Shaare Zedek em Jerusalém 40 rabinos da organização votaram aprovando um novo cartão de doador de órgãos e para a divulgação de explicações que visam reduzir quaisquer preocupações potenciais de doadores religiosos que poderão ter seus órgãos retirados em conformidade com as leis judaicas. 


"Queremos incentivar que a sociedade israelense reconheça e aceite a importância de salvar a vida de alguém" disse no domingo o presidente da Tzohar o Rabino David Stav ao The Jerusalem Post. "Acreditamos também que é imoral estarmos dispostos a aceitar órgãos de outras pessoas enquanto que ao mesmo tempo não estamos dispostos a doar nossos órgãos, se tais circunstâncias surgirem". Atualmente o cartão de doador de órgãos "Edi" é o único sistema do gênero em uso no país e é emitido pelo Centro Nacional de Transplantes e autorizado pelo Ministério da Saúde. No entanto de acordo com a Tzohar apenas 10 por cento da população adulta já se inscreveu para o cartão.

O programa "Bilvavi" procura amenizar as dúvidas de potenciais doadores, aumentando assim o número de pessoas voluntarias para a doação de órgãos, garantindo a eles e suas famílias que os transplantes serão realizados de acordo com a lei judaica, e especificamente que a morte cerebral será firmemente estabelecida por um médico com conhecimento da legislação pertinente, antes que os órgãos sejam removidos.

A morte cerebral foi estabelecida pelo árbitro mais respeitado da lei judaica dos últimos tempos, o rabino Moshe Feinstein, para ser o critério relevante para a declaração da morte, embora ele estipulasse que outros testes também sejam realizados para a confirmação. Para este propósito foi criada a organização chamada Arevim, com mais de 30 médicos conhecedores e competentes em relação às leis judaicas.

Haim Falk , diretor do sistema Bilvavi informou ao Post que ser signatário do novo sistema significa que um médico da Arevim estará presente no momento que a morte for declarada para assegurar uma garantia extra que qualquer transplante seja de acordo com as leis judaicas. 


O Rabino Stav disse que uma das principais razões em Israel para a baixa taxa de doação de órgãos é por causa de preocupações religiosas, na maioria das vezes completamente infundadas. "Muitas pessoas não estão dispostas a se tornar doadoras de órgãos por causa de sentimentos religiosos, embora que muitas dessas pessoas não sejam religiosas" ele disse. "É que em relação à questão da morte as pessoas tornam-se mais religiosas do que a religião exige". Criticas têm sido expressas em relação ao novo cartão Bilvavi por membros do Centro Nacional de Transplantes, especificamente que o estabelecimento de uma estrutura alternativa possa desencorajar as pessoas seculares de se inscreverem, mesmo que seja para o atual sistema. E é por esta razão que Stav afirma que a Tzohar está recomendando o novo cartão Bilvavi especificamente para as pessoas que não se inscreveram para o cartão Edi, e que a coisa mais importante não é o sistema do registro, mas o f ato de se registrar como doador de órgãos". 

Há três preocupações halachicas sobre doação de órgãos: a proibição contra a profanação de um cadáver; o atraso do enterro, e a obtenção de qualquer tipo de vantagem de um cadáver. Atualmente a maioria dos rabinos aceita que a possibilidade de salvar vidas graças à doação de órgãos supera essas preocupações.

63% dos judeus em favor dos ônibus no Shabat

Um estudo sobre a Religião e o Estado, realizado pelo Instituto Smith pouco antes do Rosh Hashana, revelou que 62% aprovam o casamento civil, 52% apóiam o casamento homossexual, 87% querem que todos sirvam nas FDI, 79% querem cortes nos orçamentos para yeshivot.

A sociedade israelense está cheia de conflitos e tensões: entre sefarditas e asquenazis, entre a direita e a esquerda, entre ricos e pobres. Mas uma das mais profundas divisões se relaciona com o estado e a religião – como o transporte público no Shabat, conversões, casamento e divórcio, servir nas FDI, além de outras questões.

O ano passado também foi cheio de debates acalorados sobre a situação da religião na sociedade israelense, com foco em conversões de militares, mulheres cantoras no exército, casamento civil, e cartas de rabinos contra aluguel de apartamentos para árabes e trabalhadores estrangeiros.

Ás vésperas do Ano Novo judaico a Associação Hiddush para a Liberdade e Igualdade Religiosa divulgou seu Índice sobre o Estado e a Religião em 2011, que pesquisa a opinião pública sobre questões fundamentais. O índice é baseado em uma pesquisa abrangente realizada pelo Instituto Smith entre os 800 inquiridos – que representariam uma amostra significativa da população judaica adulta de Israel (erro amostral máximo: 3,4%).

Resultados da pesquisa revelam que 56% dos judeus em Israel acreditam que o Estado e a Religião deveriam ficar separados, 35% apóiam "muito" e 21% apóiam "bastante". Por outro lado, 28% são fortemente contra e 16% apenas um pouco contra. Uma análise baseada nas definições religiosas dos pesquisados revela que 85% dos haredim, 87% dos judeus religiosos e 54% dos judeus tradicionais, se opõem a uma separação entre o Estado e religião, enquanto que 80% dos seculares são a favor. 


Aos entrevistados foi perguntado: "Você concorda ou discorda que o Estado de Israel deveria governar a liberdade de religião e de consciência - em outras palavras, dando aos judeus seculares e religiosos a opção de agir de acordo com sua visão de mundo?". Oitenta e três por cento disseram que sim (60% "concordam totalmente" e 23% "concordam parcialmente") e 17% disseram que não (10% "discordando totalmente" e 7% "discordando parcialmente"). Os haredim são o único setor cuja maioria se opõe contra a liberdade de religião em Israel (51%), enquanto que a maioria dos judeus religiosos, tradicionais e seculares manifestaram o seu apoio (68%, 84% e 91%, respectivamente).

A calúnia do apartheid em Israel

A acusação de que Israel é um Estado que pratica o apartheid é falsa e maliciosa e se opõe à paz e à harmonia, ao invés de promovê-las



Por Richard J. Goldstone
(Publicado em 01/11/2011 no The New York Times)

Pedido da Autoridade Palestina para ser aceita como membro pleno nas Nações Unidas aumentou a pressão pela solução de dois Estados. A necessidade de reconciliação entre israelenses e palestinos nunca foi tão grande. Por isso, é importante separar a crítica legítima a Israel de ataques que visam isolá-lo, demonizá-lo e deslegitimá-lo.

Uma acusação particularmente perniciosa e duradoura é a de que Israel adota políticas de apartheid. Na Cidade do Cabo (África do Sul), a partir do próximo sábado, uma organização não-governamental com sede em Londres chamada Tribunal Russell sobre a Palestina vai realizar uma "audiência" sobre se Israel é culpado do crime de apartheid. Não será um "tribunal". As "evidências" serão unilaterais e os membros do "júri" são críticos cujas duras posições contra Israel são bem conhecidas.

Apesar de o termo "apartheid" poder ter um significado mais amplo, sua utilização destina-se a evocar a situação pré-1994 na África do Sul. Esta é uma calúnia injusta e imprecisa contra Israel, calculada para retardar, ao invés de avançar, as negociações de paz.

Eu conheço muito bem a crueldade do repugnante sistema de apartheid na África do Sul, em que os seres humanos caracterizados como negros não tinham direito a votar, ocupar cargos políticos, usar praias ou banheiros "brancos", casar com brancos, viver em áreas só para brancos ou até mesmo estar lá sem um passe. Negros gravemente feridos em acidentes de carro eram deixados sangrar até a morte, se não houvesse ambulância "negra" para levá-los a um hospital "negro". Hospitais “brancos” eram proibidos de salvar suas vidas.

Ao avaliar a acusação de que Israel adota políticas de apartheid que são, por definição, principalmente sobre raça ou etnia, é importante primeiro fazer a distinção entre as situações em Israel, onde os árabes são cidadãos, e em áreas da Cisjordânia que permanecem sob o controle israelense na ausência de um acordo de paz.

Em Israel, não há apartheid. Nada chega perto da definição de apartheid nos termos do Estatuto de Roma de 1998 ("Atos desumanos ... cometidos no contexto de um regime institucionalizado de opressão sistemática e dominação de um grupo racial sobre qualquer outro grupo ou grupos raciais e comprometidos com a intenção de manter esse regime"). Árabes israelenses - 20 por cento da população de Israel - votam, têm partidos políticos e representantes no Knesset (parlamento) e ocupam posições de destaque, incluindo na Suprema Corte do país. Pacientes árabes ficam lado-a-lado de pacientes judeus em hospitais israelenses, recebendo tratamento idêntico.

Para sermos precisos, há uma separação “de fato” entre as populações judaica e árabe maior do que Israel deveria aceitar. Muito desta separação é resultado de escolhas das próprias comunidades. Alguns, resultado de discriminação. Mas não é apartheid, que, conscientemente, consagra a separação como um ideal. Em Israel, a igualdade de direitos é a Lei, a aspiração e o ideal; desigualdades são na maioria das vezes derrubadas com sucesso nos tribunais.

A situação na Cisjordânia é mais complexa. Mas também aqui não há a intenção de manter "um regime institucionalizado de opressão sistemática e dominação de um grupo racial". Esta é uma distinção crítica, mesmo que lá Israel aja opressivamente contra os palestinos. A separação racial forçada na África do Sul tinha a intenção de beneficiar permanentemente a minoria branca, em detrimento de outras raças. Israel, ao contrário, concordou com o conceito da existência de um Estado palestino em Gaza e em quase toda a Cisjordânia, e está chamando os palestinos para negociar os parâmetros.

Mas até que haja uma paz de dois Estados, ou pelo menos enquanto os cidadãos de Israel permaneçam sob ameaça de ataques a partir da Cisjordânia e de Gaza, Israel verá barreiras em estradas e medidas similares como medidas necessárias à sua auto-defesa, mesmo que os palestinos sintam-se oprimidos por elas. Do jeito que as coisas estão, os ataques de um lado são retribuídos com contra-ataques do outro. E as profundas disputas e reclamações apenas endurecem quando a analogia ofensiva do "apartheid" é invocada.

Aqueles que procuram promover o mito do apartheid israelense muitas vezes citam os confrontos entre soldados israelenses fortemente armados e atiradores de pedras palestinos na Cisjordânia, ou a construção do que chamam de "muro do apartheid", ou o tratamento desigual em estradas da Cisjordânia. Mesmo que essas imagens sirvam para estimular uma comparação superficial, é hipócrita usá-las para distorcer a realidade. A barreira de segurança foi construída para impedir ataques terroristas implacáveis e, embora tenha infligido grandes dificuldades em alguns lugares, a Suprema Corte de Israel em muitos casos ordenou o Estado a corrigir sua rota para minimizar as dificuldades impostas. Restrições em estradas tornam-se mais intrusivas após ataques violentos e são aliviadas quando a ameaça é reduzida.

Claro que o povo palestino tem aspirações nacionais e direitos humanos que todos devem respeitar. Mas aqueles que confundem as situações em Israel e na Cisjordânia e as comparam à velha África do Sul prestam um desserviço a todos os que esperam por justiça e paz.

As relações entre árabes e judeus em Israel e na Cisjordânia não podem ser simplificadas em uma narrativa de discriminação judaica. Há hostilidade e desconfiança em ambos os lados. Israel, caso único entre as democracias, está em um estado de guerra com muitos dos seus vizinhos que se recusam a aceitar a sua existência. Mesmo alguns árabes israelenses, por serem cidadãos de Israel, vêem-se por vezes sob suspeita de outros árabes como resultado desta inimizade de longa data.

O reconhecimento mútuo e a proteção da dignidade humana de todas as pessoas são indispensáveis para pôr fim ao ódio e à raiva. A acusação de que Israel é um Estado que pratica o apartheid é falsa e maliciosa e se opõe à paz e à harmonia, ao invés de promovê-las.


Richard J. Goldstone, ex-juiz do Tribunal Constitucional Sul-Africano, liderou a comisssão de investigação da Organização das Nações Unidas sobre o conflito em Gaza em 2008-9.


26.8.11

General que liderou vitória do Vietnã contra EUA completa 100 anos

O general vietnamita artífice da vitória militar de seu país contra franceses e americanos, Vo Nguyen Giap, completa 100 anos nesta quinta-feira em um hospital de Hanói, onde está internado há meses por problemas de saúde.

Fontes ligadas a ele citadas pela imprensa local indicaram que o aniversariante estava acordado e reconhecia os visitantes que o cumprimentavam pelo centenário.

Giap nasceu em 1911 na região central da então Indochina francesa e, enquanto cursava estudos no Liceu Nacional de Hue, fez contato com os setores políticos mais radicais.


Hoang Dinh Nam/France Presse
O 
general vietnamita artífice da vitória militar de seu país contra 
franceses e americanos, Vo Nguyen Giap
O general vietnamita artífice da vitória militar de seu país contra franceses e americanos, Vo Nguyen Giap

Em 1933, ingressou no Partido Comunista da Indochina quando estudava Direito em Hanói. Após um breve exílio na China, retornou ao Vietnã em 1944 e, no ano seguinte, o próprio Ho Chi Minh nomeou-o ministro da Defesa em seu Governo provisório.

Durante os nove anos seguintes, dirigiu as tropas que lutaram para expulsar os franceses com táticas que fundamentaram sua reputação. A vitória sobre os franceses na batalha de Dien Ben Phu, em 1954, deu-lhe fama histórica.

Com o prestígio de general vitorioso em circunstâncias adversas, foi-lhe encomendada a missão de dirigir a ofensiva do Tet na guerra contra os Estados Unidos, na década seguinte.

Nos anos 60 e 70, foi vice-primeiro-ministro, ministro da Defesa e membro do Politburo, até que, de acordo com algumas versões, foi obrigado a renunciar da pasta da Defesa por sua oposição à intervenção militar no Camboja para expulsar o Khmer Vermelho.


Em 1982, Giap foi afastado do Politburo, mas manteve o cargo simbólico de vice-primeiro-ministro.

Pesquisas de opinião indicam que Giap é um dos personagens mais admirados entre a juventude vietnamita, após Ho Chi Minh, o fundador do atual Vietnã.

25.8.11

The extreme Israeli right's alliance with lunatics

In recent years, the extreme Israeli right has developed an alliance with heads of the evangelical movement, who define themselves as Christian Zionists, some of whom believe that another Holocaust of the Jews will ensure the resurrection of Jesus.

Against the backdrop of what Prime Minister Benjamin Netanyahu and his spokesmen call the "delegitimization" of Israel, a "support event" was held in Jerusalem yesterday evening led by American preacher-broadcaster Glenn Beck. Beck was accompanied by personages identified with the Republican Party's extreme right and a group of Christian Zionist evangelical leaders.

Beck never misses an opportunity to speak ill of U.S. President Barack Obama and to challenge his leadership. His television program fell out of favor even with rightist Fox Broadcasting, which took Beck off the air. A few weeks ago, Beck received publicity for comparing the young Norwegians who were killed by an extreme right-winger to the Hitler Youth. Hundreds of rabbis in the United States, from all streams of Judaism, have expressed disgust with Beck's incitement on the air against Jewish financier George Soros and Jewish intellectuals "accused" of harboring liberal, leftist views.

In recent years the extreme Israeli right has developed an alliance with the heads of the evangelical movement, who define themselves as Christian Zionists. National religious rabbis and politicians connect with these preachers, including those who spread the belief in the need for another Holocaust of the Jews in order to ensure the resurrection of Jesus. These rabbis and politicians accept donations from these preachers. It is mystifying that people from Israel's ruling party, Likud, foremost among them Vice Prime Minister Moshe Ya'alon and World Likud Chairman Danny Danon, have joined the circle of Beck's fans. So has Atzmaut MK Einat Wilf. 

One might have expected the government and police to prohibit the East Jerusalem Development Corporation (a government-municipal company ) from making available the archaeological park near the Al-Aqsa Mosque and Silwan neighborhood for the fulminations of extreme rightists. These are unnecessary and harmful fulminations that testify to Netanyahu's distorted priorities. 

It was just a few weeks ago that the government denied dozens of peace activists entry into Israel; they wanted to demonstrate nonviolently their support for the Palestinians' struggle for independence. At the time, it was claimed that this was a "provocation." The "support event" in Jerusalem was no less provocative.

22.8.11

Mike Oren: "Verão Israelense" Não é a "Primavera Árabe"

Por Michael Oren

Há duas semanas quando 300 mil pessoas saíram às ruas de Israel para protestarem contra as condições econômicas no país, os meios de comunicação rapidamente associaram esses protestos com as revoltas que assolam grande parte do mundo árabe. Segundo estes mesmos meios de comunicação os israelenses teriam aprendido esta lição com a Primavera Árabe.

Mas a diferença é que em Israel os judeus se manifestam em conjunto com os muçulmanos e cristãos; imigrantes que vieram da Rússia marcham com os que vieram da África; as divisões entre os seculares e religiosos e entre a direita e a esquerda são praticamente inexistentes. E as mulheres, sempre confinadas a um papel secundário na maioria dos protestos árabes estão entre as líderes das manifestações de Israel. De fato a primeira tenda de protesto foi montada por uma jovem de 25 anos de idade. As mães israelenses que querem voltar a trabalhar realizaram a "marcha dos carrinhos de bebês" pedindo por creches subsidiadas. 

Não estão exigindo uma mudança na forma de governo de Israel, mas uma reforma da sua política - exatamente como deve funcionar uma democracia. 


Ao contrário das revoltas árabes que tem por objetivo a derrubada de ditadores, as manifestações de Israel têm por objetivo a "justiça social" e, muito importante, dentro do sistema político existente. Especificamente querem habitação acessível e aumentos salariais que acompanhem a rápida expansão da economia de Israel; querem reduzir a disparidade social que se ampliou nas últimas décadas em Israel e sob sucessivos governos, de direita e de esquerda. Em Israel não se trata de derrubar um regime, mas a preservação da classe média. Estes israelenses estão empenhados em tornar o seu país num lugar melhor para todos os seus cidadãos - empresários, professores e trabalhadores de fábrica.

Com poucas exceções a Primavera Árabe tem sido tingida pela violência. Milhares já foram mortos e muitos milhares tiveram que se tornarem refugiados. A polícia egípcia agride os manifestantes e os colocam em prisões enquanto as tropas sírias usam tanques para atirar de canhão contra seus concidadãos. Em Israel em contraste são os artistas e escritores - e não as forças de segurança – que recebem os manifestantes. As tendas de protesto são protegidas ao invés de arrancadas, pela polícia.

O modo violento que caracteriza as manifestações árabes e a natureza pacífica das manifestações de Israel reflete a diferença mais notável entre elas. As populações árabes estão protestando para obterem a democracia e a liberdade que os seus governantes consideram como ameaças mortais. As manifestações de Israel, porém, estão ocorrendo porque a democracia e a liberdade já existem. E o governo israelense não as considera como ameaça, mas sim como uma oportunidade. Como conseqüência o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu estabeleceu um comitê constituído por funcionários do governo, economistas e professores para analisarem as demandas dos ativistas, e também foi aberto um fórum online para o diálogo. "Não podemos ignorar as vozes que emanam do público" afirmou Netanyahu. "Nós queremos soluções verdadeiras, e nós vamos realizá-las".

Há alguns dias visitei milhares de tendas e barracas que surgiram ao longo dos bulevares mais ilustres de Tel Aviv e onde vi cartazes expressando amor por Israel e o compromisso para uma sociedade mais justa. Eu falei com os organizadores que me disseram que a eletricidade para os "acampamentos" é fornecida por restaurantes das proximidades e que as pessoas do bairro abriram suas cozinhas e chuveiros para os manifestantes. Não vi um único policial, muito menos um soldado, que de qualquer forma tentasse silenciar os ativistas. A natureza tranqüila e apartidária dos protestos é uma prova importante da democracia israelense.

Porém todas essas diferenças entre a Primavera Árabe e o ‘Verão Israelense’ partilham de uma similaridade fundamental. Em ambas os povos do Oriente Médio estão desafiando o status quo e fazem ouvir a sua voz. Em todos os lugares há um sentimento de um novo senso de poder. Em Israel há a representação parlamentar e a liberdade de expressão para a discussão das demandas dos manifestantes e em conjunto para encontrarem as soluções.

Esperamos que algum dia em breve, nossos vizinhos irão desfrutar dos mesmos direitos básicos. As estações (do ano) por definição passam, mas todos nós podemos trabalhar para um futuro permanente de oportunidades, liberdade e com paz.

Michael Oren é o Embaixador de Israel nos Estados Unidos.

Jerusalém e o Estado Palestino


Humberto Viana Guimarães

No que se refere à cidade de Jerusalém temos que ser realistas: ela jamais foi a capital de qualquer nação árabe. A sede do califado mulçumano sempre foi Bagdá, e as rotas do comércio sempre passavam pelo Cairo e em Damasco. A Jordânia invadiu e ocupou Jerusalém Oriental – 1948-1967 –, dividindo a cidade pela primeira vez, desde a sua criação, sendo o único período, desde os tempos bíblicos, em que não houve presença judaica nessa parte da cidade.

A Jordânia não só expulsou os judeus como proibiu que eles orassem em seus lugares sagrados, além de criar sérias restrições de acesso aos cristãos. Para tal, o governo jordaniano separou os dois setores da cidade com cercas de arame farpado e campos minados, para assim controlar a entrada daqueles que não fossem árabes e mulçumanos. Cometeu todo tipo de arbitrariedade para fazer desaparecer qualquer vestígio da milenar presença judaica na cidade: destruiu várias sinagogas (algumas viraram estábulos) e profanou o milenar cemitério judeu do Monte das Oliveiras, para que ali passasse uma estrada. Suas lápides foram utilizadas na pavimentação e em latrinas.


Uma verdadeira violência, pois a Resolução 181 da ONU previa o livre acesso e trânsito de todas as nacionalidades, sem distinção de credo. Nem nos mais remotos tempos foram cometidas tais arbitrariedades. Mesmo depois da retomada de Jerusalém, em 1187, pelo sultão curdo Salah ad-Din Yusuf ibn Ayyub (Saladino), e no período do império otomano que durou mais de seis séculos (até 1917), nunca havia sido cerceada a liberdade religiosa das três maiores religiões monoteistas.

Que as autoridades do Estado Palestino procedam como o governo de Israel que, como país democrático, após a reconquista da parte oriental de Jerusalém em 1967, deu plena e total liberdade religiosa e acesso, sem qualquer tipo de restrições, aos lugares sagrados dos cristãos, judeus e muçulmanos. Todos circulam livremente.

Curiosa, portanto, essa intransigente exigência da Autoridade Nacional Palestina em ter a capital do Estado Palestino na parte Oriental de Jerusalém.

Pergunto: estarão de fato, Mahmoud Abbas, comandante do Fatah e presidente da Autoridade Nacional Palestina, Khaled Meshaal, do Hamas (antes dos conflitos na Síria, vivia nababescamente em Damasco — como nunca quis enfrentar a batalha, “se mandou” para Doha, no Catar, a milhares de quilômetros de Gaza, e Ismail Haniyeh, seu porta-voz, que se vire!) e Sayyid Hassan Nasrallah, do Hezbollah, dispostos a uma paz definitiva com Israel? Dá para acreditar nas promessas do Hezbollah, que é financiado pelo Irã, cujo presidente, Mahmoud Ahmadinejad, nega a existência do Holocausto e prega abertamente a destruição de Israel? E o que dizer do Hamas, que, após a morte de Bin Laden, fez uma declaração considerando o saudita com um “santo guerreiro árabe”?

O primeiro gesto de boa vontade por parte dos palestinos é reconhecer o Estado de Israel. Como disse Benjamin Netanyahu em seu discurso no Congresso americano em 24/05: “Eu aceito o Estado Palestino. É hora de o presidente Abbas conclamar o seu povo e dizer ‘Eu aceitarei o Estado judeu’”.

Na Sura Al-Baqarah 2,143, do Corão (Al-Karim al-Qur’an), está escrito: “E, assim, fizemos de vós uma comunidade mediana, para que sejais testemunhas dos homens e para que o Mensageiro seja testemunha de vós”. De acordo com a tradução do Corão elaborada pelo eminente professor de estudos árabes e islâmicos da Universidade de São Paulo (USP) Helmi Mohamed Ibrahim Nasr – uma das maiores autoridades mundiais no assunto –, com a colaboração da Liga Islâmica Mundial impressa no Complexo do Rei Fahad, Arábia Saudita, a palavra “mediana é tradução do vocábulo árabe ‘wasat’, e indica que a nação árabe deve estar isenta de extremismo, em todos os aspectos, uma vez que, segundo a máxima árabe, o que é melhor está no meio, aliás, essa ideia coincide com a máxima latina ‘in medio stat virtus’”.

Que os palestinos sigam os ensinamentos do Profeta (sallAllahou alayhi wasallam, que a bênção e a paz de Deus estejam com ele).

*Humberto Viana Guimarães é engenheiro civil, consultor e pesquisador da História do Oriente Médio.