Translate 4 Your Language

29.5.11

Liberdade de Opinião (Jack Terpins)

Jack Terpins

Jack Terpins começou sua atividade Comunitária no ano de 1967, jogando basquete no Clube A Hebraica de São Paulo. No Clube depois de diretor de Basquete foi Diretor Geral de Esporte e no ano de 1991 o mais jovem presidente da Hebraica com 42 anos de idade, até 1993. Em seguida foi presidente do Conselho da Hebraica de São Paulo 1996 1997. Foi Presidente da CONIB – Confederação Israelita do Brasil – de novembro de 1997 reeleito por unanimidade em novembro de 2000 e depois de 2005 a 2007 . Vice-presidente da Organização Israelita Ashkenazi (Sinagoga Beth El). Fundador e Diretor de Patrimônio da Sinagoga Beth Chabad – Itaim. Eleito Líder Comunitário do ano 2000 (pela Congregação Israelita Paulista – Ledor – Vador), prêmio entregue pelo escritor Eli Wiesel (Premio Nobel). Eleito Voluntário do ano 2000 pela Ten Yad.

Outros Títulos e Atividades

Presidente do Congresso Judaico Latino Americano. Comenda do Ministério da Cultura do Governo Presidente Fernando Henrique Cardoso. Presidente da Confederação Brasileira Macabi. Presidente da Confederação Latino-Americana Macabi. Vicepresidente del Maccabi World Union. Prêmio de Merito da Fraternidade Ecumênica Brasileira. Grande reconhecimento maçônico do Grande Oriente do Brasil. Companheiro Paul Harris SP – Sumaré – Rotary Club, por serviços prestados. Membro Fundador da Licra – Liga Internacional Contra o Racismo. Diretor do Patrimônio Sport Club Corinthians Paulista. Amigo da Marinha Brasileira. Governador da Universidade Hebraica de Jerusalém. Governador do Instituto Weizmann. Diretor da Sociedade Amigos de Israel. Conselheiro da SEPPRIR - Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. Membro do Conselho Permanente do Congresso Judaico Mundial.

1) O que fez de mais importante em sua vida?
Eu diria que o que fiz de mais importante em minha vida foi constituir uma família linda e unida. Tenho uma esposa que sempre me acompanhou e apóia, a Denise, três filhos maravilhosos, Rodrigo, Ticiana e Michel, que casaram, respectivamente, com Flavia, Alan e Patricia e me deram netos que curto muito: Fred, Max, Lis; Beni e Gabriel; Bernardo e outra a caminho. No âmbito comunitário, eu me dediquei e sigo trabalhando para o bem e a união dos judeus, buscando esclarecer quem somos e o que fazemos, combatendo o antissemitismo e toda forma de intolerância e discriminação, o que no CJL, fazemos através do Observatório na Web, uma importante ferramenta de monitoramento dessa questão.

2) O que lamenta não ter feito, ou ainda deseja fazer, de importante?

Fiz tudo o que quis, mas nunca e suficiente. Desejo ver ainda uma comunidade forte e atuante, vibrante, unida. Quero que sejamos respeitados e modelo de união e de pessoas que fazem não apenas para sim, mas que contribuam para um mundo melhor. Assim, quero que as pequenas comunidades se fortaleçam, acho que temos que ter um trabalho mais consistente de hasbará que atinja o quanto mais de pessoas, e algo que nós do Congresso Judaico Latino-Americano temos feito, é investindo na continuidade, queremos dar continuidade ao nosso trabalho. Temos para isso, o Programa de Novas Gerações.

3) Diante da multiplicidade de disputas e conflitos étnicos e raciais se generalizando em todo mundo, você acha que a Humanidade caminha para tempos sombrios?

Não. Eu sou uma pessoa otimista por natureza, e acredito que todo mundo tem algo de bom, basta cultivarmos, despertamos isso. E um bom meio para alcançar isso é através do esclarecimento. No caso, organizamos cursos, viagens e atividades variadas com formadores de opinião que possam servir como agentes multiplicadores, assim buscamos  a difusão dessas iniciativas em veículos de comunicação de grande alcance, como programas de TV, jornais, eventos etc.

4) Você concorda com o balizamento estatal ou religioso nas opções e preferências pessoais de cada individuo, incluindo a comunicação, opção sexual, vestimenta, fumo e bebida?

Esta questão, especialmente, é algo que não acontece no Brasil, que é onde eu vivo, portanto, não faz parte de minha realidade, tampouco nos países nos quais, o CJL tem uma atuação mais constante e forte.

5) Qual seria a sua reação caso tivesse tolhido seu direito de opinar, consumir e de se expressar?

Não consigo imaginar isso! Mas, o fato é que nos solidarizamos com todos  aqueles que tem algo a contribuir, de fato, almejando que sejam livres para  que o façam.

Não estarei vivo para ver

Um amigo meu da comunidade, também jornalista, costuma dizer que "Todo mundo está certo". Com a espirituosa frase ele alude ao fato de que qualquer argumento honesto, observado sob a ótica de quem o expõe, pode ser compreendido como válido, e que dois argumentos opostos podem estar certos. A filosofia já tratou bastante do assunto, mas a simplificação (ou complexificação...) proposta por meu amigo judeu veio à tona para que ele analisasse a proposta de Obama de uma paz que respeitasse as fronteiras pré-67. Dizia meu amigo: "É perfeitamente correto e justo pedir a paz nessas condições. Mas também é perfeitamente correto e justo não aceitar as condições." O que penso a respeito, eu? Fico também neste dilema. Outro dia ouvi um debate interessante na televisão, em que um analista político brasileiro observava que os movimentos sociais no mundo islâmico iriam, mais cedo, mais tarde, refletir na questão Israel-Palestina. Por um lado, o povo palesti no teria que, em algum momento, começar a pressionar os poderes constituídos da Autoridade, seja ela formal (Fatah) seja informal (Hamas), seguindo as tendências da contemporaneidade. Ou seja, os palestinos seriam motores da mudança no sentido de uma postura mais responsável por parte de seus governantes, na busca da criação de um estado. O analista dizia que também a sociedade israelense, em algum ponto, e através dos meios democráticos de que já dispõe, mudaria a feição do parlamento e de seus líderes na direção de um maior pragmatismo e, ao mesmo tempo, de um pensamento menos reativo e emocional na condução da paz. O fato é que em algum momento se há de ceder. Do contrário, Israel-Palestinos será eternamente um bolsão de instabilidade, sangue e dor. Creio que a paz virá. Não creio que estarei vivo para vê-la.

Museu de Moscou coloca raízes judaicas de Lenin em exposição

Por MANSUR MIROVALEV, Associated Press

MOSCOU - Pelo primeira vez, os russos podem agora ver os documentos que parecem confirmar os boatos, de longa data, de que Vladimir Lênin tinha origem judaica.

Em um país duramente castigado pelo antissemitismo, esse patrimônio familiar pode ser uma mancha significativa, especialmente para o fundador da União Soviética, que ainda hoje é reverenciado por muitos russos idosos.

Entre dezenas de documentos recém-liberados, em exibição no Museu da História do Estado, está uma carta escrita pela irmã mais velha de Lênin, Anna Ulyanova, dizendo que seu avô materno era um judeu ucraniano que se converteu ao cristianismo para escapar da perseguição antissemita.

"Ele veio de uma família pobre judaica e foi, segundo a sua certidão de batismo, o filho de Moisés Blank, natural da cidade da Ucrânia ocidental, Zhitomir,",  Ulyanova escreveu em uma carta de 1932 para Josef Stálin, que sucedeu a Lênin depois sua morte, em 1924.

"Vladimir Ilich tinha sempre pensado muito sobre judeus", escreveu ela. "Lamento muito que o fato de nossa origem - o que eu suspeitava antes, não foi conhecida durante a sua vida".

Sob o regime czarista, a maioria dos judeus foram autorizados a residência permanente apenas em uma área restrita, que incluía grande parte da Lituânia de hoje, a Bielorrússia, Polônia, Moldávia, Ucrânia e partes do oeste da Rússia.

Muitos judeus se juntaram aos bolcheviques para combater o desenfreado anti-semitismo na Rússia czarista e alguns estavam entre os líderes do Partido Comunista, quando assumiu o poder após a Revolução de 1917. O mais proeminente entre eles foi Leon Trotsky, cujo nome verdadeiro era Lev Davidovitch Bronstein.

Mas Lênin, que nasceu Vladimir Ilich Ulianov, em 1870, se identificou apenas como Russo.  

Lênin era o seu nome de guerra, em 1901, enquanto vivia no exílio na Sibéria, perto do rio Lena.

Um breve período de promoção da cultura judaica, que começou sob Lênin, terminou no início dos anos 1930, quando Stalin orquestrou expurgos anti-semitas entre os comunistas e traçou um plano para transferir todos os judeus soviéticos para uma região na fronteira com a China.

Ulyanova perguntou a Stalin se poderia fazer a herança judaica de Lenin conhecida, para tentar conter o avanço do anti-semitismo da época. "Ouvi dizer que nos últimos anos o anti-semitismo tem sido cada vez mais forte, mesmo entre os comunistas," ela escreveu. "Seria errado esconder este fato das massas."

Stalin ignorou o apelo e pediu a ela para "manter um silêncio absoluto" sobre a carta, de acordo com a curadora da exposição, Tatyana Koloskova.

A biógrafa oficial de Lênin, sua sobrinha Olga Ulyanova, tinha escrito que sua família só tinha raízes russas, alemãs e suecas.

A carta da irmã de Lenin tornou-se disponível aos historiadores russos no início de 1990, mas sua autenticidade foi ferozmente disputada.  A decisão  para inclusão na exposição foi de Koloskova, que como diretora da sucursal do Museu de História do Estado dedicado a Lênin, é uma das estudiosas mais importantes sobre sua vida.

A exposição no museu, na Praça Vermelha, perto do mausoléu de Lenin, também revela que ele estava em tal miséria, depois de sofrer um derrame em 1922, que pediu a Stalin para trazer-lhe veneno.

"Ele não esperava, aliás, que Stalin atendesse a este pedido", escreveu a irmã caçula de Lênin, Maria Ulyanova,  em 1922 no seu diário. "Ele sabia que o camarada Stalin, como um bolchevique leal, simples e desprovido de qualquer sentimentalismo, não ousaria pôr fim à vida de Lênin".

Inicialmente, Stalin prometeu ajudar Lênin, mas outros membros do Politburo decidiram rejeitar o seu pedido, diz a carta. Trotsky, que Stalin tinha forçado a sair da União Soviética, afirmou em suas memórias que Stalin tinha envenenado Lenin.

Os 111 documentos em exibição, muitos deles só recentemente classificados e liberados, e todos eles abertos ao público pela primeira vez, deu informações surpreendentes sobre figuras de topo da antiga União Soviética. Homens geralmente retratados como austeros e destemidos, por vezes, são vistos como lunáticos, medrosos e até desesperados.

Um dos documentos contém um apelo desesperado que Stalin recebeu, em 1934, de um líder comunista preso, Lev Kamenev, cujo nome verdadeiro era Rosenfeld.

"Num momento em que minha alma está cheia de nada além de amor para o partido e a sua liderança, por ter vivido hesitações e dúvidas, eu posso corajosamente dizer que aprendi a confiar no Comitê Central, a cada passo e a cada decisão que você, camarada Stalin, fizer ", escreveu Kamenev. "Eu fui preso por meus laços com pessoas que são estranhas e repugnantes para mim."

Stalin ignorou esta carta, também, e Kamenev  foi executado em 1936.

Um pouco mais cômica - mas não menos macabra – é o aspecto da exposição onde estão as caricaturas desenhadas por membros do Politburo.

O proeminente economista Valery Mezhlauk ridiculariza Trotsky como um judeu errante e retrata um ministro das Finanças pendurado em uma posição desconfortável. Em uma nota manuscrita por este último caricaturista, Stalin recomenda que o ministro seja enforcado pelos seus testículos. O ministro e os cartunistas foram presos e executados em 1938.

A exposição, que foi inaugurada na semana passada, ficará aberta até 3 de julho.


"Motivo de orgulho, sem dúvida. Já temos Luxemburgo, Trotsky, entre outros. Judeu faz a diferença onde estiver, é claro que Lenin tinha que ter alguma raiz judaica!"

EMILE BERLINER

O que poucas pessoas sabem é que o primeiro helicóptero a alçar vôo, há mais de um século, foi inteiramente projetado e construído por um inventor judeu, Emile Berliner.


Berliner, como o próprio nome poderia supor, não nasceu em Berlim, mas na cidade de Hanover, Alemanha, em 1851. Aos 19 anos, emigrou para os Estados Unidos, tendo se naturalizado norte-americano tempos depois. Extremamente criativo, montou seu próprio laboratório em Brightwood, arredores de Washington, DC, onde desenvolveu uma série de projetos inovadores, entre os quais o do primeiro helicóptero. Essa revolucionária aeronave conseguiu vencer a força da gravidade e subir, por três vezes consecutivas, aos céus, em 1909.


Berliner junto ao seu helicóptero


SUPERAR DESAFIOS
Para aperfeiçoar o novo equipamento era preciso utilizar motores que fossem, ao mesmo tempo, mais potentes e menos pesados, um verdadeiro desafio para a incipiente indústria de materiais aeronáuticos da época. Com esse objetivo, Emile Berliner criou a Gyro Motor Company, onde conseguiu produzir os primeiros motores leves com 6-hp de potência, o que representou um grande impulso não só para o seu ousado projeto como também para o desenvolvimento da aviação convencional, que engatinhava.                                  
        
Para dar uma idéia do seu pioneirismo, foram necessários exatos trinta e um anos após o vôo desse primeiro helicóptero para que a aeronave entrasse em linha de produção, o que só aconteceu em 1940. Lamentavelmente, Berliner já não estava vivo para poder comprovar que suas previsões a respeito desse  fantástico meio de transporte estavam corretas, pois havia falecido muito antes, em 1929.   

OUTRAS INVENÇÕES
Ao contrário de muitos cientistas que não conseguiram colher os frutos da própria criatividade, Berliner pode transformar muitos de seus projetos em produtos de grande apelo popular. É dele, por exemplo, a idéia de que seria possível construir um aparelho que captasse a voz humana e os sons dos instrumentos musicais. Havia criado o microfone.                              

Berliner apresenta o Microfone

GRAVAR E REPRODUZIR
Ao mesmo tempo, imaginou desenvolver um sistema que permitisse gravar e reproduzir sons em estruturas arredondadas e planas e a varinha de condão do judeu Berliner tinha dado a luz aos primeiros discos da história. Para completar o ciclo, Emile Berliner concebeu a criação de um equipamento que reproduzisse e amplificasse os sons registrados nesses discos, em um aparelho que ele próprio decidiu batizar como gramofone. Foi uma verdadeira coqueluche que em pouco tempo contagiou o mundo todo. Era preciso produzir discos para um mercado ávido pela novidade. Percebendo o potencial de sua descoberta, logo a seguir fundou as gravadoras Berliner Gramophone Company, nos Estados Unidos; a Gramophone Company, na Inglaterra; a Deutsche Gramophon, na Alemanha e a Berliner Gram-O-Phone Company, no Canadá. Em parceria com Eldrige Johson, lançou a Victor Talking Machine Company, que deu origem à expressão vitrola (de victrola) e ao selo Victor, imortalizado pela imagem de u m cachorrinho escutando a voz do dono.                              

A Voz do Dono

MERECIDO DESCANSO
Emile Berliner faleceu aos setenta e oito anos de um ataque cardíaco, no dia 3 de agosto de 1929. Seu corpo encontra-se sepultado no Cemitério de Rock Creek, em Washington, DC, ao lado do de sua esposa e filho.

Lápide tumular da Família Berliner no Cemitério de Rock Creek
O LEGADO
Emile Berliner registrou nada menos de dez patentes de inventos originais que modificaram, para melhor, a vida das pessoas em todo o planeta. Suas descobertas abrangeram desde o aperfeiçoamento dos telefones até à criação do microfone, dos discos e dos gramofones, passando pelo projeto de um novo modelo de tear e de uma aeronave que pudesse decolar e aterrisar na vertical, algo que nem mesmo Júlio Verne teria ousado imaginar.


O SEQUESTRO DO RABINO E O CORINTHIANS

O rabino Raphael Shammah, diretor-chefe do Ohr Israel College, foi um dos reféns do avião sequestrado em Uganda por terríveis terroristas. Junto com o rabino Shammah, estava também seu amigo,  Sr. Jacques Stern, de São Paulo.

Os dois jovens — então com 17 anos de idade — embarcaram para o Brasil após um período de estudos em Israel. O Rabino Shammah conta que se lembra de ter insistido muito para trocar seu vôo original justamente para este vôo. Em um determinado momento, os terroristas já tendo anunciado o sequestro, o Rabino Shammah se lembrou de uma carteirinha da polícia voluntária de patrulhamento em Israel, que tinha no bolso. Pensou: “se me encontram com esta carteira, estou morto”; e decidiu tirar a película de plástico da carteira e engolir o papel de uma vez. Um dos sequestradores exclamou: "Que ninguém ouse tentar esconder seus documentos!" — o Rabino Shammah quase engasgou. De repente, ele escuta um dos sequestradores falando um palavrão em português. E disse: "Ah não, você é brasileiro também?" O sequestrador, com uma arma e uma granada na mão disse, “não sou, mas morei no Brasil e trabalhei no Brás por alguns anos e aprendi a falar português”, o rabino Shammah continuou: “mas para qu al time você torce?” o sequestrador disse: “Corinthians”, o rabino, para conquistar sua simpatia apesar de torcer para o Santos, respondeu “eu também!”, e começaram a falar de futebol. No meio do papo animado, o sequestrador se lembrou que ele era o sequestrador e o rabino o sequestrado. E disse: "Sente-se!!"


Quando já estavam no solo de Uganda, separaram os reféns em dois grupos: Grupo 1) Israelenses e judeus religiosos (mesmo  não sendo israelenses) - Grupo 2) não-israelenses. Os não-israelenses que não eram religiosos foram liberados. Rabino Shammah e seu amigo Jacques Stern ficaram com o grupo que continou refém. Após alguns dias decidiram libertar algumas pessoas, e o sequestrador “corinthiano” decidiu chamar o rabino Shammah dizendo: "Vou te libertar,"  como uma forma de mostrar que ser corinthiano está acima de tudo. O Rabino Shammah disse: "Perdão, mas eu não vou sem meu amigo Jacques." O sequestrador disse: "Você é o último da lista de libertados, tá louco? Já fiz de tudo para te libertar, ou vai só ou não vai." Ele disse: "Fico então". No final, o sequestrador do Brás decidiu libertar ambos — o Rabino Shammah e seu amigo Jacques Stern, que de lá foram para Paris, onde deram uma entrevista emocionada à rádio Bandeirantes. Os dois continua m sendo grandes amigos até hoje.

Essa história me faz lembrar um fato ocorrido no Rio, quando sequestraram o pai do Romário. Romário foi na TV e disse que, se não devolvessem seu pai são e salvo, ele não jogaria pela seleção.

No dia seguinte, estava lá o pai do Romário, voltando de táxi do cativeiro, pago pelos criminosos. Imagina a briga entre os sequestradores/torcedores... Com certeza, algum deles não aceitou ser ele o causador da derrota do jogo que estava por vir. Além do mais, o que diriam seus familiares e amigos se soubessem que a seleção havia perdido o jogo por culpa de seu ato “egoísta”?!

Parece irônico, mas o futebol para muitos é mais que uma religião.

Arábia Saudita inaugura a maior universidade do mundo só para mulheres

Mas onde é que as graduadas dessa instituição mamute irão encontrar emprego? As mulheres compõem apenas 14,4 por cento da força de trabalho nacional saudita. O rei saudita Abdullah bin Abdulaziz inaugurou no domingo a maior universidade do mundo só para mulheres e que ocupa oito milhões de metros quadrados e que custou mais de 20 bilhões de riais (US$ 5,3 bilhões) para a sua construção. Mas muitas mulheres estão questionando onde as habilidades que eles irão adquirir vão ser colocadas em uso.

Esperado receber até 40.000 alunas a Universidade Princesa Nora bint Abdulrahman que está localizada na periferia da capital Riad terá vagas suficientes nas suas aulas do primeiro ano para 60% de todas as mulheres do reino que tenham diploma do ensino médio. "O Rei realiza o seu sonho ao inaugurar o Portal do Conhecimento para a mulher saudita" anunciou cerimoniosamente o jornal saudita Al-Watan em sua manchete da segunda-feira. Mas a transição da educação formal para o emprego é particularmente difícil para as mulheres sauditas, que compõem 58% do total de estudantes, mas que são apenas 14,4% da força de trabalho nacional. Os números relativos ao emprego feminino são significativamente menores do que no Ocidente, e mais baixos até mesmo em comparação com os países vizinhos do Golfo, como os Emirados Árabes Unidos (59%), Kuwait (42,5%) e Catar (36,4%). Fawzia Al-Bakr, uma professora de educação na Universidade Rei Saud em Riad disse que a nov a universidade e os seus 15 departamentos abrirá novos campos educacionais que estavam limitados para as mulheres na Arábia Saudita, como informática e enfermagem. Ela disse que embora a nova universidade provavelmente não tenha qualquer dificuldade para preencher as suas bancadas com estudantes ansiosas, a procura de emprego será um desafio para as mulheres.

"A Arábia Saudita tem uma grande população jovem e o emprego para mulheres é um grande problema que as instituições educacionais não serão capazes de resolver" disse ela à The Line Media. "É um problema social, cultural e sistêmico, mas a educação deve ser fornecida para todos, independentemente de oportunidades de emprego". O rei Abdullah está percorrendo um caminho difícil entre os liberais, e se acredita que ele seja um deles, e a facção dominante conservadora das instituições religiosas do país. O liberalismo na Arábia Saudita atingiu o seu apogeu em fevereiro de 2009 com a nomeação de Nora bint Abdullah Al-Fayez como vice-ministra da Educação, e foi a primeira mulher a ocupar um cargo ministerial no reino.

Mas alguns especialistas dizem que o feminismo entrou em declínio desde então. As mulheres sauditas estão proibidas de dirigir automóveis ou sair de casa a não ser quando acompanhadas por um tutor do sexo masculino. O mais recente golpe veio em 28 de março quando o governo anunciou que as mulheres não seriam autorizadas a votar nas eleições municipais. A eleição que foi a segunda já realizada na história do reino, tinha sido adiada de 2009 sob o pretexto de que era necessário mais tempo para permitir que as mulheres votassem. Mesmo Abdullah, em seu discurso de abertura, enfatizou o papel da mulher saudita como sendo mais importante o papel de mãe do que como uma ganha-pão. "A mulher saudita é uma mãe amorosa, uma cidadã construtiva e funcionária diligente" ele disse.
Rima al-Mukhtar, uma jornalista do diário em inglês Arab News baseado em Jedda disse que está confiante de que as diplomadas da nova universidade irão encontrar trabalho no reino se elas adquirirem as competências necessárias para o mercado de trabalho. Ela disse que os campi das grandes universidades sauditas têm lugares separados para homens e mulheres, mas a nova Universidade Princesa Nora bint Abdulrahman é a única na qual estudarão somente mulheres.

"É como em qualquer outro país" disse Al-Mukhtar para a Media Line. "Quando você tem conhecimentos de Inglês ou de computador, é mais fácil encontrar um emprego". Al-Mukhtar disse que não teve problema em encontrar trabalho no jornalismo imediatamente após a formatura, acrescentando que os homens e mulheres sentam em escritórios separados no local de trabalho, mas às vezes se misturam nas reuniões realizadas na parte da manhã. Ela disse que os homens e as mulheres eram livres para escreverem sobre todos os assuntos.

Mas Al-Mukhtar parece ser a exceção e não a regra. As mulheres sauditas tendem a se especializar nas áreas de saúde e educação, com 85% trabalhando na educação e 6% na saúde pública. Cerca de 95% das mulheres sauditas estão empregadas no setor público.

Eman Al-Nafjan, blogueira e professora de Inglês que mora em Riad disse que as mulheres no reino há muito tempo têm reclamado sobre instalações de ensino inadequadas. Ela disse que o novo e moderno campus, onde um trem monotrilho conecta os edifícios da universidade, foi uma introdução bem-vinda no cenário educacional do país. Ela acrescentou, porém, que mesmo quando tem emprego as mulheres sauditas terão de enfrentar a discriminação no local de trabalho. "Mesmo nos setores da saúde e educação, onde as mulheres estão empregadas há um teto de vidro" ele afirmou para a The Media Line.

Al-Nafjan relatou que as mulheres sauditas freqüentemente optam pelo ensino superior porque não conseguem encontrar um emprego quando terminam o ensino médio. Os conservadores religiosos não contestam a nova universidade, pois ela não viola dois dos princípios que os homens sauditas consideram muito importantes - a educação separada para homens e mulheres e a proibição para mulheres dirigir carros.

Professoras não podem ensinar alunos do sexo masculino informou Al-Nafjan acrescentando que a maioria das faculdades de humanidades na Arábia Saudita emprega um sistema de circuito fechado de TV onde os professores do sexo masculino podem ensinar as mulheres sem vê-las. Ela afirmou que a educação feminina deve ser valorizada, mesmo que não é seguida por emprego. "Quanto mais educadas as mulheres forem, mais elas vão impulsionar as mudanças".

Bate-Bola Rápido (Daniela Kresch Entrevista Alessandro Wajchenber)

O administrador de empresas paulista Alessandro Wajchenber, de 24 anos, é o entrevistado de hoje na série de entrevistas com participantes do MASA, que oferece bolsas para jovens queiram passar de cinco a dez meses em Israel, estudando, trabalhando ou viajando pelo país. Desde 2005, mais de 1.250 jovens já conheceram Israel através dos 150 programas do MASA.

Alessandro trabalhava num banco de investimentos quando decidiu fazer uma pausa para ir para Israel através do programa Lech Lechá. Ele escolheu estudar hebraico e estagiar numa empresa de alta tecnologia, na qual ele se dedica a escrever sobre investimentos no mundo árabe.

1) Por quê você decidiu viajar para Israel?
Para viver fora do Brasil e ter uma experiência pesoal e profissional única. Essa vivência e experiência profissional agrega valor à minha carreira. Uni o útil ao agradável.

2) Por quê escolheu um programa ligado ao MASA?
Por causa do financiamento e das oportunidades de estágio. Se eu quisesese morar nos Estados Unidos, não consegueria estagiar num empresa tão boa quanto à minha. Ia acabar trabalhando num McDonald’s ou algo assim.

3) Do que você mais tem gostado, em Israel?
Das pessoas que eu estou conhecendo. São interessantes, de muitas nacionalidades, diferentes de mim.

4) O que mais tem estranhado?
A comida. Moro sozinho e não sei cozinhar. Sinto falta de chegar em casa e ter tudo preparado.

5) Qual foi o ponto alto do programa, até agora?
O estágio, sem dúvida. Vai ajudar na minha carreira.

6) O que poderia se melhorado?
Não tenho nada a reclamar. Sempre tenho o que eu preciso.

7) Qual a maior lição da experiência?
Acho que são as amizades que eu fiz, porque vão ser para sempre. Está sendo o melhor momento da minha vida, estou vivendo ao máximo.

8) O que você diria para quem pretende visitar o país?
Diria para vir. Há dois anos, tive a oportunidade de vir a não vim. Me arrependi. Se eu não viesse agora, seria difícil depois. O começo é difícil, mas é fundamental viver algo diferente.

LIBERDADE DE OPINIÃO (Benjamin Zymler)

MINISTRO BENJAMIN ZYMLER
Presidente do Tribunal de Contas da União

Benjamin Zymler (Rio de Janeiro, 25 de março de 1956) é engenheiro e ministro do Tribunal de Contas da União. Filho de imigrantes judeus da Polônia, Benjamin formou-se em Engenharia Elétrica pelo Instituto Militar de Engenharia. Trabalhou em Furnas Centrais Elétricas e na iniciativa privada até 1992, quando ingressou no Tribunal de Contas da União como Analista de Finanças e Controle Externo, mediante concurso público. Formou-se, ainda, em Direito, com mestrado, pela Universidade de Brasília. Prestou concurso em 1996 para ao cargo de Auditor do próprio tribunal, sendo aprovado e empossado em 1998. Com a aposentadoria do ministro Bento Bugarin, foi indicado pelo presidente da república Fernando Henrique Cardoso a vaga destinada a Auditores do TCU. Aprovado pelo Senado Federal, foi empossado em 11 de setembro de 2001.

Preside o Tribunal de Contas da União desde Janeiro de 2011.
O que o senhor fez de mais importante em sua vida?

– Acredito que a atividade do homem pode ser dividida em duas áreas, a profissional e a pessoal. Junto à família, compartilho tanto os sucessos e alegrias como os momentos de crise. A família, minha fonte de inspiração, foi o que constituí de mais importante na vida.

O que o senhor lamenta não ter feito e o que ainda deseja fazer de importante?

– No campo profissional, alcancei o ápice da carreira, ao ocupar a função de Presidente do Tribunal de Contas da União. Por essa razão, no aspecto profissional, nada mais tenho a desejar. Quanto à área pessoal, o esporte representa um componente fundamental na minha vida. Eu gostaria de ter sido um bom jogador de qualquer modalidade esportiva, mas isso não foi possível. Nesse ponto, fica uma lacuna.

Diante da multiplicidade de disputas e conflitos étnicos e raciais se generalizando em todo o mundo, o senhor acha que a humanidade caminha para tempos sombrios?

– A humanidade evolui em ciclos. Houve determinados momentos em que os conflitos étnicos e raciais se radicalizaram, como no período da Idade Média, em que ocorreu a Inquisição, na época da escravidão e durante a Segunda Guerra Mundial.  Os conflitos sempre vão existir. Hoje, contudo, há fóruns multilaterais que possibilitam um compartilhamento de valores como a igualdade e a dignidade da pessoa humana, além de instituições que buscam proteger exatamente os direitos individuais, relacionados à personalidade, à vida, à propriedade, à livre expressão, bem como os direitos sociais e políticos. Os direitos fundamentais são reconhecidos mundialmente, por meio de tratados e outros instrumentos do Direito Internacional. A humanidade ainda enfrentará períodos difíceis, mas, do ponto de vista mais amplo, acredito que caminha para tempos menos sombrios e de maior compreensão em face das diversidades.

O senhor concorda com o balizamento estatal e religioso nas opções e preferências de cada indivíduo, incluindo a comunicação, a opção sexual, vestimenta, o fumo e a bebida?

– A questão é muito abrangente e envolve os direitos relacionados à vida privada, à liberdade de pensamento, bem como às opções do ser humano no campo filosófico, ideológico e sexual. A liberdade deve ser a regra. Em relação ao fumo e à bebida, a análise merece ser feita de forma diferenciada, considerando que podem causar mal à saúde ou levar à morte. Ao Estado compete o controle do uso dessas drogas e não a censura. Um controle que deve visar muito mais ao esclarecimento e à conscientização da população.

Qual seria a sua reação caso tivessem tolhido seu direito de opinar, consumir e de se expressar?

– No Estado Democrático de Direito, a liberdade de manifestação de pensamento é garantida pela Constituição. Essa pergunta apenas faz sentido numa sociedade democrática. Seria diferente se esse questionamento fosse feito num contexto onde as pessoas não têm o direito à liberdade e a nenhuma de suas facetas. Não consigo imaginar minha participação num Estado que não ofereça as condições mínimas de vida, de liberdade de expressão, de igualdade e de proteção à honra, bem como os direitos à educação, à saúde e à dignidade para o desenvolvimento da personalidade do ser humano. Houve épocas em que as ideias de igualdade predominaram com as ideologias socialista, marxista e comunista. Hoje, há uma percepção de que a liberdade deve conviver em equilíbrio com o conceito de igualdade substancial, na qual as mesmas condições e chances são oferecidas para todos. O Estado contemporâneo vive o desafio do pluralismo. Nesse sentido, o reconhecimento do princípio da dignidade da pessoa humana implica o respeito pelo outro, tanto no aspecto individual, como no convívio social. Isso é essencial para que o direito de liberdade possa permitir o desenvolvimento da pessoa nas suas diversas expressões.

Prisão do principal candidato presidencial abala a comunidade judaica da França

Ondas de choque continuam percorrendo por toda a França; Dominique Strauss-Kahn, considerado o provável candidato do Partido Socialista para desafiar o presidente francês Nicolas Sarkozy nas eleições presidenciais do próximo ano, esteve em uma prisão da cidade de Nova York sob a acusação de agressão sexual.

A detenção de Strauss-Kahn de 62 anos de idade altera significativamente o campo político na França, quando pesquisas recentes mostravam que o dirigente do Fundo Monetário Internacional era o mais popular entre aqueles que são considerados possíveis candidatos à presidência da França. E também representa um golpe particularmente duro para muitos da comunidade judaica da França. Strauss-Kahn - popularmente conhecido por suas iniciais, DSK - foi sempre muito franco sobre sua identidade judaica num país onde os políticos tipicamente mantêm silêncio sobre sua religião. Ele também expressou no passado sentimentos de ligação com Israel, mas sempre mantendo certa distância de participar ativamente em instituições judaicas, de acordo com líderes judeus.
"Perdemos um amigo" disse o rabino Michel Serfaty que é presidente da Amizade Judaico-Muçulmana da França. “É verdade que a comunidade judaica tem um amigo em Sarkozy, bem como entre outros líderes do Partido Socialista, mas com DSK não havia dúvida de que ele era um membro da comunidade, interessado em Israel, que nós perdemos”. Entre a grande comunidade judaica em Sarcelles, um subúrbio de Paris, onde Strauss-Kahn foi prefeito, a emoção era palpável. "É muito doloroso para nós" disse Marc Djebali, vice-presidente da comunidade judaica de Sarcelles. "Eu o conheço bem.. Ele é sempre muito cordial e nunca senti qualquer sinal ou problema de violência dele". Strauss-Kahn se declarou inocente das acusações criminais, incluindo a de abuso sexual e tentativa de estupro. As acusações foram feitas por uma camareira de 32 anos de idade do Hotel Sofitel em Manhattan que disse que quando ela entrou para limpar o quarto de Strauss-Kahn na tarde de sábad o ele saiu nu do banheiro, empurrou-a na cama, agrediu-a e forçou-a a fazer sexo oral, de acordo com Paul Browne, vice-comissário da Polícia da cidade de Nova York. Na França Strauss-Kahn supostamente tem uma reputação de "correr atrás de saias" e poderá enfrentar uma investigação adicional de assalto sexual pela jornalista Tristane Banon deverá agora apresentar queixa contra ele por um caso que ela afirma que ocorreu em 2002, de acordo com seu advogado.

Enquanto alguns dos que apóiam Strauss-Kahn estão se perguntando se o candidato favorito para a presidência foi vítima de uma conspiração, Strauss-Kahn ele mesmo especulou em uma recente entrevista para o diário Liberation de tendência esquerdista que ele poderia enfrentar três principais dificuldades caso fosse se candidatar para a presidência: "Dinheiro, mulheres e o fato de que eu sou judeu" ele afirmou.
Embora alguns estejam preocupados que o incidente poderia desencadear sentimentos anti-semitas na França, Marc Knobel, pesquisador do grupo judeu francês CRIF informou que não havia encontrado qualquer referência significativa à religião de Strauss-Kahn em conexão com a sua prisão. Pelo contrário, "todo mundo sabia que ele é judeu, o que não impediu de ele ser o candidato mais popular na França" afirmou Richard Prasquier, presidente do CRIF. "E isso diz algo sobre a França. Atualmente achamos perfeitamente normal que um judeu possa se tornar presidente".

No entanto, no início deste ano um membro do partido UMP de Sarkozy foi acusado de fazer alusão às raízes judaicas de Strauss-Kahn, e assim causando um clamor político quando disse a uma rádio francesa que o líder do FMI "não personifica a imagem da França, a imagem da França rural que tanto nós gostamos, e à qual estou ligado".

Com o popular líder do FMI fora do campo político da França, Marine Le Pen que é a nova líder do Partido da Frente Nacional de direita está entre aqueles que poderão lucrar com a situação, dizem os analistas políticos. Esta é uma perspectiva que muitos judeus franceses temem, pois consideram a Frente Nacional como anti-semita, embora Le Pen tente lançar uma imagem nova para o partido, que foi fundado pelo seu pai. Jean Viard, analista sênior do Centro Cevipof de Pesquisas Políticas comentou que se Strauss-Kahn for condenado, isso irá ajudar a Sarkozy na eleição de 2012 e "também aumenta as chances de Marine Le Pen de chegar ao segundo turno das eleições presidenciais". "Irá afetar fortemente todo o cenário político" ele acrescentou.

LOBATO E FREYRE: DUAS FACES DO PRECONCEITO

Com mediação do jornalista Andre Nigri, da Revista Bravo, aconteceu nesta quinta um debate sobre o racismo na obra de Monteiro Lobato no Centro de História e Cultura Judaica de São Paulo, no evento mensal conhecido como Café Bravo. Infelizmente tive que fechar este texto antes do debate. A revista, dedicada à cultura e dirigida a um público segmentado, publicou na última edição uma reportagem de capa com um dossiê completo sobre as cartas trocadas entre Monteiro Lobato e vários amigos eugenistas, pregando o racismo mais repugnante e a "pureza da raça branca", a ponto de lamentar a não existência, no Brasil, de uma Ku Klux Klan. A reportagem da revista teve como gancho uma edição da Logo/A página Móvel, seção que edito no Jornal O Globo. Meses atrás, durante o carnaval, no auge da polêmica em torno do  tão querido escritor brasileiro - quando algumas vozes davam como verdade absoluta que o mesmo não era racista - levei a público uma série de t extos seus, a maioria publicados em livro, expondo seu verdadeiro pensamento. Aos que argumentavam que o racismo era comum na época, respondi que comum não significa hegemônico. Na reportagem da Bravo, André Nigri seguiu o rastro e descobriu novos textos, aprofundando ainda mais a discussão, e demonstrando que muitas figuras de grande porte intelectual do tempo de Lobato - como Cecília Meirelles - declaravam repulsa a toda a forma de preconceito racial. Para o debate, preparei uma outra variável que costuma ser tabu entre acadêmicos e historiadores: o antissemitismo de Gilberto Freyre, apontado inclusive por autores insuspeitos e sem vínculos especiais com a comunidade judaica, como darcy Ribeiro, num dos prefácios de Casa Grande & Senzala. Quem pela primeira vez me chamou atenção para isso foi meu saudoso tio Hélio Bloch, que me entregou um original marcado com os trechos mais chocantes. À época escrevi um artigo no Globo sob o título "O judeu de Apipucos", tendo como mote as recentemente descobertas origens judaicas de Freyre, em contraponto à suas ignomínias contra o povo de Abraão: o que diria se ele soubesse dessa herança? Num momento em que o mundo busca acentuar semelhanças em meio às diferenças, apontando para um futuro em que ambas tenham peso igual nas relações entre os povos, é sempre importante traçar tais paralelos, que unem judeus a outros grupos humanos que foram perseguidos através da história. Pois, ao contrário do que muitos apregoam, os horrores do pasado ainda estão vivos, não somente na memória, mas nos impulsos que ainda impedem que uns e outros se olhem como pares. E os judeus não estão livres desse tipo de sentimento, como todos nós sabemos, pois ouvimos atentamente não apenas as palavras sábias de nossos pais e avós, mas também aquelas que nos provocaram, dependendo do caso e do ouvinte, revolta e inconformismo. Na semana que vem, dou notícias de como foi o debate em São Paulo. Grato pela leitura, deixo meu abraço a todos e meu Shalom.

La influencia del Caso Dreyfus

 

Alfred Dreyfus (foto), un capitán de artillería de origen judío asignado al Estado Mayor General de París, fue acusado de traición en 1893. Concretamente, se le imputaba el haber escrito un bordereau (``lista” en francés) con una relación de documentos militares secretos del Gobierno francés, que pretendía enviar a la Embajada alemana en París. Un tribunal militar le declaró culpable en 1894; fue degradado y se le trasladó a la isla del Diablo, en la que debía permanecer prisionero durante el resto de su vida. Dos años después del juicio, en 1896, el teniente coronel George Picquart, jefe de la Inteligencia Militar francesa en esos momentos, descubrió pruebas que revelaban que el verdadero autor del informe sobre el que se articulaba la traición, atribuido a Dreyfus, era un oficial de infantería francés, el comandante Marie Charles Esteráis.

En 1899, el Caso Dreyfus fue llevado ante la Cour de Cassation (Tribunal de Apelación), que ordenó celebrar un nuevo juicio. En este segundo proceso se volvió a declarar culpable al militar judío, pero su condena quedó reducida a diez años de prisión. Diez días después, un nuevo Gobierno, más progresista, encabezado por Pierre Waldeck-Rousseau y con Émile Loubet como presidente, anuló el veredicto y otorgó el perdón a Dreyfus.

Fue totalmente rehabilitado siete años después, en 1906, gracias a una sentencia del Tribunal de Apelación; el ejército le readmitió con la graduación de comandante y le concedió la Legión de Honor. Sirvió en la I Guerra Mundial como teniente coronel.

Con respecto a los demás implicados en el caso, Esteráis permaneció en Inglaterra y confesó haber sido un espía alemán a finales de 1899, en tanto Picquart, su acusador, fue restituido en su puesto, ascendido a general y nombrado ministro de Guerra del gabinete presidido por Georges Clemenceau.

(Fonte: Aurora Israel)