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17.5.11

Alexandre Blok: a agonia da poesia anterior à Revolução Russa


O poeta foi o mais influente escritor modernista da Rússia nos anos imediatamente anteriores à revolução. Seu grande talento pôde tornar também o movimento simbolista a principal corrente da poesia russa na primeira década do século XX.

Alexandre Blok situa-se entre os maiores nomes da poesia da Rússia modernista. Foi o mais influente poeta moderno anterior à Revolução Russa de 1917. Maiakovski era um grande admirador de sua obra. Anna Akhmátova, Marina Tsvetaeva, e mesmo o mais jovem Vladimir Nabokov escreveram importantes tributos poéticos em sua memória.

Hoje, sua importância foi empalidecida pelo tempo, e mesmo no Brasil, sua obra é ainda praticamente desconhecida, com apenas algumas magras traduções de seus poemas mais importantes.

Para se ter uma melhor idéia do alcance de sua poesia basta lembrar a afirmação da já velha Lila Brik (antiga paixão de Maiakovski), de que Maiakovski mesmo não acreditava que um dia pudesse chegar a ter um pouco da popularidade que tinha a obra de Blok entre a população russa.

Foi graças ao talento de Blok que o simbolismo adquiriu importância e influência na Rússia, tornando-se a principal corrente da chamada “Era de Prata” da poesia russa, situada antes de 1917.

O poeta teve também destacada importância na formação do teatro simbolista russo, autor de dramas em versos que foram levados aos palcos por Vsevolod Meierhold anos antes do diretor tornar-se mundialmente famoso com seu teatro biomecânico. Este simbolismo elevado à categoria de grande arte nacional pelo poeta tornar-se-ia o ponto de partida dos mais importantes representantes das vanguardas artísticas no país nos anos seguintes. Maiakovski escreveu versos simbolistas na adolescência. Outros cubo-futuristas foram também, em algum momento, simbolistas, como Khlébnikhov; mesmo o pintor Vassili Kandinski escreveu poesia simbolista sob a influência de Blok.

Quando acontece, porém, a Revolução, Blok, como toda uma geração de poetas já estabelecidos antes de 1917, sofrem com particular intensidade o enorme choque cultural desencadeado pelas transformações revolucionárias na Rússia. Fazendo um esforço descomunal, Blok, ao contrário dos outros simbolistas, consegue aproximar-se na nova cultura e da nova classe que emergira com Outubro. Ele concebe aí seu poema mais significativo, Os Doze, um retrato mítico e épico da vitória dos bolcheviques sobre o czarismo. Esta, porém, é sua última realização, seu último esforço criativo, sucumbindo, doente, alcoólatra e depressivo em meio às duras condições de vida durante os anos da guerra civil.

Começos
Alexandre Alexandreovich Blok era membro de uma família da aristocracia intelectual de São Petersburgo. Neto do antigo reitor da Universidade de São Petersburgo, Alexandre era filho de um professor de Direito da Universidade de Varsóvia, que era também talentoso músico amador. Sua mãe era poetisa e tradutora. O futuro poeta nasceu, portanto, em um ambiente cultural rico e estimulante.

Seus pais se separaram logo na ocasião de seu nascimento e o garoto passou assim toda a primeira infância sob os cuidados do avô materno, o botânico Andrei Beketov, residente na grande mansão de Shakhmatovo, nos arredores de Moscou. Quando sua mãe obteve legalmente o divórcio, em 1889, tomou novamente consigo o filho para morar com ela em seu novo apartamento.

Alexandre era um assíduo leitor da biblioteca de sua mãe, onde conheceu as obras de Fiodor Tiútchev e Afanasi Fet. Durante a adolescência, já escrevia versos, mas foi apenas aos 18 anos que começou a pensar com mais seriedade em tornar-se escritor.

Ele tornou-se aluno de Direito, na Universidade de São Petersburgo, mas abandou o curso pela metade. Transferiu-se então para a Divisão de História e Filosofia, onde permaneceu até pegar o diploma, em 1906.

Já decidido a viver de poesia, Blok conheceu cedo outros futuros membros do movimento simbolista russo então em fase de gestação, os poetas Vladimir Soloviev e Andrei Biely.

Seus primeiros poemas foram publicados já em 1903 na revista O Novo Caminho, de D. S. Merezhkovski.

A primeira coletânea poética de Blok foi Stikhi o prekrasnoi Dame (Versos para uma Bela Dama), publicado em 1904. A obra fora realizada sob inspiração de uma experiência mística e de seu envolvimento amoroso com Liubov Mendeleieva, filha do renomado químico russo Dmitri Mendeleiev, com quem Blok se casara um ano antes. Os versos deste livro apesar de fortemente simbolistas, reverberavam influências românticas ao exaltar uma musa semi-humana e semi-divina:

No templo de naves escuras,
Celebro um rito singelo.
Aguardo a Dama Formosura
À luz dos velários vermelhos.

À sombra das colunas altas,
Vacilo aos portais que se abrem.
E me contempla iluminada
Ela, seu sonho, sua imagem.
Acostumei-me a esta casula
Da majestosa Esposa Eterna.
Pelas cornijas vão em fuga
Delírios, sorrisos e lendas.

São meigos os círios, Sagrada!
Doce o teu rosto resplendente!
Não ouço nem som, nem palavra,
Mas sei, Dileta – estás presente.

O simbolismo russo
Surgimento do simbolismo na Rússia representou, como nos demais países europeus, uma reação às correntes realistas e naturalistas, principalmente na literatura. Nas artes plásticas, o simbolismo foi uma resposta à preponderância da Escola Impressionista.

Iniciado na França, o simbolismo foi exportado para o resto do mundo principalmente através dos influentes trabalhos de poetas franceses como Verlaine, Rimbaud e Mallarmé; mas também dos trabalhos do dramaturgo suíço Auguste Strindberg, do belga Maurice Maeterlinck e do norueguês Henrik Ibsen. Obras que tiveram grande influência sobre toda uma geração de escritores na Rússia.

A primeira geração de simbolistas russos surge ainda na década de 1890, mas chamava a atenção por seu amadorismo. Eram em geral poetas de segunda linha, que refletiam em suas produções, o atraso geral da cultura russa em relação à cultura da Europa Ocidental. Uma verdadeira tradição modernista na poesia russa só foi possível graças ao surgimento de novos grupos e novas publicações que passaram a divulgar em círculos mais amplos da intelligentsia russa as obras e ideias modernistas européias.

O mais importante destes grupos era o chamado Mundo da Arte, que passou a publicar uma revista de mesmo nome a partir de 1898, editada por Serguei Diaguilev, futuro promotor dos balés russos. Ao lado de Diaguilev circulavam também outros intelectuais que viajavam freqüentemente para a Europa e foram capazes, por assim dizer, de romper a barreira de isolamento existente entre a Rússia o ocidente. Entre os mais destacados nomes da nova geração de artistas do simbolismo estavam os poetas Andrei Bieli e Alexandre Blok e o diretor teatral Vsevolod Meierhold, que se aproxima do grupo mais tarde.

Esta segunda geração simbolista atinge sua maturidade artística nos primeiros anos do novo século, desenvolvendo-se ao longo das duas décadas seguintes e extinguindo-se abruptamente poucos anos depois da Revolução de 1917.

Seus interesses giravam em torno da valorização das emoções, da vida espiritual e subjetiva do indivíduo. Os melhores entre os simbolistas buscaram se debruçar sobre os problemas universais da coletividade humana, seu destino social e os problemas morais derivados daí. Estes ideais os levam a romper com as tradicionais formas realistas buscando colocar no primeiro plano as reflexões e problemas existenciais que eram característicos de uma época de crise, de pessoas voltadas para si mesmas e não para a realidade exterior.

Não foi por acaso, portanto, que os anos mais importantes para a consolidação do simbolismo russo tenham sido os do período imediatamente posterior à derrota da Revolução de 1905, quando o refluxo temporário do movimento operário e das forças revolucionárias tinham levado parte expressiva da intelectualidade a se voltarem para si mesmos, para suas frustrações e desmoralização pessoal.

A poesia de Blok expressava este mal estar generalizado da mediocridade da vida nestes anos. Era a poesia das evocações por um futuro melhor, daí a orientação progressista de sua obra que preservariam sua sanidade nos anos mais agudos da crise revolucionária russa.

A parceria Blok-Meierhold
Versos para uma Bela Dama tornou-se conhecido e festejado em pequenos, mas importantes círculos de literatos em São Petersburgo. Foi intensamente saudada tanto pelos simbolistas da velha geração, quando pelos jovens Andrei Bieli e Valeri Briusov. Alexandre Blok, em pouco tempo estava escrevendo também para as revistas simbolistas, como Balanço.

Apesar da sublimação presente em todos os poemas desta obra, é perceptível uma crescente nota de perturbação e um tom de súplica que chega à fronteira do desespero.

Em contato com outros simbolistas, a obra de Blok a partir 1904 passa a apresentar novos padrões de ritmos e a abordar temas ligados à vida urbana nas grandes cidades. Nos anos que se seguem, sua fama crescente o tornaria um dos mais influentes poetas da Rússia anterior à revolução.

Ele era já um poeta relativamente conhecido em 1906, quando se formou na Universidade de São Petersburgo. Neste ano o diretor teatral Vsevolod Meierhold interessou-se em apresentar nos palcos petersburgueses um “drama lírico” – como o poeta chamava suas peças em versos – de Blok, Balagántchik (A Barraquinha de Feira). Esta parceria com Meierhold seria um dos mais importantes acontecimentos do movimento simbolista russo.

Meierhold era um dos mais talentosos diretores teatrais da nova geração, era também um dos bastiões do modernismo russo. Em 1906 ele havia recém chegado das províncias e aproximou-se do movimento simbolista de São Petersburgo. Ele conhece Blok nas reuniões de simbolistas que aconteciam às quartas-feiras à noite na "Torre", como era chamado o movimentado apartamento de Vsiévolod V. Ivánov, destacado intelectual russo.

Meierhold, ex-discípulo de Stanislavski, estava decidido de uma vez por todas a romper com o teatro naturalista de seu antigo mestre. O simbolismo surge diante dele como uma ferramenta ideal para isso. O diretor participa com os demais artistas, da criação do teatro Fákeli (As Tochas).

Uma arlequinada simbolista
É neste momento também que surge o interesse de Meierhold de adaptar para o teatro o texto de Blok. A peça estréia ainda em 1906, meses mais tarde, nos palcos do Teatro da Komissarjévskaia, em uma montagem que seria tida como um marco no desenvolvimento do teatro simbolista e a evolução do modernismo teatral russo de um modo geral. É importante destacar que a Rússia neste momento, e desde Stanislavski, era a principal capital internacional do teatro.

Nesta adaptação de Meierhold, ele colocava em prática suas principais idéias artísticas em nome de um teatro de síntese, onde todos seus elementos constitutivos, texto, atuação, figurinos, cenário, iluminação e música, eram usados a serviço da revelação de uma verdade interior do texto, através de um tratamento não naturalista. A parceria Blok-Meierhold é um dos grandes momentos da carreira de ambos os artistas.

A Barraquinha de Feira era uma versão simbolista dos espetáculos da commedia dell’arte italianos, mantendo suas personagens. Ele usa o tradicional triângulo amoroso entre o Arlequim, a Colombina e o Pierrô, para narrar um trágico relacionamento amoroso que fazia parte da lírica de muitos simbolistas. A Colombina de Blok é uma dama fatal que seduz a todos por mero prazer. Com um texto de alto teor lírico ele questiona a realidade da vida e do sonho utilizando os próprios recursos ilusionistas do teatro, como na cena em que um palhaço é golpeado na cabeça por um dos guardas e cai se debatendo no chão aos berros: “Socorro! Estou me esvaindo em suco de groselha!”, ao mesmo tempo em que de fato verte suco de sua roupa.

Nesta tragédia-bufa, Arlequim termina desiludido com sua Colombina de papelão nas mãos. Inconsolável, ele salta ao parapeito da janela, recita versos sobre seu desprezo por uma sociedade de homens de papelão, e salta para a morte, mas rasga o papel do cenário e cai no chão, à vista do público, onde revela-se também aí a farsa, o subterfúgio cênico, a tragédia artificial do palhaço.

A crise pessoal
Alexandre Blok escreveria ainda outros textos teatrais de importância, como Korol na plóschadi (O Rei na Praça) e Nieznakomka (A Desconhecida), que, juntamente com o texto anterior, constituem sua mais importante trilogia teatral, concluída em 1907. Outro drama lírico de importância era A Rosa e a Cruz, de 1913, baseado em romances medievais franceses. Este texto foi ensaiado no Teatro de Arte de Moscou, mas nunca chegou a estrear.

De 1907 data sua segunda coleção poética, Radost Nechayannaya. Desde esta época ele passou a desenvolver um estilo cada vez mais agitado e sonoro, que teria grande influência entre os escritores de sua geração. A despeito de sua crescente influência, pessoalmente, Blok vivia depressivo e se sentia um fracassado.

Seu casamento havia se tornado cada vez mais tumultuado também, com crescentes brigas domésticas entre o casal. Um período de reconciliação aconteceu em 1909, quando o casal viajou pela Itália, período de tranqüilidade em que ele concebeu a obra Poemas Italianos.

A crise, porém, não era meramente casual. Coincidia com o período de esgotamento do próprio movimento simbolista russo. Blok tinha perfeita consciência disso, e o sentia intensamente. Em um prefácio escrito por ele em 1919, para o poema Vozmedie (Nêmesis), Blok esclarece: "O ano de 1910 significa a morte de Komissarzeskaia [a atriz Vera Komissarzeskaia], a morte de Vrublel [o pintor Mikhail Vrubel, que enlouquecera] e a morte de Tolstói. Com Komissarzeskaia desapareceu do palco a nota lírica; com Vrubel, o titânico mundo individual do artista, a tenacidade louca, a insaciabilidade de pesquisas conduzidas ao limiar da demência. Com Tolstói morreu a ternura humana, a humanidade sábia. Além disso, 1910 significa a crise do simbolismo, de que então se escrevia e falava muito, seja no campo dos simbolistas, seja no de seus adversários. Naquele ano deram a se conhecer, sem incertezas, algumas correntes literárias que se mostraram antagonistas tanto do simbolismo quanto umas das outras: o acmeísmo, o ego-futurismo, e os primeiros embriões do futurismo [o cubo-futurismo, grupo de Maiakovski]. O lema da primeira dessas correntes literárias era o homem: mas um homem de certa forma já diferente, um homem absolutamente desprovido de humanidade, uma espécie de ‘Adão primordial’”.
Em 1910, também Blok começou a trabalhar em um poema épico dedicado a seu pai, realizado nos meses que seguiram à sua morte. Durante mais de uma década, Blok trabalharia no livro Vozmezdie, que ele nunca conseguiria dar forma final, apesar de nunca ter abandonado o trabalho sobre ele até sua morte. O poema narrava a história familiar do poeta como uma alegoria da história russa, sendo atualizado com o passar dos anos, até abarcar a “ressurreição espiritual” do país após 1917. Este longo poema inclui ainda diversos episódios históricos da Rússia, como a vitória dos russos sobre os mongóis em 1380.

A Guerra e a Revolução
Quando começa a Primeira Guerra em 1914, o poeta passa a trabalhar como funcionário em uma empresa de engenharia que atuava nas frentes de batalha sob as ordens do Exército imperial.
Ainda sob a guerra, nos primeiros meses de 1917, ele escrevia em seu diário sobre um sonho: "Eu sentia que um grande evento estava chegando, mas o que era exatamente não me foi revelado". 

Quando acontece a Revolução Russa, poucas semanas depois, Blok a apóia e a comemora como um evento “espiritual” do país. Esta interpretação mística e religiosa ao acontecimento, apesar de toda a incompreensão, ajudou a manter Blok alinhado às forças transformadoras do país.

Após a revolução, Blok torna-se membro dos comitês que dirigiam os teatros do Estado e presidente da seção de Petrogrado dos Poetas da União. Ele permanece exercendo estas ocupações durante todo o período da Guerra Civil, se afastando somente por motivos de saúde.

Data desta época a obra-prima de sua poesia uma grandiosa epopéia em versos que era o retrato heróico e fantástico da maneira como poeta entendeu aquela revolução. O poema era Dvenadtsat (Os Doze), publicado em 1918. Neste texto poderoso, se combinam gritos de guerra, lamentos, comentários irônicos e palavras de ordem correntes naqueles anos de luta e guerra civil. 

Procurando aproximar sua poesia dos sons dissonantes e contraditórios daquela revolução, Blok se utiliza de diferentes ritmos, lança mão de onomatopéias, exclamações e versos musicais.

Seu poema não é, no entanto, uma obra que reflete a atitude e a mentalidade daqueles que fizeram a revolução. É ao contrário, a última badalada do relógio que anunciava a morte daquela corrente artística que se tornara decadente e anacrônica após a Revolução, um movimento místico, individualista, fantasioso, que só conseguia entender a realidade através das lentes turvas da religião e da fé mística, e não na compreensão concreta dos fatos.

Os Doze
Os heróis deste grande poema épico são doze soldados vermelhos - que correspondem aos doze apóstolos bíblicos. Eles caminham vigorosamente pelas ruas da capital desolada, sob o uivar dos ventos de uma tempestade, marchando sobre a neve e empunhando suas baionetas com a bandeira vermelha ao ombro. Eles avançam implacavelmente pela libertação do mundo. Em uma das fortes passagens do poema eles encontram um burguês na encruzilhada:

"Eis o burguês, um cão sem osso,
Taciturna interrogação,

E o mundo velho - frente ao moço -
Rabo entre as pernas como um cão".
(...)
"... Lá se vão sem santo e sem cruz
Os doze, pela estrada.
Prontos a tudo,
Presos a nada..."

O vigor e a brutalidade da guerra civil são perfeitamente captados nesta grande poesia, transbordando de cada detalhe da ação, dos cenários desolados, cobertos de neve, às falas entrecortadas da multidão atônita e confusa ao verem passar os soldados da revolução:

"Vermelho-aberta,
A bandeira.

todos alerta,
Em fileira.

Arma teu guante
O adversário...

E a neve com seu cortante
Açoite
Dia e noite...

Avante, avante,
Povo operário!"

É uma obra impressionante, uma realização permanente do período da revolução. Apesar disso, a alta carga religiosa que surge em diversas passagens da obra, revelava o próprio impasse em que se encontrava o artista. Como outros poetas, ele aguardara com ansiedade a Revolução, que abraça e apóia como sua. Ao tentar aproximar-se dela, porém, se defrontou com uma barreira invisível, sua total incapacidade de compreensão da essência daquelas transformações. A base social que formara sua mentalidade e sua poesia se tornara já parte do passado remoto da Rússia Romanov. Em seu movimento de se desligar do passado, Blok caiu, porém, em um completo impasse espiritual na medida em que não conseguia compreender a natureza dos acontecimentos que testemunhava. Apesar de seu entusiasmo inicial, esta crise se aprofundaria rapidamente nos anos seguintes. 

Entre a doença e a loucura
Nos meses seguintes, ele cada vez mais se afastaria das posições revolucionárias, vítima de suas próprias contradições ideológicas.

Blok permanece os últimos três anos de sua vida, sem escrever um único poema. Ao seu amigo, Maximo Gorki, ele revela ter perdido sua "fé na sabedoria da humanidade", ou, sua confiança na revolução. Sobre seu silêncio poético ele declarara a outro amigo, Kornei Chukovski: "todos os sons pararam. Você consegue perceber que não há mais nenhum som?".

Entre seus últimos textos estão os ensaios O Declínio do Humanismo e O Chamado do Poeta, ambos de 1921. Nos dois artigos, Blok expressa suas inquietações pessoais e a maneira oblíqua como entendia sua época. Neste último texto, bastante significativo, reivindicando Puchkin, ele desenvolve o tema do conflito entre a individualidade do poeta e a coletividade social.

Vítima de uma enfermidade grave, nunca diagnosticada, Blok, em meados de 1921, estava desnutrido e apresentando sintomas de doença mental, mantendo-se sempre alcoolizado e em estado depressivo. Após uma recomendação médica para que ele procurasse tratamento na Europa, Blok foi atrás do visto para atravessar a fronteira. O país, porém, vivia ainda os últimos meses da guerra civil, impedindo a saída ou entrada de qualquer pessoa do país sem motivos excepcionais. Gorki interveio então em seu favor, apelando a Anatoli Lunatcharski: “Blok é o melhor poeta da Rússia. Se você proibi-lo de ir para o estrangeiro e ele morrer, você e seus companheiros serão culpados por sua morte”. A autorização, porém veio tarde, em 10 de agosto. Alexandre Blok morrera apenas três dias antes, a 7 de agosto de 1921, vítima de uma enfermidade nunca esclarecida, mas, certamente, conseqüência das duras condições materiais da vida naquele período.

Seu trabalho continuou a ser publicado na União Soviética nos anos seguintes, mantendo ainda a influência do poeta sobre os jovens escritores da revolução.

Israel celebra el 63 aniversario de la independencia


Israel celebra el 63 aniversario de su establecimiento con actos institucionales y festivos.



Conocida en hebreo como Yom Ha'Atzmaut (Día de la Independencia), la jornada es recordada con diferentes actos en todo el país, aunque la mayor parte de la población acostumbra a festejar la fecha con asados en parques, bosques y otros espacios naturales.

La ceremonia que dio inicio a la jornada tuvo lugar anoche en el Monte Herzl de Jerusalén, donde se encendieron doce antorchas, símbolo de las doce tribus bíblicas de Israel, en un evento que cerró el día en recuerdo de los soldados y civiles muertos en el conflicto árabe-israelí la jornada previa.

El presidente del Parlamento (Kneset), Reuven Rivlin, fue el encargado de inaugurar el acto y lo hizo con un discurso político en el que subrayó que todos los israelíes comparten un destino común, a pesar de sus diferencias.

El presidente estadounidense, Barack Obama, envió una felicitación al Ejecutivo y al pueblo en la que recordó que EEUU fue la primera nación del mundo en reconocer la Declaración de Independencia de Israel el 14 de mayo de 1948.

También subrayó la determinación de la Casa Blanca de continuar trabajando con Israel y otros gobiernos de Oriente Medio con el objetivo de alcanzar "la paz, seguridad y dignidad para
el pueblo israelí y todos los pueblos de la región".
Obama tiene previsto recibir este mes en Washington al primer ministro, Biniamín Netanyahu, el día 20, y al monarca jordano, Abdalá II, el 17.

Entretanto, el Ejército y los organismos de seguridad se encuentran en estado de alerta, mientras que por razones de seguridad se han cerrado las fronteras con los territorios palestinos de Cisjordania y Gaza hasta la próxima medianoche, cuando concluya la jornada.

La conmemoración del 63 aniversario del Estado de Israel incluyó anoche fuegos artificiales y durante la jornada tendrán lugar exhibiciones militares y aéreas, como una naval frente a las costas de Tel Aviv que pretende concientizar sobre la necesidad de proteger el medio marino.

Las celebraciones se rigen conforme al calendario hebreo, por lo que la creación del Estado judío no se conmemora el día en que fue proclamado de acuerdo al calendario universal, el 14 de mayo.





(Fonte: Aurora Israel)

Bate-Bola Rápido (Daniela Kresch Entrevista Fabiana Altikes)

A paulista Fabiana “Fafá” Altikes, de 29 anos, é a entrevistada da semana na série de conversas com quem fez ou está fazendo programas ligados ao MASA (“massá”), uma instituição que oferece bolsas para jovens queiram passar de cinco a dez meses em Israel, estudando, trabalhando ou viajando pelo país. Desde 2005, mais de 1.250 jovens já conheceram Israel através dos 150 programas do MASA. Fabiana fez o programa Cine-Masa (que já não é mais oferecido) há cinco anos, entre fevereiro e dezembro de 2006. Ela estudou cinema e hebraico no Sul do país. Na época, morou em Sderot, e chegou a lidar com ataques diários com foguetes Qassam contra a cidade lançados por terroristas da Faixa de Gaza. Hoje, Fabiana trabalha na organização do programa Taglit. 

1) Por quê você decidiu viajar para Israel?

Eu tinha acabado de terminar a faculdade, nunca tinha ido a Israel e estava afastada do mundo judaico. Minha irmã trabalhava na parte administrativa da Agência Judaica e sabia que eu procurava algum curso no exterior ligado a cinema. Aí me indicou o Cine-Masa.
2) Por quê escolheu um programa ligado ao MASA?

Achei que era um curso interessante, com gente do mundo todo e, de bônus, ligado à cultura judaica e a Israel.

3) Do que você mais gostou, em Israel?

De conhecer gente diferente, de vários lugares do mundo, mas que tinham muita coisa em comum comigo pela criação judaica. Me identifiquei com muitas delas, mesmo sendo de lugares tão distantes.

4) O que mais estranhou?

Senti muita dificuldade em entender como as coisas funcionavam, no país. Não entendia o hebraico, não entendia por que, nas sextas-feiras, antes do shabat, o país inteiro pára. Você tem que se programar, ter comida em casa, verificar quando sai o último ônibus... É diferente do Brasil, onde tudo fica aberto o tempo todo.

5) Qual foi o ponto alto do programa?

Acho que o que me enriqueceu foi o contato com culturas diferentes. O curso em si não me acrescentou muito. O mais importante foi a convivência, estar num país diferente. O programa me trouxe mais benefícios pessoais do que profissionais.

6) O que poderia ter sido melhorado?

Seria bom se tivesse um nivelamento... Tinha gente de vários níveis nas mesmas aulas de hebraico. No curso também, tinha gente como eu, que já sabia muita coisa, misturada com quem estava iniciando, que não sabia nem mexer numa câmera.

7) Qual foi a maior lição da experiência?

Foi  aprender a viver com pessoas diferentes e respeitar as diferenças entre as pessoas. Aprendi também a me conhecer melhor através de uma experiência longe de casa, num país desconhecido. A viagem também me ajudou a me identificar com a minha religião. Tanto que, hoje, trabalho com a comunidade aqui no Brasil.

8) O que você diria para quem pretende visitar o país?
Diria que é uma oportunidade muito enriquecedora. Você encontra de tudo em Israel, conhece várias culturas, entra em contato com várias pessoas e também com suas próprias origens. Foi um tempo que usei para me descobrir.

A influência das famílias judaicas em Higienópolis


Os Rabinovitsch e outros transformaram o bairro no símbolo de sua ascensão e ajudaram no progresso do comércio e dos serviços

 Davi Franzon

Dezenove dos 35 membros da família vivem ali: pioneiros na mudança do Bom Retiro para a nova vizinhança

Milhares de famílias de judeus que fugiram dos horrores da II Guerra Mundial desembarcaram no Porto de Santos nos anos 40, tendo como ponto final da viagem a região paulistana do Bom Retiro. Lá, vários outros membros da comunidade já haviam recomeçado a vida, tocando os próprios negócios em ruas como a Prates, a Ribeiro de Lima e a José Paulino. Muitos abrigavam os parentes no andar de cima dos sobrados, enquanto trabalhavam em suas lojas no térreo. Assim fizeram os Rabinovitsch, recém-chegados da Romênia nessa época. Décadas depois de prosperar no ramo de compra e venda de ouro, decidiram seguir uma segunda onda migratória de seu grupo. Dessa vez, porém, a mudança não era motivada pelo medo, e o destino, muito mais próximo: Higienópolis, um antigo reduto dos barões do café. Com a chegada dos novos moradores, o bairro nunca mais foi o mesmo. Ganhou sinagogas, escolas de hebraico e padarias kosher. “Virou uma localidade emergente graças, em boa parte, aos judeus emergentes”, afirma o engenheiro Jaime Rabinovitsch, de 46 anos, presidente do Colégio Renascença e um dos dez netos de Fernando, o romeno que começou a saga do clã em terras brasileiras.

Nos primeiros anos pós-mudança, famílias como a dele ainda tinham uma rotina dividida: os pais trabalhavam no Bom Retiro e os filhos estudavam na nova vizinhança. A maioria dos alunos, depois de formados, fixou-se definitivamente na vizinhança, expandindo seu raio de atuação para além do comércio. Engenheiros judeus, por exemplo, começaram a trabalhar no ramo de construção e incorporação imobiliária, enriquecendo com essas atividades. Outros abriram as portas daqueles que se tornariam alguns dos mais prósperos escritórios de advocacia da cidade. Assim, a comunidade cresceu até atingir a marca atual de 60.000 pessoas em São Paulo — das quais 25% se concentram em Higienópolis. Só a família Rabinovitsch, que se encontra na quarta geração, tem 35 membros vivendo no entorno (Fernando, o pioneiro, morreu em 1972).

Além da concentração crescente na região, os judeus apreciavam as ruas planas e arborizadas de Higienópolis. “Até hoje, é tudo muito tranquilo e civilizado, as pessoas se cumprimentam nas ruas”, afirma o rabino David Weitman, de 56 anos, da Beit Yaacov, uma das onze sinagogas do bairro. Nesses e em outros locais bastante frequentados pela comunidade, é possível observar com clareza algumas divisões. Nos restaurantes de comida típica, como o Nur, na Rua Tupi, é possível reconhecer mulheres ortodoxas, sempre de saia longa de algodão e peruca para encobrir os cabelos, ao lado de jovens moderninhos, com roupas que não passariam pelo crivo dos seguidores mais fervorosos das leis da Torá. Esse mesmo contraste pode ser visto no Shopping Higienópolis. Em seus corredores, famílias “liberais” (compostas quase sempre de pai, mãe e, no máximo, dois filhos), cruzam-se com os casais mais tradicionais, que seguem à risca o mandamento bíblico “Crescei e multiplicai-vos” (alguns deles trazem consigo proles de oito ou até mais crianças).

Os adolescentes da comunidade têm outros pontos de encontro, a começar pelo Colégio Renascença. Fundada em 1922, a escola acompanhou o fluxo de judeus rumo a Higienópolis, inaugurando em 1968, na esquina das ruas Bahia e Pará, sua primeira unidade fora do Bom Retiro. Os lugares de lazer se concentram nas redondezas da Praça Vilaboim, onde é possível encontrar pizzarias e até restaurantes japoneses com receitas elaboradas dentro das normas kosher. Outro local é o Espaço K uma espécie de centro cultural com aproximadamente 3.000 associados que abriga, entre outras atrações, uma choperia e uma hamburgueria. Todos os itens do cardápio, incluindo os etílicos, são elaborados de acordo com as tradições judaicas. É um tipo de combinação com que jamais sonhariam pioneiros como os Rabinovitsch ao chegar ao bairro prometido.

A COMUNIDADE EM NÚMEROS


15.000 - judeus residem hoje em Higienópolis — o equivalente a 25% da comunidade em São Paulo

11 - sinagogas existem ali

6 - restaurantes da região servem comida kosher, elaborada segundo as regras judaicas.

LIBERDADE DE OPINIÃO (Vereador Floriano Pesaro)

Vereador Floriano Pesaro (São Paulo)
 
Em seu 3º ano de mandato, Floriano Pesaro é o líder da bancada do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo. Ganhou, em 2011, o Prêmio de Boas Práticas Legislativas, com o projeto “Aquisição de Papéis com Certificação”, na categoria “Inovação”. Natural de São Paulo, Floriano é sociólogo formado pela USP, com especialização em Processo Legislativo e Relações Executivo/ Legislativo pela UnB. Fez curso de Extensão na Escola de Governo de São Paulo. Ao longo de sua carreira, Floriano exerceu importantes funções nas três esferas de governo: Federal (1995-2002), Estadual (2003-2004) e Municipal (2005-2008). Em 2008, foi eleito vereador de São Paulo com 31.733 votos. Floriano é integrante do CIAM (Centro Israelita de Apoio Multidisciplinar) e, desde novembro de 2009, é conselheiro, eleito em 1º lugar, do Conselho Deliberativo do clube A Hebraica, em São Paulo.


1) O que fez de mais importante em sua vida?
Foi a escolha de ser político para participar da construção coletiva do bem comum. Tenho orgulho e disposição para dialogar, para ouvir e entender os anseios das pessoas a quem sirvo, para buscar dispositivos que permitam melhor qualidade de vida para todos e um; não só para poucos. Tenho até o blog “Orgulho de Ser Político” (www.florianopesaro.com.br/orgulhodeserpolitico/), para debater e refletir sobre política. Longe de ser um meio de enriquecimento, de trampolim social, de conquista de poder, a política é, antes de tudo, coisa muito séria. O político digno deste nome, o estadista real, almeja muito mais do que estas benesses temporárias. A obra de um político convicto e sério surge do sonho de multiplicar o bem possível, de harmonizar direitos e deveres de cidadania.


2) O que lamenta não ter feito, ou ainda deseja fazer, de importante?

Não há o que lamentar exatamente. Acredito que ainda há muito a ser feito para dirimir a desigualdade social existente. A minha história acadêmica levou-me a perceber que minha escolha seria pela prática da política, pelo caminho onde a busca de uma sociedade mais justa faz todo o sentido. 


3) Diante da multiplicidade de disputas e conflitos étnicos e raciais se generalizando em todo mundo, você acha que a Humanidade caminha para tempos sombrios?
A História apresenta vários momentos mais turbulentos. No entanto, a verdade é que sou um otimista e acho que, independentemente de conflitos, há um despertar incipiente, mas contínuo, para uma compaixão e uma vontade de justiça social. Obviamente, os fundamentalismos e a desilusão das classes mais oprimidas ainda ocupam um espaço de animosidade no seio da Humanidade. Na política, acredito no bem e na possibilidade de espelhar bons exemplos e contaminar cada vez mais políticos com um pacto pela ação, competência e integridade.


4) Você concorda com o balizamento estatal ou religioso nas opções e preferências pessoais de cada indivíduo, incluindo a comunicação, opção sexual, vestimenta, fumo e bebida?
Acho que a intervenção estatal deve se limitar à garantia de liberdade quanto a opções de todas estas áreas, preservando-se o bem maior como preservação da saúde no que tange às drogas, mas sou radicalmente contra qualquer cerceamento de liberdade.


5) Qual seria a sua reação caso tivesse tolhido seu direito de opinar, consumir e de se expressar?
Buscaria formas pacíficas de protestar e defender até as últimas instâncias meus direitos de homem e de cidadão. Afinal, participar é cidadania.


Quantos Judeus Celebram o Pessach com Seder?

Números divulgados pelo Escritório Central de Estatísticas de Israel revelam que somente 22% dos judeus seculares não comeram alimentos fermentados durante o período de Pessach. Sessenta e três por cento acredita que a influência da religião se tornou mais forte nos últimos anos.




Dados divulgados na semana passada pelo Escritório Central de Estatísticas mostram que a maioria dos israelenses seculares e tradicionais celebra o Seder de Pessach. Segundo uma pesquisa social, 82% dos seculares celebram o Seder, assim como 93% daqueles que se definem como "tradicionais, mas não tão religiosos" e 98% daqueles que se definem como "religiosos tradicionais". 



No entanto, comer comida kasher de Pessach não é tão popular como a celebração do Seder. Noventa por cento dos "religiosos tradicionais" são estritos e não comem chametz (alimentos fermentados) durante o período, enquanto que apenas 68% dos "tradicionais, mas não tão religiosos" e 22% dos judeus seculares fazem o mesmo.





A pesquisa também analisou a percepção que os israelenses têm sobre a natureza da sociedade. Oitenta por cento acreditam que a religião tem uma forte influência sobre a vida no Estado de Israel, e 63% consideram que a influência da religião se tornou mais forte nos últimos anos (62% dos religiosos, seculares e seculares tradicionais e 60% dos haredim).
Mais da metade da população judaica (58%) considera que as relações entre os grupos religiosos e seculares não são boas. Os seculares têm esse sentimento mais forte do que os dos tradicionais, religiosos e haredim (67% contra 56%, 43% e 41%, respectivamente).
Cerca de um quarto (27%) da população religiosa acha que a área residencial em que moram tem se tornado mais religiosa nos últimos anos. Cinqüenta e nove por cento acham que a sua área residencial não se alterou, enquanto que 6% acham que sua área se tornou menos religiosa.
Metade dos moradores de Jerusalém diz que sua vizinhança se tornou mais religiosa, em comparação com 22% dos habitantes de Tel Aviv, 23% dos de Haifa e 18% dos moradores de Rishon Lezion. Em geral, cerca de metade da população judaica (49%) procura viver em uma área com um nível de religiosidade semelhante à sua.
Cinqüenta e sete por cento dos judeus de Israel são a favor da separação da religião do Estado. 77% dos judeus seculares apóiam esta separação enquanto que o apoio é significativamente menor entre os religiosos (23%) e judeus ortodoxos (14%).
A maioria da população judaica (64%) gostaria que os restaurantes, cinemas e bares permanecessem abertos no Shabat, 62% gostariam que eventos esportivos fossem realizados no Shabat (89% dos seculares) e 53% são a favor da disponibilidade de transporte público no Shabat.

Entenda-me, Sr. Secretário!

Uma narrativa original de David Ben Gurion, escrita em seu diário, nos ajuda a compreender o seu significado e sua extraordinária magnitude. Ben Gurion conta que em 1954, como primeiro-ministro, viajou para os USA para reunir-se com o Presidente Eisenhower e solicitar apoio e assistência em momentos difíceis para o jovem Estado de Israel. 

 

Em uma de suas reuniões com o então secretário de Estado, John Foster Dulles, este o enfrentou com um elevado grau de arrogância e perguntou: 



"Diga-me, Senhor Primeiro-Ministro, a quem você e seu Estado realmente representam? Por acaso os judeus da Polónia, Iêmen, Romenia, Marrocos, Iraque, a União Soviética e o Brasil são a mesma coisa? Depois de 2.000 anos de diáspora é possível falar de um único povo judeu, de uma única cultura, tradição ou costume judaico? ".







Ben Gurion disse:
"Veja, Sr. Secretário. Há 200 anos, o navio Mayflower partiu da Inglaterra levando a bordo os primeiros colonos que se estabeleceram no que é hoje esta grande potência democrática, os Estados Unidos da América. Peço-lhe para ir até a rua e perguntar a dez crianças americanas o seguinte: Qual era o nome do capitão do navio, quanto tempo durou a viagem, o que a tripulação comeu durante a viagem, e como se comportou o mar durante a viagem marítima ? Provavelmente não vai obter respostas coincidentes. 


Mas peço que atente para o seguinte. Há mais de 3.000 anos os judeus saíram do Egito. Gostaria então que, em algumas de suas viagens ao redor do mundo, tente encontrar-se com dez crianças judias em diferentes países, fazendo-lhes perguntas sobre o nome do capitão daquela travessia, quanto tempo durou a viagem, o que comeram durante esta viagem e como se comportou o mar. Quando você tiver as respostas, e se surpreender com elas, tente se lembrar e reavaliar a questão que acabou de me fazer."

Entenda-me, Sr. Secretário! 

Bate-Bola Rápido (Daniela Kresch Entrevista Pamella Admoni)



PAMELLA ADMONI



A engenheira eletrônica Pamella Admoni, de 24 anos, é a entrevistada da semana na série de entrevistas com participantes do MASA (“massá”), que oferece bolsas para jovens queiram passar de cinco a dez meses em Israel, estudando, trabalhando ou viajando pelo país. Desde 2005, mais de 1.250 jovens já conheceram Israel através dos 150 programas do MASA. Nascida em Suzano (SP), Pamella está em Israel desde o final de janeiro para ficar cinco meses no país pelo programa Oranim. Ela faz estágio em sua área, trabalha como voluntária, estuda hebraico e participa das atividades do programa, como encontros com palestrantes e viagens a pontos turísticos.


1) Por quê você decidiu viajar para Israel?
Ir para Israel é um sonho meu desde que eu tinha três anos de idade. O componente emocional é muito forte. Sempre me senti mais ligada ao Judaísmo do que com o jeito brasileiro de ser, de encarar a vida. Agora, consegui juntar essa vontade de conhecer o país como lado prático, estudando e trabalhando aqui.



2) Por quê escolheu um programa ligado ao MASA?
Escolhi o MASA porque quero primeiro conhecer o país sem a pressão de quem mora nele. Quero me dar um pouco de tempo de digerir tudo.



3) Do que você mais tem gostado, em Israel?
Do sentimento de comunidade, de conhecer o vizinho, de poder bater na porta de quem mora do lado. E da segurança. Por aqui, ando aqui tranquila pelas ruas. Me comovi também quando encontrei um grupo de soldados, que, pela primeira vez, expressaram o mesmo sentimento que eu tenho quanto a Israel. Foi emocionante. 


4) O que mais tem estranhado?
Estranho a dureza dos israelenses no dia a dia. O atendimento a consumidores é muito falho, por exemplo. Uma vez, uma vendedora tirou uma blusa da mão do meu irmão, dizendo que ele deveria comprar uma outra. Acho muito engraçado como as pessoas se intrometem na tua vida.



5) Qual foi o ponto alto do programa, até agora?
Acho que é a atenção das coordenadoras. Sinto que elas se importam comigo, como todos. É além de um simples trabalho, para elas. 


6) O que poderia se melhorado?
Acho que, em geral, falta por aqui um pensamento a longo prazo. Todas as decisões são tomadas de maneira imediatista. Os israelenses têm um bom jogo de cintura, nesse sentido, mas acho que não pensam muito no futuro porque o Oriente Médio é uma área muito instável. 


7) Qual a maior lição da experiência?
Acho que aprender a respeitar as diferenças. No meu grupo tem russo, americano, canadense, inglês... Tem até uma pessoa de Luxemburgo. É importante não brigar por coisas que você não vai conseguir mudar.


8) O que você diria para quem pretende visitar o país?
Diria que Israel tem vida, tem História, É encantador. Não tem como imaginar o que é antes de vir. É preciso conhecer e tirar suas próprias conclusões.



13.5.11

Noa Tishby, estrela de Hollywood e defensora do Estado de Israel

Inteligente, sexy e bem sucedida, a atriz e produtora Noa Tishby pode ser classificada em uma categoria a parte.
 
Tishby além de ser uma das primeiras líderes de Hollywood que pode se gabar de ter servido no exército israelense e treinada para "manejar qualquer arma e chutar o traseiro de quem merece" como de maneira divertida revela em seu site pessoal, ela também não tem medo de utilizar o seu estrelado para o apoio em favor do seu país natal.

"Eu comecei a apoiar Israel no final de 2010" ela informou ao ISRAEL21c em um inglês sem nenhum sotaque. Em cooperação com o Ministério de Relações Exteriores como um nexo digital para a defesa de Israel ela pretende "vencer a guerra de idéias" e oferecer oportunidades para os meios formadores de opinião conhecer a posição de Israel para que possam chegar às suas próprias conclusões. "Eu estava frustrada com a falta de informações disponíveis e, após o incidente da flotilha [em Gaza] vi a necessidade de fazer alguma coisa" explica ela.
"Ação" pode muito bem ser o apelido de Tishby. Em Israel ela é conhecida pelo seu papel principal no musical ‘Rei Davi’ quando tinha somente 16 anos, e logo após estrelou no horário nobre de Israel o drama Ramat Aviv. Vários programas de TV e filmes depois (assim como o primeiro cd em inglês por uma artista israelense que atingiu o topo das paradas), a imagem de Tishby tem sido estampada em outdoors e capas de revistas em Israel e na Europa. Quando ela foi eleita a "mulher mais sexy de Israel" em 2007 ela já tinha um base firme em Los Angeles quando já acumulava créditos em filmes e programas de TV, incluindo NCIS, CSI: Miami, Las Vegas e Nip / Tuck (Estética). "Eu tenho ido e voltado já por quase 10 anos" disse ela. "Quando as pessoas perguntam onde eu moro, eu digo "em Tel Aviv e em Los Angeles; Eu viajo para Israel a cada 2 ou 3 meses".
Tishby inovou ao vender para a HBO o ‘In Treatment (‘Em Tratamento’)’. Ela é co-produtora executiva desse drama que estreou em 2008 e já ganhou os prêmios Emmy e Golden Globe, e que é baseado na premiada série ‘BeTipul’, que foi o primeiro programa de televisão de Israel que se tornou uma série na TV americana. Através da sua empresa de produção Noa's Arc, Tishby também trouxe dois novos projetos de Israel para a HBO e outro para a MTV, pois é proprietária dos direitos de numerosos projetos para filmes, peças de teatro e programas para TV, porém Tishby diz apenas que está "trabalhando em algumas coisas", mas os rumores dizem diz que ela planeja trazer o ‘Rei Davi’ para a Broadway.

Maestro Israelense se Apresenta com Orquestra em Gaza

Barenboim e músicos europeus entraram em Gaza através do Egito para um show que foi coordenado em segredo com a ONU, informou o Wall Street Journal.

O renomado maestro judeu e ativista pró-palestino Daniel Barenboim apresentou-se na terça-feira com uma orquestra de músicos europeus na Faixa de Gaza. Segundo a reportagem o concerto foi coordenado em segredo com as Nações Unidas até quando os convites foram distribuídos no início desta semana, e assinalou uma rara visita de solidariedade de uma figura internacional de grande valor cultural ao território palestino bloqueado desde que o Hamas assumiu o poder em 2007.


Músicos de vários países europeus, como Alemanha, Áustria, França e Itália foram listados no projeto de Barenboim, e ele próprio montou um equipamento chamado de "Orquestra para Gaza". Segundo a agência de notícias francesa AFP, a orquestra voou de Berlim para o Egito e, em seguida atravessou a fronteira com Gaza para o concerto.

"Estamos muito felizes em virmos para Gaza. Nós estamos apresentado este concerto como um sinal da nossa solidariedade e amizade para com a sociedade civil de Gaza", Barenboim disse em um comunicado divulgado pela ONU. Sua visita à Faixa de Gaza violou uma lei de Israel, que proíbe seus cidadãos de entrarem no enclave costeiro.


Barenboim, um judeu nascido na Argentina e que foi criado em Israel possuindo a cidadania israelense, assumiu a cidadania palestina em 2008 e disse acreditar que a sua rara e nova condição poderia servir de modelo para a paz entre os dois povos. O maestro é uma figura controversa em Israel, tanto pela sua promoção do compositor do século 19 Richard Wagner - cuja música e escritos anti-semitas influenciaram Adolf Hitler – como pela oposição vocal às políticas de Israel nos territórios palestinos.

Junto com o falecido acadêmico palestino Edward Said, ele co-fundou a West-Eastern Divan Orchestra, composta por jovens músicos de Israel, dos territórios palestinos e de países árabes vizinhos.

LIBERDADE DE OPINIÃO (Jacob Kligerman)


JACOB KLIGERMAN

Nascido e criado no Rio de Janeiro, graduou-se na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, em 1964. Desde o início de sua vida profissional, sempre teve a Oncologia como área de interesse. De 1960 a 1964, estagiou no Departamento de Cabeça e Pescoço do INCA, onde foi residente no período de 1964 a 1967.

Em 1972, foi médico visitante no Departamento de Cabeça e Pescoço do M.D. Anderson Cancer Center. No Brasil, foi pioneiro na cirurgia de base de crânio, estudos randomizados e na sofisticada técnica de reconstrução e preservação de órgãos. É consultor na área de cabeça e pescoço, membro do conselho do Journal of the American Medical Association no Brasil, com mais de 35 artigos publicados, e editor da Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

Em 1993, após mais de 18 anos como Chefe do Departamento de Cabeça e Pescoço, tornou-se Diretor do Hospital do Câncer do INCA, cargo que ocupou até 1996. Em maio de 1998, após ser eleito membro da Academia Nacional de Medicina, passou a ocupar a cadeira nº 26 na Seção de Cirurgia. Em setembro do mesmo ano, foi nomeado diretor-geral do INCA pelo Ministro da Saúde.

Além de todo o seu envolvimento nas áreas pública e científica, também exerce intensa prática médica de caráter privado, recebendo pacientes de todo o país.

Durante sua gestão, o INCA experimentou sólidos avanços qualitativos no que diz respeito à prestação da assistência oncológica integral e integrada, o que aumentou a visibilidade do Instituto como referência no tratamento e controle do câncer.

Em janeiro de 2003, no governo Lula, o Dr. Jacob Kligerman foi substituído pelo Dr. Jamil Haddad no cargo de diretor-geral. Continuou no INCA como membro da Seção de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital do Câncer I. Entre 2005 e 2008 atuou como Secretário Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

• Membro da Academia Nacional de Medicina
• Membro da American Head and Neck Society
• Membro do American College of Surgeons
• Membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

1-O que fez de mais importante em sua vida?


Ter conseguido conciliar a gestão publica como brasileiro e judeu com a vida profissional privada e mesmo com toda esta atividade criar uma família da qual eu muito me orgulho.

2) O que lamenta não ter feito, ou ainda deseja fazer, de importante?


O acesso universal à saúde para todo brasileiro.

3) Diante da multiplicidade de disputas e conflitos étnicos e raciais se generalizando em todo mundo, você acha que a Humanidade caminha para tempos sombrios?

Como escolhi uma especialidade em que a esperança ocupa um patamar importante,acredito que a implantação da Democracia em todo o globo terrestre evitará que as disputas étnicas e raciais prevaleçam.

4) Você concorda com o balizamento estatal ou religioso nas opções e preferências pessoais de cada individuo, incluindo a comunicação, opção sexual, vestimenta, fumo e bebida?

Em relação à comunicação,opção sexual e vestimenta não concordo com a intervenção estatal.O tabaco e o álcool são fatores causais de graves enfermidades e num pais de acesso universal á saúde (acesso gratuito ao tratamento) cabe ao estado regular o seu uso com campanhas e  informações sobre os seus males.

5) Qual seria a sua reação caso tivesse tolhido seu direito de opinar, consumir e de se expressar?


Lutaria para ter os meus direitos respeitados.

OBAMA MELECH YEHUDIM


Quando Obama estava para ser eleito, muitos, mas muitos mesmos, judeus cariocas me disseram que tratava-se de um inimigo de Israel, com nome árabe e posições "liberais" (pelo jeito, virou um palavrão no cerne da nossa comunidade o sentido clássico, político, da palavra...). Numa palestra aqui no Rio promovida pelo Hillel e mediada pelo Osias Wurman, o judeu Caio Blinder quase foi linchado moralmente por ter ousado dizer não acreditava nem um pouquinho na tese de que o novo presidente, fraco, estaria a serviço dos interesses antissionistas. Bom, nos últimos anos, com exceção de uma ou outra bravatazinha retórica dizendo que Israel exagerou aqui e ali (e exagerou mesmo!) - que em nada diferiam dos pequenos esporros pra palestino ver que Bush dava de vez em quando - nada disso se revelou. Barack Obama tem sido tão amigo de Israel quanto os governos predecessores. Talvez até mais. Agora, quando ele executa Bin Laden e joga seu presunto ao mar no melhor estilo Bush, pouco se lixando pro direito internacional, e usando um discurso de velho Oeste misturado com Lei de Talião, os mesmos judeus cariocas soltam hurras. Obama Melech Iehudím! Há até entre nossos patrícios aqueles que aproveitam para papagaiar a tese estúpida de que tortura vale a pena. Quero ver quando torturarem a iídiche mama deles com base em alguma espionagem de rede social numa realidade em que nossas liberdades estiverem, eventualmente, restringidas e tenhamos que formar uma nova linha de partizanim. Quanta cara-de-pau! Felizmente, como sempre, em minoria, há judeus coerentes que, ao mesmo tempo que jamais entraram nessa paranóia clássica de proclamar Obama um potencial Alá do Apocalipse, têm coragem de criticar os extremos a que chega um liberal (argh!) em campanha eleitoral. E de ver Obama como apenas mais um democrata na presidência dos Estados Unidos, dos males o menor em vistas do crescimento da hidrofobia e do fundamentalismo no seio do Partido Republicano.

Bate-Bola Rápido (Daniela Kresch Entrevista Alexandre Fisberg)

O jornalista paulista Alexandre Fisberg, de 24 anos, é o entrevistado da semana na série de entrevistas com participantes do MASA (“massá”), que oferece bolsas para jovens queiram passar de cinco a dez meses em Israel, estudando, trabalhando ou viajando pelo país. Desde 2005, mais de 1.250 jovens já conheceram Israel através dos 150 programas do MASA. 

Alexandre escolheu o “Life Program”, que oferece a experiência de passar quatro meses na Índia e quatro meses em Israel, com um mês de preparação. Nos dois países, os participantes fazem estágios em ONGs ou em instituições governamentais ligadas ao desenvolvimento humano. O jornalista começa, semana que vem, um estágio no Weitz Center for Development Studies, em Rehovot, onde vai trabalhar em programas focado na juventude e no desenvolvimento.

1) Por quê você decidiu viajar para Israel?

Porque sinto uma conexão com o povo e me sinto parte de uma tradição milenar. Essa é a minha quinta vez em Israel. Dessa vez, eu vim para passar mais tempo e ter a oportunidade de trabalhar na minha área.

2) Por quê escolheu um programa ligado ao MASA?

Principalmente por causa das facilidades oferecidas pelo programa. Mas a verdade é que achei esse programa meio por acaso. Estava procurando um trabalho na Índia e, quando achei uma oportunidade que ligava os dois países, Israel e Índia, logo me interessei. Achei que era a minha cara.

3) Do que você mais tem gostado, em Israel?

Atualmente, tenho achodo muito interessante ver como Israel, ao longo desses 60 anos, se desenvolveu social e politicamente. Principalmente na comparação com a Índia, país que proclamou independência no mesmo ano que Israel, em 1948. Israel é um país pequeno, mas que tem um grande impacto no mundo.

4) O que mais tem estranhado?

Como vim da Índia, tenho estranhado aqui o silêncio, a organização, as regras, a civilização... Impressionante como esse país se organizou e se desenvolveu em tão pouco tempo.

5) Qual foi o ponto alto do programa, até agora?

A possibilidade de visitar e estudar dois países tão diferentes e de levar de volta para um terceiro país, o Brasil, essa experiência.

6) O que poderia se melhorado?

Tem vários pontos que podem ser melhorados. O principal deles é ajustar a liderança do programa, que não é muito adequada. O meu programa é uma “fellowship”. Mas o foco da liderança não está no “fellow” e sim na construção do próprio programa, nas questões internas. Há serviços que foram prometidos e não são oferecidos, na prática.

7) Qual a maior lição da experiência?

Estou no meio do processo, mas tenho certeza de que vai contribuir para o meu futuro profissional e pessoal. Vivi uma experiência intensa na India e também em Israel, onde vejo o outro lado, o que eu quero que o Brasil seja daqui a alguns anos. Aprendi também que nem sempre minhas premissas são verdadeiras.

8) O que você diria para quem pretende visitar o país?

Primeiro, que tem que vir. Israel é um dos países mais interessantes do mundo. Sem receio de estar errado, digo que Jerusalém é uma das cidades mais fascinantes do mundo. A diversidade humana neste país tão pequeno é enorme. Ás vezes se diz que aqui só tem conflito. Mas é só vir para Jerusalém para ver a coexistência entre tantos grupos distintos.

Hamas e Fatah juntos? Isso é bom? Depende…

Por Reinaldo Azevedo

As facções palestinas Fatah e Hamas, que controlam, respectivamente, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, anunciaram um acordo nesta quarta-feira, depois de uma rodada de negociações secretas mediadas pelo novo governo do Egito. Os dois grupos teriam acertado a reestruturação da Autoridade Nacional Palestina, o calendário eleitoral, as regras da disputa etc. Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem. Vamos considerar: enquanto os dois grupos estiverem se matando, não há estado palestino possível. Poderia ser uma boa notícia. Mas será?

Em um discurso transmitido na quarta pela TV, Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, advertiu o presidente da Autoridade Palestina e chefe da Fatah, Mahmoud Abbas: ele deve escolher entre a paz com Israel e a paz com o Hamas. Deixou claro que as negociações israelo-palestinas podem chegar ao fim. Aí alguém dirá: “Esses israelenses… Sempre atrapalhando!”

É mesmo? O Hamas é um grupo terrorista. O que isso quer dizer? Ele se organiza para matar civis em nome de sua “causa política”. De Gaza, dispara mísseis às pencas contra Israel. Um dos itens de seu estatuto é a destruição do país. Então surge a questão: o Hamas renuncia a seus princípios e à sua prática? Não se disse nada a respeito. Qual é a conseqüência do acordo? O moderado se torna mais radical, ou o radical, mais moderado? Num caso, aumentam as chances de paz; no outro, diminuem.  A boa notícia seria outra: “Hamas renuncia ao terrorismo e reconhece o estado de Israel”. Sem isso, nada feito.

LIBERDADE DE OPINIÃO (Anita Waingort Novinsky)


Anita Waingort Novinsky

 Licenciada em Filosofia e livre-docente em história pela Universidade de São Paulo. Especializou-se na França em História das Mentalidades e concentrou seus estudos sobre a Inquisição e Cristãos-Novos no Brasil. Foi professora visitante na École des Hautes Études em Sciences Sociales – Paris e nas Universidades norte-americanas Brown, Rutgers-New Brunswich, Austin, Texas. Atualmente dirige uma equipe de pesquisadores na Universidade de São Paulo que pesquisa a Inquisição no Brasil. É Presidente do LEI - Laboratório de Estudos sobre a Intolerância da Universidade de São Paulo e do Conselho Administrativo da Associação Museu da Tolerância de São Paulo. É coordenadora principal do Projeto Intolerância/Tolerância – Democracia e Cidadania, do Programa Institutos do Milênio – CNPq, onde também coordena o projeto Limites da Tolerância e Formas de Resistência – A Inquisição e a contra cultura no Mundo Ibérico (séculos XVI-XIX) e desenvolve a pesquisa Uma nova leitura sobre o pensamento do Padre Antonio Vieira: os judeus e a redenção do Mundo. Autora de oito obras sobre o tema da Inquisição.

1 - O que fez de mais importante em sua vida?
O mais importante que fiz em minha vida alem de constituir minha família, foi ter introduzido os estudos sobre  os cristãos novos e a Inquisição na Universidade de S.Paulo e ter aberto na História do Brasil um capítulo novo, praticamente desconhecido, sobre o papel que os judeus,(marranos, anussim, cristãos-novos, conversos) representaram na construção e colonização deste  país.Hoje,com as pesquisas  realizadas em fontes primárias,esse fato não pode mais ser ignorado.

2 - O que lamenta não ter feito, ou ainda deseja fazer, de importante?
Há muita  coisa que eu lamento não ter feito na minha vida.Uma delas, é não ter convivido mais tempo com meus filhos, e com as pessoas que amei. Para realizar as outras que eu lamento não ter feito, eu teria de viver muitas vidas.

3 - Diante da multiplicidade de disputas e conflitos étnicos e raciais se generalizando em todo mundo, você acha que a Humanidade caminha para tempos sombrios?
Lamentavelmente, os acontecimentos que temos presenciado no mundo não são muito promissores.Os grandes perigos são a xenofobia,os nacionalismos e o anti semitismo. O ódio aos judeus é apenas um dos sintomas dos tempos tenebrosos que vivemos.Se em alguns anos esses fenômenos  crescerem,e  todos os povos  não compreenderem que tem de conviver amigavelmente e  em paz, sucumbiremos todos como loucos.

4 - Você concorda com o balizamento estatal ou religioso nas opções e preferências pessoais de cada individuo, incluindo a comunicação, opção sexual, vestimenta, fumo e bebida?
A meu ver, todos  os povos  devem ter a liberdade de seguir os costumes, rituais e crenças de sua origem,uma vez que esses costumes não  perturbem ou prejudiquem seus semelhantes. O Estado não tem o direito de impor maneira de vestir ou comportamento a um grupo estrangeiro,a não ser que seja  uma lei de toda  a nação.Se  um país distante violar os direitos universais do  homem,o mundo tem a obrigação de se manifestar e intervir., porque os direitos humanos foram idealizados para toda humanidade e não apenas  para as nações ocidentais. Se a tradição de um povo  o levar a cometer atos que mutilem o corpo humano  e causem  sofrimento, contra a vontade dessa pessoa, ou se violar o principio máximo que é a  vida, as nações livres e democráticas do mundo tem a obrigação moral de interferir.

5 - Você concorda com o balizamento estatal ou religioso nas opções e preferências pessoais de cada individuo, incluindo a comunicação, opção sexual, vestimenta, fumo e bebida?
Caso eu vivesse numa sociedade totalitária  e fascista, sem poder  falar   e escrever livremente, eu procuraria minar esse governo,criando movimentos clandestinos , esclarecendo através da palavra  companheiros visinhos e colegas,mas sem armas e sem violência.Criaria um movimento de resistência, semelhante ao da segunda grande guerra, distribuindo panfletos secretos, mobilizando a juventude, fazendo-a compreender, como disse Walter Benjamin, que "privar o homem da palavra é o mesmo que privá-lo de pão.”

LANÇADO O SMARTHPHONE KOSHER

Uma empresa de telecomunicações israelense lançou um novo aparelho destinado aos judeus ortodoxos, com a intenção de ser um aparelho “livre de pecado”, com o menu em ídiche e cobrando valores altíssimos para ligações no sábado. O site Dvice destaca que já existem outro celulares kosher, mas muito simples, basicamente para fazer ligações. Quem tem um smartphone, sabe que atualmente eles são muito mais do que simples aparelhos de fazer ligação – mas os smartphones “goi” estão cheios de tentações mundanas.


O principal diferencial do aparelho é que todos os menus foram feitos em ídiche, a língua falada por comunidades judaicas no mundo todo e, principalmente, pelos grupos ortodoxos. A empresa Accel Telecom afirma que demorou mais de quatro meses para que todos os menus fossem traduzidos, conta o site Middle-East Online. Mesmo assim, o aparelho não possui conexão com a Internet e, consequentemente, não tem acesso a redes sociais como o Facebook. Também não há acesso a emails nem a mensagens de texto. E mais, quem tentar fazer uma ligação no sábado (dia sagrado para os judeus) terá que arcar com um custo de ligação de 10 shekels por minuto, ou cerca de R$ 4,70 por minuto. O aparelho também não possui câmera, o que leva muita gente a se perguntar por qual motivo o celular ainda foi chamado de smartphone. Quem concorda?

Bodas em Windsor: e eu, e o judaísmo, com isso?

Compreendo que o casamento na Casa de Windsor movimente o mundo e encha de dinheiro os cofres do Reino Unido. Mas não consigo abrir mão de meu absoluto desinteresse pelo assunto. Um desinteresse que resvala no desprezo (uns dirão despeito, mas juro que não). Jamais nutri qualquer simpatia especial por Diana ou por Charles (por Camila PB até me interesso, já que se trata de figura autêntica, desestabilizadora das verdades definitivas da monarquia que, ano a ano, revelam-se cada vez mais turvas e, paradoxalmente, vazias). Não chorei a morte de Diana. Jamais as lágrimas estiveram tão longe de se precipitar a meus olhos. Na verdade, fiquei com os olhos tão secos que tive que pingar colírio. Morreu, morreu, diria um tio meu. Chorei, sim, a morte de John Lennon. Por sinal, ele devolveu condecoração da Rainha da Inglaterra, em nome da paz. Como qualquer ex-potência colonizadora, o país de que tanto gostamos quando o visitamos maltratou e subjugou povos distantes com grande crueldade e sempre sob a bênção da Rainha. Dane-se a Rainha. O que isso tem a ver com judaísmo? Não sei. Olho para o povo inglês e sinto pena de toda essa reverência sem conteúdo, calcada em algo que é só tradição. E olha que de trad ição nós, judeus, estamos até o pescoço, mas é tão caótico o arcabouço das nossas, que sempre se pode fazer um mix ideal para cada personalidade ou caráter. Respondam os que me lerem, e me digam se fujo demais ao contexto desta querida e democrática Rua Judaica (para me publicar, tem que ser bem democrática mesmo). O fato é que, semeado por esse friozinho que vem da janela trazendo-me alguma paz de espírito reforço minha determinação de querer que o príncipe e a princesa em bodas fiquem bem longe das minhas vistas, para que o outono no Rio seja mais gostoso. Isso é, ainda que de uma maneira bastante heterodoxa, uma maneira de dizer, e cultivar,
Shalom.

COMO FICARIAM OS EUA SE RECUASSEM DOS TERRITÓRIOS OCUPADOS (Quando Netanyahu encontra-se com Obama)

 

Israelenses de esquerda pedem criação de Estado palestino

Esquerdistas assinam em Tel Aviv uma petição em apoio à declaração de um Estado palestino.
Cerca de 300 israelenses de esquerda, entre eles 17 laureados com o Prêmio Israel, a mais alta distinção do país no setor das Artes, Ciências e Letras, pediram nesta quinta-feira, em Tel Aviv, a criação de um Estado palestino nas fronteiras de 1967. 

O apelo, que retoma os termos da Declaração de independência de Israel, foi simbolicamente assinado na tarde da quinta-feira passada, diante do mesmo local onde o Estado de Israel foi proclamado, no dia 14 de maio de 1948, em Tel Aviv. 

Uma contramanifestação de extrema-direita reuniu nas proximidades dezenas de pessoas que chamaram os que assinaram o apelo de "traidores". A polícia interveio, em seguida.


Entre os que pediram o Estado palestino, estão os professores Yehouda Bauer, David Tartakover, o historiador Zeev Sternhell, o ex-presidente da Academia de Ciências, Menachem Yaari, a fundadora do partido Meretz (esquerda laica) Shoulamit Aloni, o pintor e escultor Danny Karavan, assim como o dramaturgo Yehoshua Sobol. 

Os intelectuais e artistas fazem um apelo a "saudar a independência de um Estado palestino ao lado de Israel, segundo as fronteiras de nossa independência fixadas pelo armistício de 1949". Os palestinos querem, hoje, o reconhecimento de seu futuro Estado nas linhas de 4 de junho de 1967, isto é, antes da guerra árabe-israelense dos Seis Dias. Um tal Estado compreenderia o Leste de Jerusalém, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. 

Os signatários destacam que a carta de independência de Israel de 1948 se inspira na "resolução de partilha da ONU de 29 de novembro de 1947, que faz apelo à criação de um Estado-nação judeu democrático e de um Estado-nação árabe democrático". "O fim completo da ocupação (israelense) é condição essencial para a libertação dos dois povos" israelense e palestino, segundo o apelo.

Países europeus planejam reconhecer Estado palestino

A França e os demais países europeus planejam reconhecer o Estado da Palestina, declarou o embaixador francês na ONU, Gérard Araud, durante reunião do Conselho de Segurança sobre o Oriente Médio.
"O reconhecimento do Estado da Palestina é uma das opções consideradas com os parceiros europeus, como forma de retomar o processo de paz", comentou o embaixador durante um debate sobre o Oriente Médio. 

"Se mantivermos esta solução vamos favorecer a retomada das negociações com base em parâmetros internacionais reconhecidos", disse o embaixador francês. 

Encontro do líder palestino, Mahmmud Abbas, com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em Paris.

Araud fez tal declaração após o encontro do líder palestino, Mahmmud Abbas, com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em Paris.

O chanceler francês, Alain Juppe, disse na terça-feira que a França está trabalhando com seus sócios da União Europeia para tentar convencer israelenses e palestinos a regressar "à mesa de negociações", o que poderia levar ao reconhecimento do estado palestino até o final do ano.

Imigrantes Falashmura Comemoram o Primeiro Pessach em Israel

Mais de mil imigrantes etíopes da região de Falashmura estarão comemorando o seu primeiro Pessach em Israel, muitos reunidos depois de anos separados, o que dá a essa ocasião um novo significado para o êxodo.

Os recém chegados cidadãos israelenses comemoraram o êxodo judeu em casa com suas famílias, ou ao lado de milhares de etíopes nos sedarim organizados pela Agência Judaica e pela Fraternidade Internacional de Cristãos e Judeus, realizados em 16 centros de absorção por todo o país. "Não tenho palavras para descrever a grandeza das minhas emoções" disse Macrau Tia, um homem Falashmura que se mudou para Israel há dois meses e atualmente reside em um centro de absorção de Nahariya. "Eu esperei por este momento por seis anos" Tia emocionado falou: "Apenas o pensamento de um seder na Terra Santa, me faz chorar".


Em novembro de 2009 o governo israelense se comprometeu para trazer mais de 8.000 judeus da comunidade judaica etíope em Falashmura para Israel. O governo nomeou a Agência Judaica como a responsável para trazer os imigrantes num prazo de três anos. A Agência Judaica cuidou dos imigrantes Falashmura em conjunto com a Fraternidade Internacional de Cristãos e Judeus, uma organização que investe centenas de milhões de shekels para a imigração e absorção em Israel, com ênfase em relação aos imigrantes etíopes.