Translate 4 Your Language

5.9.10

A vida é escolhida ou imposta?
 

Existe um mandamento ao mesmo tempo maravilhoso e misterioso: escolher viver.  Na parashá da semana, que coincide sempre com o momento do ano pintado pela reflexão sobre a vida e a morte, das Grandes Festas, aparece o trecho que diz claramente: “Veja, entreguei diante de ti hoje a vida e o bem, a morte e o mal.... e escolherás pela vida”.

Embora seja esta uma mensagem muito alentadora, que nos puxa sem dúvida alguma para um enfoque positivo da vida como um valor digno de ser eleito, a aplicação prática do mandamento é misteriosa.  A vida e a morte estão postas nas nossas mãos?! É simplesmente escolher?

Obviamente o mandamento não se refere apenas à situação de um médico que está prestes a salvar uma vida nem a uma pessoa que se encontra prestes ao suicídio ou à trivial situação de tomar ou não um medicamento vital.

Os místicos diriam que certamente a alma escolhe entrar mesmo no corpo e viver uma vida terrena num contexto determinado de corpo, família e situação social e pessoal.


Os psicólogos sustentam que existe em todas as pessoas, em todas as situações, um Eros e um Tânatos, ou seja, uma força que tende à vida, a construir, a reparar, a melhorar, a criar; e outra que tende a destruir, a brigar, a matar e a morrer.

Se estas teorias estão certas, então o versículo resumiu certamente há milênios uma verdade existencial: certamente, tudo depende sim de nossas escolhas. Escolhemos em todas as ocasiões por maior ou menor quantidade e qualidade de vida. O grande desafio é em cada caso é saber o que agrega vida e o que a diminui, e principalmente que tipo de vida e para quem. Nem sempre a luta destrói e a aceitação constrói. Nem sempre o que agrega para um, agrega para o outro também. Às vezes a escolha pela vida consiste em continuar a insistir, a perseverar; e outras justamente no oposto - consiste em encerrar, em desistir e começar novos caminhos. Às vezes a escolha pela vida é ter a coragem de calar, de aceitar em silêncio, de pacificar e aclamar; e outras vezes justamente a vitalidade é possível apenas através da denúncia, da demanda e da reclamação que diz “aqui estou”.

A própria parashá no começo sugere uma fórmula para essa escolha. O texto diz: “atem nitsavim haiom, culchem”, que significa “vocês encontram-se hoje presentes em totalidade, todos vocês”. Sim, também na gramática hebraica e bíblica o som é raro. Por isso os comentaristas sugerem: em plenitude - em totalidade, tudo o que inclui vocês. O passado, o futuro, os desejos, os sonhos, as frustrações, as possibilidades. Tudo. Estar com tudo na plenitude da presença, na totalidade da essência pessoal. Isso é em cada caso escolher viver. Colocar em cada lugar e em cada momento nossa totalidade de forças, de capacidades, de habilidades, e escolher com todas elas presentes.

Que possamos nos preparar para os Grandes Dias que vêm com a coragem de escolher viver com presença total.


Shabat Shalom,
Rabino Ruben Sternschein

Muçulmanos visitaram campos de concentração

Dachau e Auschwitz, dois cenários inenarráveis para aprender sobre o Holocausto e render homenagem às suas vítimas.


CRACÓVIA (CJL) - Em uma viagem, realizada de 8 a 10 de agosto, líderes muçulmanos americanos visitaram os campos de concentração de Dachau e Auschwitz convidados por Marshall Breger, um judeu que ocupou um alto posto na Casa Branca, durante a presidência  de Ronald Reagan e de George H. Bush.

Breger organizou o grupo com o objetivo de neutralizar o notório e crescente antissemitismo e a negação do Holocausto que se tem registrado nos últimos anos em nível mundial.

Em seu regresso, os ativistas muçulmanos se mostraram comovidos pela  vivência e Mohammed Magid, Iman e diretor da organização "All Dulles Area Muslim Society", escreveu um artigo na revista muçulmana "Islamic Horizons" sobre a negação do Holocausto. "Nenhum muçulmano em sã consciência, homem ou mulher, deveria negar o Holocausto. Quando você percorre os caminhos pelos quais outros foram levados às câmaras de gás para morrer, como é possível que alguém possa negar evidências físicas, é algo que está acima de qualquer dúvida?", destaca um parágrafo do texto.

Ver as ruínas desse passado nefasto não se compara a nada, sequer a leitura do tema ou ao sem fim de especulações a respeito do mesmo. Sem dúvida as reações muito genuínas que tiveram os visitantes servem para demonstrar que a viagem foi um importante intento para a educação, compreensão e uma possível mudança de atitude.

(Fonte: Jewish Daily Forward e Congresso Judaico Latino-Americano)

29.8.10

Shaná Tová, pelo Embaixador Becher


Caros Amigos,

Shalom.

Rosh Hashaná, o ano novo judaico, traz sempre a esperança de um novo e melhor recomeço, com muitas realizações, prosperidade e felicidade, tanto pessoal quanto nacional.

Este ano, em poucos dias, quase junto com a nossa celebração do Ano Novo, uma nova rodada de negociações diretas entre Israel e a Autoridade Palestina terá início. Sempre acreditamos que a única maneira de alcançar a paz real, com segurança para o Estado de Israel, é por meio de negociação direta, sem quaisquer tipos de condições prévias.

Temos também a certeza de que este processo de paz que estamos prestes a reiniciar não será fácil e que enfrentaremos problemas, dificuldades e crises ao longo da estrada. Mas, mesmo sabendo que este processo é complicado e, às vezes, até doloroso, ainda assim vale a pena, pois todos nós temos esperança que no final desse processo veremos a verdadeira paz em nossa região: Paz com segurança. Paz com respeito mútuo e dignidade.

A paz que irá permitir que o povo de Israel dedique toda sua energia em continuar a construir nosso amado estado com prosperidade nos domínios do crescimento econômico, desenvolvimento social, educação, ciência, cultura, agricultura, etc.

Já mostramos ao mundo como um país pequeno como Israel pode estar na vanguarda de conquistas científicas, médicas e tecnológicas, junto a outros países mais avançados no cenário mundial. Estamos empenhados em continuar a fazê-lo.

Se todos os nossos esforços e sacrifícios não trouxerem a paz que todos em Israel desejam, saberemos que fizemos tudo que estava ao nosso alcance para consegui-la, mas não encontramos o parceiro necessário para isso.

Neste momento importante, esperamos que nossos irmãos e irmãs da comunidade judaica do Brasil mantenham-se firmes conosco. Que nos empreste o seu apoio e amor em tempos de grandes conquistas, assim como em tempos de crise.

Nós, em Israel, prometemos, com a proximidade do Ano Novo, continuar o nosso profundo compromisso com o povo judeu em todo o mundo e estar sempre, incondicionalmente, com vocês e para vocês.  

Desejo finalizar almejando que no novo ano as relações entre Brasil e Israel sejam ampliadas e fortalecidas, para o bem estar de ambos os povos.

Shana Tová

Feliz Ano Novo

GIORA BECHER
Embaixador de Israel no Brasil
 

Agora é Hora, De Alegria, Vamos Sorrir e Rezar!




Ki Tavô


Os talentos e capacidades do ser humano são inatos ou aprendidos? A discussão sobre se o indivíduo já vem com uma “configuração original de fábrica” pré-programada ou se nasce como uma tabula rasa, com tudo por aprender, faz parte de memoráveis debates na história da filosofia e da psicologia, da medicina e da educação. Os psicólogos comportamentais clássicos afirmavam que se os pais lhes confiassem uma criança bem pequena para educar, fariam dela o que os pais quisessem: um médico ou uma engenheira, por exemplo, pois para eles nada era herdado, tudo é aprendido. Por outro lado, há aqueles que defendem a importância dos talentos herdados, seja geneticamente, seja como herança espiritual, vinda dos pais, ou até de um povo inteiro.



A leitura da Torá desta semana incorpora justamente a tensão entre o herdado e o aprendido. Ela inicia com “quando você chegar à terra que o Eterno seu Deus lhe dá por herança, e você a herdar” (Deut. 26:1) e termina com “guardem os ditos desta aliança e os coloquem em prática, a fim de aprenderem em tudo o que fizerem” (Deut. 29:8). A palavra usada para “aprenderem”, taskilu, não é a mais comum de se encontrar na Torá. No dicionário, encontrei diversas definições para sua forma substantiva, hascalá: educação, escolaridade, conhecimento, sabedoria, erudição, iluminismo.



Hascalá. Este foi o nome do movimento surgido entre os séculos 18 e 19, conhecido como o Iluminismo Judaico. Nos tempos em que os judeus puderam deixar os guetos, épocas em que nossos antepassados lutaram por direitos iguais e de cidadania nos países em que viviam, os idealizadores de uma sociedade que integrasse os judeus entre seus cidadãos ficaram conhecidos como maskilim. O Iluminismo Judaico influenciou de forma decisiva em nossas vidas até hoje como judeus no mundo moderno, independente de nossas inclinações religiosas. Do debate sobre a vida judaica emancipada, podemos dizer que surgiram três tendências principais: (1) a dissolução na sociedade maior, com elevado índice de assimilação das novas culturas no país natal e abandono da herança judaica; (2) o movimento sionista, na busca da criação de um estado independente onde os judeus pudessem ser livres, em igualdade de condições com as demais nações;  e (3) um processo de integração à cultura maior, mas com a preservação dos valores judaicos herdados. Desta última surgiram diversos movimentos que buscaram e ainda buscam responder ao desafio de se viver como judeu no mundo moderno, seja no Estado de Israel, como parte das nações do mundo, seja como judeus que vivem como minorias em seus respectivos países. Estes diversos caminhos buscam, cada um ao seu modo, dar a melhor resposta para lidar com a tensão entre a nossa herança judaica herdada e o mundo que nos rodeia e do qual fazemos parte.



Entre o primeiro e o último versículo da leitura da Torá, entre o herdado e o aprendido, há inúmeras técnicas de como lidar com esta tensão: escrever o que se herdou, cumprir rituais, explicar bem, advertir sobre recompensas e punições, escutar, apreender, praticar. Esta tensão constante me faz ler o termo taskilu, no último versículo, principalmente como a prática de iluminar. O aprendizado, o estudo, o debate travado em cada geração e em cada local joga sempre uma nova luz sobre Israel, nossa terra, tradição e herança, fazendo com que a vejamos por novos ângulos e possamos enxergar algo que não havíamos visto antes. Neste sentido, a haskalá, a iluminação ou iluminismo, amplia os horizontes da herança judaica e a torna ainda mais rica e valiosa para as gerações seguintes.



Não é fácil lidar com tensões. Por outro lado, ao enfrentar os conflitos, nós nos sentimos vivos e nos desenvolvemos, como pessoas e como judeus. Nas palavras de Maimônides, a versão de uma das bênçãos anteriores ao Shemá, em sua obra Mishnê Torá: “Dê aos nossos corações a capacidade de entender,  iluminar: escutar, aprender e ensinar, apreender e colocar em prática, e cumprir todos os ditos do estudo da Tua Torá com amor.” (Sefer Ahavá, Seder Hatefilá 9)



Shabat Shalom!

Uri Lam




*A parashá da semana é acompanhada por uma ilustração da aquarelista Rosália Lerner.

23.8.10

VINGANÇA DO HAPOEL DE ISRAEL


Bruno Rejwic e Fernando Bisker – Miami- EUA
Dia 18 de Agosto o time Hapoel Tel Aviv foi jogar na Europa, nas eliminatórias da UEFA Champion Leagues, contra o Red Bull Salzburg, da Áustria.

O Hapoel ganhou de 3x2 mas, quando marcou o terceiro gol, o jogador Etay Shechter tirou sua kipá (solidéu)  vermelha, com o símbolo do time que estava em sua meia, colocou em sua cabeça e recitou o Shemá Israel.
Os 30.000 torcedores que estavam no estádio começaram a gritar - Morte a Israel, Morte a Israel!

O Hapoel, agora, decidiu dar uma resposta à altura para o jogo em Tel Aviv que será nesta próxima terça-feira. Comprou 20.000 kipot para distribuir para todos os torcedores que estarão presentes.

Etay Shechter, ao ser entrevistado, respondeu que não quis provocar, mas simplesmente quis fazer isto para alegrar os torcedores judeus que estavam assistindo a partida, e que não se arrepende do que fez, já que para ele é uma alegria e orgulho ser judeu.

Para ver o vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=NoRvkx6dRr0&feature=player_embedded


"DEMAIS! Embora eu seja torcedor do Maccabi Haifa, torço para todos os times israelenses que participam de campeonatos europeus. O engraçado, é que eu sou mais o Maccabi do que o Hapoel (tanto em Haifa, como em Tel-Aviv), e outra, eu torço para o Red Bull Salzburg, o time que  Shechter ajudou a eliminar! Vai entender! O importante é bola na rede! FOOTBALL ECHAD!"

O Rabino Chefe de Israel Conclama Judeus Americanos para Não se Oporem à Proposta Legislativa

CARTA DO RABINO CHEFE AMAR PARA O NEW YORK TIMES
Por Hillel Fendel
O rabino Shlomo Amar, um dos dois rabinos-chefes de Israel encontrou uma nova maneira para contatar os judeus, que de outra forma não iriam ouvir as suas palavras: através das páginas do The New York Times.

Tentando atingir os corações dos judeus conservadores e reformistas o rabino Amar pretende fazê-los compreender – através de uma carta ao editor que foi publicada na sexta-feira passada - que os esforços deles contra a atual lei de conversão estão "causando grandes danos" para os judeus. Além disso, ele escreve que as tentativas para influenciar a legislação israelense, mesmo esperando contar com o envolvimento de legisladores dos Estados Unidos, não se coaduna com os princípios democráticos.
Em causa está uma proposta legislativa há muito aguardada em relação à regulamentação do aspecto cada vez mais escancarado das conversão ao judaísmo em Israel. A proposta, fortemente apoiada pelo Partido dos Imigrantes ‘Israel Nossa Casa’ bem como pelos partidos religiosos, tem sido mantida em suspenso pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, depois que se deparou com a forte campanha de oposição conduzida pelos movimentos reformistas e conservadores nos Estados Unidos.

A regulamentação proposta não se refere às conversões ao judaísmo nos Estados Unidos, mas sim prevê que o Rabinato Chefe de Israel é o único órgão autorizado a lidar com as conversões em Israel. Também afirma que uma conversão não pode ser anulada retroativamente, exceto pelo rabino ou a corte que a realizou.
Na carta do rabino Amar ao The New York Times pode-se ler o seguinte: Desde a criação do Estado de Israel as conversões ao judaísmo têm sido regidas pelo Rabinato Chefe. Como o Times relatou no seu artigo, este status quo tem sido contestado por uma petição à Suprema Corte de Israel, petição que tem o apoio de membros de movimentos conservadores e reformistas. No entanto, menos de 1% dos judeus que vivem em Israel são membros desses movimentos.
Esta proposta legislativa não tem o objetivo de trazer mudanças, mas somente visa manter a situação tal como ela existe há 62 anos. Se estes movimentos não-israelenses acreditam nos princípios democráticos, porque procuram intervir em uma questão que afeta somente os israelenses e que não afeta os judeus americanos? Ainda mais intrigante, como eles justificam o pedido para que 12 senadores americanos pressionem o governo israelense sobre este assunto que é somente interno?

As leis de Israel devem ser determinadas pelos residentes de Israel que defendem a sua segurança e sofrem os seus problemas. Se os nossos irmãos judeus imigrarem para Israel, nós iremos recebê-los com grande alegria, e então eles teriam o direito, como cidadãos, para lutarem pela aprovação conforme as suas perspectivas.

Os judeus da Diáspora que estão coagindo o governo israelense para abandonar esta proposta de legislação estão causando grandes danos. O projeto, sob o âmbito da lei judaica, iria ampliar o âmbito de conversão, impedir exigências injustificadas e proporcionar mais clemência e flexibilidade na sua aplicação. Muitos israelenses da Rússia se beneficiariam substancialmente. Na verdade, essa legislação foi proposta pelo Yisrael Beiteinu - um partido secular - e que representa mais de um milhão de russos israelenses.
Que esta desnecessária divisão termine rapidamente.

Shlomo Moshe Amar - Rabino-Chefe de Israel

Jerusalém, agosto, 2010



8.8.10

Criador & Criatura

 
Primeiro-Ministro David Ben-Gurion

 
Presidente Shimon Peres

SABEDORIA (não) JUDAICA

WARREN BUFFET, O MAIS DESTACADO INVESTIDOR MUNDIAL,  FALOU SOBRE O ORIENTE MÉDIO:

“SE VOCÊ VAI AO ORIENTE MÉDIO EM BUSCA DE PETRÓLEO, VOCÊ NÃO PRECISA PARA EM ISRAEL.

MAS,  SE VOCÊ VAI PROCURANDO CÉREBROS, ENERGIA E INTEGRIDADE, ENTÃO É A ÚNICA PARADA”
W. Buffet – 2010

SABEDORIA JUDAICA

Sir Moses Haim Montefiore (1784-1885), o banqueiro judeu britânico, filantropo, defensor determinado dos direitos humanos e o sherife de Londres, esteve uma vez sentado num jantar ao lado de uma personalidade importante e anti-semita, que contou-lhe que acabara de voltar do Japão onde”eles não tem nem porcos, nem judeus”.

Montefiore respondeu instantaneamente: “ Nestas circunstâncias, o senhor e eu deveríamos ir lá para que eles possam ter uma amostra de cada um”.

Reê


Nos últimos dias escutei tantas conversas sobre alegrias e tristezas, sobre estar no lugar certo no momento certo e no lugar errado na hora errada. Nelas as pessoas justificavam de modo convincente que não entendiam o porquê de seu sofrimento. Outras buscavam respostas em atos do passado. Outras ainda responsabilizavam terceiros por suas dores. Houve quem atribuísse a origem de seus problemas a Deus, por critérios obscuros. Mas o que mais me chamou a atenção foi a frequência com que, diante da mesma experiência, uns as encaravam como bênção e outros como maldição.


Conforme a psicologia da percepção, o sentido da visão é o mais estimulado, mexe com os sentimentos e influencia muito em nossas decisões. Mas nós não somos meros receptores de imagens. Cada um tem suas vozes internas, seus pensamentos. Quando vemos algo, esta imagem passa pelo filtro de nossas experiências, recheadas de sentimentos e lembranças. A questão de como isso ocorre leva pessoas diferentes a compreenderem um mesmo evento de modos às vezes opostos.


Nesta semana, ao estudarmos a Torá, encontramos Moisés diante de uma multidão, já muito próximos de Israel. O maior dos profetas orienta a sua gente sobre como encarar a vida na nova terra. Como diante de um quadro, ele descreve a todos a seguinte imagem: do vale do rio Jordão podem se observar dois montes: de um lado o monte Guerizim, que transpira vida e fertilidade; de outro o monte Eval, seco, rochoso, parece morto. O silêncio toma conta do povo. Não se escuta um respiro. Cada um olha, vê, observa. A visão é a mesma para todos, mas cada um escuta apenas a voz do próprio coração.


“Quando o Eterno levar você à terra para onde você irá a fim de herdá-la, entregará a bênção sobre o monte Guerizim e a maldição sobre o monte Eval.” Israel, vale à pena lembrar, não é o Jardim do Éden nem nunca será. Terra que emana leite e mel, mas também de povos que os israelitas percebem como gigantes e ameaçadores. Terra de bênçãos, mas também de guerras e de morte. Terra que viria a se tornar um dos mais importantes centros espirituais do mundo, mas também um dos mais delicados locais de conflito do planeta.


Ainda assim, a porção da Torá garante: quem escutar as leis de Deus será abençoado, mas quem não as escutar será amaldiçoado. Pergunta: quantas vezes encontramos pessoas boas, éticas, dedicadas à família, aos amigos e à comunidade, que parecem respirar o ar seco do monte Eval? E por que gente pouco disposta a viver de modo digno, generoso e franco parece se divertir entre os bosques abençoados do monte Guerizim?


O rabino H. Kushner, em seu livro “Quando Coisas Ruins Acontecem às Pessoas Boas”, defende que há um espaço na vida ocupado pela fatalidade, sem conexão direta com a nossa postura diante da vida e independente da vontade de Deus. A questão é como reagimos a estas fatalidades. Por que às vezes escutamos bênçãos e damos as costas, por não nos acharmos merecedores? E como fazem aqueles que escutam o que parecem ser maldições e dão a volta por cima? Para o rabino S.R.Hirsch, a benção e a maldição não estão condicionadas a circunstâncias externas, mas sim às nossas disposições internas. Do vale nós vemos a aparência dos montes – um parece abençoado e outro amaldiçoado, mas as aparências podem enganar. Por outro lado, o que escutamos será uma benção ou uma maldição, dependendo da predisposição com que escutarmos.


Que possamos sempre escutar as vozes do mundo com autoconfiança, inspiração divina e apoio de nossos familiares, amigos e membros da comunidade. “E sejam felizes diante do Eterno seu Deus” (Devarim 12:12)



Shabat shalom,

Uri Lam


3.8.10

Dezenove ao Quadrado

Não gosto de matemática. É impossível associar David Start-Cohen com as ciências exatas. Nem todo judeu é Einstein ou Bohr. Baruch Hashem. Fora tudo isso, no último dia 19 de Junho de 2010 (08/Tammuz/5770) completei 19 anos, ou seja, 19 no 19.

Engraçado, coincidência, que seja. Queria ouvir um numerólogo falar sobre isso. E, em seguida. sorrir bastante. Talvez pelo meu ceticismo em relação a essas coisas, no lo sé.

Gosto de número, não de conta. Assim como navegar é preciso, raciocinar de vez em nunca também é preciso. Dá pra entender. Se temos tudo isso aí, é porque algum grego, árabe, romano, Prêmio Nobel se matou pra resolver uma inequação de segundo grau que ninguém sabia (ou sabe) resolver. Interessante, não? Já terminei o ensino regular obrigatório, é melhor encerrar esse assunto por aqui.

Viva a álgebra! Pitágoras Rules! (Tá bom...)

1.8.10

Lula Oferece Asilo A Mulher Iraniana




Lula oferece abrigo a iraniana que pode ser apedrejada Mulher de 43 anos está presa acusada de um suposto adultério. Em evento ao lado de Dilma Rousseff, Lula aproveitou para atacar seus adversários políticos
AGÊNCIA ESTADO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu neste sábado (31), durante comício em prol da candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República, em Curitiba, abrigo político para a iraniana Mohammedi Ashitiani, de 43 anos, condenada à morte por apedrejamento em razão de suposto adultério.
"Eu tenho que respeitar a lei de um país, mas se vale minha amizade e o carinho que tenho pelo presidente do Irã (Mahmoud Ahmadinejad) e pelo povo iraniano, se esta mulher está causando incômodo, nós a receberíamos no Brasil", afirmou.
O presidente tocou no assunto quase ao final do discurso, após criticar os Estados Unidos por repudiar sua tentativa de negociar a paz no Oriente Médio. "Parece que tem mais gente trabalhando contra a paz do que trabalhando pela paz", destacou.
"Já que minha candidata é uma mulher, eu queria fazer um apelo a meu amigo Ahmadinejad, ao líder supremo do Irã e ao governo do Irã." Logo depois, explicou a centenas de pessoas que se postaram na Boca Maldita, no centro de Curitiba, para ouvi-lo, que no Irã o adultério é punido com a morte por apedrejamento. Ele reconheceu que estava em situação difícil porque se tratava de falar da soberania de um país.
Quarta-feira passada, Lula havia dito que não tomaria nenhuma atitude em relação à decisão do Irã, justificando que as leis de cada país precisam ser respeitada sob risco de virar "avacalhação". "Acho que é coisa muito grave o que está acontecendo", disse. "Nada justifica o Estado tirar a vida de alguém, só Deus dá a vida e só Ele é que deveria tirar a vida."
Lula disse que já tinha feito outros apelos a favor de brasileiros condenados à morte, em favor de uma francesa também no Irã e em favor de americanos. "Mas os americanos também tem que liberar companheiros do Irã", ponderou. Em entrevista, mais tarde, Dilma elogiou o presidente por sua "sensibilidade".


"Ainda tem gente que se diz Marxista que apóia um regime desse. Dá pra acreditar?"

Ekev


A Torá nos conta, na parashá desta semana, que Moshé jejuou nos dias que esteve falando com Deus no monte Sinai. Assim declarou Moisés: “Pão não comi e água não bebi (9:9, 9:18).

Na presença de Deus, nosso líder vivia uma experiência espiritual muito intensa. É compreensível que não tenha comido e também não tenha bebido. Sua concentração deveria ser tão grande que não teve tempo para pensar em suas necessidades físicas. Seu espírito estava sendo alimentado pelas palavras de Deus.

Segundo o midrash, existe algo muito interessante no fato de Moisés não ter comido durante sua visita às alturas celestiais. Nossos sábios nos explicam que Moshé não comeu e não bebeu porque agiu como os habitantes daquele lugar.

No céu não há comida e nem bebida. Os anjos de Deus não comem e não bebem e Moshé portou-se da mesma maneira. Não comeu e não bebeu. Em respeito aos habitantes do céu, Moisés aceitou aquilo que era o costume local e agiu como os anjos.

 Para reforçar esta tese, o midrash nos lembra de outra passagem bíblica. Quando anjos vieram visitar nossos patriarcas Avraham e Sara, foram recebidos com comida e bebida. Assim, temos um exemplo oposto. Anjos do céu quando descem a terra, também se comportam como os habitantes locais. Como o costume aqui na terra é de comer e beber, os anjos também comeram e beberam embora não fosse esta a prática vigente nas alturas celestiais.

Assim está escrito no midrash: Lá em cima (no céu), onde não há bebida e comida, subiu Moisés às alturas (para receber a Torá e não comeu); porém embaixo (na terra), onde há comida e bebida, desceram os três anjos (do céu à casa dos nossos patriarcas Avraham e Sara) e comeram, conforme foi dito: “e ele (Abraão) colocou-se com eles sob a árvore e comeram (Gên. 18:8)”.
Existe um conceito judaico que se chama minhág hamacom, o costume local. Segundo esta idéia, uma pessoa que visita outro lugar deve respeitar os costumes daquele local e agir como aqueles habitantes.

Assim, por exemplo, temos o costume de ficar em pé durante o Shemá Israel na nossa comunidade. Em diversas comunidades o costume é realizar essa oração sentado. Se alguém visita a CIP deve agir como nós fazemos. Se, da mesma forma, nós visitamos uma comunidade em que se recita o Shemá sentado, assim devemos fazer.

Esta forma de comportamento expressa o pluralismo de nossa religião. Acreditamos que existe mais de uma verdade. O que vale para mim não é, necessariamente, válido para os outros e vice-versa. Assim, quando eu sou convidado em outra cidade, outra comunidade ou outra família, devo abrir mão dos meus costumes e agir com flexibilidade. Em sinal de respeito àqueles que me recebem devo agir como eles.
Será que existe um limite para esta flexibilidade? É claro que sim. Não vou ajoelhar porque estou em uma Igreja ou uma Mesquita porque isto fere um princípio fundamental da minha religião.

Assim, é possível afirmar que o judaísmo prevê a criação de uma sociedade pluralista. Sociedade em que diversas verdades podem coexistir. Desta maneira, o indivíduo deve abrir mão de seus costumes quando se encontra entre pessoas que tem costumes diferentes. No entanto, valores fundamentais não devem ser abandonados em função da atitude de nossos anfitriões.

A interpretação dos rabinos do jejum de Moshé nos dias que esteve diante de Deus, no cume do Monte Sinai, nos traz uma importante lição. Nós também atingiremos o topo do Monte Sinai e encontraremos Deus no momento que interiorizarmos a lição de que diversas verdades podem coexistir sem que uma prevaleça sobre a outra. Nosso desafio cotidiano é buscar o equilíbrio e viver de forma pluralista. Se até os anjos comem quando nos visitam, nós podemos “jejuar” para estar mais perto de Deus.

Shabat Shalom.
Rabino Michel Schlesinger


"A mensagem sobre essa parashá explica a famosa frase do Grande Lubavitcher Rebe, Rabino Menachem Mendel Scheerson Z''L, 'o que o alimento é pro corpo, a oração é pra alma'. Boa, Rabino Schlesinger, há limites para respeito de costumes, é verdade! Ainda nos veremos novamente, Rabino!"

25.7.10

Roupas Extravagantes e Cabelos Azul-Turquesa



Existe uma comunidade no site de relacionamentos mais popular entre os brasileiros (sim, aquele que tem nome turco) cujo título é "geração perdida". Quando li isso fiquei analisando profundamente durante segundos, e cheguei á seguinte conclusão: "fato".

Não que alguém ou algo, ou tribo urbana leve a culpa, mas, é só olhar ao redor dos infanto-juvenis e perceber. Durante a minha infância, nos anos  noventa, existiam desenhos, bandas que davam gosto de assisstir e ouvir, hoje, não é bem assim.

Falando sobre desenhos, sempre fomos influenciados pelos Looney Tunes da Warner Brothers, pela turma da Hanna-Barbera, e outros estadunidenses, porém, foram os japoneses que invadiram nossas mentes e até no modo de se portar frente á sociedade. Desde a segunda metade dos anos oitenta.

Quando a tietagem era tamanha, era só ter a fantasia de um Power Ranger ou a máscara do Jaspion, ou Black Kamen Rider, atualmente, passam dos limites. Alguns até ganham dinheiro pra tal, são realmente poucos. E racionais. Os "atores fantasiados", ou Costume Players, são a bola da vez no final da primeira década do terceiro milênio da era comum.

No mundo, conhecidos pela abreviação Cosplays (ou em São Paulo, pela ironia Cospobres), os mesmos despertam reações diferentes em todos aqueles que os observam. Espanto, para a grande maioria, admiração, para quem gosta de uma coisa ou outra da cultura japonesa, e um "pouco" de raiva, para o autor desse texto por exemplo. Quem esta lendo se pergunta: "raiva?"

A grande parcela dos Cosplays é constituída por guris e gurias que ficam o dia inteiro na internet e sabem o que são parques, museus, estádios, e nunca, nunca mesmo, se atreveram a bater uma bola, ou até, brincar de esconde-esconde na infância. Pero, nem todo palestino é terrorista e nem todo corinthiano é ladrão. Para toda regra há uma exceção (a rima não foi proposital), e entre os Cosplays não é diferente.

Orgulhosamente, fui staff da Cúpula Mundial dos Atores Fantasiados (World Cosplay Summit) - Etapa Brasil 2009, e é claro, fui rever meus conceitos sobre essa galera. Assisti apresentações inacreditáveis e incríveis, e gostei muito. Óbvio que os concorrentes da cúpula faziam parte dos racionais, eu acho. Mesmo assim, ainda os critico, principalmente quando tem evento no meu bairro. É um festival de nerds babacas que só sabem falar dos seus gostos estranhos.

Como disse, Baruch Hashem, não são todos. Há racionais e muita gente legal nesse meio. Conheço uns que faço questão de manter amizade. Contudo, sempre bato na mesma tecla: sou judeu e afro-descendente, não tem porquê eu ter preconceito com algo ou alguém. Tolerância  é a chave. Se tem pessoas que acham legal usar roupas extravagantes e pintar o cabelo de azul-turquesa um hobby, tá beleza!

Processo sobre Conversões Necessita Ser Abrandado

Israel necessita que as leis referentes às conversões se tornem mais brandas e que acolham os convertidos em nosso meio.

Ron Breiman- é o ex-presidente dos “Professores Para Um Israel Forte”
 
O último projeto colocado na agenda pública sobre o importante e decisivo problema das conversões novamente enfrenta, por alguma razão, a superficialidade das questões interpartidárias, embora tenha importantes implicações para o aspecto geral do povo judeu em Israel e no exterior, bem como para o problema demográfico de Israel.
A questão demográfica não está em debate, incluindo as discussões e as ações relacionadas, por duas razões principais:

• A confiança sobre dados exagerados ou falsos sobre a população árabe na parte ocidental de Israel (Yoram Ettinger e outras pessoas já denunciaram esta distorção). Estes dados se mostram bastante exagerados e com o objetivo de acelerar a retirada do Estado dessa parte que é o ‘coração’ da Terra de Israel. Isso está sendo feito enquanto é escondido o fato do estabelecimento de outro Estado palestino, agora no lado oeste do rio Jordão, e assim como a absorção de refugiados na região somente agravaria o problema demográfico.


• A imagem de centenas de milhares de Olim, que não são judeus, pois a Halachá os consideraria como "não-judeus" ou "outros", o que agrava ainda mais o equilíbrio demográfico entre judeus e árabes, apesar de estarmos falando de pessoas com raízes judaicas e que escolheram se juntar a nós e servirem nas forças armadas para a defesa de Israel.


Mas colocar a conversão dessas centenas de milhares de pessoas que expressam o desejo de se unirem ao povo judeu através das suas ações nas mãos de um Rabinato-Chefe de que cada vez mais se afasta do sionismo e aproxima-se do mundo ortodoxo, e assim como a exigência de que os convertidos adotem o estilo de vida ortodoxo, transmite uma mensagem que essas pessoas sejam consideradas como cidadãos de segunda classe e judeus de terceira classe.


Nossa orientação seria a de tornar o processo de conversão mais brando, mais simples e mais rápido, em vez de introduzir obstáculos e forçando os convertidos a adotarem um estilo de vida que até mesmo a maioria dos cidadãos de Israel não deseja. Essa linha dura da política os afasta ao invés de aproximá-los, os ofendem em vez de apaziguá-los, e transmite uma sensação de distorção: O que vemos é a crescente influencia haredi sobre as conversões - embora os haredim procurem se esquivar do serviço militar – e assim prejudicando uma grande parte da população que contribui para as FDI e para a sociedade em geral, e isso apesar das atitudes alienantes em relação aos mesmos.
Este movimento anti-judaico e anti-sionista de um Rabinato Chefe cada vez mais ortodoxo, e que prejudica aqueles que procuram se converter, não é o único ato deste tipo. A proibição imposta por várias pessoas de grupos rabínicos em relação às visitas ao Monte do Templo enfraquece o Estado de Israel e as necessidades das pessoas que vivem em Israel. Neste contexto, grupos de judeus religiosos radicais estão juntando forças com religiosos muçulmanos radicais e estão agindo em conjunto para impedir que os judeus entrem no seu local mais sagrado: o Monte do Templo.

Confrontadas com as dificuldades apresentadas por elementos anti-sionistas, mesmo se eles se considerem como os “verdadeiros” judeus, isto exige uma firme posição sionista, em primeiro lugar e principalmente por parte do primeiro-ministro. No entanto, tal postura não deve incluir o incitamento que às vezes é acometido por características anti-semitas, que vergonhosamente são bastante comuns por aqui e que poderão aparecer nas plataformas de alguns dos candidatos às próximas eleições do Knesset.
A simplificação do processo de conversão deve ser de modo que o convertido ou convertida decida qual a corrente do judaísmo que deseja participar. Este princípio é importante tanto para a conversão como para a qualidade dos laços entre o povo judeu em Israel e os seus irmãos na Diáspora.

O desafio mais importante enfrentado atualmente pela sociedade judaica (O Ministério da Imigração está prestando atenção?) é uma forte absorção de centenas de milhares de judeus - se não pela Halacha então pelo povo judeu no seu sentido mais amplo. Este desafio vem com o título: ‘Conversão Agora’.

 
"Exatamente. Conversão Agora. E Sempre! Todos nós somos Ben Avraham e Bat Sarah!" 

23.7.10

Vaetchanan

Shemá Israel: algumas notas sobre a frase mais famosa


 

Como todos os anos, após o jejum de Tishá b’Av, que lembra a destruição dos templos e todas as demais desgraças de nossa história, lemos a segunda parashá do último livro da Torá, que inclui os dez mandamentos e o Shemá.

Em seguida, comentarei alguns aspectos centrais do famoso trecho.


O contexto e o uso

No contexto do texto não fica claro quem é que esta falando e para quem. O Midrash estabelece que foram os filhos de Jacob que se dirigiram a ele com seu segundo nome, Israel, e demonstraram, assim, que tinham adquirido sua fé. Ou seja: ‘escuta pai, chamado Israel, sabemos e reconhecemos que o nosso Deus é um, o único’. Talvez era também uma forma de manifestar sua disposição a certa universalidade: um Deus para uma humanidade e, por tanto, podemos confiar nas demais nações.

Outra opção, mais próxima ao contexto, se complica em relação ao texto, uma vez que a ideia de que é Deus que fala para o povo que ele é único traz a dificuldade dele estar falando de si mesmo em terceira pessoa e dele se incluir na expressão ‘eloheinu’, ou seja, ‘nosso Deus’.

Por último, poderia ser Moshé que falou essa frase para o povo. Nesse caso, o único ponto que ficaria estranho é o fato de ele não se mencionar, uma vez que sempre que ele que fala, o texto faz questão de indicá-lo.

O uso do Shemá é conhecido. Ele é pronunciado duas vezes por dia nas rezas estabelecidas da manhã (Shacharit) e da noite (Arvit). Existe um acréscimo para recitá-lo ao nos deitarmos, antes de dormir; e é proclamada na hora de retirar os rolos da Torá da arca sagrada nas festas e na manhã de Shabat, e também durante a Grande Oração do Mussaf. Na história, sabemos que muitas pessoas, especialmente mártires, morreram proclamando o Shemá.

Ouvir

O Shemá começa com o estranho mandamento de ouvir. Como se não fosse óbvio, natural e até involuntário e incontrolável o ato de ouvir. Escutar é voluntário. Ouvir, diríamos que não. Quase pelo contrário: para poder prestar atenção a algo que queremos escutar, precisamos, ao mesmo tempo, apagar os demais sons que ouvimos involuntariamente e focar a audição no desejado. O texto, ao nos mandar ouvir, estaria sugerindo que também os atos involuntários e instintivos podem ser feitos de modo diferente. A vontade tem lugar também no corpo, nos orgãos, nos sentidos. Temos liberdade e, portanto, responsabilidade por como os aplicamos: como ouvimos, quando ouvimos, quanto ouvimos.

A unicidade

A maioria das interpretações que foram dadas a este trecho fala do conceito de unicidade de Deus. Dele, alguns entenderam uma manifestação universal. Deus é o mesmo para toda a humanidade. Todos somos irmãos por uma única fé, por um único esquema de valores espirituais, no final das contas e no fundo das coisas. Outros, ao contrário, enfatizam a ideia de que é o nosso Deus, a nossa fé, o nosso caminho espiritual que chegará a conquistar todos os corações.

Na filosofia da linguagem medieval, o termo ‘echad’ (um) enfatizava três aspectos da divindade: a) o numérico b) o único, c) o homogeneo. Ou seja, Deus é um e não dois, é um pois nada se parece com ele e é um pois nao se compõe de princípios diferentes.

O amor como mandamento

O primeiro parágrafo do Shemá começa com o mandamento de amar Deus. Mandamento? Pode-se mandar amar? Pode-se escolher amar? O texto acredita que sim. Os sentimentos se relacionam com as vontades. Podemos querer amar alguem ou não, de um jeito ou outro. Temos certa liberdade para nutrir de uma forma ou outra um sentimento ou outro por uma ou outra pessoa, e daí nossa responsabilidade.

Partes do ser. Tipos de amor

O parágrafo continua com a ordem de amar com todo o coração, com toda a alma e com todas as capacidades, todos os bens dos quais dispomos. Existem lugares diferentes onde acontecem os sentimentos de amor: um é representado pelo coração, outro pela alma. Mas, além deles, existem outras ferramentas.  A expressão ‘todo o coração’ estaria indicando que existem partes diferentes no coração que nem sempre se envolvem totalmente nos nossos sentimentos. A mesma coisa acontece com a alma. Existem situações nas quais amamos menos do que podemos. Nossa capacidade de amar é complexa, contém diferentes aspectos emocionais, afetivos e espirituais. Podemos experimentar amores maiores e menores, mais e menos complexos. Mais profundos e menos. Que nos envolvem e que mais ou menos nos involucram. Todas as nossas ferramentas de amor estão, de algum modo, em nossas mãos. Podemos envolvê-las mais ou menos.  Temos certa liberdade e responsabilidade sobre elas.

Viagens de situações

O parágrafo do Shemá é finalizado com o pedido de segurarmos nossa entrega de amor, não apenas no que diz respeito ao sentir, mas também na ação (representada pelo braço) e no intelecto (representado pela cabeça). O trecho faz questão de que isso aconteça em todas as situações de vida: quando estamos em nossa casa ou no meio que nos é conhecido e controlado; quando estamos viajando, trilhando caminhos de busca de incerteza, sendo minoria; talvez na fraqueza que nos leve a deitar, que nos exija descansar; e quando temos toda a força para nos levantar e erguer com orgulho. Apenas com essa constância teríamos a capacidade de transmitir esses nossos valores às gerações futuras e, por isso, o texto diz que devemos falar tais palavras para os nossos filhos em todas essas situações. É preciso procurar meios para conseguir falá-las com a eficácia necessária e possível em cada situação.




Shabat shalom,
Rabino Ruben Sternschein


19.7.10

Enxergue Além da Confusão

Uma coisa maravilhosa sobre o mundo em que vivemos são as coisas que acontecem e parecem aleatórias e que não são realmente aleatórias. E essas coisas “aleatórias” não acontecem conosco. Elas acontecem a nosso favor.
Mas só enxergamos a ordem oculta no caos após o fato. Se ao menos pudéssemos enxergá-las no momento...
É isso que eu gostaria que você fizesse: Procure enxergar a perfeição no momento. Isso parece muito Zen, mas existe uma ciência, por assim dizer, por trás disso.
No instante em que vemos que existe um projeto por trás da desordem, nos direcionamos à claridade. Aceleramos o processo. Injetamos Luz na escuridão.
Quando nos sentimos rodeados pela escuridão, sem sinal de Luz no fim do túnel, perpetuamos nossa cegueira. É como se disséssemos: “Não existe o bem aqui, Deus se omitiu; causa e efeito não existem realmente.” E esses tipos de pensamentos simplesmente plantam sementes para mais escuridão, caos e desorientação.
No mês de câncer, o nome em aramaico para esta época, Sartan, significa literalmente “remover a confusão”. Ao mesmo tempo em que pode ser o mês mais confuso - e mais exasperador -, também é o mês mais poderoso para enxergar além da confusão. Fortalecer a nossa visão interior agora nos dará maior capacidade de discernimento no ano todo.
Então, não deixe o caos atingi-lo. Quando os desafios aparecerem, antes de pensar e agir, lembre: “Isso também é para melhor.” O melhor pode não se materializar à sua frente como passe de mágica, mas se você permanecer alerta, conseguirá vislumbrar isso antes do que imagina.

Tudo de bom,
Yehuda.

Fora da Zona de Conforto (Out Of The Comfort Zone)

Eu tenho viajado muitos esses dias. Muito. Adoro conhecer novos rostos, ouvir suas histórias de transformação, compartilhar lágrimas e sorrisos. É um trabalho gratificante.
Mas não é um trabalho confortável – e é por isso que o adoro.
Somos constituídos de duas facetas: a espiritual e a física. A espiritual é minha alma. A física é meu corpo, meu ego, meu intelecto e qualquer coisa que vier junto com isso. Essas facetas não podem compartilhar o poder. Em cada momento específico, uma delas está no comando. Em cada momento específico, uma delas está sendo alimentada.
Quando estou desconfortável, fora da minha zona de conforto, a minha alma se regozija. Ela se aproxima da sua fonte, se aproxima do seu propósito.
O desconforto aparece sob muitas formas. Humilhação. Dor. Confusão. Basicamente a qualquer hora que eu esteja indo proativamente e até mesmo reativamente contra a minha natureza – que é buscar conforto.
Dentro dessa verdade espiritual est á um grande segredo para ganhar mais controle sobre nossa vida. O desconforto é inevitável. Mas quando o iniciamos, é nos nossos termos, e ao escolhê-lo, nós nos conectamos com muito mais Luz do que se o desconforto simplesmente acontecesse na nossa vida.
Então, eu desafio você a se desafiar. Seja honesto e faça uma lista do que é desconfortável para você. As coisas que fazem você se encolher, se esquivar, ficar vermelho.

E vá atrás dessas coisas. Admita suas falhas. Seja voluntário mais uma hora. Atenda aquele telefonema que você ia preferir que fosse para a caixa postal. Resista até à vontade de tomar um remédio quando tiver uma dor de cabeça... Mesmo que seja só por mais alguns minutos.

Quanto mais você se encontrar fora da sua zona de conforto, mais você se libertará das limitações do mundo físico.
Tudo de bom,
Yehuda

Controle Sua Língua

Eu recebi esta resposta à Sintonia Diária de segunda, dia 10 de maio:


Compreendo como a fofoca prejudica os outros, mas me diga: como a fofoca nos prejudica?

Não tenho como dizer o quanto aprecio o feedback e o diálogo que resulta dos emails que recebo. E para responder a pergunta...
Fora a óbvia natureza prejudicial da fofoca que prejudica a(s) pessoa(s) de quem se faz fofoca, causamos danos irreversíveis a nós mesmos de duas maneiras:

Quando fazemos fofoca sobre outra pessoa, toda a Luz espiritual – energia que obtemos das nossas ações, influência positiva, generosidade, conexão com o Criador e assim por diante – é transferida imediatamente para a pessoa de quem estamos falando.
Em outras palavras, podemos falar sobre quem quisermos, mas o preço que pagamos é o retorno que obtivemos por nosso esforçado trabalho espiritual. Parece até um bônus para a pessoa de quem se está falando. Irônico, não é?
Então, se você está se esforçando muito em um nível espiritual, mas está se sentindo desfalcado nos resultados, você deveria verificar o seu medidor de fofoca. Não estou dizendo que esta seja a única explicação por não se sentir revigorado neste caminho, mas é um fator importante.
O segundo perigo é um pouco mais sutil. Fazendo fofoca sobre outra pessoa, você a está julgando. E todo o julgamento que fazemos volta para nós. Isso não tem como ser evitado. Nenhum julgamento vem a nós que nós mesmos não tenhamos feito antes.
Da mesma forma, portanto, se você se vê sendo julgado desnecessariamente, pergunte-se quem e o quanto você tem julgado. Resumindo, nós geralmente subestimamos o poder das nossas palavras. O que colocamos para fora volta para nós, e sem o endereço do remetente.
Esta semana, mantenha sua língua sob controle. Pense duas vezes antes de falar.

Como a minha mãe, Karen Berg, costuma dizer: “Quem dera que ao menos tivéssemos tanto cuidado com o que sai da nossa boca como temos com o que entra”.

Tudo de bom,
Yehuda

Os Degraus da Vida

Recebi um email de uma aluna dizendo que queria um esclarecimento – uma semana eu falo sobre limpar a casa e seguir em frente e na próxima, sobre compromisso.
Ela escreveu: “Seria ótimo se nos desse uma fórmula para saber quando insistir e quando desistir.”
Eu já escrevi que é preciso estar preparado para fazer as duas coisas – fazer o que for necessário, mas estar suficientemente desapegado para reconhecer que o universo tem algo melhor em mente para você.
Contudo, o email não se referia a relacionamentos nem a projetos, mas sim ao nosso caminho espiritual.
A única coisa com a qual temos que nos comprometer repetidamente é o nosso caminho espiritual. O resto vem e passa – pessoas, lugares e coisas – mas a nossa conexão e a sabedoria... Isso nunca muda.
A certeza é uma consciência fundamental na sabedoria da Kabbalah. Em seu livro, Tornar-se Como Deus, meu irmão Michael escreveu:

Para que a Luz do Criador se revele, é preciso que haja um receptor para recebê-la. O nome desse receptor é certeza, e o nível de Luz revelado depende da força dessa certeza.
Em outras palavras, certeza não é pensamento positivo nem um mantra pessoal. Não é: “Eu sei que ele é o homem certo” nem: “Tenho certeza de que tudo vai ficar bem no final.” Pensamento positivo é importante, mas não é certeza.
Certeza é saber que este sistema funciona, e porque ele funciona, eu estou no lugar certo agora, independente do que pareça. E já que estou no lugar certo, na hora certa, sempre, tenho que estar de bem com o lugar onde estou – aconteça o que acontecer.
Isso significa que posso não estar com a pessoa certa? Sim. Isso significa que posso não estar morando na cidade ideal? Sim. Isso significa que pode ser que eu precise de uma segunda opinião? Sim. Mas também significa que, por estar conectado a este caminho, e consequentemente à Força de Luz do Criador, o lugar onde me encontro agora é um degrau para a pessoa, o lugar ou a coisa perfeita.
Usando a sequência correspondente dos 72 Nomes, injete maior certeza de que está no caminho certo, de que está conectado com a Luz e de que está no lugar certo, na hora certa, sempre!

E quando for difícil ter este tipo de clareza, mas você souber que no final tudo vai dar certo, tente viver ‘no final’. Você ficará surpreso de como vai chegar mais depressa ‘ao final’ quando fizer isso.

Tudo de bom,
Yehuda

Compromisso

Geralmente achamos que comprometer-se é uma decisão. Temos um momento de clareza e decidimos que vale a pena.


Para a maioria de nós, escolher um caminho espiritual é a decisão mais importante da nossa vida. O que às vezes não enxergamos é que não é uma escolha. É um compromisso. E um compromisso é contínuo. Ele precisa ser feito e refeito todos os dias.
Se você resolve correr uma maratona, não está simplesmente escolhendo aparecer no dia do evento. Está escolhendo um caminho, e isso significa treinar todos os dias. Se você perder uma semana de treino, pode ser que não consiga chegar à maratona.

Comprometer-se com um caminho espiritual significa que às vezes estaremos sozinhos. Podemos nos sentir uma ovelha negra. Outras vezes, algumas pessoas podem querer que fracassemos. Ou pelo menos quando tivermos sucesso, as inseguranças dessas pessoas serão despertadas e elas não ficarão felizes com o nosso sucesso.
E uma coisa é certa: Nós seremos testados. Não na nossa decisão, mas no nosso compromisso.
Muitas vezes eu me miro no meu pai como exemplo. O Rav ensina Kabbalah, de uma maneira ou outra, desde 1963. Há 47 anos ele faz a mesma coisa. Você tem que ter ajuda lá de cima para poder fazer isso. É preciso supor que o Criador tem um plano.
Esta semana, eu li que quando Winston Churchill subiu ao poder na Grã-Bretanha, numa época em que seu país preparava-se para se render às forças alemãs, ele disse ao seu país que se resistissem e fossem bem-sucedidos, isso seria lembrado como o momento de glória deles, mas se não, eles se afundariam e afundariam o resto do mundo também de volta à idade das trevas.
Winston Churchill se recusou a afundar. Mas o mais importante, ele explicou ao seu país qual seria o preço que eles iriam pagar. E porque a Grã-Bretanha sabia qual seria o preço, valia a pena lutar.
Então, antes de tomarmos decisões e nos comprometermos, nós temos que saber qual será o preço. E temos que estar dispostos a pagá-lo.
Quando você tiver que decidir a respeito de um compromisso, pense em como será. Veja quais são os pagamentos em potencial e avalie se vale a pena. Rav Shimon bar Yochai sabia que teria que ficar numa caverna durante 13 anos para poder revelar o Zohar ao mundo.
Os kabbalistas sabiam qual seria o preço que teriam de pagar para realizar seu trabalho neste mundo e eles foram adiante.
Quantos kabbalistas em potencial começaram o caminho e não terminaram? Não puderam pagar? Não puderam lutar contra as dúvidas? Não puderem se comprometer?

Nem sempre você vai gostar do que faz, mas isso faz parte do pagamento para alcançar sua meta. Até mesmo se estiver apenas começando este caminho, em qualquer que seja o nível, existe um nível correspondente de testes, de dúvidas, de resistência.
Então, eu recomendo que anote toda a vez que ajudar alguém, para que, quando perder de vista o seu propósito neste caminho, você lembre que está aqui por algo maior.

Tudo de bom,
Yehuda

O Próximo Nível (The Next Level)

Nós falamos sobre limpeza da primavera e examinar nossos relacionamentos a fim de criar mais ordem, pois a limpeza da primavera também se refere ao trabalho espiritual.

Há muitas coisas que temos que fazer ao longo da nossa jornada que não são gloriosas. Antigamente, se quisesse ser o sumo sacerdote, você teria que estar disposto a limpar o chão também. O sumo sacerdote só podia fazer seu “trabalho especial” uma vez por ano.

Todos nós queremos evoluir espiritualmente e estar mais perto do Criador. Queremos remover os bloqueios que nos impedem de ver as coisas como elas realmente são. Queremos adquirir poder para mudar as coisas para melhor – não só para nós mesmos, mas para os outros também.

Muitas vezes, é um trabalho sujo. E sim, alguém tem de fazê-lo.


Dê uma olhada no seu regimento espiritual. Não apenas o que você faz para se conectar – rezar, meditar, escrever um diário, etc., mas também o modo como você leva uma vida espiritual

Remova as coisas que você não deveria estar fazendo: coisas que faz para receber reconhecimento, respeito, honra ou para agradar os outros.

E quando tiver esse espaço livre, acrescente as coisas que deveria estar fazendo: as coisas silenciosas, as coisas mais difíceis, que são mais desafiadoras e trazem menos recompensa imediata.
O que precisa ser acrescentado à sua vida para que você possa se conectar mais intensamente, não só com a Luz, mas com mais pessoas?

Lembre-se, qualquer tipo de sucesso – em relacionamentos, finanças, espiritualidade, saúde, e assim por diante – resulta do trabalho que fazemos. Não dá para simplesmente pedir à Luz para levar você ao seu próximo nível. Você tem que trabalhar por isso. Se quer mais sucesso, tente ter mais compaixão, tente ser um ouvinte melhor, ser menos vítima. Aí você conseguirá as outras coisas.

A vida é como um vídeo game em que você realiza uma coisa e depois obtém a chave para o próximo nível. Quando transforma uma coisa, você recebe uma chave: pode ser prosperidade, fertilidade, poder pessoal e assim por diante.

Esta semana, pense sobre que forças você precisa ter nas suas lutas diárias. Que obstáculos pessoais gostaria de remover? Se imagine como uma pessoa bem-sucedida com essas forças e sem essas barreiras. Veja os resultados.
Qual é o seu próximo nível?

Tudo de bom,
Yehuda

18.7.10

CURIOSIDADES JUDAICAS

Fernando Bisker – Miami- EUA (Editado por Ana Bisker)
Já nos questionamos sobre a origem de certas expressões e frases? Em qualquer lugar do mundo os mágicos falam a seguinte frase: Abra Cadabra. Mas qual o significado destas palavras tão estranhas?
"ABRA" - na linguagem do Talmud significa "seja feito". "CADABRA" -  do verbo em Hebraico Ledaber e em Aramaico  "como estou dizendo". E já que estamos falando de "magia", vamos falar um pouco sobre este tema.
Já terminou a participação do Brasil na Copa do Mundo, e todos nós torcemos com o coração na mão. Sempre aparecem aquelas pessoas que acreditam ser pé-quente, ou pé-frio, que dão sorte, e até aquelas que saem da sala por acreditar que isso possa influenciar o resultado do jogo. Fazer figas, cruzar os dedos, bater na madeira, e por aí vai... A lista de superstições e crendices é interminável. A propósito, investiguemos um pouco do que a nossa Torah tem a dizer a respeito das figas, pulinhos no mar e afins, e até onde isso tudo poderia ter afetado o moral do técnico Dunga e de nossa seleção.

Judaicamente falando, não existe nenhuma força intermediária entre Deus e os homens. Qualquer um pode ter acesso irrestrito a Deus. A qualquer hora e em qualquer idioma, basta rezar, pedir, chorar, e até agradecer. Não existe uma figura humana que atue como intermediário entre Deus e sua criação, que tenha poderes para perdoar ou punir. A figura do sábio (rabino), em contrapartida, faz-se necessária na medida em que este possa ajudar e orientar o indivíduo no seu próprio caminho. O rabino pode mostrar-lhe maneiras de ampliar a consciência e conectar-se com Deus, de enriquecer seu auto-conhecimento, promover o auto-aprimoramento e esclarecer questões de ordem prática, no que concerne as leis e tradições.


Direcionar a reza a seres intermediários, como anjos por exemplo, não faz parte do nosso repertório. Nem tampouco rezar fazendo pedidos de auxílio vindo de alguém que já morreu, já que desta forma estar-se-ia conferindo uma força a uma entidade que não atua independente da ordem divina. O costume já bem famoso de ir até o local onde grandes rabinos e tzadikim estão enterrados, não deve ser confundido com romarias e outras práticas. Visita-se as tumbas dos grandes rabinos por acreditar que a presença Divina segue impregnando o local, já que o "tzadik" dedicou sua vida a transformar-se em um receptáculo de Torá e sabedoria divina. Logo, nesses locais, bebe-se desta inspiração e reza-se unicamente para Deus.


Utiilzar  figas, amuletos, cruzar os dedos, bater na madeira - para nós judeus nada disso tem poder, e não é uma boa idéia aventurar-se por essas práticas.


No reveillon, por exemplo, muitos judeus jogam todo ano um punhado de flores para Iemanjá, gesto acompanhado dos famosos três, sete, ou até mesmo dez pulinhos nas ondas do mar. Analisemos o nome Iemanjá, cuja definição na  
Wikipedia é "a deusa do mar". Etimologicamente, é possível buscar as raízes do nome no Hebraico:  IAM- Mar -   MIN - Do  -  Ia (o "J" e o "Y" do Hebraico ao Português é trocado) - que seria um dos nomes de Deus (nome Divino composto das letras "iud" e "hei", com a vogal "a").  Muitos judeus mantêm esse costume, muitas vezes pelo embalo do clima festivo, outras vezes por superstição mesmo.  Mas a cerimônia, que é religiosa, consiste em oferecer flores à deusa do mar, e não difere de qualquer outra cerimônia em que se ofereça frutas a uma imagem, ou vinho a uma estátua. É proibido segundo a Torá fazer oferendas a qualquer entidade, espírito, estátua ou figura.
Com todo o respeito a outras religiões, e não desejando criticá-las, já que cada um tem seu livre arbítrio, lembremos somente de como nós judeus devemos nos cuidar para não nos deixar assimilar - mesmo que sem querer - por práticas religiosas que não pertencem à nossa cultura e nossa tradição.

E quanto ao Dunga, bem... Não sei bem o que tudo isso tem mesmo a ver com ele. Mas no final das contas, todos torcemos pelo Brasil, e como se costuma brincar por aqui, dizem que Deus é brasileiro, vamos pedir uma forçinha para ver se pelo menos em 2014 seremos os campeões.


"Como diria aqueles guris sul-africanos que o programa dominical 'Pânico na TV' diriam: DUNGA BURRO, DUNGA, BURRO! Por mim, qualquer país latino leva a copa de 2014. Menos o Brasil, por su puesto! Abra-cadabra! Macumba pra judeu não serve, rs!"

8.7.10

Adolescente alérgica tem choque anafilático após beijar namorado

Laura Kukic
A reação alérgica de Kukic apareceu minutos após o beijo. 



Uma adolescente britânica de 14 anos do condado de Bedfordshire, na Inglaterra, que tem alergia a nozes teve de ser hospitalizada após beijar seu namorado, que tinha comido cereais que continham avelãs.

Um vestígio de avelã entrou no sistema digestivo de Laura Kukic na escola e em poucos minutos seu rosto inchou e ela ficou com dificuldades de respirar, sintomas típicos de quem sofre um choque anafilático.

Funcionários de um hospital para onde ela foi levada deram uma injeção de adrenalina para a adolescente, que se recuperou totalmente e voltou para casa.

A experiência a motivou a alertar outros adolescentes que tenham o mesmo problema que beijar pode ser perigoso.

"Quem adivinharia que um rápido beijo nos lábios pudesse ser tão perigoso?", disse Kukic.

Beijo

O incidente ocorreu no mês passado, após a adolescente ter encontrado seu namorado antes de ir à aula na escola Harlington Upper School.

“Foi apenas um beijo amigável para dizer 'oi'. Nada fora do comum, nada apaixonado, apenas um breve toque de lábios”, disse.

Kukic foi diagnosticada com grave alergia quando tinha três anos de idade e tem de andar sempre com seu autoinjetor de adrenalina (conhecido como EpiPen) para onde for.

Sua alergia é tão forte que qualquer contato com nozes, por menor que seja, pode gerar uma reação severa.
Seu rosto incha, sua garganta fecha e é difícil para ela respirar.

"Eu não tinha percebido nada, mas meu namorado pôde ver meu rosto inchando, a ponto de minha cabeça parecer nitidamente maior."

"Aí ele disse: 'Comi cereais com avelãs, mas isso foi há cerca de uma hora, e eu escovei meus dentes e tomei algo, com certeza não vai ter problema.'"

"Aí ele disse: 'Sua cabeça parece estar mais gorda, com certeza você não pode ser tão sensível.'"
Kukic notou que após beijá-lo também tomou um gole de sua lata de refrigerante, que pode ter sido também contaminada com um pequeno vestígio de avelã.

(Fonte: BBC Brasil)

"Óbvio que essa matéria é fonte de várias ironias aleatórias, mas, não deixa de ser um 'serviço de utlidade pública'. Essa matéria também serve para procurar saber mais sobre quem nós conhecemos, não importa se é relação mútua ou amizade. Com o nosso círculo de pessoas ao redor, precisa-se preparar para tudo, como dizem, na alegria e na doença - principalmente!"