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12.12.11

Um novo olhar sobre o autor e o país que ele elogiava

Por SIMON ROMERO (Publicado no New York Times em 21 de novembro de 2011- Fotos editadas)
PETRÓPOLIS, Brasil - Quando o escritor nascido em Viena Stefan Zweig se mudou em 1941 para esta cidade de palácios imperiais aninhada nas montanhas perto do Rio de Janeiro, ele era um dos autores mais traduzido do mundo e reconhecido pelas histórias cheias de tensão sobre a obsessão, a paixão e o desespero.


Mas depois que o Sr. Zweig por causa dos avanços dos nazistas tirou a sua própria vida em Petrópolis alguns meses mais tarde aos 60 anos em um pacto suicida com sua jovem esposa, Lotte, ele se tornou conhecido em seu país de adoção ao criar uma das frases associadas ao Brasil: "País do Futuro".


O túmulo de Stefan Zweig e sua mulher Lotte. O casal suicidou-se em Petrópolis.

Derivado do título do seu livro escrito em 1941 elogiando o maior país da América Latina, a frase se expandiu e foi reciclada ‘ad nauseam’ como um refrão: "O Brasil é o país do futuro - e sempre será", frequentemente utilizado para caracterizar uma nação duramente castigada pela inflação alta e corrupção enraizada. 

Com as melhoras notáveis relativas às perspectivas do Brasil os brasileiros estão reavaliando o Sr. Zweig e o seu legado quando o título do livro ganha mais uma vez uma nova percepção, e quando todos, desde executivos de publicidade até diplomatas europeus que visitam o país, incluindo o presidente Obama que visitou o Brasil em março, quando sugeriu em seu discurso que, talvez o "futuro" do Brasil finalmente chegou.

"O Brasil não é mais o país do futuro" disse Romero Rodrigues, um empresário da Internet brasileira, em uma nova reapresentação do termo. "É o país do presente". 

A casa onde o Sr. Zweig tirou a própria vida tomando veneno vai reabrir em breve como um museu. Enquanto isso, escritores brasileiros e historiadores têm refletido sobre o significado do "País do Futuro", e algumas das intrigas políticas em torno da sua publicação há 70 anos.



Em um recente debate televisivo sobre Zweig, Alcino Leite Neto, editor da editora Publifolha, comparou a sua importância para o Brasil na mesma proporção que Alexis de Tocqueville teve em relação aos EUA e que foi o pensador político francês que escreveu sobre os conceitos americanos de liberdade e igualdade no "Democracy in America (Democracia na América)". "Nós tivemos Stefan Zweig" disse Leite Neto "que nos deixou este livro defendendo a tolerância, a compreensão entre as pessoas, e um libelo a favor da paz, embora que foi escrito no período da Segunda Guerra Mundial".

Uma valorização mais ampla do seu trabalho também está em andamento, com dois longas-metragens brasileiros em produção baseados em suas obras, um sobre o "The Invisible Collection", sobre a experiência da Alemanha com a inflação, e outra baseada no "Leporella" sobre uma empregada que se apaixona por seu patrão.

Mas é o "Terra do Futuro" (publicado no Brasil desde 1940 em várias edições como "País do Futuro") que as andanças de Zweig no Brasil antes da sua morte recentemente provocaram o aumento da atenção. A Secretaria de Cultura de Petrópolis este ano organizou uma exposição multimídia chamada de "Stefan Zweig ainda vive!" e alguns brasileiros começaram a se juntar aos europeus e americanos que ocasionalmente aparecem na cidade para visitarem a sua casa na Rua Gonçalves Dias ou até mesmo irem ao cemitério onde ele e Lotte estão enterrados lado a lado. "É um pouco estranho levar alguém para os lugares de tal tragédia, mas estamos felizes em receber todo o tipo de visitante" falou Walter Raposo de 80 anos, um condutor de charrete em Petrópolis que faz ponto em frente ao Palácio Imperial e que hoje é um museu, e que tem levado vários aficionados de Zweig a esses lugares. 


Alberto Dines, apresentador de televisão e uma eminência entre os jornalistas do Brasil, conheceu Zweig quando ainda era criança quando o escritor visitou a sua escola no Rio de Janeiro, tem sido a força motriz para a atenção renovada para Petrópolis.

Suas pesquisas e o seu livro sobre Zweig, "Morte no Paraíso" mostra em detalhes as origens complicadas do título do livro, que Dines explica que não foi criado por Zweig, mas que foi uma sugestão de James Stern, que traduziu o seu livro do alemão para o Inglês.

Em um toque de ironia Zweig, cujos pais eram judeus da classe média alta e nascido durante a época de ouro de Viena, mencionou no início do seu livro a frase em francês "une terre d'avenir", mencionada em uma carta de Arthur de Gobineau, um aristocrata francês do século 19, diplomata e teórico da superioridade racial e que detestava o Brasil.

"É uma coisa curiosa, porque Gobineau foi o pai do racismo moderno" relata Dines, que aos 79 anos está supervisionando o término da Casa Stefan Zweig, o museu criado na própria casa onde viveu Stefan Zweig. "Ao vir de uma Europa racista Zweig ficou impressionado ao ver as diferentes raças se misturando tão livremente no Brasil".

É claro que alguns contestam as observações otimistas de Zweig sobre as relações raciais cujas circunstâncias na época as tornavam consideravelmente mais complexas - e continuam sob a forma de programas de ações afirmativas que se espalham por todo o Brasil na busca de reversão de séculos de exclusão.

Ainda assim o otimismo de Zweig não foi esmaecido pelos desafios óbvios no Brasil durante o início dos anos 1940, com uma expectativa média de vida de 43 anos e uma população com 56 por cento de analfabetos. Algumas de suas avaliações otimistas continuam a provocar discussões até hoje.


Ele afirmou, por exemplo, que Portugal tinha sido previdente ao colonizar o Brasil, em parte, com o esvaziamento das prisões portuguesas de elementos indesejáveis e enviá-los através do Atlântico. "Como de costume, o estrume limpo não é a melhor preparação da terra para as colheitas futuras" escreveu Zweig.

A reavaliação de Zweig aqui coincide com uma nova crise na Europa - e com uma nova onda de emigração de portugueses para o Brasil, mas desta vez de profissionais desempregados e não de presidiários. Alguns dos que procuram novas oportunidades no Brasil poderiam até mesmo saber que Zweig continua altamente estimado em várias partes da Europa, especialmente na França, onde seus livros ainda são amplamente lidos.

Estranhamente o livro de Zweig sobre o Brasil foi duramente criticado no Brasil logo após a sua publicação. Críticos atacaram o escritor austríaco com veemência, sob a insinuação de que ele foi pago pelo regime autoritário de Getúlio Vargas para escrever este livro.

Dines afirmou que estas duras críticas haviam sido uma maneira dos críticos se vingarem indiretamente dos censores de Getúlio Vargas, pois equiparavam os elogios ao Brasil como elogios à ditadura de Vargas. De qualquer maneira o autor de vários best sellers tinha pouca necessidade de apoio financeiro do Brasil.

Mas o que Zweig mais precisava era um refúgio dos nazistas. Dines, com base em suas próprias pesquisas sobre as andanças de Zweig pelo Brasil, argumenta que o escritor tinha um acordo implícito com as autoridades brasileiras para produzir o seu livro em troca da autorização do visto de residência que havia sido concedido às pressas em Buenos Aires para ele e sua esposa.

Depois de tudo isso, algum mistério ainda persiste a respeito do porque ele se matou logo depois de chegar às terras brasileiras. Ele reconheceu que o tempo de uma vida inteira seria insuficiente para compreender corretamente o Brasil. Na nota de suicídio que ele deixou descreveu-se como "um homem sem um país" e só tinha elogios para o "maravilhoso" Brasil que o recebeu.

"Depois que eu vi o país da minha própria língua ser vencido e a minha terra espiritual – a Europa – se destruindo entre si" ele concluiu, "seria necessário uma imensa força para que eu reconstruísse a minha vida”.

18.8.11

Heróis Esquecidos do Holocausto

Reconhecendo tardiamente heróis do Holocausto
Por Isabel Kershner

HORASHIM, Israel - Quando 20 pessoas se reuniram para uma cerimônia modesta no cemitério tranquilo deste kibutz na parte central de Israel no mês passado, a intimidade e a dignidade silenciosa do evento não correspondiam às forças históricas que estavam por trás dela.

A ocasião era o translado dos restos mortais de Samuel Merlin, um dos fundadores de um grupo pequeno, porém atrevido de sionistas militantes e ativistas que atuaram no resgate de vitimas do Holocausto, que sacudiram a América e desafiaram as autoridades judaicas na década de 1940, mas que, porém até recentemente tinham sido amplamente excluídos da história oficial do Holocausto.

Os ativistas formaram o grupo conhecido por Bergson, que os historiadores modernos creditam e atribuem um papel fundamental no resgate de centenas de milhares de judeus europeus. Mas o grupo foi rejeitado pelo establishment judaico que se sentiu desafiado, tanto nos Estados Unidos como em Israel, por suas táticas militantes e pelo sionismo de direita que colidiram com as correntes mais influentes do sionismo. A simples menção deste grupo desperta paixões antigas e um doloroso questionamento sobre o que a América fez ou deixou de fazer para salvarem os judeus europeus, e na medida em que cismas dentro das fileiras judaicas dificultaram ações mais eficazes.

Mais recentemente proeminentes historiadores começaram a reconhecer as realizações do grupo. No dia 17 de julho em Jerusalém no Yad Vashem, que é a autoridade oficial da memória do Holocausto e que havia ignorado o grupo Bergson em suas mostras e exposições, realizou um simpósio sobre o mesmo pela primeira vez.
Esther Rafaeli, de 85 anos, viúva de um dos membros do Grupo Bergson, no túmulo de Samuel Merlin.


Para os participantes do translado dos restos mortais do Sr. Merlin que ocorreu alguns dias antes, que incluiu algumas viúvas e filhos dos membros do grupo, o evento foi o início simbólico de um processo de reconciliação.

"Este é um momento de cura para os judeus americanos e para os judeus de Israel" disse em tom grave Rafael Medoff, diretor do Instituto David S. Wyman Para Estudos Sobre o Holocausto em Washington, logo após recitar o Kaddish, a oração judaica para os mortos, sobre o túmulo do Sr. Merlin. O instituto, que tem sido instrumental na promoção do legado do grupo Bergson, co-patrocinou a conferência no Yad Vashem.
 
O grupo Bergson foi formado em 1940 quando cerca de 10 jovens judeus da Palestina e da Europa vieram para os Estados Unidos para angariarem fundos e promoverem o Irgun, a milícia de direita sionista. O grupo foi organizado pelo Hillel Kook, um líder carismático do Irgun que assumiu o pseudônimo de Peter H. Bergson. O Sr. Merlin era o seu braço direito.

O grupo começou arrecadando dinheiro para a imigração judaica ilegal para o que então era o Mandato Britânico da Palestina e promovendo a idéia de um exército composto de judeus apátridas e Palestinos. Mas a missão mudou abruptamente em novembro de 1942 após o surgimento de relatos que dois milhões de judeus europeus foram aniquilados pelos nazistas. Da mesma maneira que outros relatórios desses assassinatos em massa de judeus, as notícias mal apareciam nas páginas internas dos principais jornais americanos como o The New York Times e o The Washington Post.

Os Bergsonitas ficaram horrorizados com a indiferença da administração Roosevelt e da passividade das lideranças judaicas, que apoiavam firmemente o governo americano e aceitavam amplamente o argumento de que o objetivo primário americano era militar para ganharem a guerra, não para salvarem os judeus europeus. O grupo embarcou em uma campanha provocativa para a divulgação do genocídio e assim como fazer lobby no Congresso para que apoiassem o resgate de judeus, andando nos corredores do Capitólio e batendo nas portas, exibindo um grau de ousadia (chutzpah) que causou desconforto no establishment judaico pró-Roosevelt.

O grupo publicou uma série de inflamados anúncios de página inteira no The New York Times e em outros jornais importantes destacando os assassinatos em massa, e na parte de baixo do anúncio solicitavam doações para poderem pagar o próximo. Com a ajuda de simpatizantes célebres como o diretor e roteirista Ben Hecht, o empresário Billy Rose e o compositor Kurt Weill eles encenaram uma apresentação teatral extravagante com o nome de "We Will Never Die (Nunca Morreremos)" que lotou o Madison Square Garden por duas vezes antes que o show fosse para outras cidades. Em outubro de 1943 o grupo Bergson organizou uma marcha de 400 rabinos ortodoxos para a Casa Branca, a maioria deles em trajes negros tradicionais, um espetáculo do tipo que ainda nunca tinha sido visto em Washington. Finalmente em janeiro de 1944, sob a forte pressão do secretário do Tesouro Henry Morgenthau Jr. o presidente Franklin D. Roosevelt criou por ordem executiva o Conselho de Refugiados de Guerra, que resgatou cerca de 200 mil judeus.

 

"Sem Hillel Kook e o grupo Bergson" disse David S. Wyman que é o autor do livro "Abandonment of the Jews: America and the Holocaust 1941-1945 (O Abandono dos Judeus: os Estados Unidos e o Holocausto 1941-1945, em tradução livre)", que foi o primeiro que reavaliou o papel dos Bergsonitas e "sem os quais não haveria o Conselho de Refugiados de Guerra". Contudo as lideranças judaicas americanas na época combateram os recém-chegados, dizendo que suas táticas levariam apenas ao aumento do anti-semitismo. O Rabino Stephen Wise, o principal representante da comunidade judaica escreveu para um colega em 1944 que os Bergsonitas "são um desastre para a causa sionista e para o povo judeu". Os líderes judeus norte-americanos da época aparentemente tinham receio de provocarem agitações (= causarem problemas) e de perderem as suas próprias proeminências.

"Esta era uma época em que movimentos de ações civis militantes não eram costumeiros, e certamente não por judeus" afirmou Charley Levine, um especialista em relações públicas e de comunicações internacionais baseado em Israel que tem estudado o grupo Bérgson; "Isso foi antes do Vietnã".

O grupo Bergson também foi colocado no ostracismo pelos líderes de Israel após a sua fundação em maio de 1948. Um confronto ocorreu logo em seguida em junho, quando o grupo enviou o navio chamado Altalena para Israel carregado com armas para o Irgun, violando um acordo com o novo Estado independente para que parassem com as compras de armas.

David Ben-Gurion, o primeiro primeiro-ministro israelense ordenou às suas tropas para dispararem contra o navio. Dezesseis membros do Irgun e três soldados foram mortos no confronto. O Sr. Merlin, que estava a bordo, foi baleado no pé.


Merlin e Kook passaram a servir como membros do primeiro Parlamento de Israel, mas os Bergsonitas logo tiveram uma desavença ideológica com o seu próprio líder político, Menachem Begin, o líder do Irgun que mais tarde se tornaria primeiro-ministro de Israel. Eles permaneceram em confronto com o Mapai de esquerda e com os líderes trabalhistas que dominaram o estado nos seus primeiros 30 anos.

A dissensão ocasionou que o grupo Bergson fosse apagado das primeiras histórias sobre o Holocausto. "Meu pai e o seu grupo foram contra a corrente dos que escreviam as narrativas da guerra" disse a filha do Sr. Kook, Rebecca Kook, que é agora uma cientista política da Universidade Ben Gurion do Negev, em Israel.

Mas com a perspectiva do tempo e a abertura de outros arquivos do Holocausto, incluindo os do Sr. Merlin, o grupo Bergson começou a ser reformulado na história judaica. Após anos de campanha pelo Sr. Medoff e outros, o ‘United States Holocaust Memorial Museum’ em Washington incluiu em 2008 uma pequena exposição sobre o grupo.

Um relato detalhado do Sr. Merlin sobre a campanha de resgate de judeus foi publicado postumamente no mês passado. O Sr. Merlin morreu nos Estados Unidos em 1996. No prefácio do livro Seymour D. Reich, um líder veterano das maiores organizações judaicas escreveu: "Chegou a hora de reconhecermos, de forma inequívoca, que o Rabino Wise e seus colegas estavam errados".

Em vez de atacarem o Sr. Bergson, deveriam ter ficado focados na missão de resgate, ele escreveu e acrescentando: "Essa era a sua obrigação, e eles falharam".

30.1.11

Desde Quando os Perdedores Determinam os Termos da Vitória?



O editorial de Robert Wright no New York Times mostra como o mundo tem aceito e engolido por completo as mentiras árabe-palestinas:

Se não houver a solução de dois Estados, Israel poderá:

(a) dar aos palestinos nos territórios ocupados o voto e apenas observar a taxa de natalidade dos árabes e ver os judeus israelenses se transformando em uma minoria, ou

(b) continuar a negar o voto aos árabes como faz há décadas e, portanto ser criticado por apartheid, e cada vez mais no caminho de ser considerado um pária entre as nações, e desta forma continuando a fornecer o combustível para a propaganda feita por desordeiros regionais e aumentando as chances de uma guerra desastrosa.

... A cada dia, a construção de assentamentos - especialmente em Jerusalém Oriental - torna difícil imaginar as fronteiras de dois estados, que proporcionaria aos palestinos um mínimo de dignidade necessária para uma paz duradoura. A palavra "dignidade" é o elemento central.

Quando a Alemanha e o Japão foram derrotados na Segunda Guerra Mundial, ninguém disse que a redução de grande parte dos seus poderes feriria a "dignidade" dos vencidos e que para eles deveria ser dado ainda maior poder - ou então haveria a ameaça de não haver uma "paz duradoura". A condição de paz dependia exatamente da limitação dos seus poderes.

Como este conceito de "dignidade" para o lado perdedor se tornou uma condição ‘sine qua non’ para a paz? Porque é que um povo e os seus líderes que batalhavam e ainda batalham para a destruição de Israel mereçam essa ‘dignidade’ que exigem como sendo o mínimo necessário para a recompensa de terem um Estado?

Os árabes palestinos não aceitaram nenhum plano de divisão antes de 1948; não promoviam agitações e revoltas por um estado "digno" enquanto a Jordânia e o Egito controlavam os territórios; que universalmente apoiaram Saddam Hussein contra os aliados; que pesquisas recentes mostram que eles apóiam os ataques terroristas contra os judeus em Israel e ainda afirmam que há uma obrigação verdadeira para a "resistência" - então por que, exatamente, é a definição de "dignidade" deles que sido aceita como uma exigência legítima?

E muito mais que isso, por que quem perdeu todas as guerras é que quer dizer quais são os termos e as condições da vitória?
Se houver de ser uma solução de dois Estados, esta solução deverá ser a de um Estado viável - e não de um estado "digno". Dignidade é um conceito elástico, sem nenhuma definição objetiva, e definições arbitrárias estão sendo divulgadas pelos árabes palestinos e que nada têm nada a ver com a simples realidade. Ninguém até agora explicou por que Jerusalém vai ter que fazer parte de um Estado palestino.
Não somente isso, mas os árabes palestinos negam aos judeus os seus verdadeiros direitos de viverem na Judéia e Samaria, enquanto que ao mesmo tempo os árabes que vivem em Jerusalém possam facilmente obter a cidadania israelense; que os judeus que vivem após a Linha Verde não possam viver em segurança em um estado árabe-palestino, mas ao mesmo tempo os árabes palestinos achem ser aceitável a exigência para que centenas de milhares de judeus sejam expulsos de suas casas, e que Jerusalém não seja judaica. Não existe nenhuma lógica nem há qualquer base real para tal exigência.

A única razão para que pessoas como Wright insistam para que Jerusalém seja dividida e que os judeus não possam viver no coração histórico de Israel, é porque os árabes palestinos assim o exigem. O que ninguém explica qual seria o direito deles para fazerem tais demandas.

Se o objetivo for de um Estado, eles já poderiam ter um há décadas. Se o objetivo for de um estado "digno", então para eles estaria sendo concedido o direito unilateral para a definição de um Israel sem fronteiras defensáveis, e sem um acesso verdadeiro aos seus locais históricos e religiosos que são inquestionavelmente judaicos.

Tudo isso significa que o mundo aceita que os árabes palestinos apóiem consistentemente o lado errado em todas as guerras e que seus líderes "moderados" exijam até o dia de hoje a destruição demográfica de Israel, e que tenham um direito maior de ‘dignidade’ do que a nação judaica já faz em prol da segurança e à verdadeira dignidade.

As pessoas têm que começar a perceber que as exigências dos palestinos árabes não são as mesmas que os seus direitos, e que um estado árabe-palestino não pode e não deve ser definido de tal forma que negue ao Estado judeu e ao seu povo os seus legítimos direitos. A insistência não é a mesma que a realidade, mas o mundo tem confundido as duas coisas já por muito tempo.

19.12.10

Escola de Alta Culinária Kasher em Nova York


Por Michael M. Grynbaum

Escolas de Culinária causaram sérias frustrações para Seth Warshaw, o chef executivo e proprietário da Etc. Steakhouse, um restaurante kasher em Teaneck em Nova Jersey. Ele tinha se matriculado em uma prestigiosa escola de culinária em Nova York, mas logo ficaram claras as suas restrições religiosas em relação a importantes aspectos da fina culinária francesa - como os saborosos molhos e sedutores crustáceos – todos não-permitidos.
‘Eu fiquei lá com uma garrafa de água, bebendo enquanto todos comiam’ lembrou Warshaw, com um pouco de dor na voz. ‘Eu não comi o foie gras. Eu queria. Eu queria levar para casa e tomar um banho com ele’.

Warshaw, um judeu observante que havia sido convidado a refletir sobre este tema, enquanto ele se encontrava em um papel incomum no domingo: `The Next Great Kosher Chef` (O Próximo Grande Chef da Culinária Kasher, em tradução livre); como juiz para a gravação de uma competição culinária totalmente kasher, e que foi realizada em uma cozinha comercial em Long Island City no Queens.


O evento foi promovido pelo ‘Center for Kosher Culinary Arts (Centro de Artes Culinárias Kasher, em tradução livre), uma organização fundada há três anos em Midwood no Brooklyn, que oferece treinamento e instruções para chefs kasher que buscam os segredos para um jantar elegante, que não seja ‘treif’ ou não-kasher. Seus fundadores afirmam que essa escola é a única academia de culinária kasher fora do Estado de Israel.
‘Se pode vir, se pode saborear, se pode comer’ diz Elka Pinson, uma das proprietárias da escola aos seus alunos. Nos institutos seculares ‘vocês pagam US$ 45.000 e não podem provar nada’.
Para a promoção do seu currículo e da vasta arte da culinária kasher, a escola pediu aos concorrentes para participarem de um dia inteiro na preparação de pratos kasher. O prêmio: uma bolsa de estudos para um curso de formação com 152 horas, que a Sra. Pinson informa que custa US$ 5.000.
Porém chefs profissionais não poderiam competir. Batsheva Goldstein de 32 anos, participante do Brooklyn, coziinha constantemente em casa e sonha em apresentar um programa na ‘Food Network’, mas trabalha como enfermeira. ‘É um trabalho que eu posso ganhar um salário’ disse ela, rindo.


Enquanto uma equipe de filmagem registrava o processo - os organizadores esperam que o filme desperte o interesse da mídia - os participantes tinham que realizar uma série de tarefas vagamente sádicas. Primeiro passo: bater uma dúzia de ovos até que ficassem sob a forma de um merengue, cortar uma juliana de cenouras com um cortador na forma de bandolim, escrever algumas palavras com creme de confeiteiro e tirar escamas de um peixe, tudo em 15 minutos.

Isso depois de um exame escrito pelo qual os participantes comentaram sobre a proibição em Nova Iorque de gorduras trans e identificar o animal kasher nas seguintes opções: camelo, girafa, zebra e lebre. (Resposta: girafa).

Enquanto os competidores batalhavam na cozinha, muitos espectadores mandaram opiniões elogiosas em relação da palavra culinária estar firmemente ligada com a palavra kasher.

‘Isso é uma coisa extremamente necessária no mundo kasher’ disse Zacarias Mehler, um crítico de restaurantes que se especializa em refeições kasher. ‘Havia uma época que o vinho kasher era extremamente pesado como o Concord Málaga’. ‘Agora podermos nos encontrar em breve em exposições de comidas e vinhos, e haverá 800 marcas.

Elan Kornblum, um dos juízes, publica um anuário internacional de restaurantes kasher de alto nível em cidades como Nova York, Montreal e Paris. ‘Kasher está sempre atrás cinco anos do mundo não-kasher’ ele observou. Uma das importações mais recentes é o sushi, que também foi o prato principal do almoço daquele dia. ‘O atum, o salmão estão muito bons’ comentou  Kornblum disse. ‘Mas sem camarão ou caranguejo’.

Mas as gerações atuais estão também provocando mudanças que estão ajudando para que a culinária kasher dê um salto para os fãs da cozinha‘. No passado você via a sua avó ou a sua mãe na cozinha’ afirmou Kornblum. ‘Agora não há nada de vergonhoso para um homem preparar uma refeição para os seus amigos’.

Para a rodada final cada competidor preparou um prato principal de frango com acompanhamento de abóbora e outros legumes. Todos foram fortemente condimentados.


O primeiro prêmio foi para Jasmine Einalhori de 22 anos, que estará recebendo o seu diploma na próxima semana em hotelaria pela New York University. Nascida em Los Angeles, com raízes persas e israelenses Jasmine disse que queria trabalhar em restaurantes, mas rejeitava a idéia de uma escola de culinária secular, porque ela não poderia provar alguns dos alimentos. ‘Seria como uma tortura’. Com a bolsa, ela disse, ela será capaz de fazer o seu primeiro curso formal de culinária. E ela tem planos maiores no horizonte. ‘Eu quero ser a Danny Meyer kasher’, disse ela com um sorriso enquanto segurava o certificado de primeiro-prêmio.

28.9.10

Kafka - O Seu Último Julgamento


Durante sua vida, Franz Kafka queimou quase que 90 por cento da sua obra. Após sua morte aos 41 anos, em 1924, uma carta foi descoberta em sua escrivaninha em Praga e dirigida ao seu amigo Max Brod.

Começa com "Querido Max". "Meu último pedido: Tudo o que eu deixo. . . na forma de diários, manuscritos, cartas (minhas e dos outros), esboços e qualquer outro, deve ser queimado sem serem lidos".

Menos de dois meses depois, Brod, ignorando o pedido de Kafka, assinou um acordo para preparar uma edição póstuma de obras inéditas de Kafka. "O Julgamento" foi publicado em 1925, logo seguido por "O Castelo" (1926) e "Amerika" (1927).
Em 1939, carregando uma mala recheada de papéis de Kafka, Brod foi para a Palestina no último trem que deixou Praga, apenas cinco minutos antes que os nazistas fechassem a fronteira Checa. Graças em grande parte aos esforços de Brod, o pequeno, magro e enigmático Kafka foi gradualmente reconhecido como um dos grandes monumentos da literatura do século 20.

Por sua vez o conteúdo da mala de Brod tornou-se motivo de mais de 50 anos de discussões legais. Embora que cerca de dois terços das obras de Kafka foram parar na Biblioteca Bodleian de Oxford, o restante - acredita-se que compreendem desenhos, diários de viagem, cartas e desenhos – ficou na posse de Brod até a sua morte em Israel em 1968, quando as entregou para sua secretária e suposta amante, Esther Höffe.

Após a morte de Höffe no final de 2007 aos 101 anos, a Biblioteca Nacional de Israel questionou a legalidade do seu testamento, que deixa as obras como herança para suas duas filhas septuagenárias, Eva Höffe e Ruth Wiesler. A biblioteca está reivindicando a posse conforme os termos do testamento de Brod.
O caso tem se arrastado já por mais de dois anos. Se o tribunal decidir a favor das irmãs, eles estarão livres para seguirem o plano de Eva que quer vender alguns ou todos os papéis para o Arquivo Alemão de Literatura em Marbach. Também poderão guardar o que não venderem nos cofres de bancos suíços e israelenses e no apartamento delas em Tel Aviv, que Eva partilha com um número não divulgado de gatos.

Esta situação tem sido repetidamente denominada de kafkiana, refletindo, talvez, a estranheza da idéia de que a obra de Kafka possa ser propriedade privada de alguém. Não foi isso que demonstrou Brod, quando ignorou o último testamento de Kafka: pois que as obras de Kafka, nem sequer eram propriedade privada de Kafka, mas sim que pertenciam a toda Humanidade.

A íntegra do artigo em inglês:
http://www.nytimes.com/2010/09/26/magazine/26kafka-t.html?_r=1&hp



"O autor que deixou Ian Curtis, e outros 'poetas desesperados' existir. Um dos melhores autores de todos os tempos, sem dúvidas! Tinha que ser judeu, rs! Danke, Franz!"

16.6.10

O antissemitismo é novamente politicamente correto

A flotilha de Gaza foi uma peça de teatro islâmica perfeita, revelando um antigo ódio europeu.

Por: Leon de Winter*

É um fenômeno fascinante: Por que as pessoas e organizações que se apresentam como progressistas se unem a muçulmanos reacionários?
O grupo “Free Gaza” se mostra apenas como uma aliança de esquerda islâmica. Bem, Gaza já está livre. Israel retirou-se da estreita faixa há cinco anos. E também não há necessidade de qualquer ajuda humanitária. Mais de um milhão de toneladas de suprimentos humanitários entrou em Gaza proveniente de Israel nos últimos 18 meses, o equivalente a quase uma tonelada de ajuda para cada homem, mulher e criança na região.
Mas a população de Gaza votou em eleições democráticas para serem governados por um partido cujo ódio aos judeus é a pedra fundamental da sua existência. Qualquer um que duvide disso deve ler o manifesto do Hamas na Internet. O fato de que Gaza está completamente "livre de judeus" não é suficiente para o Hamas. Eles querem que Israel também seja "livre de judeus". O bloqueio de Israel para "produtos estratégicos" não foi concebido para punir o povo palestino, mas para impedir o Hamas de obter armas pesadas e construir abrigos subterrâneos. Uma idéia simples de entender.
Por exemplo, ao contrário de Gaza, a Chechênia não é livre. Os russos esmagaram a luta pela independência dos chechenos com o bombardeamento intensivo de sua capital. E o que dizer de um estado curdo? Os turcos e iraquianos infligiram horrores inimagináveis contra os curdos. No entanto, apesar disso, não há a “Flotilha Livre do Curdistão” indo em direção a Turquia, e as autoridades russas não têm medo de serem presas em capitais européias por crimes de guerra.
Aqui estão mais alguns fatos. Vamos observar a taxa de mortalidade infantil em Gaza. Este é um número chave, que diz muito sobre as condições de higiene, nutrição e cuidados com a saúde. Em Israel, a taxa de mortalidade infantil é de 4,17 por 1.000 nascimentos, o que é aproximadamente o mesmo que nos países ocidentais. No Sudão a taxa é de 78,1, ou seja, uma em cada 13 crianças morrem ao nascer. Em Gaza, a mortalidade infantil, por 1.000 nascimentos é 17,71. Sim, este número é maior do que em Israel, mas muito menor do que no Sudão. E a taxa de mortalidade infantil da Turquia? Bem, isso é 24,84. Sim, mais crianças morrem ao nascer na Turquia do que em Gaza.
Aqui está outro fato. A expectativa de vida é 73,68 anos em Gaza. E na Turquia, novo protetor de Gaza, a expectativa de vida é de apenas 72,23 anos. Se os israelenses realmente queriam tornar a vida dos palestinos curta e desagradável, então eles estão obviamente fazendo algo errado.
Os progressistas não ligam para qualquer outro grupo de muçulmanos pobres ou oprimidos. Eles só clamam pelas "vítimas" dos judeus. Por que isso acontece?
Uma das razões é Yasser Arafat, cujo gênio foi redefinir a causa palestina na retórica neo-marxista e antiimperialista. Ele criou um novo contexto para o seu povo: a luta contra o colonialismo e o racismo. Ele era um líder corrupto clássico com um talento incrível para jogar com a mídia e os políticos ocidentais. Os progressistas adotaram os palestinos como seus favoritos, a vítima quintessência do imperialismo e do colonialismo, como resumido pelo estado sionista.
Mas há outra razão pela qual os progressistas ocidentais odeiam Israel, mas são indiferentes para as violações dos direitos humanos na Turquia, Irã ou Rússia. Isto por causa do Holocausto.
Os europeus, que representam muito do que vai para a opinião pública mundial, se cansaram de carregar a culpa pela destruição dos judeus do continente. Eles começaram a sonhar com alguma forma de libertação histórica. Isso está vindo na forma de resposta militar de Israel aos ataques islâmicos e terroristas. Os europeus não poderiam perder a oportunidade de difamar os judeus e redefinir as medidas de defesa de Israel como “desproporcional” ou total agressão - em outras palavras, crimes de guerra.
Na visão dos progressistas europeus, o conflito Israel-Palestina tornou-se um conflito sem comparação, um fenômeno único de vítimas européias gerando vítimas palestinas, que parecia diminuir o peso dos europeus sobre o massacre do povo judeu.
Assistindo a demonização de Israel, o ataque ao seu direito de defesa, como disse o primeiro-ministro Benyamin Netanyahu, torna-se claro que existe uma necessidade profunda entre os europeus em chamar os judeus de assassinos. É por isso que os palestinos, como "vítimas" dos judeus, são mais importantes que as numerosas vítimas muçulmanas dos extremistas também muçulmanos. É por isso que milhões de outros muçulmanos que vivem em piores condições do que os palestinos dificilmente recebem qualquer menção na mídia. É por isso que Gaza é comparada com o Gueto de Varsóvia e Auschwitz. Ao chamar os israelenses de nazistas, os verdadeiros nazistas foram legitimados. É como se os europeus, liderados pelos progressistas, desejassem que os árabes terminassem o trabalho. Chega com os judeus. Isto é o que é: A libertação da Europa do legado do Holocausto.
Por décadas, os nossos progressistas, ativistas pacifistas ocidentais, foram enganados e manipulados por árabes tiranos e agora por turcos e iranianos islamitas. Eles estão ajudando nos esforços para destruir um dos maiores sucessos dos tempos modernos: a criação do Estado de Israel.
O que temos assistido com a frota de Gaza é a execução perfeita de uma obra magistral de teatro islâmico. A indignação selvagem da mídia, um orgasmo de hipocrisia, marca o próximo capítulo da longa história do ódio dos europeus contra os judeus. É politicamente correto, novamente, ser um antissemita.

*Leon de Winter é um romancista holandês. Seu último livro é "O Direito de Retorno" (2008).

"Winter foi feliz em 80% das opiniões em seu artigo. Arafat foi um herói de verdade, não importa o que digam. Sharon o matou, tenho certeza. Enfim, confio nas investigações das Nações Unidas e será mostrado á Comunidade Internacional qual foi a real intenção desses fanfarrões dessa flotilha."

10.3.10

Ex-Skinhead se Torna Ortodoxo


VARSÓVIA - Quando Pawel se olha no espelho, ele ainda pode ver, por vezes, um skinhead neonazista olhando de volta para ele, o homem que ele foi antes que cobrisse a cabeça raspada com uma ‘kipá’, trocasse sua ideologia fascista pela Toráh e renunciasse à violência e ao ódio para se dedicar a D’us.
"Eu ainda luto todos os dias para descartar as minhas idéias do passado" disse Pawel, um jovem de 33 anos ultra-ortodoxo judeu e ex-motorista de caminhão, observando com um pouco de ironia que ele teve que parar de odiar os judeus, a fim de que pudesse se tornasse um. "Quando olho para velhas fotografias quando era um skinhead, eu sinto vergonha. Todo dia eu tento fazer a ‘teshuvá’", disse ele, usando a palavra em hebraico para significar arrependimento. "Em cada minuto de cada dia, há muito ainda por fazer". Pawel, que também usa o nome hebraico de Pinchas, pediu que o seu sobrenome não fosse divulgado por temer que seus ex-amigos neonazistas poderiam prejudicá-lo ou a sua família.

Vinte anos depois da queda do comunismo Pawel é talvez o exemplo mais improvável do renascimento judaico que está acontecendo na Polônia; um momento em que os líderes judeus locais dizem que o país está finalmente demonstrando que está abandonando o anti-semitismo raivoso do passado. Antes de 1939 a Polônia era o lar de mais de três milhões de judeus, e que mais de 90 por cento deles foram mortos pelos nazistas. A maioria dos que sobreviveram emigraram. Menos de 50.000 permaneceram na Polônia, e muitos abandonaram ou esconderam o seu judaísmo durante as décadas de opressão comunista quando a política dos pogroms contra os judeus persistiu.

Hoje, porém, Michael Schudrich que é o rabino-chefe da Polônia, disse que considera a Polônia o país mais pró-Israel na União Européia. Ele disse que a atitude de Papa João Paulo II, um polonês, que chamou os judeus de "nossos irmãos mais velhos" finalmente penetrou na consciência pública. Dez anos depois que foi revelado que 1.600 judeus da cidade de Jedwabne foram queimados vivos por seus vizinhos poloneses em julho de 1941, ele disse que o mito nacional de que todos os poloneses foram vítimas da Segunda Guerra Mundial havia finalmente sido destruído.

"Antes de 1989 havia um receio que não era seguro de dizer 'Eu sou judeu'" disse o rabino Schudrich. "Mas duas décadas depois, há um crescente sentimento de que os judeus são uma parte que falta na Polônia. O nível de anti-semitismo continua a ser inaceitável, mas a imagem dos poloneses assassinos gravada na consciência de muitos judeus depois da guerra não corresponde à da Polônia de 2010". O pequeno renascimento judeu está em desenvolvimento há vários anos na Europa Oriental. Centenas de poloneses, a maioria deles criados como católicos, está se convertendo ao judaísmo ou descobrindo as suas raízes judaicas que por décadas estavam submersas como conseqüência da II Guerra Mundial.

Nos últimos cinco anos a comunidade judaica de Varsóvia cresceu de 250 famílias para 600. Os cafés e bares do antigo bairro judeu na Cracóvia estão lotados de jovens judeus convertidos que ouvem a música hip hop israelense. Michal Pirog, um conhecido artista da TV e dançarino recentemente proclamou suas raízes judaicas em rede nacional de televisão, e disse que com sua revelação tinha conseguido mais fãs do que inimigos. "A Polônia está mudando" disse ele. "Eu sou judeu e eu me sinto bem" ressaltou.
A metamorfose de Pawel, um skinhead batizado católico para um judeu começou num bairro desolado (= triste) com prédios de concreto na Varsóvia na década de 1980, quando Pawel disse que ele e seus amigos reagiram à rígida uniformidade do socialismo abraçando o anti-semitismo. Eles rasparam suas cabeças, portavam facas e se cumprimentavam com o braço direito levantado na saudação nazista.

"Oy vey, eu odeio ter que admitir isso, mas gostávamos de espancar os judeus, árabes e pessoas sem teto" disse Pawel recentemente na Sinagoga Nozyk. "Nós cantávamos coisas burras como Satanás e sobre matar pessoas. Nós acreditamos que a Polônia deveria ser só para os poloneses". Ele lembrou que num dia ele e seus amigos faltaram na escola e pegaram um trem para Auschwitz, o campo de extermínio nazista que fica perto da Cracóvia. "Nós fizemos piadas que queríamos que a exposição pudesse ser muito maior e que os nazistas deveriam ter matado ainda mais judeus" disse ele. Mesmo quando Pawel assumiu a identidade de um neonazista, ele disse que tinha dúvidas cruéis que sua identidade estava construída sobre uma mentira. O seu pai que frequentava a igreja sempre que podia citava o Antigo Testamento. O seu avô forneceu pistas sobre os segredos do passado da família. "Uma vez, quando eu disse ao meu avô que os judeus eram maus, ele explodiu e gritou para mim: "Se você repetir uma coisa dessas de novo debaixo do meu telhado, você nunca mais vai poder voltar à minha casa!".

Com 18 anos Pawel ingressou no exército e se casou com uma companheira skinhead. Mas a consciência sobre si mesmo mudou irrevogavelmente na idade de 22 anos, quando sua esposa, Paulina, suspeitando que ela tivesse raízes judaicas, consultou um instituto sobre genealogia e descobriu na Varsóvia registros como judeus dos avôs maternos de Pawel e assim como de seus próprios avôs. Quando Pawel confrontou seus pais, disse ele, eles começaram a chorar e lhe disseram a verdade: sua avó materna era judia e tinha sobrevivido à guerra ficando escondida em um monastério por um grupo de freiras. Seu avô paterno, que também era judeu, tinha sete irmãos e irmãs, e que a maioria deles morreu no Holocausto. "E eu disse para os meus pais: 'Que diabos? Imagine, eu era um neonazista e agora fico sabendo disso? Eu não consegui me olhar no espelho por semanas" disse ele. "Meus pais eram descendentes típicos de judeus sobreviventes da guerra, que decidiram esconder a sua identidade judaica para tentar proteger as suas famílias".

Abalado por essa descoberta, Pawel disse que passou semanas em torturante reflexão, mas que finalmente foi superada por um forte desejo de se tornar judeu, até mesmo um ortodoxo. Ele reconheceu que tinha tendência para os extremos. Disse que sua transformação foi árdua, semelhante a um renascer. Ele mesmo se obrigou a reler o "Mein Kampf", mas não conseguiu chegar ao fim porque sentiu uma grande repulsa física. "Quando perguntei a um rabino, 'Por que me sinto assim?" ele respondeu: "As almas dormentes dos seus antepassados estão chamando por você". Aos 24 anos ele foi circuncidado. Dois anos depois ele decidiu se tornar um judeu ultra-ortodoxo. Ele e sua esposa estão criando os seus dois filhos num lar judaico.

Pawel ressalta que ele ainda é notado pelos mesmos anti-semitas, que antes o tinham no seu grupo. "Quando jovens me vêem na rua com o meu chapéu e meus cachos, às vezes riem de mim" disse ele. "Mas são as senhoras de idade que são as mais malvadas. Às vezes elas usam palavras que eu usava quando era um skinhead: “Vá embora e volte para o seu país” ou “Judeu, vá para a sua casa!".

E atualmente ele está estudando para se tornar um shochet, uma pessoa que tem a responsabilidade de matar animais de acordo com as leis dietéticas judaicas. "Eu sou bom com facas" ele explicou.


22.2.10

Uma Vitória Sagrada


No último dia sete de fevereiro, a cidade estadunidense de Miami e o mundo pararam. E garanto que não foi para ver a apresentação do The Who (sem a loucura de Keith Moon).
Muito além de ser mais um fantástico Super Bowl, foi a batalha pela redenção de uma cidade. Voltamos a 2005, mais precisamente em agosto. Era verão na América do Norte, e os fenômenos tropicais estavam fazendo a festa.
Um fenômeno tropical de nome euroriental resolveu "causar". E a anfitriã: a cidade de Nova Orleáns, capital da província de Louisiana, berço do jazz, blues e do rock'n'roll. O furacão Katrina danificou seriamente a infra-estrutura da cidade, deixando milhões de pessoas, em sua maioria afro-americanos, desabrigados (assim como como aconteceu no Haiti dias atrás).
Demorou quase cinco anos para a cidade dizer: "I'm Back! (Estou de volta!)". Os Santos de Nova Orleans (The New Orleans Saints) nunca, em quarenta anos de franquia, chegou nem uma final de conferência no futebol americano. Nessa temporada (2009-2010) venceu quem podia vencer, e assim, inevitavelmente foi parar no Super Bowl.
O adversário? Os vencedores de 2007, os Garanhões (se assim eu posso traduzir) de Indianápolis (The Indianapolis Colts), que tinham o Lionel Messi do futebol americano: o zagueiro (quarterback) Payton Manning. Eram os favoritos, claramente. Até o jogo começar.
Na campanha, os Santos acabaram com os favoritos Patriotas da Nova Inglaterra (The New England Patriots) com os Gigantes e com os Jatos de Nova York (The New York Giants & The New York Jets), e contavam com a torcida do mundo inteiro, contando com a minha, que na verdade, sou torcedor dos Patriotas e simpatizante dos times da Grande Maçã (Big Apple).
Com uma diferença em torno de vinte pontos no placar, o Mardi Gras de 2010 em Nova Orleans foi mais gostoso. O dourado e o preto invadiu o estádio dos Golfinhos de Miami. Vitória (primeira em quarenta anos) dos Santos de Nova Orleáns. Até eu gostei!
Registro aqui minha homenagem a essa equipe que ganhou minha simaptia nessa temporada. Afinal, é da cidade que lá nasceu os ritmos que balançam muita gente. Parabéns, New Orleans Saints. Nos vemos na próxima temporada.
(Para a minha sorte, um time meu de baseball venceu na temporada passada, rs! Dá-lhe Yankees!)

20.1.10

Os Judeus na Diáspora e em Israel

Por DAVID BROOKS

Os judeus são um grupo famoso e já realizado. Formam 0,2 por cento da população do mundo, mas são 54 por cento dos campeões do mundo de xadrez, 27 por cento dos que receberam o Prêmio Nobel de Física e 31 por cento do que receberam este prêmio de medicina. Os judeus constituem 2 por cento da população dos EUA, mas 21 por cento dos estudantes da Ivy League, 26 por cento dos homenageados no Kennedy Center, 37 por cento dos diretores vencedores do Oscar, 38 por cento das pessoas que aparecem na recente lista de filantropos da Business Week, 51 por cento dos ganhadores do Prêmio Pulitzer por não-ficção são judeus. No seu livro, "The Golden Age of Jewish Achievement" Steven L. Pease enumera algumas das explicações que as pessoas dizem sobre este impressionante rol de realizações.
A fé judaica encoraja a crença no progresso e na responsabilidade pessoal. É baseada no aprendizado e não rito. A maioria dos judeus desistiu ou foram forçados a desistir da agricultura na Idade Média e os seus descendentes desde então têm vivido do seu conhecimento e capacidade mental. Muitas vezes migraram, com a ambição e força de vontade de um imigrante. Eles têm se congregado nos principais pontos do globo e se beneficiam da tensão criativa endêmica de tais lugares.

Não existe somente uma única explicação possível para o número recorde de realizações dos judeus. O curioso é que em Israel o ponto forte dos judeus não são os mesmos que tradicionalmente prevalecem na diáspora. Em vez de pesquisas e do comércio, os israelenses foram obrigados a dedicar suas energias para a luta e a política. Milton Friedman costumava brincar que Israel desmentia qualquer estereótipo sobre os judeus. As pessoas costumavam pensar que os judeus eram bons cozinheiros, bons gestores econômicos e maus soldados.

Israel provou que estavam errados. As reformas econômicas de Benjamin Netanyahu, a chegada de um milhão de imigrantes russos e a estagnação do processo de paz produziu uma histórica mudança. Os israelenses com maior potencial estão indo para a tecnologia e o comércio, não para a política. Isto produziu um efeito inconstante na vida pública da nação, mas muito revigorante para a sua economia. Tel Aviv se tornou um dos mais importantes locais do mundo de empreendedores. Israel tem, por larga margem, a maior taxa de criação de empresas de alta tecnologia per capita do que qualquer outra nação no planeta. É a líder mundial em gastos ‘per capita’ com pesquisa e desenvolvimento. Ocupa a segunda posição somente atrás dos EUA do número de empresas listadas na Nasdaq.

Israel, com apenas sete milhões de pessoas, atrai tanto capital de risco quanto a França e a Alemanha juntas. Como Dan Senor e Saul Singer escreveram no "Start-Up Nation: The Story of Economic Israel's Miracle", Israel já tem um pólo clássico de inovações, um local onde tecnólogos trabalham obsessivamente junto uns dos outros e se alimentam das idéias uns dos outros.

Devido à força da sua economia, Israel tem resistido razoavelmente bem à recessão global. O governo não teve que socorrer os bancos nem provocar uma explosão nos gastos de curto prazo. Em vez disso, usou a crise para solidificar o futuro da economia de longo prazo, investindo em pesquisa e desenvolvimento e na infra-estrutura, aumentando alguns impostos sobre o consumo e prometendo diminuir outros impostos a médio e longo prazo.

Analistas do Barclays escreveram que Israel foi "quem teve a mais forte recuperação" na Europa, Oriente Médio e da África. O sucesso tecnológico de Israel é a realização do sonho sionista. O país não foi fundado para que colonos dispersos pudessem sentar-se entre milhares de furiosos palestinos em Hebron. Foi fundado para que os judeus tenham um lugar seguro para ficarem juntos e criarem coisas para o mundo.

Esta mudança na identidade israelense tem implicações a longo prazo. Netanyahu prega a visão otimista: a de que Israel será a Hong Kong do Oriente Médio, com os benefícios econômicos disseminados pelo mundo árabe. E, de fato, existem inúmeras provas que apóiam essa visão em locais como a Cisjordânia e o Jordão. Mas o mais provável é que o progresso econômico de Israel alargará o fosso entre Israel e seus vizinhos.

Todos os países da região falam de incentivos à inovação. Alguns países ricos em petróleo gastam bilhões tentando construir centros de ciência. Mas lugares como o Vale do Silício e Tel Aviv são criados por uma confluência de forças culturais, não pelo dinheiro. As nações vizinhas não têm a tradição de livre intercâmbio intelectual e criatividade técnica. Por exemplo, entre 1980 e 2000, os egípcios registraram 77 patentes nos EUA, os sauditas registraram 171. Os israelenses registraram 7.652. O boom da tecnologia também cria uma nova vulnerabilidade. Como Jeffrey Goldberg do ‘The Atlantic’ argumentou, esses inovadores são as pessoas que mais se movimentam no planeta. Para destruir a economia de Israel, o Irã não tem realmente que disparar uma arma nuclear contra o país. Ele só tem que fomentar uma instabilidade suficiente para que os empreendedores decidam que é melhor irem para Palo Alto, onde muitos deles já têm contatos e residências. Os judeus americanos tinham o costume de ter um pé em Israel no caso de as coisas ficaram ruins nos EUA. Agora são os israelenses que mantêm um pé nos EUA. Durante uma década de pressentimentos desagradáveis, Israel tornou-se um êxito surpreendente, mas também com uma grande mobilidade.