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14.11.10

Primeira mulher rabina desde o Holocausto é ordenada na Alemanha

Pela primeira vez em 75 anos, uma mulher foi ordenada rabina na quinta-feira passada na Alemanha, marcando a retomada de uma comunidade judaica devastada pela Shoah (Holocausto). Alina Treiger, 31 anos, originária da Ucrânia, tornou-se sacerdote do culto judaico durante cerimônia emocionante em uma sinagoga do oeste de Berlim, que contou com a presença do presidente, Christian Wulff. Ela é a segunda mulher ordenada na Alemanha. A primeira, também do mundo, a conseguir o título foi Regina Jonas, em 1935 - assassinada em Auschwitz em 1944, aos 42 anos.


Com cabelos ondulados loiros escuros e um grande sorriso, Alina era o centro das atenções, mesmo que outros dois estudantes rabinos estivessem sendo ordenados ao mesmo tempo."Enchamos nossos corações de amor. Estejamos unidos no amor pelo Bem e pela vontade de impedir a violência e o conflito", disse durante uma "oração para a Alemanha" pronunciada ao término de sua ordenação. No fim de novembro, Alina Treiger deve assumir a direção da comunidade da cidade de Oldenburg, próxima à Holanda.Ela afirma encarnar "a união de três culturas: judaica, alemã e a da antiga União Soviética". Nascida em Poltava, uma cidade de 300 mil habitantes que hoje pertence à Ucrânia, Alina Treiger estudou no colégio Abraham Geiger de Postdã, próximo a Berlim. Criado em 1999, foi o primeiro seminário rabínico da Europa Continental desde o Holocausto.


A trajetória da jovem mulher é símbolo da comunidade judaica alemã que, das cinzas da Shoah, tornou-se hoje uma das mais dinâmicas do mundo e é 90% composta por membros originários da extinta URSS. Após a queda do Muro de Berlim, a Alemanha abriu suas portas para os judeus do antigo império soviético, vítimas de um forte antissemitismo, fornecendo a eles a nacionalidade alemã.

"Na Ucrânia, a religião era esquecida pela metade", contou Alina Treiber. Desde 1989, cerca de 220 mil judeus da extinta URSS chegaram à Alemanha que contabilizava, na época, 30 mil judeus, contra cerca de 600 mil antes de Adolf Hitler chegar ao poder em 1933. Uma boa parte deles partiu, principalmente para Israel. As comunidades judaicas na Alemanha contam hoje com 110 mil membros, quatro vezes mais do que há 20 anos, segundo o Conselho Central de Judeus da Alemanha. Essa migração em massa permitiu em algumas regiões, principalmente da ex-República Democrática Alemã, a recriação das comunidades aniquiladas pelo Holocausto. Em Berlim, a comunidade judaica conta 11 mil membros, dois terços derivados da eentão URSS.

O presidente Wulff da Alemanha cumprimenta a nova rabina.

No entanto, a integração desses judeus vindos da União Soviética levanta problemas e suscita conflitos. Alguns judeus alemães os acusam de serem "desjudaizados". A chegada desses refugiados teve fim no dia 31 de dezembro de 2004, quando a Alemanha impôs restrições à migração deles. O número de candidatos começou a cair drasticamente. A ordenação, chamada semikha, é acessível às mulheres unicamente no judaísmo liberal. As raras mulheres rabinos estudaram, em sua maioria, nos Estados Unidos."É um dia extraordinário!", entusiasmou-se o Rabino Daniel Freelander, vice-presidente da União do Judaísmo Progressista da América do Norte. As primeiras ordenações de rabinos na Alemanha depois do Holocausto ocorreram em 2006.


3.11.10

Judaísmo preza paz, justiça e verdade

O rabino Pablo Berman: crescimento do papel das mulheres na política é visto com bons olhos


Nos últimos 40 anos, a pequena comunidade judaica de Curitiba (formada por cerca de 600 famílias) produziu personagens relevantes para a política local, caso do ex-governador do Paraná Jaime Lerner e do ex-prefeito Saul Raiz. Por si só, esse fato evoca questões a respeito de como o Judaísmo conforma o pensamento político de seus fiéis. Para o líder da comunidade judaica no Paraná, o rabino Pablo Ber­­man, os livros sagrados do Judaísmo são pródigos em mensagens e lições para os políticos. “A Torá é muita clara ao observar que Deus manifesta a percepção de que seu povo, em algum momento, terá um líder temporal, um rei. Uma das coisas que esse rei deve fazer é copiar de próprio punho a Torá, o Pentateuco, para ganhar consciência de que o poder mais alto pertence a Deus. Isso, evidentemente, tem a ver com reconhecer Deus e com reconhecer a justiça”, observa.

Ao longo de sua história, explica, o Judaísmo produziu obras que se aprofundaram em relação à política. Uma delas é o Pirkei Avot, A Ética dos Pais. “Nesse livro – que se dirige a toda a humanidade – afirma-se que o mundo se sustenta sobre três coisas, sem as quais não pode existir: justiça, verdade e paz”, explica o rabino. “Das três, a mais importante é a paz.” O bom governante pauta sua conduta pela promoção dos três valores.
O rabino Pablo Berman: crescimento do papel das mulheres na política é visto com bons olhos

Quem diria: nas eleições de 2010, Islamismo e Judaísmo também foram inscritos na agenda dos candidatos ao governo da República. Se não diretamente, ao menos como parte de um menu que pretende fazer do Brasil um player geopolítico global, com direito a opinar sobre temas tão espinhosos como a situação do Oriente Médio.

Questionado sobre o que o Judaísmo mais condena nos maus políticos, o rabino Pablo Berman explica que a religião atribui uma importância muito grande à relação palavra x ação. “A tradição judaica tem muito cuidado em relação a promessas. É muito fácil falar coisas que, mais tarde, não serão cumpridas. O melhor é tomar cuidado com as palavras, fazer mais e falar menos e, principalmente, cumprir o que for prometido”, diz. Algo que coloca boa parte dos políticos brasileiros em maus lençóis.(rs!)

Quando o assunto se volta às atuais eleições, o rabino se torna mais circunspecto. Segundo ele, o pluralismo que caracteriza o pensamento judeu faz com que a comunidade não apele a seu líder religioso em momentos de escolha política. “Isso pode acontecer em Israel, onde religião e política estão mais próximas, mas não fora de lá.” Mesmo assim, acredita, certos temas são objeto de preocupação do grupo. Deles, o mais premente em termos locais é o que se refere à aproximação entre os presidentes Lula e Ahmadinejad.

“O líder iraniano fala o tempo todo em destruir Israel. Ao mesmo tempo, nega repetidamente o Holocausto, episódio em que morreram 6 milhões de judeus”, observa. “Eu, como rabino, vejo com tristeza e preocupação um político que se apóia em argumentos como esse. Da mesma forma, me preocupo com líderes mundiais que apóiam personagens tão sinistros.” O rabino, no entanto, evita afirmar que a posição brasileira pró-Irã possa interferir no voto do eleitorado judaico. “As pessoas são livres. Eu, pessoalmente, porém, estou preocupado.”

O rabino vê com bons olhos o crescimento do papel das mulheres na política brasileira. “Na tradição judaica, a mulher tem importância fundamental na vida institucional, na formação da família e na educação. Há, inclusive, um episódio bíblico no qual Abraão leva um problema a Deus, que lhe diz: ‘Para solucionar a questão, você deve escutar sua mulher, Sarah’”.


"É um aviso pra eu escutar mais a Senhorita Start-Cohen!"

6.10.10

No Zói!

A festa do Pentateuco- Simchat Torah, em Israel

Pesquisa Revela que Conversões Não Ortodoxas Têm o Apoio de Israelenses

Judeus de Israel apóiam conversões não-ortodoxas, revela enquete.


Por Marc Brodsky 
NOVA YORK (JTA) - Quase dois terços dos judeus israelenses acreditam que os convertidos ao judaísmo por rabinos não-ortodoxos devam ser considerados como judeus, revela um novo estudo feito pelo governo israelense. A pesquisa divulgada, que foi encomendado pelo Ministério para a Diplomacia Pública e Assuntos da Diáspora a fim de captar as percepções israelenses sobre a diáspora, mostrou que 63 por cento dos judeus israelenses acreditam que os convertidos por rabinos não-ortodoxos devam ser considerados como judeus, porém quase 30 por cento acreditam que não devam ser considerados como judeus. Os resultados colocam o público em geral em contradição com as autoridades religiosas de Israel, que só reconhecem parcialmente as conversões efetuadas no país quando realizadas por rabinos não-ortodoxos. As conversões por rabinos não-ortodoxos efetuadas fora de Israel são automaticamente elegíveis para a cidadania israelense, como qualquer outro judeu. Além disso, a pesquisa descobriu que 68 por cento dos judeus israelenses acreditam que judeus de casamentos mistos devem ser considerados como parte do povo judeu, contra os 21 por cento que discordam.
Yuli Edelstein que é o Ministro para Assuntos da Diáspora disse que espera que as conclusões desta pesquisa aproximem ainda mais as duas comunidades. "Talvez seguindo estes resultados também no sistema político, possamos convencer as pessoas que quem optou por passar por uma conversão na sua comunidade no exterior, efetuada sob a forma Reformista ou Conservadora e escolheu se juntar a nós aqui, que devemos optar por nos aproximarmos deles e não procurar afastá-los" ele relatou à Rádio de Israel, conforme informou o ‘Haaretz’. "Se queremos fazer a união ... então não devemos boicotar nem afastar ninguém". Os Movimentos Reformistas e os Conservadores estavam entre aqueles que lutavam contra a tentativa que o parlamento israelense neste verão aprovasse uma medida que tornaria mais rígido o controle do rabinato ortodoxo sobre as conversões.


"YEAH! AWESOME! Ou, em bom português, AÍ SIM!!!!!!!"

Oprah e o Kaddish

O telefone tocou no meu escritório em Nova York. Ano de 1995, e estava dizendo Kadish para meu pai, Joseph Jacobovici. Eu vivia em Toronto, mas como produtor de cinema, eu viajava bastante. Durante meus onze meses dizendo Kaddish, tive que recitar o Kadish em diversas cidades, de São Francisco a Halifax. Uma vez tive que parar em Detroit e correr para o subsolo de uma pequena sinagoga, onde 9 pessoas com seus 80 anos me receberam como um herói, sendo o décimo e completando o minyan (10 pessoas necessárias para reza). O telefone tocou em Nova York, e este foi um Kadish inesquecível, tinha acabado de filmar um documentário chamado "The Selling of Innocents", onde ganhei o prêmio Emmy, atraindo a atenção de Oprah Winfrey, um ícone, celebridade do talk-show americano, do outro lado da linha estava o produtor do programa me convidando para voar à Chicago e ser entrevistado pela Oprah no dia seguinte. Fui pego de surpresa, todos nós sabemos o que significa ser entrevistado por Oprah, grande publicidade do filme, e a promoção de minha empresa ao público e ao mercado.

"Adoraria ir" disse, "mas eu infelizmente não tenho como."

"Por que não?" disse o produtor, com uma voz surpresa. Ninguém diz estar "ocupado" para o Oprah Show.

"Eu estou com um problema", respondi.
A produtora, chamada Lisa, falou - " Por favor, qual é o problema?"

"É muito complicado" -
"Vamos ver, de repente posso lhe ajudar."

Começei a explicar para um produtor não-judeu em Chicago sobre o ritual judaico de recitar o Kadish.

Sempre que tentava explicar para as pessoas sempre era confuso, me levavam para sinagogas vazias, e já estava acostumado e entendia que não seria tão fácil explicar. Mas sendo Oprah, vamos lá, tentei mais uma vez explicar.

"Sou judeu, meu pai faleceu e em nossa religião tenho que rezar três vezes ao dia uma reza chamada Kadish, onde glorificamos o nome de D-us e elevamos a alma do falecido. E para isso preciso de um quorum de 10 pessoas, chamado Minyan. Eu não posso perder este ritual e se for a Chicago, teria que, antes do show da Oprah ir para um minyan."

"Não tem problema", disse Lisa. "Você precisa de um minyan para dizer Kadish - 10 homens - serviço matinal. Eu organizarei, não se preocupe."

"Mas não é fácil" disse, "Você terá que me encontrar uma sinagoga com minyan de manhã, não adiantaria me encontrar simplesmente uma sinagoga."

Lisa foi muito paciente. "Eu enviarei um fax com os detalhes de sua passagem para seu hotel. Uma limosine irá te esperar em Chicago. O motorista lhe passará as informações necessárias. Você fará o Kadish para seu pai."

O resto foi uma "operação militar" Chegou a passagem no dia seguinte, a limosine chegou a tempo, o motorista me levou ao hotel e disse, "estarei aqui às 6:30am, seu minyan começa as 7am. Eu te buscarei as 8am e sua entrevista começa as 8:30am."

O quarto do hotel estava ótimo, dormi como um bebê. As 6:30am eu desci no lobby e lá estava o motorista. Havia um jornal no banco do carro.

Pensei - "Não posso me acostumar com isso."

Me levou até o minyan no segundo andar de uma sinagoga e assim foi.

Ao encontrar o rabino ele me disse: Bom dia, você é a pessoa que tem que fazer o kadish, correto? Fui contactado pela produção do Oprah show e me advertiram para nada falhar neste minyan.

Assim foi, olhei para o rabino e ele para mim, rimos um pouco. Fiquei impressionado com a Lisa e com a Oprah. E tive a certeza que meu pai aonde ele estivesse, ficou impressionado com tudo isso.

Depois da reza, fui levado ao Show. Fui apresentado para a Lisa, com seus 30 anos, e ela disse diretamente:

" Então, conseguiu o minyan?"

"Sim, muito obrigado."

"Foi de acordo com suas solicitações, falou o Kadish?"

"Sim, nada poderia ter sido melhor", respondi.

Ela me olhou como aquele olhar do médico que deixa a sala de cirurgia, ou talvez, como um comandante que volta de uma batalha. E me disse:

"Nada é muito complicado quando queremos".

O show começou, eles foram muito profissionais. Tive meus 5 minutos de fama. Mas o que sim posso me lembrar deste dia foi o Kadish.

(Esta história foi publicada no livro "Living Kadish - Incredible and Inspiring Stories" by Rabbi Gedalia Zweig, publicada pela Targum Press.
Traduzido do site www.aish.com
)

3.10.10

Bereshit

Durante a semana, a correria é enorme. Precisamos resolver muitos assuntos em um curto espaço de tempo. Os resultados são noites mal dormidas, cansaço, mau-humor e a palavra da moda: “stress”.

Mas tudo tem a sua recompensa. Nada mais gratificante do que atingir os nossos objetivos. Depois de muita correria, é bom comemorar os resultados com um merecido descanso. Tirar um fim de semana sem fazer nada é realmente fantástico.

Já houve quem dissesse que o segredo da boa música são as pausas. Tocar um instrumento requer dom e bastante treino. Mas, é nas pausas que se reconhece um verdadeiro músico.

O desafio do mundo moderno é atingir o maior sucesso naquilo que se faz sem, no entanto, nos esquecermos dos intervalos.

A pausa é que dá força ao ser humano para continuar a sua jornada. Só durante um descanso, a pessoa é capaz de analisar com cuidado aquilo que está fazendo. Olhar para trás, enxergar sua própria vida como se fosse um filme e traçar com segurança um roteiro para o futuro.

Existem pessoas que são ótimas naquilo que fazem. Mas logo fracassam, por não reconhecer o valor do descanso, por não saberem a importância de uma pausa.

Na primeira parashá de toda a Torá, Bereshit, é detalhada toda a criação do mundo. Dia a dia, o que Deus criou. As plantas, os animais, o homem. Depois de tanto trabalho, até mesmo Deus precisou de uma pausa. No sétimo dia surgiu o Shabat e Ele descansou.

O Shabat é muito mais do que um mandamento a ser observado, é uma benção de Deus. Depois de uma semana de muita correria, em que muita coisa foi resolvida, mesmo que não tenhamos solucionado todos os problemas, vamos deixar algo para a semana que vem e nos dar o direito de descansar.

Quando Deus criou o homem utilizou dois ingredientes. O pó da terra para fazer o corpo e o sopro do céu para fazer a alma. Que o Shabat traga paz ao nosso corpo e inspiração à nossa alma.


Um bom descanso.


Shabat Shalom.
Rabino Michel Schlesinger

28.9.10

No Zói!




Judeu ultraortodoxo participa de oração durante a celebração do Sucot, no Muro das Lamentações, na Cidade Velha de Jerusalém. Milhares de judeus fazem a peregrinação a Jerusalém durante o Sucot, que lembra os 40 anos de peregrinação no deserto após o êxodo dos judeus do Egito, cerca de 3300 anos atrás.

25.9.10

Sucot: Ética vs. Teologia


Que “o judaísmo é uma religião pouco religiosa”, pode-se dizer que é uma das poucas acusações feitas a nós com certa razão. O judaísmo sempre preferiu se concentrar mais no que cabe ao homem fazer do que na natureza de Deus. Mais na ética do que na teologia. A teologia é sempre um mistério, por definição. Entretanto, a ética é um mandato urgente, pois o mundo precisa da ação reparadora do homem para se aperfeiçoar. Segundo o Talmud, o próprio Deus diz: “Tomara que me esqueçam, mas fiquem com meus preceitos de ação”.

Na leitura do Shabat Chol Hamoed Sucot achamos uma das expressões mais contundentes a respeito disso. Moshé pede para conhecer o rosto divino ou o interior da divindade e Deus responde: “não poderá me ver um ser humano e continuar vivendo”. Depois Moshé pede para conhecer os caminhos divinos, a conduta divina, a ação que deveríamos imitar na nossa prática, e recebe uma reposta concreta e ativa: “Eu transmitirei toda a Minha bondade e perdoarei tudo o que for possível”. Segundo a religiosidade judaica, a teologia como ciência de Deus interessa ao homem, tanto do ponto de vista humano quanto divino, apenas na medida em que ensine como sermos melhores seres humanos.



O perdão e a natureza das segundas oportunidades
Nesta leitura da Torá, as tábuas que foram quebradas por Moshé ao ver o povo adorar a estátua do bezerro de ouro são substituídas por outras tábuas novas. Esta substituição tem todos os elementos do verdadeiro perdão reparador. Não apenas é perdoado o ato, mas também é restituído o que se perdeu no erro. Deus diz para Moshé: “Faça duas tábuas novas como as primeiras que quebrou”. A tradição inclusive conta que na arca se encontravam “as tábuas novas e também os restos das quebradas”. A restituição enfatiza ser uma segunda oportunidade que lembra assim os erros e pendências da primeira, pois só assim terá sentido como segunda. Sem rancor, sem vingança, a segunda oportunidade precisa da memória da primeira para ser um caminho de perfeição.



O desafio da alteridade
A descrição de Deus que se segue ao ato reparador é composta de treze atributos, adjetivos que indicam condutas de piedade e compaixão diante de quem não é perfeito e divino. O atributo divino principal que devemos tentar imitar é a capacidade de lidar com a diferença do outro. Ser eu para reconhecer o tu.



A divindade que não encobre e sim denuncia
No final da leitura aparece um resumo do principal de algumas regras conhecidas, entre elas a proibição da idolatria. Essa proibição é resumida como não fazer deuses de máscaras. A divindade no judaísmo não serve apenas para acalmar; e nunca para tampar ou criar falsas aparências. Pelo contrário, vem para denunciar as verdades da intimidade das almas, no mínimo diante de seus portadores. A divindade conecta-se à voz da verdade mais profunda de cada um.

Rabino Ruben Sternschein

20.9.10

POR QUE SER JUDEU?

David Castelo, professor de música.
É neto paterno do ex-governador do
Estado do Ceará Plácido Aderaldo Castelo (1966-1971).

David Castelo*

Por que ser judeu? Por que buscar o judaísmo? Certa vez, minha avó levantou seu dedo indicador e, em tom solene e de revelação, me disse: “meu filho, nunca esqueça que somos judeus”.

Eu morava então em Fortaleza e, na época, não havia lá nenhuma comunidade judaica estabelecida. Por conseqüência, era um ambiente sem muitas possibilidades de me oferecer referências sobre o que seria um judeu.

Na verdade, não ouvi só uma vez aquela frase de minha avó. Ouvi repetidas vezes esta e outras referências sobre nossa origem. Dizia ela: meu pai é “Pedro Freire, judeu, a cuja família pertenciam as salinas do Boi Morto no Rio Grande do Norte”. Mas como eu poderia ser judeu? Nós éramos católicos... ou não?  Um dia, me ocorreu perguntar a meu pai a razão de não comermos carne de porco. “É uma carne suja”, foi a resposta. Judeus não comem carne de porco, mas o fato de nós não comermos porco nos fazia judeus? E por que quando abatemos um cordeiro tiramos todo o sangue? Judeus comem carne sem sangue. Mas isso fazia de nós judeus?

Achava muito engraçado minha avó acender velas todas as sextas-feiras ao cair da noite. Depois, soube que velas são acesas no Shabat. Mas acender velas às sextas-feiras nos fazia judeus?

Sou David Castelo. Castelo que antes era Teixeira e que chegou ao Brasil no final do século XVIII como Góis e Mello. Primeiro em Recife e em seguida no interior do Ceará, em Mombaça. No sertão central do Ceará nascemos, vivemos e morremos por nove gerações. A minha é a primeira a nascer inteiramente em capitais. Mas cresci em nossa fazenda, em Mombaça, comendo carne de cordeiro sem sangue e achando porco o bicho mais nojento da criação. Essas e outras constatações sobre nossa origem judaica não me respondiam o significado de ser judeu, como minha avó me dizia.

Então por que razão resgatar o judaísmo?

Porque atribuo o que melhor do legado de minha família à nossa origem judaica. Sobretudo nossa capacidade de compreender e balizar nossa conduta através da observância a leis e princípios éticos.

Por que retornar a um povo perseguido? Por que assumir tal risco?

Porque um dia minha família foi forçada a camuflar aquilo que de mais importante um indivíduo e um grupo têm: sua identidade e por conseqüência sua dignidade.

Não busquei o judaísmo por acreditar que era a única verdade ou o único caminho para D’us, mas por acreditar que, para mim, era o único caminho.

A herança de minha família me trouxe o orgulho de ser Oliveira, Vieira, Figueiredo, Freire, Góis e Mello, Teixeira e finalmente Castelo. Nossas heranças, a obra construída por nossos antepassados, são presentes, nossas primeiras bênçãos. Através delas adquirimos nossas referências, sabemos de onde viemos. Não fosse essa dádiva suficientemente grandiosa, recebemos em acréscimo o direito de criticá-la, escolher e levar conosco aquilo que verdadeiramente nos importa. Nossa herança nos dá referências e nosso livre arbítrio nos permite escolher o que julgamos melhor para nossas vidas.

Minha herança vai bem além daquela construída por minha família no Brasil. Nossa identidade roubada, mesmo após dez gerações, reclamou seu lugar em minha herança.

Afinal, que direito tinha um Papa ou sua igreja de impor a um povo que o melhor para ele é negar sua identidade, e por conseqüência sua dignidade?

Ainda assim, o problema não é ser cristão ou ser judeu. Quantos e quão queridos são meus amigos cristãos. O problema é que alguém um dia decidiu para minha família que, na verdade, o certo é ser católico. Não foi decisão minha, não foi fruto do meu desejo nem conseqüência do meu trabalho. Realizei então que pertencia tão somente a mim a decisão de resgatar meu passado mais antigo.

Me saber marrano ou não consumir carne suína não me fazem judeu. Me faz judeu o desejo pelo retorno e o sentimento de pertencer ao povo de Israel.

Compreendi que David Castelo é apenas parte de minha identidade e passou a não ser suficiente. Precisava voltar a ser David ben Avraham Avinu. Necessitava retornar à casa do pai de todos nós!

E é por isso que sou judeu!

Eu gostaria de dedicar essa ocasião a minha avó, Joana Castelo que, ao me revelar nosso passado, abriu a porta para meu futuro; a meus pais pelo incentivo; a minha saudosa amiga Maria Claudia Ribeiro por me apresentar o amigo a quem confiei meu processo de conversão, o Rabino Alexandre Leone e finalmente agradeço, do mais fundo de meu coração, ao carinho com o qual fui recebido pelo Bnei, eu não poderia imaginar comunidade que melhor represente Israel nesse momento.

Muito obrigado!


*David CasteloProfessor da Faculdade Carlos Gomes – SP, David Castelo estudou regência na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e é formado em flauta doce pela Faculdade Santa Marcelina - SP, na classe da Profª. Isa Poncet. No período de 1998 a 2003, David Castelo estudou no Conservatório Real de Haia (Holanda), orientado por Reine-Marie Verhagen e Peter van Heyghen. Nesta instituição obteve o "The Post-Graduate Certificate for Advanced Studies"; o "The First Phase Diploma" e o "The Seconde Phase Diploma" (Master’s of Music - Soloist Diploma), sendo esta a mais alta titulação concedida a um instrumentista na Europa. Paralelamente ao seu trabalho musical, David Castelo tem atuado como curador para projetos musicais nos Centros Culturais do Banco do Brasil em São Paulo e Rio de Janeiro. Atualmente, David Castelo desenvolve pesquisa em nível de pós-graduação na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) discutindo os aspectos de performance do repertório brasileiro do século XVIII, recebendo orientação da Profª. Dra. Helena Jank.
(Fonte: Bnei Chalutzim e Notícias da Rua Judaica)

Noiva Etíope é Reconhecida Para Casamento Judaico

Uma mulher etíope lutou durante quatro anos para ser reconhecida como judia, pois sempre se recusou a se submeter às exigências de rabinos para que se submetesse aos procedimentos de conversão e foi mesmo forçada a adiar o seu casamento. Na semana passada o Grande Tribunal Rabínico de Jerusalém declarou que ela poderá se banhar em uma mikveh antes do seu casamento e decidiu que não haverá nenhum registro ter se submetido a qualquer processo para seu retorno ao judaísmo.
A mulher, residente no sul de Israel, e o seu parceiro tinham agendado o casamento para agosto de 2006, mas nunca imaginaram que quatro anos se passariam antes que eles pudessem estar sob a chupah. Em 2006 eles fizeram uma festa, porém sem a tradicional cerimônia de casamento judaico, pois o rabinato questionava a origem judaica da noiva. Logo após o casal ter dado entrada nos papéis para o casamento, o conselho religioso em Ashdod remeteu os papéis dessa mulher para o rabino Yosef Hadana em Tel Aviv, que havia sido designado pelo Rabinato Chefe para os registros de casamentos do setor etíope. O rabino declarou que a mulher não era judia, alegando ter sido informado de que seus avôs se haviam convertido ao cristianismo e, portanto, recusou-se a validar a sua condição de judia até que ela se submetesse ao procedimento do banho. A fundação Tebeka, que proporciona apoio jurídico aos membros do grupo advindo da Etiópia, considerou que havia pouca possibilidade de que a decisão de Hadana fosse alterada. No entanto, a mulher se recusou a se submeter a qualquer forma de conversão e se apresentou ao Rabino Chefe sefardita Shlomo Amar. Ela apresentou depoimentos de testemunhas que atestaram por ela e que afirmaram que conheciam a sua família e suas origens judaicas.

No entanto, as dificuldades de calendário impediram que Amar se pronunciasse sobre o assunto ainda a tempo do casamento, e então a cerimônia sob a chupah não foi realizada. A mulher não desistiu e continuou a sua campanha. Dois advogados da fundação Tebeka entraram com uma petição junto ao Tribunal de Rehovot para interviessem no assunto, mas que não foi aceita.

Um recurso então foi dado entrada na Corte Rabínica de Jerusalém, que recentemente chegou a um compromisso aceitável por todas as partes, no qual a noiva iria se banhar em um mikveh e os juízes religiosos esperariam do lado de fora para garantir que o processo tinha de fato ocorrido.

De acordo com o compromisso, a noiva receberá uma certidão de casamento regular sem que nele seja mencionado qualquer registro de que ela foi trazida de volta à fé judaica. "Eu sempre acreditei que era uma judia e não estava disposta a passar por um processo de retorno ao judaísmo, porque eu sei e acredito na minha família" afirmou a noiva.

"Estou feliz que tudo acabou, mas agora as minhas irmãs não terão que passar por esta mesma provação".

E Mais Shaná Tová!

No Zói!


Judeu ultraortodoxo carrega a Torá perto da tumba do rabino Nachman de Breslov, na cidade de Uman, 200 km ao sul de Kiev. Milhares de peregrinos judeus vão ao local durante o Ano Novo Judaico ( Konstantin Chernichkin/Reuters)


"Nachman Me Uman! Nachman Me Uman! Com certeza, se Hashem não me chamar tão cedo, vou pra Uman passar o maior Rosh Hashaná da minha vida!"

Em Safed, a Torá Mais Antiga

Meir Karsenti de 80 anos, um gabai (conselheiro) na Sinagoga Abuhav em Safed, estava muito emocionado na semana passada enquanto se preparava para retirar o que se pensa ser o rolo da Torá mais antiga do mundo que ainda pode ser utilizada. "A partir de pesquisas realizadas parece que o rolo foi escrito no século 14 por Isaac Aboab de Castela" disse Karsenti. "Um escriba analisou o rolo há dois anos e confirmou que estão próprios para a leitura.
Existem muitos rolos antigos da Torá em museus, mas não se permite que sejam lidos nas rezas por causa de palavras ou letras apagadas. "Este rolo pode ser lido em uma sinagoga" afirmou ele. Karsenti vem servindo como gabai (conselheiro) para assuntos da antiga sinagoga Abuhav pelos últimos 30 anos, mas nunca ousou tocar no rolo. "É uma tradição da família por causa da sacralidade do rolo", observou ele.

Na semana passada a Torá foi retirada da arca da sinagoga, onde é mantida sob forte esquema de segurança. Os homens da sinagoga realizaram os últimos preparativos antes de retirá-la para o Rosh Hashaná.

O rolo é retirado da arca para ser lido apenas três vezes por ano: Em Rosh Hashaná, Yom Kippur e Shavuot. "Estamos verificando se nenhum dano foi causado ao rolo, que as letras não tenham sido apagadas", disse o chazan Shlomo Hadad. Muitos fiéis e turistas visitam a sinagoga para verem esta Torá nas raras ocasiões em que é retirada. Aqueles com sorte suficiente para serem chamados para ler a Torá devem ser casados e terem se banhado no mikveh naquele dia.
O Rabino Shmuel Eliyahu de Safed disse: "Para nós este rolo é muito especial. Já realizamos testes em conjunto com a Universidade Hebraica e até trouxemos um escriba para verificar o rolo. É, sem dúvida, kasher. O rolo está escrito de uma maneira especial e, portanto, é um grande privilégio tê-lo aqui conosco em Safed."

Isaac Aboab de Castela nasceu em 1433 e estudou filosofia e kabbalah. Não está claro quem o trouxe para Safed e alguns acreditam que foram judeus exilados da Espanha os que trouxeram para a cidade.

Judeus da China Comemoram o Rosh Hashaná

Entre os muitos israelenses e judeus ao redor do mundo que dão as boas vindas ao Ano Novo judaico também estão 1.000 moradores da mais antiga comunidade judaica da China. "Nós em Kaifeng na China queremos enviar os nossos melhores votos de um Ano Novo feliz e com saúde aos nossos irmãos - o povo de Israel" falou Wang Jian, um dos membros da comunidade judaica da cidade. Jian fica bastante animado quando se fala sobre Israel. Seu filho Yaacov fez a aliá no ano passado.
"Nossos antepassados tem vivido na China por mais de 1.000 anos, e estamos orgulhosos da nossa herança e da cultura judaica. Nós celebramos o Rosh Hashaná como o início de um novo ano hebraico, e é para nós um feriado muito significativo e importante. Assim como os judeus em todos os lugares, nós mergulhamos maçãs no mel, cantamos e rezamos por um ano de paz, com saúde e aliá!" afirma ele.

A comunidade judaica de Kaifeng foi fundada no século 9, aparentemente por comerciantes judeus da Pérsia ou do Iraque. A sinagoga da cidade foi construída em 1163. No seu auge a comunidade era constituída de 5.000 judeus, muitos dos quais estiveram envolvidos no comércio de Kaifeng.

Todos os descendentes de judeus de Kaifeng pertencem a um dos sete clãs, cada um identificável pelo seu sobrenome e árvores genealógicas que remontam há séculos. Diz a lenda que quando os primeiros judeus chegaram em Kaifeng, o imperador chinês, incapaz de pronunciar os nomes hebraicos dos judeus, concedeu a eles o próprio sobrenome e os sobrenomes dos seis de seus ministros. Estes sete nomes - Zhao Li, Ai, Zhang, Gao, Jin e Shi - foram usados pelos judeus de Kaifeng ao longo dos séculos. Acredita-se que o nome da família Li tem origem no original em hebraico que era Levi, e a família Gao seria dos Cohen. A comunidade foi por várias vezes atingida por desastres ao longo do século 19: O último rabino morreu sem deixar um herdeiro, a sinagoga da cidade foi destruída por inundações e nunca foi reconstruída, e muitos judeus começaram a se assimilar.

Lá existem cerca de 1.000 descendentes da comunidade judaica de Kaifeng, dos quais cerca da metade estão ligados à sua identidade. Na ausência de uma sinagoga, eles se reúnem em suas casas e comemoram os feriados com refeições festivas, comendo a tradicional maçã mergulhada no mel. Os membros da comunidade também se reúnem para recitar as rezas tradicionais e tocarem o shofar.(YNET)

15.9.10

Contamos 5771 años desde la creación del hombre

En el día de Rosh Hashaná comienza un nuevo año, acorde con la opinión de Rabí Eliézer (Talmud Rosh Hashaná Págs. 10-11). Al comienzo del libro de Génesis, la Torá nos cuenta cómo Dios creó al mundo en seis días y el séptimo día “descansó”, y también nos es relatado allí que el hombre fue creado al final del sexto día de la creación.
Puesto que Dios creó al mundo únicamente en función del hombre, no quiso crearlo a él sin haber creado antes todo lo que el hombre necesitaba para desarrollarse y desenvolverse en ese mundo. Es por eso que no sólo Dios creó al hombre en el último día, sino que lo creó al final del último día, pues en este día también creó otras cosas, además del hombre.
Por lo tanto al decir que estamos festejando el Rosh Hashaná del año 5771, no nos estamos refiriendo a que esa es la edad del universo, sino que estamos diciendo que hace 5771 años el hombre fue creado al finalizar la creación del universo, en lo que fue el primer Rosh Hashaná de la historia.
Esta antiquísima discusión entre la ciencia y la Torá queda anulada al llegar a este dato; el conteo de los años según el calendario judío de 5771 años, son a partir de la creación del hombre.

Una vieja historia
Todos nosotros escuchamos alguna vez la historia de Adam y Javá (Adán y Eva) en el Gan Edén (el Jardín del Edén, o como se lo conoce comunmente: el Paraíso); ésta realmente es una de las historias más conocidas de toda la Biblia. Pues bien, después de que Dios creó al hombre y a la mujer, El los puso en el Gan Edén. Allí ellos estaban rodeados de muchas especies de árboles frutales, y Dios les había dado permiso para comer del árbol que quisieran, sin ninguna limitación. Solamente de un árbol tenían prohibido comer: del árbol del conocimiento del bien y del mal.
Después de esto, vemos que entre la mujer y la serpiente comenzó un interesante diálogo, en el que finalmente la serpiente terminó convenciendo a la mujer de que coma del fruto prohibido. Ella tomó un fruto del árbol del conocimiento, y después de comerlo, también le dio al hombre para que coma de él. Cuando Dios vio que el hombre y la mujer transgredieron Su prohibición, la Torá nos dice que Él los echó a ellos del Gan Edén, para trabajar la tierra.
¿Cuándo fue que este conocido relato tuvo lugar? ¿Cuánto tiempo había transcurrido desde que Dios los ubicó en el Gan Edén y les prohibió comer de aquel árbol, hasta que ellos pecaron?
A pesar de que la Torá no nos revela ningún detalle del momento en el cual todo esto ocurrió, en el Midrash, Nuestros Sabios nos enseñan que todo este relato tuvo lugar en el primer día de la creación del hombre.

El primer día de vida
Dice el Midrash Pesiktá Rabatí: “En Rosh Hashaná fue creado el primer hombre. En la primer hora (del día sexto de la creación, es decir de Rosh Hashaná) Dios decidió crearlo; en la segunda hora se aconsejó con los ángeles; en la tercer hora juntó el polvo de la tierra del cual sería creado; en la cuarta lo mezcló; en la quinta lo convirtió en materia informe; en la sexta le dio forma; en la séptima le insufló el alma; en la octava lo puso en el Gan Edén; en la novena le prohibió comer del fruto del árbol del bien y del mal; en la décima el hombre pecó; en la undécima fue juzgado; y en la duodécima Dios se apiadó de él en el juicio”.
Le dijo Dios al hombre: “Esto es una señal para tus hijos (descendientes): así como has estado delante Mío en el juicio en este día y me apiadé de ti, así también tus hijos estarán delante Mío en el juicio y me apiadaré de ellos”.
Gracias a este Midrash, ahora podemos tomar conciencia del real significado que tiene el día de Rosh Hashaná para el judaísmo. Así como en el día de Rosh Hashaná el primer hombre fue juzgado por sus acciones, asimismo todos nosotros somos juzgados en este día por las acciones -buenas o malas- que hayamos hecho el año que finalizó.
Pero aún hay una parte del Midrash que no se entiende completamente, pues allí Nuestros Sabios dicen que en este primer día de vida del hombre Dios se apiadó de él y en el futuro también se apiadará de su descendencia, y aparentemente esto no es del todo preciso, ya que verdaderamente, aquella vez Dios castigó al hombre y a la mujer expulsándolos del Gan Eden, y así también ocurre con nosotros, que en el día de Rosh Hashaná somos juzgados y Dios decide quién vivirá y quién morirá, quién tendrá buena salud y quién no, quién tendrá buen pasar y quién no.

Datos astronómicos
Las naciones de Occidente basan su calendario en el año solar: el tiempo que tarda la Tierra en describir su órbita alrededor del Sol. En este sistema, ni los períodos anuales, ni las fechas que corresponden a los diferentes meses, guardan relación alguna con las fases lunares. Para los musulmanes, en cambio, lo que importa es la Luna, tanto en lo concerniente al año como a cada uno de los meses.
El año lunar tiene, aproximadamente, 11 días menos que el año solar (354 días el primero y 365 el segundo).
El calendario hebreo se basa, en algunos aspectos, en el año lunar, y en otros en el solar. Los meses se fijan según el tiempo que tarda la Luna en recorrer su órbita alrededor de la Tierra; pero el cálculo de los años se efectúa sobre los períodos solares. Y dado que el año solar, como dijimos, tiene 11 días más que el año lunar, se dispuso, para igualarlos, agregar un mes cada dos o cada tres años, según la serie 3, 6, 8, 11, 14, 17 y 19. Así se logró que la festividad de Pesaj cayera siempre en el mes inicial de la primavera: Nisán. El mes que se añade es el de Hadar, y de este modo el año reúne dos meses con el mismo nombre. Se distinguen como “Hadar alef” y “Hadar bet”. Un año con esa característica es llamado “Shaná Meuberet” (año “grávido”, “engrosado” o bisiesto). En cada ciclo de 19 períodos anuales, son siete los que incorporan un mes adicional.

Epocas remotas
Los orígenes del calendario hebreo se sitúan en épocas muy remotas. Sufrió cambios estructurales a través de los tiempos, hasta quedar establecido en su forma actual no antes del siglo VIII de la Era Común.
Según una tradición babilónica de la época de los “gueonim”, el “Nasí” (patriarca) Hilel III, que vivió en el siglo IV, publicó una compilación de las reglas para calcular la aparición de la luna nueva y el comienzo de los meses y de los años, tal como llegaron a sus manos (y como, así, se mantuvieron hasta nuestros días).
Si nos remontamos a épocas antiguas, cuando las tribus hebreas recorrían las llanuras con sus rebaños, vemos que basaban su división del tiempo en los cambios de la Luna. En este punto, no se diferenciaban de otros pueblos nómades. Pero al establecerse en Eretz Israel y dedicarse a la agricultura, intercalaron la influencia del Sol en los cambios estacionales.
En los tiempos primitivos, cada principio de mes (“Rosh Jodesh”) era fijado por el testimonio de quienes habían visto aparecer la Luna nueva; el período anual constaba de 12 meses. Y sólo cuando, al final del invierno, se advertía un retraso del año lunar respecto del solar, se añadía un mes al primero.

Coordinación con el calendario lunar
Por supuesto, tenga en cuenta que el calendario judío sigue a la Luna: “Rosh Jodesh” (principio del mes), el primer día del mes, siempre cae en la Luna nueva, el momento en que la posición de la Luna en el cielo transcurre por la del Sol. Después de esto podemos ver una Luna creciente, justo después del ocaso.
La Luna necesita algo más de 27 días para trasladarse alrededor nuestro, pero entretanto el Sol también cambia su posición en el cielo; cada año circunvala completamente el cielo. Luego la Luna necesita unos dos días más en alcanzar al Sol y eso ocurre en 29 días, 12 horas, 44 minutos y una fracción, para ir desde una Luna nueva a la siguiente.
Así la mayoría de los meses judíos alternan entre 29 y 30 días: el primer Hadar, 30 días; el segundo Hadar, 29; Nisán, 30; Iar, 29; Siván, 30 y así sucesivamente, excepto Jeshván y Kislev, en el otoño, que se ajustan teniendo en cuenta los 44 minutos y otros ajustes.
Un ajuste importante de este tipo se aplica sobre el día de Año Nuevo, que se conoce como Rosh Hashaná (principio del año); nunca debe caer en domingo, miércoles ni viernes. Este se hace para prevenir que se adelante el Iom Kipur (“día de la expiación”), que es diez días más tarde, para que no caiga junto al Shabat, porque dos días de descanso consecutivos podrían dificultar la correcta celebración de ambos, y también para evitar que el Shabat caiga en otro festivo que existe posteriormente en ese mes. De tal forma que, aunque parezca extraño debido a estos ajustes, el Rosh Hashaná generalmente no cae en Luna nueva.
Lucki Moshé
Nueva York

(Fonte: Aurora Digital)

5.9.10

A vida é escolhida ou imposta?
 

Existe um mandamento ao mesmo tempo maravilhoso e misterioso: escolher viver.  Na parashá da semana, que coincide sempre com o momento do ano pintado pela reflexão sobre a vida e a morte, das Grandes Festas, aparece o trecho que diz claramente: “Veja, entreguei diante de ti hoje a vida e o bem, a morte e o mal.... e escolherás pela vida”.

Embora seja esta uma mensagem muito alentadora, que nos puxa sem dúvida alguma para um enfoque positivo da vida como um valor digno de ser eleito, a aplicação prática do mandamento é misteriosa.  A vida e a morte estão postas nas nossas mãos?! É simplesmente escolher?

Obviamente o mandamento não se refere apenas à situação de um médico que está prestes a salvar uma vida nem a uma pessoa que se encontra prestes ao suicídio ou à trivial situação de tomar ou não um medicamento vital.

Os místicos diriam que certamente a alma escolhe entrar mesmo no corpo e viver uma vida terrena num contexto determinado de corpo, família e situação social e pessoal.


Os psicólogos sustentam que existe em todas as pessoas, em todas as situações, um Eros e um Tânatos, ou seja, uma força que tende à vida, a construir, a reparar, a melhorar, a criar; e outra que tende a destruir, a brigar, a matar e a morrer.

Se estas teorias estão certas, então o versículo resumiu certamente há milênios uma verdade existencial: certamente, tudo depende sim de nossas escolhas. Escolhemos em todas as ocasiões por maior ou menor quantidade e qualidade de vida. O grande desafio é em cada caso é saber o que agrega vida e o que a diminui, e principalmente que tipo de vida e para quem. Nem sempre a luta destrói e a aceitação constrói. Nem sempre o que agrega para um, agrega para o outro também. Às vezes a escolha pela vida consiste em continuar a insistir, a perseverar; e outras justamente no oposto - consiste em encerrar, em desistir e começar novos caminhos. Às vezes a escolha pela vida é ter a coragem de calar, de aceitar em silêncio, de pacificar e aclamar; e outras vezes justamente a vitalidade é possível apenas através da denúncia, da demanda e da reclamação que diz “aqui estou”.

A própria parashá no começo sugere uma fórmula para essa escolha. O texto diz: “atem nitsavim haiom, culchem”, que significa “vocês encontram-se hoje presentes em totalidade, todos vocês”. Sim, também na gramática hebraica e bíblica o som é raro. Por isso os comentaristas sugerem: em plenitude - em totalidade, tudo o que inclui vocês. O passado, o futuro, os desejos, os sonhos, as frustrações, as possibilidades. Tudo. Estar com tudo na plenitude da presença, na totalidade da essência pessoal. Isso é em cada caso escolher viver. Colocar em cada lugar e em cada momento nossa totalidade de forças, de capacidades, de habilidades, e escolher com todas elas presentes.

Que possamos nos preparar para os Grandes Dias que vêm com a coragem de escolher viver com presença total.


Shabat Shalom,
Rabino Ruben Sternschein

29.8.10

Agora é Hora, De Alegria, Vamos Sorrir e Rezar!




Ki Tavô


Os talentos e capacidades do ser humano são inatos ou aprendidos? A discussão sobre se o indivíduo já vem com uma “configuração original de fábrica” pré-programada ou se nasce como uma tabula rasa, com tudo por aprender, faz parte de memoráveis debates na história da filosofia e da psicologia, da medicina e da educação. Os psicólogos comportamentais clássicos afirmavam que se os pais lhes confiassem uma criança bem pequena para educar, fariam dela o que os pais quisessem: um médico ou uma engenheira, por exemplo, pois para eles nada era herdado, tudo é aprendido. Por outro lado, há aqueles que defendem a importância dos talentos herdados, seja geneticamente, seja como herança espiritual, vinda dos pais, ou até de um povo inteiro.



A leitura da Torá desta semana incorpora justamente a tensão entre o herdado e o aprendido. Ela inicia com “quando você chegar à terra que o Eterno seu Deus lhe dá por herança, e você a herdar” (Deut. 26:1) e termina com “guardem os ditos desta aliança e os coloquem em prática, a fim de aprenderem em tudo o que fizerem” (Deut. 29:8). A palavra usada para “aprenderem”, taskilu, não é a mais comum de se encontrar na Torá. No dicionário, encontrei diversas definições para sua forma substantiva, hascalá: educação, escolaridade, conhecimento, sabedoria, erudição, iluminismo.



Hascalá. Este foi o nome do movimento surgido entre os séculos 18 e 19, conhecido como o Iluminismo Judaico. Nos tempos em que os judeus puderam deixar os guetos, épocas em que nossos antepassados lutaram por direitos iguais e de cidadania nos países em que viviam, os idealizadores de uma sociedade que integrasse os judeus entre seus cidadãos ficaram conhecidos como maskilim. O Iluminismo Judaico influenciou de forma decisiva em nossas vidas até hoje como judeus no mundo moderno, independente de nossas inclinações religiosas. Do debate sobre a vida judaica emancipada, podemos dizer que surgiram três tendências principais: (1) a dissolução na sociedade maior, com elevado índice de assimilação das novas culturas no país natal e abandono da herança judaica; (2) o movimento sionista, na busca da criação de um estado independente onde os judeus pudessem ser livres, em igualdade de condições com as demais nações;  e (3) um processo de integração à cultura maior, mas com a preservação dos valores judaicos herdados. Desta última surgiram diversos movimentos que buscaram e ainda buscam responder ao desafio de se viver como judeu no mundo moderno, seja no Estado de Israel, como parte das nações do mundo, seja como judeus que vivem como minorias em seus respectivos países. Estes diversos caminhos buscam, cada um ao seu modo, dar a melhor resposta para lidar com a tensão entre a nossa herança judaica herdada e o mundo que nos rodeia e do qual fazemos parte.



Entre o primeiro e o último versículo da leitura da Torá, entre o herdado e o aprendido, há inúmeras técnicas de como lidar com esta tensão: escrever o que se herdou, cumprir rituais, explicar bem, advertir sobre recompensas e punições, escutar, apreender, praticar. Esta tensão constante me faz ler o termo taskilu, no último versículo, principalmente como a prática de iluminar. O aprendizado, o estudo, o debate travado em cada geração e em cada local joga sempre uma nova luz sobre Israel, nossa terra, tradição e herança, fazendo com que a vejamos por novos ângulos e possamos enxergar algo que não havíamos visto antes. Neste sentido, a haskalá, a iluminação ou iluminismo, amplia os horizontes da herança judaica e a torna ainda mais rica e valiosa para as gerações seguintes.



Não é fácil lidar com tensões. Por outro lado, ao enfrentar os conflitos, nós nos sentimos vivos e nos desenvolvemos, como pessoas e como judeus. Nas palavras de Maimônides, a versão de uma das bênçãos anteriores ao Shemá, em sua obra Mishnê Torá: “Dê aos nossos corações a capacidade de entender,  iluminar: escutar, aprender e ensinar, apreender e colocar em prática, e cumprir todos os ditos do estudo da Tua Torá com amor.” (Sefer Ahavá, Seder Hatefilá 9)



Shabat Shalom!

Uri Lam




*A parashá da semana é acompanhada por uma ilustração da aquarelista Rosália Lerner.

23.8.10

O Rabino Chefe de Israel Conclama Judeus Americanos para Não se Oporem à Proposta Legislativa

CARTA DO RABINO CHEFE AMAR PARA O NEW YORK TIMES
Por Hillel Fendel
O rabino Shlomo Amar, um dos dois rabinos-chefes de Israel encontrou uma nova maneira para contatar os judeus, que de outra forma não iriam ouvir as suas palavras: através das páginas do The New York Times.

Tentando atingir os corações dos judeus conservadores e reformistas o rabino Amar pretende fazê-los compreender – através de uma carta ao editor que foi publicada na sexta-feira passada - que os esforços deles contra a atual lei de conversão estão "causando grandes danos" para os judeus. Além disso, ele escreve que as tentativas para influenciar a legislação israelense, mesmo esperando contar com o envolvimento de legisladores dos Estados Unidos, não se coaduna com os princípios democráticos.
Em causa está uma proposta legislativa há muito aguardada em relação à regulamentação do aspecto cada vez mais escancarado das conversão ao judaísmo em Israel. A proposta, fortemente apoiada pelo Partido dos Imigrantes ‘Israel Nossa Casa’ bem como pelos partidos religiosos, tem sido mantida em suspenso pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, depois que se deparou com a forte campanha de oposição conduzida pelos movimentos reformistas e conservadores nos Estados Unidos.

A regulamentação proposta não se refere às conversões ao judaísmo nos Estados Unidos, mas sim prevê que o Rabinato Chefe de Israel é o único órgão autorizado a lidar com as conversões em Israel. Também afirma que uma conversão não pode ser anulada retroativamente, exceto pelo rabino ou a corte que a realizou.
Na carta do rabino Amar ao The New York Times pode-se ler o seguinte: Desde a criação do Estado de Israel as conversões ao judaísmo têm sido regidas pelo Rabinato Chefe. Como o Times relatou no seu artigo, este status quo tem sido contestado por uma petição à Suprema Corte de Israel, petição que tem o apoio de membros de movimentos conservadores e reformistas. No entanto, menos de 1% dos judeus que vivem em Israel são membros desses movimentos.
Esta proposta legislativa não tem o objetivo de trazer mudanças, mas somente visa manter a situação tal como ela existe há 62 anos. Se estes movimentos não-israelenses acreditam nos princípios democráticos, porque procuram intervir em uma questão que afeta somente os israelenses e que não afeta os judeus americanos? Ainda mais intrigante, como eles justificam o pedido para que 12 senadores americanos pressionem o governo israelense sobre este assunto que é somente interno?

As leis de Israel devem ser determinadas pelos residentes de Israel que defendem a sua segurança e sofrem os seus problemas. Se os nossos irmãos judeus imigrarem para Israel, nós iremos recebê-los com grande alegria, e então eles teriam o direito, como cidadãos, para lutarem pela aprovação conforme as suas perspectivas.

Os judeus da Diáspora que estão coagindo o governo israelense para abandonar esta proposta de legislação estão causando grandes danos. O projeto, sob o âmbito da lei judaica, iria ampliar o âmbito de conversão, impedir exigências injustificadas e proporcionar mais clemência e flexibilidade na sua aplicação. Muitos israelenses da Rússia se beneficiariam substancialmente. Na verdade, essa legislação foi proposta pelo Yisrael Beiteinu - um partido secular - e que representa mais de um milhão de russos israelenses.
Que esta desnecessária divisão termine rapidamente.

Shlomo Moshe Amar - Rabino-Chefe de Israel

Jerusalém, agosto, 2010



8.8.10

SABEDORIA JUDAICA

Sir Moses Haim Montefiore (1784-1885), o banqueiro judeu britânico, filantropo, defensor determinado dos direitos humanos e o sherife de Londres, esteve uma vez sentado num jantar ao lado de uma personalidade importante e anti-semita, que contou-lhe que acabara de voltar do Japão onde”eles não tem nem porcos, nem judeus”.

Montefiore respondeu instantaneamente: “ Nestas circunstâncias, o senhor e eu deveríamos ir lá para que eles possam ter uma amostra de cada um”.