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30.1.11

Bate Bola Rápido (Daniela Kresch Entrevista Lucas Lejderman)

LUCAS LEJDERMAN
O entrevistado da semana na série de conversas com brasileiros que se mudaram para Israel é o gaúcho Lucas Lejderman, de 28 anos, que há quatro trocou Porto Alegre por Jerusalém. Recém-formado em Educação pela Universidade Hebraica, Lucas – ou Pato, como é conhecido – mora atualmente na cidade de Modiin com a esposa, mas continua indo diariamente a Jerusalém para dar aulas para jovens brasileiros no Machon LeMadrichim (Instituto de Liderança) em Kiryat Moriah. Ele também é o responsável para a América Latina do Movimento Conservador Mundial.

1) Lucas, quando você veio morar em Israel?
Em janeiro de 2007.
2) Por quê você optou em morar em Israel?
Por ideologia. Fui a vida inteira vinculado à Chazit Hanoar e à comunidade judaica em geral. Em Porto Alegre, era ativista em várias instituições. Mas achei que era hora de fazer aliá. Vim porque queria fazer parte da história do povo judaico, ajudar a fazer de Israel um país melhor, um exemplo para as nações. Posso ser considerado ingênuo pelos pós-modernos, mas sou assim.
3) Do que você mais gosta, em Israel?
Gosto de estar aqui. Sinto que faço parte de uma coisa maior. Sinto que posso impactar mais por aqui, mais do que em Porto Alegre.
4) Do que menos você gosta?  
Da questão da educação. Todo mundo grita com o outro. Dirigem agressivamente, berram, te tratam mal. Principalmente no serviço público. Fazer fila, por exemplo, é um conceito que não está na Torá, por isso eles não aprenderam (risos)... Sei que vou ter que me acostumar.
5) Qual é o lugar mais agradável do país, na sua opinião?
Gosto demais dos mananciais do Norte. Você se sente em paz por lá. Gosto bastante também da Cidade Velha de Jerusalém, não porque é agradável, mas por um sentimento de energia. Atualmente, estou gostando muito também de Modiin, onde moro.
6) Qual é o lugar menos agradável?
Para mim, é Tel Aviv no verão ou o deserto. Não consigo respirar.
7) Qual é a palavra em hebraico que você mais gosta?
Sababa” (uma gíria que significa algo como “ok” ou “tudo bem”). Me lembra português, me lembra a palavra “bacana”.
8) Qual é a palavra em hebraico que você menos gosta?
Chutzpa”. Fico maluco quando dizem que sou “chutzpan”... Em geral, quem pensa isso é quem mais tem “chutzpa”.
9) Que comida israelense é a mais saborosa?
Shwarma. Como duas vezes por semana, sagradamente. Perto do meu escritório tem um quiosque e sou freguês de lá. Tem um gostinho de carne, de Brasil, de churrasco.
10) O que você diria para quem pensa em fazer aliá?
Que estude muito hebraico. Venha só quando tiver certeza, porque no inicio vai ser muito dificil, principalmente com o choque cultural sentido pelos brasileiros. Aliá é um projeto de longo prazo. É uma maratona, não uma corrida de cem metros rasos. Quem quiser algo fácil, que fiquem em casa.


19.12.10

Bate-Bola Rápido (Daniela Kresch Entrevista Tânia Greif)

TÂNIA GREIF
A arquiteta carioca Tânia Greif, de 45 anos, é a entrevistada desta semana da série de entrevistas com brasileiros que moram em Israel. Casada com o conhecido músico brasileiro Bá Freyre, ela cria três filhos (Uzi, de 18 anos, Arik, de 16 e Maya, de 11) na cidade costeira de Natanya.

1) Tânia, quando você veio morar em Israel?
No final de 1988, dois antes antes do começo da aliá russa. Foi uma época difícil por causa do preconceito em relação aos imigrantes. Mas ser brasileira abriu muitas portas para mim. Meu primeiro empregador me escolheu só porque gostava de Gal Costa. Posso dizer que devo minha vida profissional à Gal Costa...

2) Por quê você optou em morar em Israel?
Minha família sempre foi sionista. Depois que minha irmã voltou do shnat (um ano de estudos em Israel), em 1986, ela decidiu morar em Israel. A família inteira resolveu seguí-la. Primero vim eu, depois meus pais. Eu tinha 22 anos e vim como quem vai para Teresópolis. Não me programei muito. Mas fui ficando...

3) Do que você mais gosta, em Israel?
Da segurança que a gente sente aqui. A segurança de poder deixar as crianças saírem pelas ruas, de noite, com os amigos, sem paranóias. Gosto também da solidariedade do povo nas horas difíceis, vide o caso do incêndio no Monte Carmel, no mês passado.

4) Do que menos você gosta?
Da grosseria do pessoal. Não me acostumo depois de tantos anos. E do trânsito. As pessoas aqui são muito fominhas atrás do volante. O sinal ainda está amarelo e já começam a buzinar...

5) Qual é o lugar mais agradável do país, na sua opinião?
Amo Cesaréia, principalmente o contraste entre a parte velha e a nova.

6) Qual é o lugar menos agradável?
A área da rodoviária velha de Tel Aviv. Dá medo.

7) Qual é a palavra em hebraico que você mais gosta?
“Matate”(vassoura), “bakbuk” (garrafa), meshushe (hexágono). E todas que têm sílabas repetidas assim.

8) Qual é a palavra em hebraico que você menos gosta?
“Cacha” (algo como “desse jeito”). Principalmente quando é dito em resposta a “por quê?”. É uma maneira de responder sem dar explicação.

9) Que comida israelense é a mais saborosa?
Existe comida israelense? Aqui tem muito falafel, humus, burrecas... Mas não gosto muito não. Gosto mesmo é dos chocolates daqui. São uma delícia.

10) O que você diria para quem pensa em fazer aliá?
Só venha se amar muito o país. E não venha esperando receber nada. O país é difícil e a adaptação não é fácil. Mas quanto você aprende a entender a realidade daqui, fica mais fácil.

Bate-Bola Rápido (Daniela Kresch Entrevista André Lajst)

ANDRÉ LAJST

O paulista André Lajst, de 25 anos, é o brasileiro entrevistado, esta semana, na série de conversas com quem optou em morar em Israel. Há quatro anos, André deixou o trabalho com publicidade e a empresa de camisetas que tinha em São Paulo para estudar diplomacia e contraterrorismo no Centro Interdisciplinar de Herzelyia. Hoje, mora em Ramat Gan e se prepara para continuar os estudos até ser chamado pelo exército (terá que fazer dois anos de serviço militar).

1) André, quando você veio morar em Israel?
Em agosto de 2006.

2) Por quê você optou em morar em Israel?
Por sionismo. E também por qualidade de vida. Mas 90% sionismo.

3) Do que você mais gosta, em Israel?
Da história, da realidade de um país como esse, que foi construído do nada em menos de 70 anos. Da sensação abstrata de pertencer a essa nação.

4) Do que menos você gosta?
Do calor.

5) Qual é o lugar mais agradável do país, na sua opinião?
As Colinas do Golan, e não só por causa da temperatura e da paisagem. Nós transformamos um território que era usado para nos atacar num centro de cultura, de agricultura, de modernidade. Transformamos o mal no bem.

6) Qual é o lugar menos agradável?
O trânsito, em qualquer lugar.

7) Qual é a palavra em hebraico que você mais gosta?
“Shalom”. Pode-se usar a palavra em vários contextos e também para cumprimentar as pessoas.

8) Qual é a palavra em hebraico que você menos gosta?
“Cacha” (algo como “desse jeito”). Quando é dito em resposta a “por quê?”. É uma maneira de responder sem dar explicação.

9) Que comida israelense é a mais saborosa?
Sem duvida, é o mussaka (caçarola de beringela). É um prato grego, na verdade, mas se come bastante na cultura oriental por aqui. Também gosto de humus e falafel, mas não como muito para cuidar da saúde.

10) O que você diria para quem pensa em fazer aliá?
Que o Sionismo e a ideologia precisam ser muito fortes e você precisa ter força de vontade para que eles sempre cresçam e aumentem, porque o dia a dia israelense, que o turista não conhece, é extremamente difícil e diferente do cotidiano do Brasil. Aqui é muita correria, exige-se mais das pessoas e há pouca preocupação com os sentimentos nas relações interpessoais. Aqui, há pouca formalidade e pouco interesse nos sentimentos pessoais de cada indivíduo. Confesso que sinto falta de um pouco de formalidade.

5.12.10

Bate-Bola Rápido (Daniela Kresch Entrevista Eunice Figueiredo)

EUNICE FIGUEIREDO
A recifense Eunice Figueiredo, de 63 anos, está em Israel há quase 40 anos. Se divide entre uma casa no Norte, em Zichron Yaakov, e em Jerusalém, onde tem um escritório de arquitetura e restauração. Casada com um romeno, com quem tem duas filhas, ela também se dedica à pintura e expõe seus quadros por todo o país. Eunice é a entrevistada desta semana na série de conversas com brasileiros que vivem em Israel.

1) Eunice, quando você veio morar em Israel?

Em 1971. Ganhei uma bolsa de estudos para fazer pós-graduação em arquitetura no Technion (Instituto de Tecnologia, em Haifa). Aí fui ficando. Comecei a trabalhar com o David Reznik, um arquiteto brasileiro, em Jerusalém e me apaixonei pela cidade.

2) Por quê você optou em morar em Israel?
Eu poderia ter ido para outros lugares, mas meu caminho foi direcionado para cá. A verdade é que foi intencional. É claro que o lugar me atraía muito, mas isso foi só no começo.

3) Do que você mais gosta, em Israel?
Gosto de muita coisa, principalmente da independência, da liberdade... Me sinto livre aqui.

4) Do que menos você gosta?
Não gosto da chamada “coerção religiosa”. 

5) Qual é o lugar mais agradável do país, na sua opinião?
Zichron Yaakov, sobre o Monte Carmel. Escohi ter uma casa por lá porque morava em Jerusalém, mas tinha muita saudade do mar. Isso foi há uns 20 anos. Aos poucos, o pólo da minha vida foi se transferindo de Jerusalém para Zichron. 

6) Qual é o lugar menos agradável?
Qualquer lugar que tem bronca.
 
7) Qual é a palavra em hebraico que você mais gosta?
“Azui” (algo como “alucinante” ou “incrível”). Adoro a palavra.
 
8) Qual é a palavra em hebraico que você menos gosta?
São duas, em forma de pergunta: “Lama lo?” (“Porque não?”). Odeio quem diz isso em resposta a uma pergunta como “quer ir ao cinema ver esse filme?”.  Sempre me entusiasmo com as coisas. Responder “Lama Lo?” e muito negativo.
 
9) Que comida israelense é a mais saborosa?
Tehina (pasta de gergelim). Bem simples, na colher.

10) O que você diria para quem pensa em fazer aliá?
Que abandone o que chamo de “hábitos da senzala”. O brasileiro é muito ligado na empregada, na faxineira, o que é terrível. Sempre me incomodei com ess coisa de empregada, desde que era criança. Mas o brasileiro é muito acomodado. Tem gente que já voltou daqui por causa desse “luxo”.

SARA, MIRIAM, LEAH, ALIZA... PRIMEIRAS-DAMA EM FOCO

Não é a primeira vez que uma primeira-dama israelense é colocada no centro das atenções. Mas, dessa vez, parece que Sara Netanyahu conseguiu bater suas antecessoras. Ela está sendo bombardeada por críticos de dentro do governo - que se juntaram a jornalistas e opositores – por supostamente influenciar demais nas decisões do marido, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Os jornais israelenses têm divulgado que fontes ligadas ao escritório do premiê acusam Sara de “ser uma má influência” e de criar mal-estar entre os assessores de Natanyahu. Um deles disse ao site Ynet, a página online do jornal Yedioth Aharonoth, que a primeira-dama está “enlouquecendo todo mundo”.

Recentemente, um dos mais conhecidos ativistas do Likud, Israel Yagal, divulgou cartas nas quais acusa Sara de interferir em tudo, se transformando num fator na situação caótica em que se encontra, atualmente, o escritório do primeiro-ministro.

Não é de hoje que Sara é tema de polêmica. Já se falou muito sobre seu envolvimento na campanha do marido para o governo e, depois que ele foi eleito, nas indicações e nomeações de pessoas para cargos-chave. O mesmo aconteceu durante o primeiro mandato do marido, entre 1996 e 1999.

Para o professor Ilan Ben Ami, autor do livro “A mulher que está com ele” (“Ha-Ishá she-Itó”), Sara Netanyahu realmente não é a primeira primeira-dama a ser acusada de influenciar demais seu marido. Até porque, segundo ele, não existe, em Israel, uma definição concreta do papel da primeira-dama.

“Não sabemos o que esperar delas”, disse Ben Ami em entrevista à Rádio Reshet Bet.
O professor citou outras mulheres “poderosas”, companheiras de líderes israelenses. As mais influentes, segundo ele, foram Miriam, mulher de Levi Eshkol (1963-1969), e Leah, esposa de Yitzhak Rabin (1974-1977 e 1992-1995). A primeira se intrometia em tudo, até mesmo em políticas de governo. A segunda influenciava mais em nomeações para cargos oficiais.

Mas há outros exemplos, como Aliza, mulher de Ehud Olmert (2006-2009), Tzipora, esposa de Moshe Sharett (1954-1955), e Shulamit, companheira de Yitzhak Shamir (1983-1984 e 1986-1992).

Sara Netanyahu está, por algum motivo, recebendo mais atenção do que suas antecessoras. Talvez porque a imprensa pós-Internet seja mais fominha e tenha mais meios de criticar os poderosos. Ou talvez porque uns e outros estejam em campanha contra o atual primeiro-ministro... Tudo é possível.

14.11.10

Bate-Bola Rápido (Daniela Kresch Entrevista Judite Orensztajn)

JUDITE ORENSZTAJN

A carioca Judite Orensztajn, de 65 anos, mãe de quatro filmes e avó de seis netos, vive há 32 anos em Israel. Judite é aposentada, mas não para quieta. Faz traduções e dá aulas de português quando pinta a oportunidade. A moradora de Jerusalém é a entrevistada desta semana na série de entrevistas com brasileiros que optaram por viver no país.

1) Judite, quando você veio morar em Israel?
Em 1978, já casada e com 4 filhos. Meu caçula tinha 1 ano e 4 meses quando chegamos, com 24 volumes de bagagem.

2) Por quê você optou em morar em Israel?
Primeiro, porque sou maluca. Segundo, por sionismo. Meu marido veio também por dois motivo: porque ficou com medo da assimilação da filha de 13 anos e porque eu fiz a cabeça dele. Comecei a falar sobre aliá com ele na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Demorou 11 anos, mas consegui trazê-lo.

3) Do que você mais gosta, em Israel?
De um bocado de coisas. Da informalidade, da solidariedade... Da pouca distância social que tem aqui. Da espontaneidade, da ausência de cerimônia. Aqui não tem “senhor”, “doutor”, “excelência”. São todos “você”.

4) Do que menos você gosta?
Do chamsin (ventos quentes e empoeirados). Do sistema de transporte público, que pode melhorar muito. E do fato de a gente vive em guerra com os vizinhos.

5) Qual é o lugar mais agradável do país, na sua opinião?
Da reserva de Tel Dan (no Norte do país). Todo aquele verde e rios... É um sonho. Mas o primeiro lugar que me apaixonou em Israel foi Ein Guedi (às margens do Mar Morto). Tenho uma relação sentimental com esse lugar.

6) Qual é o lugar menos agradável?
Não gosto do deserto, de modo geral.

7) Qual é a palavra em hebraico que você mais gosta?
Gosto da língua toda. Hebraico é espetacular, é tão lógico. Quanto você entende a lógica da língua, é bem mais fácil aprendê-la. A língua também é muito básica, muito concisa. Diz-se muito em poucas palavras.

8) Qual é a palavra em hebraico que você menos gosta? 
Não tem não. Talvez o uso errado, pelos mais jovens, da palavra “Kehilu” (algo como “quer dizer” ou “como se”). Eles usam a palavra o tempo todo no meio de frases e ela perde o sentido.

9) Que comida israelense é a mais saborosa?
Saladas. Na verdade, acho que não existe nada no mundo igual a um café da manhã num bom hotel israelense. Servem 50 mil tipos de omeletes, milhões de saladas, queijos, arenque, azeitonas, frutas, bolos, pães...

10) O que você diria para quem pensa em fazer aliá?
Venha se seu problema é identidade judaica. Se está procurando solução para isso, aqui é o lugar certo. Mas, se está procurando solução para problemas pessoais ou econômicos, fique onde está.

3.11.10

Bate-Bola Rápido (Daniela Kresch Entrevista Gládis Berezowsky)

GLÁDIS BEREZOWSKY

A gaúcha Gladis Berezowsky, de 53 anos, lembra da hora exata em que chegou a Israel. O avião pousou em Tel Aviv às 2h da manhã do dia 20 de janeiro de 1977. Quase 34 anos depois, Gladis orienta brasileiros que chegam a Israel como voluntária da organização Olei. Mãe de duas filhas, moradora de Mevasseret Tzion, pertinho de Jerusalém, Gladis é a personagem desta semana na série de entrevistas com brasileiros que optaram em viver em Israel. Janela aberta...

1) Gladis, quando você veio morar em Israel?
Cheguei exatamente no dia 20 de janeiro de 1977, às 2h da manhã.

2) Por quê você optou em morar em Israel?

Sou sionista. Fui criada com essa ideologia. E também recebi educação socialista. Não é à toa que minha primeira parada foi o Kibutz Bror Chail porque recebi minha educação sionista no Dror Habonim. A realização final da visão do movimento juvenil era fazer aliá para um kibutz.

3) Do que você mais gosta, em Israel?
Da solidariedade do povo. Aqui existem milhares de organizações voluntárias. Não sei se há outro país com tantas ONGs. Talvez só os Estados Unidos.

4) Do que menos você gosta?

Da diferença das classes sociais. Está aumentando muito. Quando cheguei em Israel, havia mais igualdade. Não existiam tantos ricos e tantos pobres.

5) Qual é o lugar mais agradável do país, na sua opinião?
A Galiléia. Adoro o verde, às águas...

6) Qual é o lugar menos agradável?
Pra mim é Eilat. O pessoal por aqui gosta, mas eu não. A praia é cheia de pedras, o ambiente está se deteriorando... Litoral por litoral, prefiro o do Mar Mediterrâneo.

7) Qual é a palavra em hebraico que você mais gosta?
Shalom”. É a palavra que a gente usa para cumprimentar os outros. É como se disséssemos: “Eu venho em paz”. Acho bonito.
8) Qual é a palavra em hebraico que você menos gosta?
Freha” (apelido depreciativo dado a moças que seriam “bregas”). Acho que é uma palavra muito pejorativa.
 
9) Que comida israelense é a mais saborosa?
A verdade é que não gosto muito de comida israelense típica. Não sou chegada a humus, falafel e tehina. Mantive a minha culinária brasileira esse tempo todo. Tem menos gordura. Sou casada com um argentino, então a comida em casa é muito sul-americana. Muita carne e verdura e pouco humus.

10) O que você diria para quem pensa em fazer aliá?

Duas coisas: antes de tudo, aprender hebraico. Não vir a Israel sem ter uma idéia da língua. Não dá para se integrar aqui sem se virar com hebraico. A segunda coisa é entrar em contato com a única organização que representa os imigrantes da América Latina em Israel, Olei. Muitos olim chadashim conversam pela internet com pessoas que estão aqui só a um, dois anos. Mas não dá para obter informações completas de gente que ainda não viveu toda a experiência do país. As pessoas da Olei são mais veteranas, têm a vivência total.



31.10.10

Bate-Bola Rápido (Daniela Kresch Entrevista Mônica Asifi)

MONICA ASIFI

A operadora de turismo Mônica Asifi, de 31 anos, é a entrevistada desta semana nesta série de conversas com brasileiros que moram em Israel. Casada com um israelense, Mônica, que nasceu no Rio de Janeiro, é mãe de dois filhos (Maya, de 4 anos, e Gabriel, de 6) e mora, atualmente, em Hod HaSharon. Depois de uma temporada de seis anos no Brasil, a família voltou a Israel em fevereiro e ainda está se adaptando à nova realidade.

1) Monica, quando você veio morar em Israel?
Da primeira vez, em 1999. Fiquei até 2004. Da segunda, há nove meses. Voltei em fevereiro deste ano.

2) Por quê você optou em morar em Israel?
Na verdade, não optei... Quando optei, pela primeira vez, foi porque conheci o meu marido e decidi ficar. Da segunda vez, não tive escolha em termos financeiros.

3) Do que você mais gosta, em Israel?
Da segurança. Andar na rua de noite, andar com o carro de janela aberta...

4) Do que menos você gosta?
Do lado negativo do povo daqui. Eu sei que há um lado positivo, mas o outro lado eu não gosto. Grosseria, falta de gentileza, de educação.

5) Qual é o lugar mais agradável do país, na sua opinião?
Tel Aviv. Tem bastante coisa pra fazer, muita gente na rua. A cidade está sempre em movimento, é cosmopolita, livre.

6) Qual é o lugar menos agradável?
O Norte do país. Haifa, essa área. Acho tranquilo demais, sem vida.

7) Qual é a palavra em hebraico que você mais gosta?
Chutzpa, que quer dizer cara-de-pau. Gosto do som da palavra. É bem israelense, também.

8) Qual é a palavra em hebraico que você menos gosta?
Bevakasha (por favor). O som é feio... Parece algo relacionado a macumba.

9) Que comida israelense é a mais saborosa?
Shakshuka (uma espécie de caçarola com ovos, tomate, pimentão e cebola). Gosto muito de humus, também.

10) O que você diria para quem pensa em fazer aliá?
Antes de tudo, tem que realmente querer. Se a pessoa quer realmente, ótimo. Bom sinal. Depois, eu diria que a vida é muito diferente do Brasil, que as pessoas são diferentes, a vida é difícil. Tem que saber que vai deixar muita coisa para trás, principalmente essa coisa alegre do Brasil. É complicado.

24.10.10

Bate-Bola Rápido (Daniela Kresch Entrevista Hayim Stamba Dentes)

HAYIM STAMBA DENTES

O corretor de imóveis Hayim Stamba Dentes é o entrevistado desta semana na série de breves conversas com brasileiros que vivem em Israel. Dentes nasceu há 64 anos em Istambul, na Turquia. Aos seis anos, sua família se mudou para São Paulo, onde ele foi criado. Hoje mora em Natania, tem 4 filhos e 3 netos.

1) Hayim, quando você veio morar em Israel?
A primeira vez em 1963. A segunda em 81 e depois, finalmente, em 1993.

2) Por quê você optou em morar em Israel?
Sionismo. Sou o último dos moicanos.

3) Do que você mais gosta, em Israel?
Da qualidade de vida.

4) Do que menos você gosta?
A agressividade das pessoas, a violência de um com o outro. Também não gosto da política, desordenada e corrupta.

5) Qual é o lugar mais agradável do país, na sua opinião?
Natania, onde eu moro.

6) Qual é o lugar menos agradável?
Não tem um lugar específico.

7) Qual é a palavra em hebraico que você mais gosta?
“Shalom” (paz, olá, tchau...)

8) Qual é a palavra em hebraico que você menos gosta?
Não tem. Não consigo pensar em nenhuma.

9) Que comida israelense é a mais saborosa?
Não é falafel, não é shwarma... Prefiro cuscus, mas também gosto de tchulent – e olha que sou sefaradi!

10) O que você diria para quem pensa em fazer aliá?
Que venham bem preparados psicologicamente porque aqui não é um mar de rosas.

6.10.10

Bate-Bola Rápido (Daniela Kresch Entrevista Sandra Rejwan)

SANDRA REJWAN

Na entrevista desta semana da série de brasileiros que vivem em Israel, a arquiteta paulista Sandra Rejwan, de 44 anos, moradora de Jerusalém e mãe de duas filhas. Representante do partido governista Likud para a América Latina, Sandra pretende concorrer para o Knesset (o Parlamento israelense) nas próximas eleições. Ela é casada com Dror Rejwan, um empresário do setor de café. Ativista de organizações brasileiras em Israel, serviu como conselheira para assuntos de política interna de Israel para a embaixada do Brasil, entre 2004 e 2006.

1) Sandra, quando você veio morar em Israel?
Em 1986.

2) Por quê você optou em morar em Israel?
Tive uma educação sionista.

3) Do que você mais gosta, em Israel?
Da liberdade de ir e vir.

4) Do que menos você gosta?
Da diplomacia pública. É ruim. Israel não se explica  e não vê a necessidade de se explicar. Os israelenses são assim: se acham que estão certos, acham que não têm que dar explicação.

5) Qual é o lugar mais agradável do país, na sua opinião?
O porto de Yaffo (Jaffa) ao por do sol.

6) Qual é o lugar menos agradável?
Gosto de tudo... Mas o que me vem à cabeça, agora, é o mercado de Akko (Acre). Gosto de vários mercados, em Tel Aviv, em Jerusalém... Mas o de Akko me agrada menos.

7)Qual é a palavra em hebraico que você mais gosta?
“Ahava” (amor)

8)Qual é a palavra em hebraico que você menos gosta?
“Fraier” (otário)

9) Que comida israelense é a mais saborosa?
Não existe uma comida típica israelense... O guefilte-fish é o que mais se aproxima, talvez...

10) O que você diria para quem pensa em fazer aliá?
Que venha conhecer Israel sem os filtros da mídia maliciosa e tendenciosa e se apaixone naturalmente.




"Boa sorte a ela. Mas espero que o Hadash, nas próximas eleições, jogue um pouco de água na caipirinha dela. O Likud no qual ela faz parte é o PSDB israelense, o Hadash, advinham? Sim, o Hadash é de centro-esquerda como o partido governista daqui. Contudo, Mazal Tov, Sandra!"

28.9.10

Bate-Bola Rápido (Daniela Kresch Entrevista Isaac Benasulin)

ISAAC BENASULIN

Na série de entrevistas com brasileiros em Israel, esta semana conversamos com Isaac Benasulin, de 43 anos, que nasceu, na verdade, em Angola, filho da única família de judeus que morava no país na década de 60. Benasulin, no entanto, cresceu em Curitiba, depois que seus parentes foram expulsos pelo governo angolano em 1975. No país que o recebeu de braços abertos, ele aprendeu o sotaque local e se interessou pela capoeira, o esporte/luta mais brasileiro possível. Em 1987, decidiu se mudar para Israel, onde, ainda hoje, pratica e ensina a capoeira. Recentemente, inaugurou o centro Art’n Fight (http://www.artnfight.co.il), em Tel Aviv, onde também oferece aulas de jiu-jítsu, samba e zumba.

1) Isaac, quando você veio morar em Israel?
Em 1987.

2) Por quê você optou em morar em Israel?
Por sionismo.

3) Do que você mais gosta, em Israel? A verdade?
Da segurança que o país me dá.

4) Do que menos você gosta?
Da mentalidade dos israelenses. Da grosseria.

5) Qual é o lugar mais agradável do país, na sua opinião?
O Norte do país.

6) Qual é o lugar menos agradável?
Não tem nenhum, ao meu ver.

7) Qual é a palavra em hebraico que você mais gosta?
“Neshiká” (beijo).

8) Qual é a palavra em hebraico que você menos gosta?
Qualquer uma com muito “chhhhhhhhhh”....

9) Que comida israelense é a mais saborosa?
O humus, claro.

10) O que você diria para quem pensa em fazer aliá?
Que venha.

20.9.10

Bate-Bola Rápido (Daniela Kresch Entrevista Luciana Krontal)

LUCIANA NAPCHAN KRONTAL

Na série de entrevistas com brasileiros que decidiram morar em Israel, a paulista Luciana Napchan Krontal, de 40 anos, há quase vinte anos no país. Luciana decidiu cedo que iria construir a vida em Israel. Aos 20 anos, já estava no país, onde estudou, se casou e teve três filhos. Mas, apesar das décadas longe do Brasil, ainda não se acostumou com o jeito por vezes rude dos israelenses. Mantém a simpatia. “Nós, brasileiros, somos amados pelo mundo por causa da nossa simpatia”, diz.

1) Luciana, quando você veio morar em Israel?

Em outubro de 1991.

2) Por quê você optou em morar em Israel?  

Vim para o Shnat (ano de estudos e passeio) em 1988 e gostei. Decidi voltar.

3) Do que você mais gosta, em Israel?

A liberdade de andar pelas ruas, a falta de violência, mesmo que tenha mudado bastante. O sistema de saúde é muito bom também, mesmo que tenhamos vindo de parâmetros diferentes, de classe média no Brasil. As escolas também são boas. As coisas funcionam.

4) Do que menos você gosta?

O jeitão do israelense. Me incomoda até hoje.

5) Qual é o lugar mais agradável do país, na sua opinião?

A região na qual eu moro é muito boa. Meu moshav (Tzofit, nos arredores de Kfar Saba) é delicioso.

6) Qual é o lugar menos agradável?

Talvez o Neguev (Sul do país), que é mais distante, mais quente.

7) Qual é a palavra em hebraico que você mais gosta?

Balagan (“bagunça”).

8) Qual é a palavra em hebraico que você menos gosta?


Chutzpá.

9) Que comida israelense é a mais saborosa?

O melhor daqui é a melancia, o melão, as frutas cítricas... Não sou muito ligada a falafel. No Brasil há mais diversidade de frutas. Mas aqui, as cítricas são maravilhosas.

10) O que você diria para quem pensa em fazer aliá?

Que você tem que estar muito certo de que é isso mesmo que você quer. Porque é muito difícil se adaptar em outro país, independentemente de ser Israel. Quando você muda de país, abre mão de muita coisa. Da cultura, da língua. Tem que aprender novos hábitos, uma nova língua. Tem que aprender a aceitar e olhar as pessoas por outro ponto-de-vista. Isso não é fácil.

Bate-Bola Rápido (Daniela Kresch Entrevista Joca Perpignan)

JOCA PERPIGNAN

Em mais uma entrevista da série de brasileiros que optaram por viver em Israel, agora é a vez do músico carioca Joca Perpignan, de 38 anos, que veio morar no país em 1986, quando tinha 14 anos, com a família. Depois de uma temporada de seis anos no Rio, Joca voltou há poucos meses para Israel, onde prepara o lançamento de seu segundo CD. O músico se apresenta com nomes de peso da música local como Matti Caspi e Yoni Rechter, além de fazer shows solo e com os grupos Trio Joca Perpignan e Tucan Trio.

1)
     Joca, quando você veio morar em Israel?

A primeira vez foi em 1986, com a família. E a segunda, mais recentemente, em junho deste ano, depois de seis anos no Brasil.

2)
     Por quê você optou em morar em Israel?

Confesso que, da primeira vez, vim à revelia. Tinha 14 para 15 anos, e a decisão não era minha. Era uma questão familiar. Mas da segunda vez, já foi uma opção minha, por questões pessoais.

3)
     Do que você mais gosta, em Israel?

O que mais me atraiu nessa volta para cá foi família e amigos. Todo lugar tem suas vantagens e desvantagens, Eu adoro o Brasil, mas era difícil para mim, às vezes, a questão da violência e certos valores que me incomodam. Gosto muito do público israelense, que é muito caloroso para a música brasileira. Gosto da cena cultural, da curiosidade das pessoas pela música brasileira.

4)
     Do que menos você gosta?

Da grosseria. Da falta de cordialidade e gentileza, algo cultural por aqui. É muito difícil me acostumar com a falta de respeito no dia a dia. É claro que a situação política me incomoda também, a busca pela paz e tudo mais. Mas o que mais incomoda é a grosseria entre as pessoas.

5)
     Qual é o lugar mais agradável do país, na sua opinião?

Eu adoro Tel Aviv. Curto muito. É uma cidade muito bacana, com uma vida cultural agitada, com praias. É uma cidade que nunca dorme. Para a minha profissão, é o melhor lugar para morar.

6)
     Qual é o lugar menos agradável?

Menos agradável, não sei. Mas posso citar Ramat Gan como mais tedioso...


7)
     Qual é a palavra em hebraico que você mais gosta?

“Bevakasha” (Por favor). Além de ser bom que seja usada sempre, a sonoridade dá samba!

8)
     Qual é a palavra em hebraico que você menos gosta?

“Nu” (algo como “vamos”, ou “e aí?”). Parece que vem do russo. Não gosto porque é uma expressão de impaciência.

9)
     Que comida israelense é a mais saborosa?

Eu adoro a comida daqui, adoro comida mediterrânea, oriental. E, com certeza, a comida que é feita de maneira mais artística é o humus.

10)
  O que você diria para quem pensa em fazer aliá?

Tentar aproveitar as coisas boas que o país tem e ter paciência com as coisas ruins. Saber levar a diferença cultural sem se irritar o tempo todo. Ignorar o que precisa ser ignorado e não levar nada para o lado pessoal.


5.9.10

A FORÇA DA ROMÃ

Às vésperas do Ano Novo judaico, nada melhor do que falar de uma fruta que simboliza, em Israel, a festa do Rosh Hashaná: a romã.

Depois de 12 anos de estudos, pesquisadores israelenses do Hospital Rambam, em Haifa, descobriram recentemente que comer romã faz bem à saúde: ajuda a evitar ataques do coração e derrames.
Quer dizer: a romã, além de simbólica, também é medicinal. Não é à toa, então, que a fruta está ligada à saúde em várias culturas.

Para os gregos, por exemplo, era associada à fecundidade e também à riqueza. No Velho Testamento, também está associada às paixões. Seria um afrodisíaco.

Os médicos sugerem tomar todos os dias meio copo de suco da fruta, que também teria o poder de previnir o câncer e evitar o envelhecimento, além de enriquecer o corpo com minerais, vitaminas e ferro.

Quem preferir, pode comer meio copo de sementes de romã (uma delícia com um pouco de mel em cima). Aliás, prefiro mesmo comer as sementes (acho o suco meio amargo). É gostoso também espalhar sementes de romã em cima de saladas e outros pratos. Dá um gosto especial e é crocante.

Não entendo nada de enzimas, mas ao que parece, a romã eleva o nível de uma enzima produzida no fígado e previne arteriosclerose. Enfim, ajuda a desentupir os vasos sanguíneos bloqueados.

Outras frutas mediterrâneas, menos comuns no Brasil, que teriam o mesmo efeito são a murta e a alfarroba.

Tudo isso para desejar a todos um feliz 5771. De alegrias, saúde, prosperidade, riqueza e, claro, muitas paixões.

Bate-Bola Rápido (Daniela Kresch Entrevista Cônsul-Geral Ilan Sztulman)


ILAN SZTULMAN

Entrevista a Daniela Kresch – Tel Aviv


Dando continuidade à série de pequenas entrevistas com alguns dos 10 mil brasileiros que moram em Israel, o personagem desta semana é um nome de peso: Ilan Sztulman, 52 anos, o novo cônsul de Israel em São Paulo. Funcionário de carreira do Ministério das Relações Exteriores, Ilan ocupava, até agora, a posição de vice-diretor de Assuntos Públicos da chancelaria. Mas a partir de 5 de setembro, comanda oficialmente o consulado paulista, que havia sido fechado há sete anos por corte de verbas. O fechamento, segundo ele, foi um erro que agora é consertado pela diplomacia nacional. Nascido em São Paulo, casado, pai de dois filhos, Ilan fez aliá aos 18 anos.

1) Ilan, quando você veio morar em Israel?

Em março de 1976.

2) Por quê você optou em morar em Israel?


Porque sou sionista.

3) Do que você mais gosta, em Israel?


Das pessoas.

4) Do que menos você gosta?

Do ritmo da vida.

5) Qual é o lugar mais agradável do país, na sua opinião?

Jerusalém.

6) Qual é o lugar menos agradável?


Também Jerusalém. A cidade tem certas áreas agradáveis e outras, nem tanto.

7) Qual é a palavra em hebraico que você mais gosta?

“Ahava” (amor).

8) Qual é a palavra em hebraico que você menos gosta?

“Maniac” (maluco ou maníaco, dependendo do interlocutor)

9) Que comida israelense é a mais saborosa?


Existe comida israelense “de fato” (risos)? Humus.

10) O que você diria para quem pensa em fazer aliá?


Que este é um lugar muito, muito aberto, onde qualquer pessoa pode se achar e fazer o seu caminho de maneira muito mais fácil do que qualquer outro lugar do mundo.