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30.12.15

LEMBRANÇAS DA NOITE DO ASSASSINATO


TEL AVIV – O que sentiram e pensaram os jornalistas israelenses que cobriram ao vivo o assassinato de Yizthak Rabin, há exatos 20 anos? 

Foi isso que se perguntaram os produtores de uma reportagem recente no Canal 2, que reuniu cinco jornalistas famosos que, por acaso, estavam de plantão naquele sábado, 4 de novembro de 1995. 

Todos achavam que seria uma noite normal depois de uma manifestação histórica pela paz na Praça Malchei Israel (atual Praça Rabin), em Tel Aviv.

 

A manifestação reuniu centenas de milhares de israelenses, incluindo o próprio Rabin (que pensou em não ir porque não sabia se seria um fracasso de público) e Shimon Peres. Foi só no fim do evento, depois que Rabin e Peres desafinaram cantando a “Música para a Paz” (Shir LaShalom), que o assassino Yigal Amir atirou três vezes nas costas do primeiro-ministro. Mudou a História e, quero crer, entristeceu o país inteiro (infelizmente, nem isso é consenso em Israel). A reportagem, em hebraico, pode ser vista pelo link:
http://www.mako.co.il/news-channel2/Channel-2-Newscast-q4_2015/Article-54c0dec
5be5a051004.htm?sCh=86806603e7478110&pId=25483675


O repórter Aharon Barnea, deslocado para o hospital onde Rabin foi internado, foi o primeiro a dar a notícia da morte na TV. Ele estava com um telefone celular enorme – daqueles tijolões – no ouvido porque o cabo de som que o ligava ao estúdio não estava funcionando. A certa altura, ele ouviu um médico dizer: “há pulso”. 
Ficou esperançoso. Outra jornalista, Smadar Peled, chegou a afirmar que a situação do premiê era “grave, mas estável”.

-- Me segurei nessa esperança – contou Aharon Barnea. – Mas, logo depois, alguém sussurrou que ele tinha morrido. Decidi que não ia falar nada ao vivo na TV até sair o comunicado oficial.

Quando isso aconteceu, Barnea só consegui dizer: “Saiu um comunicado de Eitan Haber (assessor de imprensa do premiê): Rabin morreu. Mais do que isso não posso falar”.

-- Senti que não podia falar nada mais porque começaria a chorar na frente das câmeras – contou Barnea. – Trabalho há muitos anos nessa profissão e nunca pensei que seria o primeiro a informar algo assim. Estava devastado. Continuo devastado até hoje. É um trauma para toda a vida. As lágrimas de hoje são porque, na verdade, não aprendemos nada. A pergunta não é se haverá outro assassinato político, é quando – disse Barnea, pessimista com o clima atual em Israel, duas décadas depois.
Outro jornalista, o âncora Yaakov Eilon, também fez história naquela noite. Foi ele quem, do estúdio, segurou a transmissão dos eventos ao vivo. 

-- Me chamaram de urgência para trabalhar e, num certo momento, disseram no fone de ouvido que Rabin tinha falecido, mas que não era para eu falar ainda – disse Eilon.

Quando sentiu que Aharon Barnea, depois de dar a informação dramática, não conseguia mais falar de emoção, Eilon pediu a palavra e improvisou. Olhou no relógio e afirmou: “Agora são 11:15 da noite e o primeiro-ministro morreu”.

-- Vou fazer uma confissão. Não sei se o meu relógio estava certo. Acho que estava atrasado uns dois ou três minutos... – brincou. – 
Não sei se vai haver mais um assassinato político. Mas se acontecer, não será mais surpresa.

Outro jornalista de peso, Gadi Sukenik, também trabalhava naquela noite. Foi ele quem deu o furo que aumentou ainda mais o trauma nacional: a identidade do criminoso.
-- Eu tinha certeza de que era um árabe. Mas, assim que as imagens do assassino começaram a passar na TV, um estudante me ligou e disse que conhecia o cara, tinha 25 anos, era um estudante religioso de direita de Direito da Universidade Bar-Ilan se chamava Yigal. 
Infelizmente, acho que um novo assassinato político pode acontecer de novo, daqui a cinco minutos – completou Sukenik, também pessimista.

Infelizmente, 20 anos depois do assassinato de Rabin, um líder que ousou liderar, que ousou mudar a situação, que ousou buscar a paz, o clima em Israel continua sendo de conflito interno e de intolerância. Minha esperança são as crianças. Depois de aprender na escola, minha filha de quase 8 anos me explicou, há alguns dias, quem foi o ex-primeiro-ministro: “Rabin foi um rapaz importante que falou algo sobre a paz”.

(Originalmente publicado em 03/11/15, na Rua Judaica)

29.5.11

Bate-Bola Rápido (Daniela Kresch Entrevista Fábio Drukier)

O desenhista industrial Fábio Drukier, de 24 anos, é o entrevistado da semana nesta série de entrevistas com participantes do MASA, que oferece bolsas para jovens queiram passar de cinco a dez meses em Israel, estudando, trabalhando ou viajando pelo país. Desde 2005, mais de 1.250 jovens já conheceram Israel através da instituição.

O paulista Flávio passou dez meses em Israel em 2006 pelo programa Shnat Achshará – que há cinco anos também é financiado pelo MASA. Começou a estadia no Kibutz Hatzerim, no Sul de Israel, depois passou um tempo em Beer Sheva para finalmente estudar no Machon Le-Madrichim (Instituto de Liderança), em Jerusalém.

1) Por quê você decidiu viajar para Israel?
Desde pequeno, sempre frequentei tnuot noar (movimentos juvenis), onde discutia a realidade de Israel, além de ter estudado em colágio judaico. Meus pais também sempre apoiaram essa minha vontade de conhecer o país. Achei que era importante para a minha vida.

2) Por quê escolheu um programa ligado ao MASA?

O Shnat Achshará é ligado ao MASA desde 2006.

3) Do que você mais gostou, em Israel?

De respirar Judaísmo. As aulas são todas em hebraico, o país comemora todas as festas judaicas... Tudo o que, no Brasil, eu tenho que me esforçar para fazer, em Israel é mais fácil.

4) O que mais estranhou?

Me assustou ver coisas qe eu não esperava, como questões sócio-econômicas. Vi pobreza, prostituição, diferença de classes, discriminação a minorias como etíopes, russos, árabes... Achei que esse tipo de coisa demoraria mais a chegar a Israel, um país tão jovem.

5) Qual foi o ponto alto do programa?

Foi estudar no Machon Le-Madrichim. As aulas eram fantásticas, os professoes eram excelentes e as viagens, muito legais.

6) O que poderia ser melhorado?

Faltou estarmos mais inserido na realidade israelenses, no cotidiano do país. Se tivéssemos feito ulpan num centro urbano e não num kibutz, seria melhor. Ficamos muito ilhados em nós mesmos. Tivemos pouco contato com o resto da sociedade. 

7) Qual a maior lição da experiência?

Foi uma oportunidade de conhecer mais os meus limites, de me conhecer melhor, de conhecer e respeitar os outros. Além disso, como judeu, ter morado em Israel faz muita diferença. Agora, me importo mais com o que acontece lá e meus laços com o judaísmo estão mais apertados. Quando voltei, passei a fazer trabalho voluntário na comunidade.

8) O que você diria para quem pretende visitar o país?

Diria para  não deixar essa oportunidade passar. Por muito tempo o povo judeu sonhou em ter uma terra. Agora tem e isso faz muita diferença. É importante vivenciar o país, ouvir o hebraico... Essas pequenas coisas ficam para o resto da vida.

(Fonte: Notícias da Rua Judaica)